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Significado Bíblico
Costumes da épocaintermediária
Ilustração da categoria Costumes da época

Por que Jesus mandou ungir a cabeça e lavar o rosto ao jejuar?

O que Jesus quis dizer com ungir a cabeça e lavar o rosto quando se jejua?

E quando jejuardes, não vos mostreis tristonhos, como os hipócritas; porque eles desfiguram seus rostos, para parecerem aos outros que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam sua recompensa. Porém tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, Para não pareceres às pessoas que jejuas, mas sim ao teu Pai, que está em segredo; e teu Pai, que vê em segredo, ele te recompensará em público.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

No Sermão do Monte, Jesus ensina como jejuar sem transformar o jejum em vitrine. Quem jejuava com ostentação desfigurava o rosto, deixando claro para todos que estava passando fome. Jesus diz que essas pessoas já receberam a recompensa, que é o reconhecimento humano. Para quem jejua com sinceridade, ele recomenda ungir a cabeça e lavar o rosto, isto é, manter a aparência normal do dia a dia, para que só o Pai, que vê em secreto, saiba. A instrução não cria um ritual de óleo. Ela usa um costume cotidiano de higiene e festa como contraste com o costume de luto e penitência, para ensinar que o jejum é dirigido a Deus, e não à plateia.

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

Jesus ensina sobre o jejum com autoridade de quem fala em nome do Pai e vê o que está em secreto. Em outro momento, ele liga o jejum à sua presença: os convidados do casamento não jejuam enquanto o noivo está com eles, mas jejuarão quando for tirado. O jejum cristão, assim, olha para o Senhor.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Alguns judeus jejuavam de modo que todos notassem, com o rosto abatido. Jesus diz para fazer o contrário: lavar o rosto e se arrumar como de costume, de modo que só Deus saiba do jejum. Não se trata de um ritual com óleo. Trata-se de jejuar para Deus, e não para impressionar as pessoas. A recompensa verdadeira vem de Deus, e não do aplauso.

Contexto histórico

reúne três práticas religiosas comuns na vida judaica do século I: a esmola, a oração e o jejum. Para as três, Jesus aplica o mesmo critério. Ele não pergunta se a pessoa as pratica, mas para quem. Cada bloco usa o mesmo molde: 'quando fizerdes isto, não sejais como os hipócritas', em seguida a frase sobre a recompensa que eles já receberam e, por fim, a promessa de que o Pai, que vê em secreto, recompensará. O jejum, no judaísmo da época, tinha lugar tanto em ocasiões comunitárias, como o Dia da Expiação, quanto em práticas voluntárias. mostra um fariseu que se gaba de jejuar duas vezes por semana, e a Didaquê, texto cristão antigo, comenta que os 'hipócritas' jejuavam às segundas e quintas. Jejuar era comum, e por isso mesmo era visível. Os versículos 16 a 18 retratam o cenário: pessoas que deixam o rosto abatido, sem se lavar e sem cuidar da aparência, para que os outros percebam. Jesus não condena o jejum, e ele assume que seus ouvintes vão jejuar ('quando jejuardes'). O que ele ataca é o uso do jejum como propaganda de piedade. Em outro momento, Jesus diz que os discípulos jejuarão quando o noivo for tirado deles (), o que confirma que o jejum continua legítimo. Também é útil lembrar o tom do conjunto. O Sermão do Monte começa com as bem-aventuranças e com a justiça maior que a dos escribas e fariseus (). As três práticas de são exemplos dessa justiça: não basta cumprir o ritual, é preciso que o coração esteja voltado para Deus. A palavra 'hipócritas' no teatro grego designava o ator que usava máscara, e é com essa imagem que Jesus fala de quem representa uma piedade diante da plateia. O jejum, que devia ser humildade, vira papel.

Aprofundamento

O versículo 16 diz que os hipócritas 'desfiguram o rosto'. O verbo grego aphanizo carrega a ideia de tornar invisível ou apagar e, aplicado ao rosto, indica deixá-lo descuidado, sem lavar, talvez com cinzas, para parecer abatido. Há um jogo de palavras no grego: eles 'desfiguram' o rosto 'para parecerem' jejuando diante dos outros. A aparência vira o objetivo. Os versículos 17 e 18 oferecem o contraste. Ungir a cabeça com óleo era uma prática comum de higiene e de alegria no Oriente Médio antigo. O Salmo 23:5 fala de uma cabeça ungida em festa, e recomenda manter o óleo sobre a cabeça. Por outro lado, quem estava de luto ou em penitência deixava de se ungir. diz que, durante um período de luto, ele não se ungiu, e em Davi lava-se e unge-se quando o luto termina. Ou seja, as duas ações que Jesus manda fazer, lavar o rosto e ungir a cabeça, eram justamente as que se omitiam nos sinais externos de jejum e luto. A instrução, portanto, é apresentar-se normalmente, como em qualquer dia. Isso ajuda a esclarecer o sentido: Jesus não cria uma nova obrigação de passar óleo no jejum, e quem jejua num dia comum e se comporta com naturalidade já cumpre a ordem. O interesse está no coração: a recompensa que vale é a do Pai que vê em secreto, expressão repetida em 6:4, 6 e 18. Há ainda uma lição discreta sobre o corpo. O jejum não é desprezo pelo corpo nem prova de sofrimento a ser exibida. É uma disciplina de dependência de Deus, que acontece sem espetáculo. O Antigo Testamento já havia dado esse recado. Em , Deus questiona o jejum que se limita a curvar a cabeça como junco e a deitar-se em saco e cinza, e aponta para o jejum que desfaz as ligaduras da injustiça. Jesus segue essa linha profética, sem abolir a prática. Convém, por fim, notar o que o texto não diz. Jesus não define duração, frequência nem tipo de jejum, e não oferece uma lista de regras. O trecho trata da motivação e do modo. Isso explica por que cristãos de diferentes tradições vivem o jejum de maneiras variadas, de abstenção total de alimento a restrições parciais, e por que o critério comum continua sendo o mesmo: a quem se dirige. Em resumo, o texto trata de sinceridade e não de técnica de jejum.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Jesus ordenou que o cristão passe óleo na cabeça sempre que jejuar.

    A frase usa um costume de higiene para dizer que o jejum não deve ter aparência de sofrimento. Não é um rito obrigatório. O texto não manda usar óleo como sinal religioso, e sim agir normalmente.

  • Dizem que:Jesus proibiu o jejum ou o considerou coisa do passado.

    Ele diz 'quando jejuardes', e não 'se jejuardes', e em afirma que os discípulos jejuarão. O alvo é a hipocrisia na prática, não o jejum.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura histórico-cultural

    Ungir e lavar eram sinais de rotina e de alegria, e omiti-los era sinal de luto e penitência. Jesus manda jejuar sem os sinais públicos de penitência, para que o ato seja só diante de Deus.

  • Leitura espiritual da tradição cristã

    Muitos autores veem na passagem um princípio geral para as práticas devocionais: a piedade se faz diante de Deus, não como exibição. A passagem é lida junto com a esmola e a oração, que seguem o mesmo molde.

No original2 termos
  • ἀφανίζουσινaphanizousinG853

    'Desfiguram', 'tornam invisível'. Aplicado ao rosto, indica deixá-lo descuidado e abatido, de propósito, para exibir o jejum.

  • ἀλείψαιaleipsaiG218

    'Unge' (de aleipho), 'passar óleo'. Era o verbo do uso cotidiano para untar o corpo, distinto do ato solene de consagrar com óleo.

O que fazer com isso

A passagem não pede esconder o jejum a qualquer custo nem proíbe falar dele quando for necessário. Ela pergunta o que se espera ganhar com ele. Se a intenção é ser visto, a recompensa acaba no aplauso. Se é buscar a Deus, o jejum pode seguir a rotina comum, em silêncio e sem dramatização. Isso vale para o jejum e para qualquer outra prática de devoção.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • R. T. France. The Gospel of Matthew (NICNT), 2007.
  • Donald A. Hagner. Matthew 1-13 (Word Biblical Commentary), 1993.
  • Craig S. Keener. A Commentary on the Gospel of Matthew, 1999.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que ungir a cabeça se a pessoa está jejuando?

Porque ungir a cabeça era o gesto normal de quem se arrumava no dia a dia. A instrução quer que o jejum não seja percebido pela aparência. O sentido é agir como em um dia comum.

Então posso contar a alguém que estou jejuando?

O texto não proíbe isso em absoluto, e jejuns coletivos existem na Bíblia. A questão é a motivação: não jejuar para ser visto. Quando a comunicação for necessária, o critério continua sendo buscar a Deus.

Temas

Publicado em 09/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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