Eikon (Imagem)
O que significa Eikon na Bíblia?
A palavra no original
εἰκών
eikōn · Strong G1504
Imagem, figura ou retrato que representa um original e deriva dele.
Tudo isto ao mesmo tempo
- imagem e retrato
- representação de um original
- imagem de Deus no ser humano
- Cristo como imagem do Deus invisível
- pertencimento (efígie na moeda)
Resposta curta
Eikōn (εἰκών) é a palavra grega para “imagem”, usada para estátuas, retratos, reflexos e figuras gravadas em moedas. A Septuaginta a emprega em para traduzir o hebraico tselem, a imagem de Deus em que o ser humano é criado. No Novo Testamento, chama Cristo de “imagem do Deus invisível”, e diz que os fiéis são conformados à imagem do Filho.
A palavra também aparece em , em que designa a efígie de César na moeda do imposto, e em Apocalipse, nas imagens da besta. Esse leque mostra que eikōn liga duas ideias: a semelhança com um modelo e o pertencimento a quem o modelo representa. É por isso que a tradução simples “imagem” nem sempre mostra o que está em jogo em cada texto.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoA trajetória vai da imagem de Deus em Adão () até Cristo, a imagem perfeita, e dele aos fiéis. e chamam Cristo de imagem de Deus, e diz que os fiéis são conformados a essa imagem. Paulo contrapõe a imagem do primeiro Adão à do segundo (), e o tema da restauração aparece em . não fala de Cristo, mas o Novo Testamento lê nele o cumprimento do que a imagem de Deus devia ser.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Eikon é a palavra grega para “imagem”: uma estátua, um retrato ou a figura numa moeda. Na tradução grega do Antigo Testamento, é a palavra usada para dizer que o ser humano foi feito à imagem de Deus. No Novo Testamento, Cristo é chamado de imagem do Deus invisível, e os fiéis são transformados à imagem do Filho. Quando Jesus pergunta de quem é a imagem na moeda do imposto, mostra que a palavra liga a imagem ao dono. Por isso eikon fala de semelhança e também de pertencimento.
De onde vem a palavra
No grego comum, eikōn designava qualquer representação visível de algo: um retrato, uma estátua, a figura gravada numa moeda, o reflexo na água. A palavra supõe sempre um original do qual a imagem deriva. Quando os tradutores da Septuaginta verteram o hebraico tselem em , escolheram eikōn, e com isso a palavra entrou no vocabulário teológico do judaísmo de língua grega e, depois, do Novo Testamento.
O texto de Gênesis diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (1:26), e repete a ideia no versículo 27 com a imagem em destaque. A expressão volta em , onde Sete nasce “à semelhança de Adão, conforme a sua imagem”, e em , que proíbe derramar sangue humano porque “Deus fez o homem à sua imagem”. Em nenhum desses textos o autor explica em que consiste a imagem; a Bíblia a afirma e dela tira consequências, sem defini-la. Em , a afirmação vem ligada à tarefa de dominar e cuidar da criação (1:26, 28).
No Novo Testamento, a palavra aparece mais de vinte vezes, e um dos casos mais conhecidos está nos Evangelhos. Em (e em e ), fariseus e herodianos tentam apanhar Jesus com a pergunta sobre o imposto a César. Ele pede uma moeda e pergunta: “De quem é esta imagem (eikōn) e inscrição?”. A resposta é “de César”, e Jesus conclui: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. O texto não relaciona a moeda e , mas muitos comentaristas veem um eco: a moeda traz a imagem de César e lhe pertence, e o ser humano traz a imagem de Deus.
Nas cartas, Paulo transforma eikōn em palavra central: Cristo é a imagem de Deus (; ), e os cristãos são transformados à sua imagem (; ).
Aprofundamento
O substantivo εἰκών (eikōn, Strong G1504) significa “imagem”, “figura” ou “retrato”. O BDAG ressalta que designa algo que tem uma contrapartida real e que, por isso, representa e manifesta o original. Não é o mesmo que homoiōma (“semelhança, forma”) nem que morphē (“forma”), e a diferença importa: uma moeda com a efígie do imperador o representa, sem ser o imperador.
Em Gênesis, o hebraico tselem é usado também para estátuas (; ), e isso levou muitos estudiosos a ligar a imagem de Deus à prática do antigo Oriente Próximo, em que reis colocavam estátuas suas em territórios que governavam para marcar sua autoridade. Nessa leitura, o ser humano é a representação de Deus na criação, com função de governo (). Outras leituras destacam a razão, a relação com Deus ou a capacidade moral. O texto não escolhe entre essas opções, e a pergunta continua aberta.
A expressão “imagem e semelhança” gerou uma distinção antiga: na patrística, Irineu de Lyon e outros viram na imagem o que é dado na criação e na semelhança o que o ser humano deve alcançar. Os estudiosos hoje desconfiam dessa divisão, porque usa só “semelhança” e 9:6 usa só “imagem”, o que sugere que os dois termos funcionam em paralelo.
Paulo desenvolve o tema em torno de Cristo. Em , ele é “a imagem do Deus invisível”, o que diz que o Deus invisível se torna conhecido nele; em , ele é “a imagem de Deus” que a luz do evangelho revela. Os fiéis, por sua vez, são “predestinados para serem conformes à imagem de seu Filho” () e “transformados de glória em glória” na mesma imagem (). fala do “novo homem, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”, sinal de que a imagem pode ser renovada. Em , a imagem do primeiro Adão se contrapõe à do celestial.
Uma passagem mais difícil é , em que Paulo diz que o homem é “imagem e glória de Deus” e a mulher “glória do homem”. Em Gênesis, a imagem é dita de ambos (1:27), e os comentaristas debatem o que Paulo quer dizer nesse contexto de culto, sem consenso. usa outra palavra, charaktēr (“marca, expressão exata”), para dizer que o Filho reproduz o ser de Deus, e a ideia se aproxima da de eikōn.
A palavra tem também usos negativos: em os homens trocam a glória de Deus por uma imagem de homem corruptível, e em há a imagem da besta. Em , a lei é só sombra, e não a própria imagem (eikōn) das realidades. Ou seja, o termo cobre tanto a representação fiel quanto a falsa.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:“Imagem” e “semelhança” em Gênesis 1:26 são duas faculdades distintas do ser humano.
Essa distinção vem de leituras patrísticas posteriores. No texto, as duas palavras funcionam em paralelo: usa só “semelhança” e usa só “imagem”.
Dizem que:A imagem de Deus foi destruída na queda de Adão.
e , ambos depois da queda, falam do ser humano como feito à imagem de Deus. O Novo Testamento fala em renovação (), mas não em desaparecimento da imagem.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Patrística e ortodoxa
Seguindo Irineu, distingue entre a imagem, dada na criação, e a semelhança, que se alcança em Cristo; a imagem é o ponto de partida do caminho de comunhão com Deus, que a tradição ortodoxa chama de teose.
Católica (escolástica)
Com Tomás de Aquino, localiza a imagem sobretudo na razão e na vontade, que permitem conhecer e amar a Deus, e a vê aperfeiçoada pela graça.
Reformada
Com Calvino, afirma que a imagem abrange o ser humano inteiro, mas tem sua sede principal na alma, e que foi deformada pelo pecado, não anulada, e restaurada em Cristo.
Crítica histórica (leitura funcional)
Entende a imagem como representação de Deus na criação, a partir do paralelo com as estátuas de reis no antigo Oriente Próximo, e destaca o papel de governo e cuidado do mundo.
O que fazer com isso
Eikōn lembra que, na Bíblia, a dignidade humana não depende de capacidades, mas de pertencer a Deus: quem carrega sua imagem não é propriedade de César nem de si mesmo. Também mostra que Cristo é o modelo do que o ser humano deve ser. Ler a palavra em cada contexto evita fazer dela uma definição pronta e abre espaço para a pergunta sobre como honrar essa imagem nas relações diárias.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas5 obras
- Bauer, W.; Danker, F. W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Kittel, G.; Friedrich, G. (orgs.). Theological Dictionary of the New Testament, verbete eikōn.
- Middleton, J. Richard. The Liberating Image: The Imago Dei in Genesis 1, 2005.
- Irineu de Lyon. Contra as Heresias (Adversus Haereses).
- Calvino, João. Institutas da Religião Cristã, 1559.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Eikon é a mesma palavra que “ícone”?
Sim. “Ícone” vem de eikōn. No grego, a palavra servia para qualquer imagem, e na tradição cristã oriental passou a designar as pinturas sagradas.
O que significa Cristo ser a “imagem do Deus invisível”?
Em , significa que Cristo representa e torna conhecido o Deus que ninguém vê. Paulo não define como, e o versículo se aproxima de e de .
Por que Jesus pergunta de quem é a imagem na moeda?
Porque a efígie e a inscrição mostram o dono da moeda (). O texto não cita Gênesis, mas a palavra eikōn é a mesma que a Septuaginta usa para a imagem de Deus, e muitos comentaristas veem aí um eco.
A imagem de Deus é só a alma ou o corpo também?
A Bíblia não define. afirma a imagem do ser humano como um todo, e as tradições cristãs divergem sobre onde localizá-la: na razão, na relação, no governo da criação ou na pessoa inteira.
Palavras próximas
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