Nedavah (Oferta Voluntária)
O que significa Nedavah na Bíblia?
A palavra no original
נְדָבָה
nedavah (nᵉḏāḇâ) · Strong H5071
Oferta espontânea, dada por iniciativa de quem tem o coração disposto, sem obrigação de lei ou voto.
Tudo isto ao mesmo tempo
- oferta voluntária
- disposição e generosidade do coração
- contribuição espontânea para o santuário
- distinção entre voto e oferta livre
- louvor e palavra oferecidos a Deus
Resposta curta
Nedavah (נְדָבָה) designa a oferta feita por livre iniciativa, sem obrigação de lei. Vem do verbo nadav, “mover-se voluntariamente, dispor-se”, e aparece nas regras de sacrifício em , na construção do tabernáculo em (o povo trouxe nedavah) e no Salmo 54:6, em que o salmista promete sacrificar “de coração voluntário”. A palavra não nomeia um tipo de sacrifício, mas o motivo pelo qual se oferece: quem traz uma nedavah não responde a uma exigência, a um voto ou a um pecado a reparar, e sim a um coração disposto. É assim que ela se distingue de outras ofertas e do dízimo, e por isso ilumina a leitura de ofertas, de dízimos e do Salmo 119:108.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO Novo Testamento não reutiliza a palavra nedavah, mas o princípio da entrega voluntária reaparece em torno de Cristo. Jesus diz de sua vida: “Ninguém a tira de mim; eu a dou de mim mesmo” (), e Paulo escreve que Cristo “se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus” (). A ligação é temática: a oferta que nasce de uma entrega livre, e não de imposição, e não uma relação lexical com nedavah. Não há aqui uma tipologia direta, e convém não forçá-la.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Nedavah é a palavra hebraica para a oferta dada por livre vontade, sem que a lei obrigasse. Aparece nas regras dos sacrifícios em e na construção do tabernáculo em , quando o povo trouxe tanto que Moisés precisou mandar parar. Também aparece no Salmo 54:6, em que o salmista promete oferecer de coração voluntário. A nedavah se distingue do voto e do dízimo, que eram compromissos, e mostra que a Bíblia valoriza a generosidade que nasce de um coração disposto.
De onde vem a palavra
Na religião de Israel, grande parte das ofertas tinha ocasião fixa: o sacrifício diário, as ofertas das festas, as ofertas pelo pecado e pela culpa. A nedavah ocupa o espaço oposto, o da iniciativa de quem oferece. diz que o israelita podia trazer um holocausto ou uma oferta de paz “para cumprir voto ou como oferta voluntária”, e repete a distinção entre neder (voto) e nedavah. Em outras palavras, a nedavah não era um sacrifício à parte; era o mesmo tipo de sacrifício, apresentado por vontade própria.
O exemplo mais conhecido de nedavah coletiva é a construção do tabernáculo. Em , Deus ordena que se recolha a contribuição “de todo homem cujo coração o mover” e, em , todo aquele cujo coração o dispôs e cujo espírito o impulsionou trouxe ouro, linho, peles e pedras, homens e mulheres. O texto usa a mesma raiz para o coração disposto e para a oferta resultante. O episódio termina de modo surpreendente: em , o povo continua trazendo oferta voluntária cada manhã, até que os artesãos avisam a Moisés que há mais do que o suficiente, e Moisés manda proclamar que ninguém traga mais.
O padrão se repete na história. Em , Davi e os chefes do povo oferecem voluntariamente para o futuro templo, e o texto diz que o povo se alegrou por ter oferecido de coração íntegro (29:9). Em Esdras, os repatriados trazem ofertas voluntárias para a reconstrução (1:4-6; 2:68; 3:5). Em , a oferta voluntária faz parte da Festa das Semanas, e a medida dela é “conforme o Senhor te abençoou”.
Os profetas e os salmos usam a palavra de formas mais íntimas. O salmista promete “sacrificar de coração voluntário” () e pede que o Senhor aceite “as ofertas voluntárias da minha boca” (), em que a nedavah já é louvor e palavra, e não animal. , por sua vez, ironiza os que “apregoam ofertas voluntárias” para serem vistos, mostrando que a nedavah também pode ser esvaziada por quem a transforma em exibição.
Aprofundamento
A palavra נְדָבָה (nedavah, Strong H5071) vem do verbo נָדַב (nadav), “estar disposto, agir espontaneamente”. A mesma raiz produz o adjetivo nadiv, “generoso, nobre, príncipe”, como em : “o generoso planeja coisas generosas”. Essa vizinhança de sentidos é importante, porque mostra que a ideia de oferecer de forma voluntária estava ligada, na língua, à de nobreza de caráter. O aramaico bíblico tem o verbo cognato em , em que o rei e seus conselheiros “oferecem voluntariamente” ouro e prata, e o povo contribui com oferta voluntária para o templo.
O principal ponto técnico é a distinção entre neder e nedavah. Em , o neder é o voto, a promessa de oferecer algo em troca de uma graça ou em agradecimento, e a nedavah é a oferta espontânea. O texto estabelece que o animal oferecido por voto deve ser perfeito, mas acrescenta que um animal com membro alongado ou encurtado pode ser aceito como nedavah, ainda que não como cumprimento de voto (22:23). As razões dessa diferença são discutidas pelos comentaristas, e a explicação mais comum é a de que o voto cria uma dívida a quitar com exatidão, enquanto a nedavah é um presente, e o presente recebe o que se tem. O trecho, entretanto, não afrouxa a exigência para o culto em geral, já que 22:20-21 exige animais sem defeito para as ofertas regulares.
Há também a distinção com o dízimo. O dízimo era uma obrigação fixada em lei (; ), enquanto a nedavah era dada por vontade livre, sem quantia estabelecida. A Torá, aliás, cita as duas coisas lado a lado em : “vossos dízimos, ... vossos votos e vossas ofertas voluntárias”. A lista mostra que os israelitas distinguiam o que era devido do que era dado por iniciativa.
A Septuaginta traduz nedavah, em geral, por palavras ligadas a hekousion (“voluntário, espontâneo”), como em (hekousiōs thysō soi), e essa raiz grega reaparece no Novo Testamento. Em , Paulo quer que o bem feito por Filemom seja “não por obrigação, mas de livre vontade” (kata hekousion). Em , os macedônios deram “voluntariamente” (authairetoi), e em a regra é que cada um dê “como propôs no coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama quem dá com alegria”. Não há equivalência lexical estrita com nedavah, mas o princípio, o da oferta que nasce do coração disposto, é o mesmo.
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:Nedavah é outro nome para o dízimo.
O dízimo era obrigação fixada em lei, com proporção definida (; ). A nedavah era dada por livre iniciativa e sem quantia fixa. lista os dois separadamente.
Dizem que:Nedavah é um tipo de sacrifício, ao lado do holocausto e da oferta de paz.
Em e 7:16, o holocausto e a oferta de paz podiam ser trazidos como neder ou como nedavah. A palavra nomeia o motivo da oferta (voluntário), não a forma do ritual.
Dizem que:Por ser voluntária, a nedavah não tinha regras.
O que era voluntário era a decisão de oferecer. Os animais seguiam as exigências do culto (), com a ressalva específica do versículo 23 sobre o membro alongado ou encurtado, e a oferta era levada ao santuário conforme as normas.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica rabínica
A halachá posterior distingue neder (compromisso que obriga a repor a oferta se o animal se perder) e nedavah (designação de um animal específico, sem obrigação de reposição). A distinção é discutida em tratados do Talmude e reflete o contraste de .
Reformada / protestante
Muitos autores entendem que, no Novo Testamento, a generosidade passa a ser regida pelo princípio de –9, a doação voluntária e alegre, e debatem se o dízimo mosaico continua obrigatório para o cristão. Há quem o veja como padrão mínimo e quem o veja como regime próprio de Israel.
Católica
Vê a oferta voluntária como expressão do culto e da caridade, em continuidade com a esmola e a colaboração material com a Igreja. O Código de Direito Canônico (cân. 222) fala do dever dos fiéis de ajudar a Igreja em suas necessidades, sem fixar quantia.
O que fazer com isso
A nedavah mostra que nem toda oferta bíblica nasce de uma cobrança. O texto separa o que é devido do que é dado, e põe a generosidade no segundo grupo, ligada a um coração disposto. Ao ler passagens sobre ofertas e sobre o dízimo, vale perguntar de qual das duas categorias o texto fala, sem usar uma como pretexto para esvaziar a outra.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas6 obras
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
- Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Milgrom, J.. Leviticus 1–16 (Anchor Bible), 1991.
- Milgrom, J.. Leviticus 17–22 (Anchor Bible), 2000.
- Wenham, G. J.. The Book of Leviticus (NICOT), 1979.
- Levine, B. A.. Leviticus (JPS Torah Commentary), 1989.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre neder e nedavah?
Neder é o voto, uma promessa que obriga a quem a fez. Nedavah é a oferta voluntária, dada por iniciativa própria. e 22:18-23 mostram os dois lado a lado, e a Torá os trata de modo diferente.
Nedavah é o mesmo que dízimo?
Não. O dízimo era obrigação regulada pela lei (), com quantia definida. A nedavah era espontânea e sem valor fixo. menciona as duas coisas em separado.
Por que Moisés mandou o povo parar de trazer ofertas?
Em , os artesãos informaram que o povo trazia mais do que a obra exigia. Moisés mandou proclamar que ninguém trouxesse mais, e o texto diz que o que havia bastava e sobrava.
A nedavah aparece no Novo Testamento?
A palavra hebraica não, mas o princípio sim: em Paulo diz que cada um dê como propôs no coração, “não com tristeza ou por necessidade”, e em fala do bem feito “de livre vontade”.
Palavras próximas
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