Imanuel (Deus Conosco)
O que significa Imanuel na Bíblia?
A palavra no original
עִמָּנוּ אֵל
immanu El (ʿImmānû ʾēl) · Strong H6005
Conosco está Deus; nome-sinal em Isaías 7–8, aplicado ao nascimento de Jesus em Mateus 1:23.
Tudo isto ao mesmo tempo
- presença de Deus com o povo
- nome-sinal profético
- esperança davídica
- proteção em tempo de crise
- encarnação
Resposta curta
Imanuel (עִמָּנוּ אֵל, immanu El) é um nome hebraico que significa “Deus conosco” ou, mais literalmente, “conosco, Deus”. Aparece em , no sinal que o profeta dá ao rei Acaz durante a crise da guerra contra Aram e Israel, e é retomado em e 8:10. Em o Evangelho cita para falar do nascimento de Jesus.
Para entender por que Mateus faz essa aplicação, é preciso ler duas coisas: o contexto original de –8, em que o nome funciona como mensagem de proteção a Judá, e a forma como o Evangelho usa essa citação. O nome não descreve só um menino, mas uma afirmação sobre Deus: a presença dele junto do povo, num momento de medo.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoMateus afirma expressamente que o nascimento de Jesus cumpre : “tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta” (). O Evangelho traduz o nome (“Deus conosco”) e o retoma no fim, quando Jesus promete estar com os discípulos “todos os dias” (28:20). A forma exata desse cumprimento é discutida, porque o sinal tinha sentido no tempo de Acaz. Mateus lê o texto à luz da Septuaginta (parthenos) e da pessoa de Jesus, e vê no nome a presença de Deus que Isaías anunciava.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Imanuel é um nome hebraico que quer dizer “Deus conosco”. Aparece no livro de Isaías, quando o rei Acaz estava com medo de ser atacado por reis vizinhos e Deus lhe dá um sinal: um menino que receberia esse nome. O nome era uma mensagem de que Deus estava com o povo. Séculos depois, o Evangelho de Mateus cita essa passagem ao contar o nascimento de Jesus e traduz o nome como “Deus conosco”. Os estudiosos ainda debatem quem era o menino no tempo de Isaías.
De onde vem a palavra
A palavra Imanuel nasce numa crise política. Por volta de 734 a.C., Rezim, rei de Aram, e Peca, rei de Israel (o reino do norte, chamado Efraim), atacam Judá para forçar o rei Acaz a entrar numa coalizão contra a Assíria. diz que o coração do rei e do povo tremeu “como as árvores do bosque tremem ao vento”. Isaías, acompanhado de seu filho Sear-Jasube, vai ao encontro de Acaz e pede que ele não tema, pois a aliança inimiga não prevalecerá (7:3-9).
Deus oferece então a Acaz um sinal, “quer embaixo nas profundezas, quer em cima nas alturas” (7:11). O rei recusa com aparência de piedade: “não pedirei, nem tentarei o Senhor” (7:12). Isaías responde com um sinal dado por iniciativa de Deus: “eis que a jovem conceberá, dará à luz um filho e lhe chamará Imanuel” (7:14). Antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra dos dois reis que Acaz teme estará abandonada (7:15-16). Mas o texto acrescenta uma sombra: a Assíria, a quem Acaz se apega, cairá sobre Judá (7:17-25).
No capítulo 8, o tema volta com outro menino: o filho de Isaías, Maher-Shalal-Hash-Baz, cujo nome anuncia a pilhagem de Damasco e Samaria (8:1-4). Em seguida, o profeta descreve a Assíria como uma inundação que transborda e “encherá a largura da tua terra, ó Imanuel” (8:8). O nome aqui é endereço: a terra é chamada de terra de Imanuel. Em 8:10, depois de desafiar as nações a que tramem em vão, ele conclui: “porque Deus é conosco”, e as palavras ouvidas aqui, em hebraico, são ki immanu El.
Ao longo de –12, a esperança de Judá se concentra em uma criança da casa de Davi: o filho dado em 9:6-7 e o ramo que brota do tronco de Jessé em 11:1. O nome Imanuel não é repetido nesses textos, mas o fio de esperança é o mesmo. Para os primeiros leitores, a mensagem era direta: o poder de Deus, e não a aliança política, decide o futuro de Judá.
Aprofundamento
O nome é uma frase. Immanu é “conosco” (im, “com”, mais o sufixo -nu, “nós”) e El é “Deus”. Como o hebraico dispensa o verbo “ser” em frases nominais, a leitura natural é “Deus [está] conosco”, uma afirmação, e não um pedido. Em e 8:8 a forma vem escrita como uma só palavra (עִמָּנוּאֵל, Strong H6005), em 8:10 como duas (עִמָּנוּ אֵל). Fórmulas semelhantes aparecem nos Salmos, como “o Senhor dos Exércitos está conosco” (Salmo 46:7, 11), e mostram que a frase pertence à linguagem de confiança de Israel. Em Isaías, os nomes de crianças funcionam como mensagens: Sear-Jasube (“um resto voltará”), Maher-Shalal-Hash-Baz e Imanuel. O próprio profeta afirma que ele e os filhos que Deus lhe deu são “sinais e maravilhas em Israel” (8:18).
O ponto mais debatido é a palavra hebraica traduzida por “jovem” em . Ela é almah, usada para mulheres jovens em idade de casar (; ; ). O termo mais específico para “virgem” seria betulah, mas a distinção não é absoluta em todos os textos. A tradução grega, a Septuaginta, verteu o termo por parthenos, que pode significar “virgem”, embora a mesma palavra seja usada de Diná, depois da violência que sofreu, em . segue essa tradução grega. O artigo definido (“a jovem”) indica uma mulher que o profeta e Acaz teriam em mente, e os comentaristas discordam sobre quem seja: uma esposa de Acaz, a esposa do profeta ou uma figura não identificada. A tese de que o menino seria Ezequias tem dificuldade na cronologia de .
A leitura de Mateus segue o padrão do seu Evangelho. Ele introduz a citação com “para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta” (1:22), e usa o mesmo verbo (plēroō) para textos que, no original, descrevem a história de Israel, como em . “Cumprir”, nesse caso, pode abranger um padrão que se completa em Jesus, e não apenas previsão pontual. Mateus também traduz o nome para o grego, “Deus conosco”, e fecha o Evangelho com a promessa “eu estou convosco todos os dias” (28:20), o que dá à citação uma função que atravessa todo o livro.
Há ainda uma distinção a manter: Jesus não é chamado “Emanuel” como nome de uso; o anjo manda dar-lhe o nome Jesus (1:21), e Emanuel descreve o que ele é. Quanto ao sentido original em Isaías, o texto é silencioso sobre a identidade exata do menino, e as hipóteses variam.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:A palavra hebraica de Isaías 7:14 significa, sem dúvida, “virgem”.
O termo hebraico é almah, “jovem”, que não é a palavra mais específica para virgindade (betulah). A leitura de “virgem” vem da Septuaginta (parthenos) e de , e é central para a tradição cristã, mas o debate sobre a palavra hebraica é real.
Dizem que:Jesus era chamado de Emanuel no dia a dia.
manda dar o nome Jesus. Emanuel é um nome que descreve o que ele é, e nenhum texto do Novo Testamento mostra Jesus sendo chamado assim.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica
Comentaristas judaicos medievais leem o sinal como cumprido no tempo de Acaz, identificando o menino com um filho do profeta ou com um rei de Judá, e entendem almah como “jovem”.
Cristã tradicional (patrística, católica e ortodoxa)
Vê em uma profecia do nascimento virginal de Jesus, apoiada em e na tradução grega parthenos, e entende Imanuel como confissão da encarnação.
Cristã evangélica (duplo cumprimento)
Defende que o sinal teve um cumprimento imediato, na crise de Acaz, e um cumprimento pleno em Jesus, lendo –12 como esperança de um rei davídico que culmina em Cristo.
Crítica histórica
Lê –8 no contexto da guerra siro-efraimita, com o menino como sinal da proteção de Deus a Judá, e entende Mateus como uma releitura cristã do texto a partir da Septuaginta.
O que fazer com isso
Imanuel nasce numa hora de medo e declara que a presença de Deus é o argumento central, não a estratégia de Acaz. Ler o nome com esse contexto evita reduzi-lo a uma frase de efeito. A leitura de Mateus mostra, por sua vez, como o Evangelho enxerga em Jesus a presença que Isaías anunciava. A palavra pede menos certeza sobre detalhes que o texto não dá e mais atenção ao que o nome afirma.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas5 obras
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
- Oswalt, John N.. The Book of Isaiah, Chapters 1–39 (New International Commentary on the Old Testament), 1986.
- Wildberger, Hans. Isaiah 1–12: A Commentary, 1991.
- Blenkinsopp, Joseph. Isaiah 1–39 (Anchor Bible), 2000.
- Davies, W. D.; Allison, Dale C.. A Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According to Saint Matthew, vol. 1 (International Critical Commentary), 1988.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que Imanuel significa em português?
“Deus conosco”. Em hebraico, immanu é “conosco” e El é “Deus”. É uma frase sem verbo, que afirma que Deus está com o povo.
Onde o nome Imanuel aparece na Bíblia?
Em e 8:8, escrito como uma palavra, e em , onde a expressão se divide em duas (immanu El, “Deus é conosco”). No Novo Testamento, em .
Quem era o menino Imanuel no tempo de Isaías?
O texto não o identifica. Foi proposto que fosse um filho do profeta, um filho do rei ou uma criança não nomeada. O que o texto enfatiza é o sinal: antes de o menino crescer, a ameaça dos reis de Aram e Israel passaria.
Por que Mateus aplica essa passagem a Jesus?
Mateus usa o texto na versão grega, com parthenos, e vê no nascimento de Jesus a realização do nome Imanuel, que ele traduz como “Deus conosco”. O Evangelho retoma a ideia em 28:20.
Palavras próximas
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