Gazofilácio (Gazophylakion)
O que significa gazofilácio na Bíblia?
A palavra no original
γαζοφυλάκιον
gazophylakion · Strong G1049
Lugar onde se guarda o tesouro; cofre ou sala do tesouro.
Tudo isto ao mesmo tempo
- tesouro e depósito
- ofertas do templo
- caixa de contribuições
- câmaras sagradas
- guarda de bens consagrados
Resposta curta
Gazofilácio é uma palavra pouco usada hoje, que significa o lugar onde se guarda o tesouro: um cofre, uma sala ou um depósito de valores. Nas traduções da Bíblia, designa a parte do templo de Jerusalém em que se depositavam as ofertas e se guardavam bens sagrados. A palavra traduz o grego γαζοφυλάκιον (gazophylakion), composta de gaza, "tesouro", e phylake, "guarda". Aparece em e , na cena em que Jesus observa as pessoas lançando dinheiro, e em , quando ele ensina nesse local. O leitor tropeça porque o termo soa obscuro, mas o cenário é simples: caixas de oferta no pátio do templo, onde uma viúva pobre deposita duas moedas pequenas e recebe a atenção de Jesus.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO gazofilácio não é figura de Cristo, e o texto não faz essa ligação. O que a cena mostra é Jesus como aquele que vê e avalia o que se oferece a Deus: ele observa, chama os discípulos e declara o valor da oferta da viúva. A autoridade com que fala dentro do templo, o espaço do culto, faz parte do retrato que os evangelhos traçam dele como alguém maior do que o templo ().
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Gazofilácio é o lugar onde se guardava o tesouro do templo de Jerusalém, ou seja, o cofre ou a sala em que as pessoas depositavam suas ofertas. Em , Jesus se senta diante dele e observa quem deposita dinheiro. Muitos ricos dão muito, mas uma viúva pobre lança duas moedinhas, e Jesus diz que ela deu mais do que todos, porque deu tudo o que tinha. Em , ele ensina nesse mesmo local. A palavra parece estranha, mas o cenário é fácil de imaginar: caixas de oferta num pátio do templo.
De onde vem a palavra
O gazofilácio aparece no último período do ministério de Jesus em Jerusalém, na semana que antecede a crucificação. Em , ele está no templo, sentado diante do gazofilácio, e observa como a multidão lança dinheiro na caixa. Muitos ricos põem muito. Uma viúva pobre vem e lança duas pequenas moedas, que valem um quadrante, a menor fração da moeda romana corrente. Jesus chama os discípulos e declara que aquela viúva lançou mais do que todos, porque os outros deram do que lhes sobrava, e ela, da sua pobreza, deu tudo o que tinha para o seu sustento (). Lucas conta a mesma cena com poucas diferenças ().
O cenário material ajuda a entender o texto. O templo reformado por Herodes era um complexo de pátios sucessivos. Segundo a tradição preservada na Mixná (tratado Shekalim), havia treze recipientes em forma de trombeta, colocados no Pátio das Mulheres, cada um destinado a um tipo de contribuição, como o imposto anual do templo, ofertas voluntárias, oferta pelo incenso e madeira para o altar. É provável que a cena de Marcos se passe nesse espaço, embora o texto evangélico não descreva a mobília e a identificação seja uma reconstrução baseada em fontes posteriores. Quem entrava podia ver quanto cada pessoa depositava, o que explica a observação de Jesus.
A palavra tem também um uso mais amplo na Bíblia. Nos livros históricos e em Neemias, o gazofilácio designa câmaras do templo em que se guardavam os utensílios, o dízimo, as ofertas e os valores confiados à guarda dos levitas (; 13:4-9). Em , o evangelista informa que Jesus proferiu o discurso do capítulo "no gazofilácio, ensinando no templo", e que ninguém o prendeu, porque a sua hora ainda não havia chegado. O termo, portanto, nomeia ao mesmo tempo uma parte do edifício e a função de reserva de bens sagrados, e o contexto de cada passagem indica qual das duas ideias está em primeiro plano.
Aprofundamento
A palavra grega γαζοφυλάκιον (gazophylakion, Strong G1049) é um composto de gaza, vocábulo geralmente considerado de origem persa e ligado à ideia de tesouro real, e phylakion, de phylake, "guarda, vigilância". O sentido literal é, portanto, "lugar onde se guarda o tesouro". Os léxicos, como o BDAG, registram dois usos no Novo Testamento: a caixa ou receptáculo de ofertas, em e , e, possivelmente, a sala ou o conjunto de salas do tesouro, em . A distinção nem sempre é nítida no grego, e as traduções oscilam entre "cofre", "tesouro" e "sala do tesouro".
Na Septuaginta, a palavra serve para câmaras do templo e para depósitos de objetos preciosos, o que dá fundo ao uso do Novo Testamento. Em , o sacerdote Eliasibe preparou para Tobias uma grande câmara onde antes se guardavam as ofertas de cereais, o incenso, os utensílios e os dízimos; Neemias, ao voltar, mandou lançar fora os móveis de Tobias e purificar as salas. Esse episódio mostra como o espaço do tesouro era tratado como parte do que era santo, e não como simples cofre comercial. Josefo e os livros dos Macabeus também falam de somas de dinheiro guardadas no templo, o que confirma a função de reserva financeira da instituição.
É preciso distinguir o gazofilácio de outra palavra do mesmo campo. Em , os principais sacerdotes, ao receber o dinheiro devolvido por Judas, dizem que não é lícito pô-lo no korbanas, termo ligado à oferta consagrada (veja o verbete korban). São palavras diferentes para instâncias próximas: gazophylakion nomeia o local ou a caixa, enquanto korbanas nomeia o fundo sagrado como instituição.
O sentido da cena de é debatido. A leitura tradicional, devocional, vê na viúva um modelo de generosidade sacrificial, pois o valor da oferta se mede pelo que resta a quem dá. Uma segunda leitura, defendida por exemplo por Addison Wright em um artigo de 1982, observa que a cena vem logo depois da crítica de Jesus aos escribas que devoram as casas das viúvas () e antes do anúncio da destruição do templo (). Nessa leitura, Jesus lamenta que um sistema religioso leve uma viúva a entregar tudo o que tem, em vez de elogiar o gesto sem reserva. O texto não declara a intenção de Jesus de modo explícito, e as duas leituras são sustentadas por comentaristas sérios; por isso convém ler o episódio sem forçar uma só conclusão.
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:Gazofilácio é o mesmo que o dízimo.
Gazofilácio é um lugar, a caixa ou a sala do tesouro; dízimo é uma contribuição de um décimo. O dízimo podia ser guardado nas câmaras do templo (), mas as duas palavras não são sinônimas.
Dizem que:Jesus elogia a viúva como exemplo de que todo cristão deve entregar todo o seu sustento à igreja.
O texto registra a observação de Jesus sobre o valor relativo da oferta, mas não dá uma regra. Seu contexto imediato inclui a crítica aos que exploram viúvas () e o anúncio da queda do templo (), e as leituras da passagem divergem.
Dizem que:Sabemos exatamente qual dos treze cofres do templo a viúva usou.
Marcos e Lucas não descrevem a mobília. Os treze recipientes aparecem na Mixná, de redação posterior, e a identificação com a cena é uma reconstrução plausível, não um dado do texto.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura devocional tradicional (patrística, católica e protestante)
Vê na viúva um exemplo de generosidade sacrificial e de confiança em Deus, para quem a oferta vale pelo coração e pelo custo pessoal, e não pela quantia.
Leitura crítica de lamento (Addison Wright e outros)
Lê a cena em conjunto com e 13:2, como crítica a um sistema religioso que leva os pobres a se esgotar, com Jesus lamentando a perda da viúva, e não a recomendando como modelo.
Reformada / protestante
Costuma tomar a cena como lição sobre a disposição do coração na oferta, em linha com , ressaltando que a avaliação de Jesus não depende da visibilidade ou do valor absoluto.
O que fazer com isso
A cena do gazofilácio ensina a olhar para a oferta como Jesus a observou: não pelo tamanho, mas pelo que ela custa a quem dá e pelo que revela do coração, sem fazer disso um motivo de comparação ou de exibição. O texto não é um convite a doar sem juízo nem a comparar valores, e sim a perceber que Deus enxerga o que ninguém mais conta.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas5 obras
- Bauer, W.; Danker, F. W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Edersheim, A.. The Temple: Its Ministry and Services as They Were at the Time of Jesus Christ, 1874.
- Jeremias, J.. Jerusalem in the Time of Jesus, 1969.
- Evans, C. A.. Mark 8:27-16:20 (Word Biblical Commentary), 2001.
- Wright, A. G.. The Widow's Mites: Praise or Lament? A Matter of Context (Catholic Biblical Quarterly 44), 1982.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que é o gazofilácio do templo?
É o lugar de guarda do tesouro do templo de Jerusalém: o cofre ou sala onde se recebiam as ofertas e se guardavam bens sagrados. A palavra traduz o grego gazophylakion.
Onde o gazofilácio aparece no Novo Testamento?
Em , e . Nos dois primeiros, na cena da viúva e de suas duas moedas; no terceiro, como local em que Jesus ensinou.
Quanto valiam as duas moedas da viúva?
Marcos diz que valiam um quadrante, a menor fração do dinheiro romano, e Lucas fala em dois leptos, moedas mínimas. Era muito pouco, o que realça o contraste com as ofertas dos ricos.
Por que algumas Bíblias não usam a palavra gazofilácio?
Versões modernas costumam traduzir por "cofre das ofertas", "tesouro" ou "sala do tesouro", pela razão de que gazofilácio é pouco usado no português atual. O termo grego é o mesmo.
Palavras próximas
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