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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Contradições aparentes

A pedra já estava removida quando as mulheres chegaram?

Quem removeu a pedra do túmulo de Jesus?

E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou, e moveu a pedra da entrada, e ficou sentado sobre ela. A aparência dele era como um relâmpago, e sua roupa branca como neve. E de medo dele os guardas tremeram muito, e ficaram como mortos.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

é o único evangelho que narra o momento em que um anjo desce, remove a pedra e provoca o desmaio dos guardas — cena acompanhada por um terremoto. , e dizem apenas que as mulheres, ao chegar, encontraram a pedra já removida, sem descrever o instante da remoção. Lidos com atenção, os textos não competem entre si: Mateus preserva um relato retrospectivo do que aconteceu antes da chegada das mulheres, enquanto os outros três evangelhos narram a cena a partir do ponto de vista delas, que só veem o resultado.

O próprio mostra o anjo já sentado, calmamente, conversando com as mulheres quando elas chegam — evidência interna de que a remoção da pedra é apresentada como evento anterior, não simultâneo à chegada delas ao túmulo.

Como isso aponta para Jesus

Cumprimento direto

A pedra removida por um anjo, em meio a um terremoto, é o primeiro sinal visível de que a morte foi vencida por poder divino direto. O episódio antecipa a proclamação apostólica de que Deus rompeu os laços da morte ao ressuscitar Jesus, tema central da pregação mais antiga da igreja.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Só Mateus conta o momento em que um anjo desce e remove a pedra do túmulo, com um terremoto e os guardas desmaiando de medo. Os outros evangelhos só dizem que as mulheres chegaram e já encontraram a pedra removida, sem contar esse momento específico. Não é contradição: Mateus mostra o que aconteceu antes, e os outros mostram o que as mulheres viram ao chegar depois.

Contexto histórico

Túmulos judaicos de família, no primeiro século, costumavam ser fechados por uma grande pedra em formato de disco ou bloco, encaixada em um sulco escavado na rocha, pesada o suficiente para exigir esforço de vários homens — detalhe que explica por que as mulheres se perguntavam, segundo , quem removeria a pedra para elas. A presença de uma guarda romana, mencionada por Mateus no capítulo anterior, tornava a tarefa ainda mais delicada: soldados romanos enfrentavam pena severa, inclusive capital, por falha em cumprir a vigilância designada, o que explica seu terror diante da aparição angelical. O terremoto que acompanha a cena em retoma deliberadamente o terremoto já narrado na morte de Jesus, em , formando um par literário intencional que emoldura toda a seção da paixão e ressurreição com sinais cósmicos de significado teológico. A aparência do anjo — “resplandecente como relâmpago, e as vestes brancas como a neve”, conforme — segue um padrão bíblico recorrente de teofanias e aparições angelicais, presente também em e 10:6, comunicando aos leitores antigos que uma presença de origem claramente celestial e autorizada está agindo diretamente naquele momento específico da história. É relevante notar que Mateus é o único dos quatro evangelistas a mencionar explicitamente esse terremoto associado à ressurreição, formando uma moldura literária com o terremoto do Calvário; essa escolha editorial reforça o interesse teológico particular de Mateus em sinais cósmicos que acompanham os grandes atos de Deus na história de Israel e, agora, na vida de Jesus. A reação dos guardas, descrita como “tremeram e ficaram como mortos”, usa linguagem que os leitores judeus antigos associavam a encontros diretos com o sobrenatural divino, semelhante à reação de profetas diante de visões celestiais registradas em outras partes do Antigo Testamento. Some-se a isso o fato de que os guardas romanos, treinados para não demonstrar medo em combate, reagem aqui como homens comuns diante do sobrenatural, detalhe que reforça, dentro da lógica narrativa de Mateus, o contraste entre o poder militar humano e o poder divino que se manifesta naquela madrugada específica junto ao túmulo selado.

Aprofundamento

O verbo grego usado para a ação do anjo em é ἀπεκύλισε (apekylise), aoristo de ἀποκυλίω (apokyliō, Strong G617), “remover rolando”; já em e , o que as mulheres encontram é descrito com o particípio perfeito passivo ἀποκεκυλισμένον (apokekylismenon), “[a pedra] já removida” — uma diferença gramatical precisa que sinaliza estados distintos: ação pontual concluída de um lado, estado observado do outro. R.T. France, em seu comentário sobre Mateus na série NICNT (2007), explica que o relato de Mateus funciona como uma espécie de flashback explicativo, inserido para esclarecer ao leitor como o túmulo chegou a ser encontrado aberto, sem que isso implique que as mulheres tenham testemunhado a remoção da pedra em tempo real. Donald A. Hagner, no Word Biblical Commentary sobre (1995), observa que esse tipo de narração retrospectiva era um recurso literário legítimo e reconhecível para leitores antigos, e não uma tentativa de descrever dois eventos concorrentes e incompatíveis entre si. Uma referência cruzada iluminadora é , onde a boca da cova dos leões é selada com uma pedra — assim como o túmulo de Jesus foi selado e vigiado, segundo — criando um paralelo estrutural entre a preservação miraculosa de Daniel e a ressurreição de Jesus, ambos os episódios envolvendo um selo humano rompido por intervenção divina. Outro paralelo relevante está em , na ressurreição de Lázaro, onde a pedra também precisa ser removida como ato preparatório para revelar o milagre, embora naquele caso por mãos humanas a pedido direto de Jesus, e não por um agente angelical enviado por Deus. Craig Blomberg, no New American Commentary sobre Mateus, acrescenta que a ordem dos eventos — terremoto, descida do anjo, remoção da pedra, reação dos guardas — segue uma sequência causal coerente dentro da narrativa, e que ler o texto como um flashback explicativo, e não como uma segunda cena simultânea à chegada das mulheres, resolve a aparente tensão sem exigir nenhuma ginástica interpretativa artificial ou forçada por parte do leitor moderno. Essa técnica narrativa, aliás, era comum na historiografia antiga: um autor podia voltar no tempo dentro do próprio relato para explicar como se chegou a determinada situação, prática compreendida sem estranhamento pelos leitores originais do evangelho, ainda que hoje exija uma nota explicativa para leitores acostumados a uma cronologia estritamente linear e sequencial de eventos, sem flashbacks ou recapitulações internas ao relato principal.

O que costumam dizer errado1 afirmação
  • Dizem que:A pedra foi removida para que Jesus pudesse sair do túmulo.

    A pedra foi removida para que as testemunhas pudessem ver que o túmulo estava vazio, não para libertar Jesus — aparições posteriores mostram um corpo ressuscitado capaz de atravessar portas trancadas, segundo .

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Luterana

    Comentaristas luteranos costumam enfatizar o terremoto e o anjo como sinais apocalípticos que confirmam a ressurreição como evento cósmico, retomando deliberadamente a linguagem já usada em .

  • Católica

    A tradição associa a cena a uma teofania clássica, com o anjo funcionando como mensageiro que interpreta o evento para as testemunhas humanas, papel recorrente da angelologia bíblica em momentos decisivos.

No original1 termo
  • ἀποκυλίωapokyliōG617

    “Remover rolando”; usado em para a ação do anjo sobre a pedra, e na forma de particípio perfeito nos outros evangelhos para descrever o estado da pedra já removida quando as mulheres chegam.

O que fazer com isso

A pedra não foi removida para libertar Jesus, que as aparições posteriores mostram atravessando portas trancadas sem dificuldade, mas para que testemunhas humanas pudessem conferir com os próprios olhos que o túmulo estava vazio. Isso desloca a pergunta de “como ele saiu” para “o que isso significa”: um convite à verificação honesta dos fatos, não um truque de escapismo sobrenatural.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • R.T. France. The Gospel of Matthew (NICNT), 2007.
  • Donald A. Hagner. Matthew 14-28 (Word Biblical Commentary), 1995.
  • Craig L. Blomberg. Matthew (New American Commentary), 1992.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O anjo removeu a pedra na frente das mulheres?

Não. Mateus narra esse momento como evento anterior, ocorrido antes da chegada das mulheres; os outros evangelhos confirmam que elas encontraram a pedra já removida ao chegar.

Por que a pedra precisava ser removida se Jesus já havia ressuscitado?

Não para libertar Jesus, mas para permitir que testemunhas humanas vissem o túmulo vazio e confirmassem o que havia ocorrido durante a noite.

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Faz parte de

Publicado em 15/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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Quantas mulheres foram ao túmulo?

Depende de qual evangelho se lê isoladamente. Mateus 28:1 cita “Maria Madalena e a outra Maria”; Marcos 16:1 acrescenta Salomé; Lucas 24:10 menciona Maria Madalena, Joana, Maria mãe de Tiago “e as outras que estavam com elas”; João 20:1 cita apenas Maria Madalena. Nenhum desses textos afirma oferecer uma lista completa e exclusiva — são registros seletivos, típicos da historiografia antiga, que nomeiam algumas testemunhas relevantes sem pretender esgotar o grupo.

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Quem viu Jesus ressuscitado primeiro?

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