Evyon (Necessitado, Pobre)
O que significa evyon na Bíblia?
A palavra no original
אֶבְיוֹן
evyon ('eḇyôn) · Strong H34
Pessoa necessitada que depende da ajuda de outros para suprir o que lhe falta.
Tudo isto ao mesmo tempo
- pobreza material e carência
- dependência da ajuda alheia
- defesa de Deus ao fraco
- justiça social e lei de generosidade
- condição de oprimido pelos poderosos
Resposta curta
Evyon (אֶבְיוֹן) é a palavra hebraica para o pobre que depende da ajuda de outros, o necessitado que não tem como suprir o que lhe falta. Aparece cerca de sessenta vezes no Antigo Testamento, com concentração em Deuteronômio, Salmos, Provérbios e nos profetas. Em , a lei manda abrir a mão ao evyon, e nos Salmos Deus é apresentado como quem o levanta do pó (Salmo 113:7) e o defende diante dos poderosos. O termo se junta a outras palavras hebraicas para pobreza, como ani e dal, mas enfatiza a necessidade concreta e a dependência. Traduzir apenas por "pobre" faz perder essa nuance, ainda que o próprio texto não defina rigidamente os termos.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoO cuidado de Deus com o necessitado, que o Antigo Testamento vincula ao evyon, é retomado no Novo Testamento. Em Nazaré, Jesus lê e diz que foi ungido para anunciar boas novas aos pobres (), e Paulo escreve que Cristo, sendo rico, se fez pobre por amor dos seus (). O grego usa ptochos, não uma tradução direta de evyon, de modo que a ligação é de tema e de trajetória, não de citação.
Respaldo no Novo Testamento: ;
Em palavras simples
Evyon é a palavra hebraica para o pobre que precisa de ajuda dos outros para viver. Aparece cerca de sessenta vezes na Bíblia, especialmente em Deuteronômio, nos Salmos e nos profetas. A lei manda abrir a mão para o evyon (), e os Salmos dizem que Deus o levanta do pó (Salmo 113:7). Os profetas, como Amós, condenam quem o explora. Existem outras palavras hebraicas para pobreza, mas evyon destaca a necessidade concreta e a dependência de ajuda.
De onde vem a palavra
O hebraico bíblico tem várias palavras para pobreza, e cada uma ilumina um aspecto. Ani costuma indicar o aflito, o oprimido, aquele a quem se faz mal. Dal indica o frágil, o de poucos recursos. Rash descreve o carente. Evyon fala do necessitado, daquele que depende de alguém para viver. Os usos se sobrepõem, e os textos frequentemente os combinam, como na fórmula ani ve'evyon, "aflito e necessitado" (Salmo 40:17; 70:5; 86:1).
A Lei de Moisés trata o evyon como alguém que a comunidade tem obrigação de socorrer. é o texto central. O versículo 4 afirma que "não haverá pobre entre vós" se a lei for guardada, e o versículo 11 diz, com realismo, que o pobre nunca deixará de existir na terra, e por isso manda abrir a mão ao irmão necessitado. A mesma palavra evyon aparece nos dois versículos, o que mostra que o texto não ignora a tensão entre o ideal e a experiência. O capítulo trata de remissão de dívidas no sétimo ano, empréstimos sem usura e proibição de endurecer o coração. acrescenta a justiça nos tribunais e o descanso da terra, para que os necessitados comam do que ela produzir.
Nos Salmos, o evyon é figura de quem não tem outro apoio senão Deus. O Salmo 113:7 diz que Deus "levanta do pó o pobre e do monturo ergue o necessitado", e o Salmo 72:12-13 pede ao rei que livre o necessitado que clama. Em , o cântico de Ana diz o mesmo. Esses textos formam uma teologia do Deus que se alia a quem não tem poder.
Os profetas denunciam a exploração do evyon. Amós acusa os que "vendem o justo por prata e o necessitado por um par de sandálias" (; 8:6) e os que pisam a cabeça dos fracos (). diz que defender a causa do pobre e do necessitado é conhecer a Deus. Para os profetas, a injustiça contra o evyon é questão de fidelidade à aliança, e não apenas de assistência.
Aprofundamento
A palavra אֶבְיוֹן (evyon, Strong H34) é um adjetivo e substantivo que aparece perto de sessenta vezes no Antigo Testamento. Sua etimologia é incerta. Muitos léxicos, entre eles o BDB, ligam o termo à raiz avah, "desejar, ansiar", o que daria ao evyon a imagem de alguém que anseia pelo que lhe falta. Essa derivação é comum, mas não é segura, e outros estudiosos preferem tratar a palavra como de origem obscura. O significado do termo se fixa mais pelo uso do que pela raiz.
É importante distinguir os campos de sentido. Pelo uso, evyon enfatiza a carência material e a dependência: o necessitado é aquele que precisa receber. Ani, por outro lado, destaca a condição de rebaixamento ou opressão, e por isso aparece junto de verbos de violência e de sofrimento. Dal aponta para fraqueza e para o status social baixo. Em certos textos, as palavras se intercambiam, e é prudente evitar tratar essas diferenças como regras fixas, porque os autores combinam os termos com liberdade. J. David Pleins, em seu estudo sobre as visões sociais da Bíblia hebraica, observa que o vocabulário da pobreza é variado e vem de contextos diversos, entre eles lei, sabedoria e profecia.
Outra característica é a forma como o texto atribui causas à pobreza. Alguns textos a ligam à preguiça ou à falta de prudência (), outros à opressão e à injustiça (; ), e outros ainda a circunstâncias como dívida ou perda de terra (). Os livros bíblicos não oferecem uma única explicação, e a palavra evyon, em si, não declara a causa. Ela descreve a situação e convoca a resposta.
Há, por fim, um uso devocional e comunitário. Alguns salmistas se descrevem como "aflito e necessitado" ao orar (Salmo 40:17), e há estudiosos que discutem se, em certos salmos, o termo passou a designar também um grupo de piedosos que confiam em Deus. A comunidade de Qumran, nos manuscritos do Mar Morto, parece ter usado a expressão "os pobres" para se designar, e o nome dos ebionitas, grupo cristão judaico dos primeiros séculos, deriva de evyonim, ainda que a relação histórica seja debatida. No Novo Testamento, o grego usa sobretudo ptochos para esse campo (; ).
A Septuaginta costuma traduzir evyon por ptochos ou penes, e em Salmo 113:7 (112:7 na numeração grega) emprega ptochos e penes nos dois membros do versículo. Isso ajuda a ver como o vocabulário hebraico entra no Novo Testamento, ainda que cada língua carregue nuances próprias e não exista correspondência exata entre as palavras.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Deuteronômio 15:11 prova que a pobreza é inevitável e que não adianta combatê-la.
O mesmo capítulo diz que não haverá pobre se a lei for guardada (15:4) e, no versículo 11, usa a constatação de que o necessitado sempre existirá para ordenar que se abra a mão a ele. O texto conclui com um mandamento de generosidade, não de resignação.
Dizem que:Evyon, ani e dal são sinônimos exatos.
Os três se sobrepõem e aparecem juntos, mas têm ênfases diferentes: evyon destaca a carência e a dependência, ani a aflição ou opressão, dal a fragilidade. Os autores os combinam com liberdade, de modo que as diferenças são de matiz, não de regra.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Teologia da libertação (católica latino-americana)
Gustavo Gutiérrez e outros leem os textos sobre os pobres como base de uma opção preferencial de Deus pelos pobres, em que a justiça social faz parte da fidelidade bíblica.
Reformada e evangélica
Enfatiza o dever de generosidade e justiça para com o necessitado como expressão da lei e da aliança, e distingue as causas da pobreza (injustiça, imprudência, calamidade) sem reduzir tudo a uma só.
Judaica rabínica
Desenvolve em normas de tzedakah, a obrigação de dar ao necessitado, tratada como dever de justiça e não apenas de caridade voluntária.
Crítica histórica
Estudiosos como Pleins veem na linguagem sobre o evyon um reflexo de tensões sociais reais em Israel, com crítica profética a estruturas de dívida e de concentração de terras.
O que fazer com isso
Evyon lembra que a Bíblia trata a pobreza como uma realidade concreta, que pede resposta concreta, e não como simples metáfora espiritual. O texto liga a justiça com o necessitado à fidelidade a Deus, sem prometer que o problema será resolvido por fórmulas. Ler essas passagens convida a perguntar como a generosidade e a justiça se aplicam hoje, com honestidade sobre a complexidade das causas e dos remédios.
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Fontes consultadas5 obras
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
- Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Pleins, J.D.. The Social Visions of the Hebrew Bible: A Theological Introduction, 2001.
- Gutiérrez, G.. Teologia da Libertação, 1971.
- Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre evyon e ani?
Ambos se traduzem por pobre ou necessitado e aparecem juntos em fórmulas como "aflito e necessitado" (Salmo 40:17). Evyon enfatiza a carência e a dependência, ao passo que ani destaca a aflição ou opressão. A diferença é de ênfase.
Deuteronômio 15 diz que haverá ou não haverá pobres?
Diz as duas coisas. O versículo 4 afirma que não haverá pobre se o povo obedecer. O versículo 11 reconhece que o pobre nunca deixará de existir e ordena abrir a mão a ele.
Os ebionitas receberam esse nome por causa de evyon?
O nome vem do plural hebraico evyonim, "os pobres". A explicação de por que o grupo assim se chamou é debatida, e as fontes antigas não são unânimes.
Palavras próximas
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