Pular para o conteúdo
Significado Bíblico
Dicionário bíblicogregointermediária

Arrabon (Penhor, Garantia)

O que significa Arrabon na Bíblia?

A palavra no original

ἀρραβών

arrabōn · Strong G728

Pagamento inicial ou penhor que obriga o devedor a completar o restante e garante a conclusão do negócio.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • penhor e garantia
  • entrada ou primeira prestação
  • termo comercial de origem semítica
  • herança já iniciada
  • Espírito como antecipação

Resposta curta

Arrabon (ἀρραβών) é uma palavra grega do comércio que significa penhor, entrada ou primeira prestação: um pagamento inicial que garante o restante e compromete quem o dá. A palavra vem de uma raiz semítica, ligada ao hebraico 'erabon, que designa o penhor entregue por Judá a Tamar em . O Novo Testamento a usa três vezes, sempre para o Espírito Santo: Coríntios 5:5 e .

A imagem sugere que o Espírito é um começo real, e não apenas uma promessa. Quem o recebe já possui uma parte da herança que ainda será plenamente entregue. As traduções variam entre penhor, garantia, sinal e primeiras prestações, e cada uma realça um aspecto diferente dessa ideia de herança iniciada.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

A palavra não aparece no Antigo Testamento como profecia de Cristo, mas o Novo Testamento coloca o arrabon dentro da obra dele. Em , os crentes são selados com o Espírito "nele", isto é, em Cristo, e o Espírito é penhor da herança. Em , o Espírito dado em vista da redenção do corpo é chamado de primícias. A herança futura vem por meio de Cristo ressurreto, e o Espírito dado agora é a entrada dessa herança. O vínculo é teológico, não uma tipologia forçada do penhor de Judá em .

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Arrabon é uma palavra grega do comércio que significa a entrada ou o sinal de um pagamento: o adiantamento que garante que o resto será pago. Paulo a usa três vezes para o Espírito Santo, dizendo que ele é o penhor da herança que Deus prometeu aos que creem. A ideia é que o Espírito já é um começo verdadeiro da herança, e não só uma promessa. As traduções em português usam penhor, garantia, sinal ou primeiras prestações.

De onde vem a palavra

O arrabon pertence ao mundo dos contratos. Em papiros gregos do período helenístico e romano, a palavra aparece em vendas, arrendamentos e contratos de trabalho para o valor adiantado que o comprador dá ao vendedor, como sinal de que o negócio será concluído. O termo chegou ao grego por empréstimo de línguas semíticas, provavelmente pelo comércio fenício, e deixou descendentes em outras línguas: o latim arra, o espanhol arras e o grego moderno arravónas, que significa "noivado". A ideia de compromisso assumido, que prende quem o assume, atravessa todos esses usos.

O antecedente bíblico mais próximo está em . Judá, sem saber que a mulher à sua frente era Tamar, promete enviar um cabrito e, enquanto isso, deixa o selo, o cordão e o cajado como penhor (em hebraico 'erabon). A Septuaginta traduz a palavra por arrabon nos versículos 17, 18 e 20. Aqui há uma nuance importante: o penhor de Judá devia ser devolvido quando o cabrito chegasse, ao passo que o arrabon do comércio grego costumava ser parte do pagamento final. O Novo Testamento usa o termo mais próximo do segundo sentido.

Paulo emprega a palavra em três passagens. Em , ele afirma que Deus os ungiu, os selou e "deu o penhor do Espírito em nossos corações", em um contexto de confiabilidade das promessas de Deus em contraste com a mudança de planos de viagem do apóstolo. Em , ele fala do corpo mortal que será "absorvido pela vida" e acrescenta que Deus "nos deu o penhor do Espírito" como garantia dessa transformação. Em , os crentes são selados com o Espírito Santo da promessa, "que é o penhor da nossa herança, até a redenção da propriedade adquirida".

Portanto, nos três usos, o Espírito é dado agora, em vista de algo ainda por vir. O tempo presente e o futuro se encontram: o crente vive entre o começo da herança e a sua entrega plena, o que costuma ser descrito com a fórmula "já e ainda não".

Aprofundamento

A tradução do termo oscila porque a palavra portuguesa "penhor" tem dois sentidos que o grego distingue pouco. Um penhor, em sentido jurídico, é um bem entregue em garantia e devolvido quando a dívida é paga, como na casa de penhores. O arrabon do comércio grego, por outro lado, é uma entrada: adianta parte do valor e, no fim, é absorvida pelo total. O léxico BDAG descreve o arrabon como pagamento inicial, depósito ou primeira prestação, que obriga a parte contratante a completar o pagamento. Paulo parece ter em mente esse segundo sentido, e não o do penhor devolvido, já que o Espírito não é retirado quando a herança chega, mas é a mesma realidade em sua plenitude.

Isso conversa com outra imagem do apóstolo, a de aparche, as "primícias" do Espírito em . Em ambos os casos, o presente tem a mesma qualidade do futuro, mas em porção menor. A comparação com o selo (sphragis), que aparece lado a lado em e , traz outro elemento: o selo marca a posse e a autenticidade, e o arrabon assegura a entrega. Quem comparar os dois verá que um responde à pergunta "a quem pertence?" e o outro à pergunta "o que ainda vem?".

Vale notar o que o texto afirma e o que deixa em aberto. Paulo diz que o Espírito é o arrabon; não define, nos versículos citados, em que consiste a parte já recebida nem como a experiência dela se manifesta. As tradições divergem: algumas enfatizam a segurança do crente, outras o sabor antecipado da vida futura, outras o vínculo entre o Espírito e os sacramentos. Também não há acordo pleno sobre se a "herança" de é aquilo que o crente recebe ou aquilo que Deus recebe, a "propriedade adquirida" (peripoiesis); o contexto permite as duas leituras, e talvez ambas.

O contexto de acrescenta um dado: o arrabon aparece em meio à imagem da tenda terrestre e do edifício eterno, o que indica que a garantia diz respeito também à transformação do corpo, e não apenas a uma experiência interior. Por fim, o termo pertence ao vocabulário que Paulo usa em carta a gregos, e não é nome técnico de uma doutrina fixada por ele. O que a palavra faz é tornar uma doutrina abstrata, a da herança futura, em algo palpável: uma entrada que já está no bolso e aponta para a quitação completa.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Arrabon é um termo religioso criado por Paulo para falar do Espírito Santo.

    A palavra era de uso comum no comércio grego, em contratos de venda e arrendamento, e tem origem semítica. Paulo a empresta do vocabulário cotidiano, e é por isso que o leitor antigo entendia a imagem de imediato.

  • Dizem que:O penhor do Espírito é uma garantia que será devolvida quando a herança chegar, como um penhor de casa de empréstimos.

    Em , o penhor de Judá era devolvido, mas o arrabon do comércio grego costumava ser parte do pagamento final. No uso de Paulo, o Espírito não é recolhido, e sim a primeira parcela da mesma herança.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada

    Vê no arrabon a segurança do crente: o Espírito, dado como penhor e selo, garante a perseverança dos que Deus chamou até a plena redenção, conforme .

  • Católica

    Entende o Espírito como antecipação da glória futura e associa o selo do Espírito aos sacramentos de iniciação, ao mesmo tempo em que mantém a esperança da plena posse da herança.

  • Pentecostal e carismática

    Enfatiza o caráter experiencial do arrabon: o Espírito já dá, na vida presente, um sabor real das realidades da era vindoura, em tensão entre o "já" e o "ainda não".

O que fazer com isso

A imagem do arrabon convida a ler a vida de fé como um processo com início real e conclusão prometida, e não como espera vazia. Ela ajuda a distinguir entre o que já foi dado, o Espírito, e o que ainda se aguarda, a plena herança. Também evita confundir a entrada com o pagamento total, o que protege contra expectativas que o texto não promete.

Passagens relacionadas6

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas4 obras
  • Danker, F. W. (ed.). A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 3ª ed., 2000.
  • Moulton, J. H.; Milligan, G.. The Vocabulary of the Greek Testament Illustrated from the Papyri and Other Non-Literary Sources, 1930.
  • Hoehner, H. W.. Ephesians: An Exegetical Commentary, 2002.
  • Harris, M. J.. The Second Epistle to the Corinthians (NIGTC), 2005.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quantas vezes arrabon aparece no Novo Testamento?

Três vezes: Coríntios 5:5 e . Nos três casos, a palavra se refere ao Espírito Santo dado aos crentes.

Arrabon e selo são a mesma coisa?

Não. O selo (sphragis) marca posse e autenticidade, e o arrabon é a entrada que garante o restante. Em e os dois aparecem juntos, mas com funções diferentes.

Qual é a melhor tradução de arrabon?

Não há uma única. 'Penhor' é a mais tradicional, 'garantia' realça a segurança e 'primeira prestação' ou 'entrada' realça que é parte do pagamento total. Vale comparar as versões.

A palavra tem ligação com o noivado?

No grego moderno, arravónas significa noivado, mas isso é um desenvolvimento posterior, da ideia de compromisso com sinal. O Novo Testamento não usa o termo nesse sentido.

Palavras próximas

Temas

Publicado em 10/10/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • ἀρραβών (arrabōn) em grego, Strong G728
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

Esta palavra nas passagens explicadas

Teologia densa1 Coríntios 14:27-28

1 Coríntios 14:27-28: as regras de Paulo para falar em línguas

Em Corinto, a igreja vivia uma disputa por prestígio espiritual, e falar em língua estranha — fala não compreendida por quem ouvia, atribuída ao Espírito — havia virado sinal de status. Em 1 Coríntios 14:27-28, Paulo não proíbe o dom, mas organiza seu uso na reunião: no máximo três pessoas podem falar dessa forma, uma de cada vez, sempre com alguém presente que interprete para os demais. Se não houver quem interprete, quem tem o dom deve calar-se ali e falar apenas consigo mesmo e com Deus.

Ler explicação →