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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Contradições aparentes

Quantas mulheres foram ao túmulo?

Quantas mulheres foram ao túmulo de Jesus no domingo de Páscoa?

No fim do sábado, quando já começava a clarear para o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria vieram ver o sepulcro.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

Depende de qual evangelho se lê isoladamente. cita “Maria Madalena e a outra Maria”; acrescenta Salomé; menciona Maria Madalena, Joana, Maria mãe de Tiago “e as outras que estavam com elas”; cita apenas Maria Madalena. Nenhum desses textos afirma oferecer uma lista completa e exclusiva — são registros seletivos, típicos da historiografia antiga, que nomeiam algumas testemunhas relevantes sem pretender esgotar o grupo.

O núcleo comum a todos os quatro relatos é sólido: mulheres, lideradas por Maria Madalena, foram ao túmulo na madrugada do domingo e o encontraram vazio. As diferenças de nomes e números são de detalhe editorial, não de fato histórico contestado entre os evangelistas.

Como isso aponta para Jesus

Cumprimento direto

A descoberta do túmulo vazio pelas mulheres é o primeiro sinal humano do cumprimento daquilo que Jesus já havia predito sobre si mesmo: que ressuscitaria no terceiro dia. O evento marca a virada central da fé cristã, do anúncio da morte para o anúncio da vida.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Os quatro evangelhos citam nomes um pouco diferentes: Mateus fala em duas Marias, Marcos acrescenta Salomé, Lucas menciona um grupo maior, e João cita só Maria Madalena. Isso não é contradição — cada autor escolheu contar com os nomes que considerou mais importantes para sua história, sem tentar fazer uma lista completa. Todos concordam que mulheres foram as primeiras a encontrar o túmulo vazio.

Contexto histórico

Biografias e relatos históricos na Antiguidade não seguiam os padrões modernos de reportagem exaustiva; era comum que autores diferentes, escrevendo para públicos e propósitos distintos, selecionassem nomes e detalhes conforme o interesse narrativo de cada obra, sem que isso fosse percebido como erro ou fraude por seus leitores originais, habituados a esse tipo de composição seletiva. Lucas já havia apresentado, em 8:1-3, um grupo relativamente amplo e conhecido de mulheres que seguiam Jesus e o sustentavam financeiramente durante seu ministério itinerante na Galileia — entre elas Maria Madalena, Joana, mulher de um oficial de Herodes, e Susana — o que explica por que várias mulheres, e não apenas uma, tinham motivo pessoal e oportunidade concreta para ir ao túmulo preparar o corpo com especiarias, prática funerária judaica interrompida pelo início do sábado e retomada assim que este terminava. O detalhe cronológico de que foram “ao romper da alva” do primeiro dia da semana está presente em todos os quatro relatos, ainda que com pequenas variações de fórmula e vocabulário, mostrando concordância essencial sobre quando exatamente o episódio ocorreu na sequência dos eventos da Páscoa. Cada evangelista, ao escrever décadas depois dos acontecimentos, para comunidades com necessidades teológicas e pastorais específicas, exerceu escolhas editoriais legítimas sobre quais nomes destacar e em que ordem apresentá-los, sem que isso comprometesse a solidez do núcleo histórico compartilhado por todos os quatro: o túmulo vazio descoberto por um grupo de mulheres na madrugada da ressurreição, antes de qualquer discípulo homem chegar ao local. Vale lembrar ainda que a menção repetida a “Maria Madalena” em primeiro lugar, em todos os quatro evangelhos, sugere que ela era reconhecida por todas as primeiras comunidades cristãs como a figura central e mais destacada entre essas testemunhas, independentemente de quantas outras mulheres a acompanhassem em cada relato específico. Esse acordo unânime sobre a protagonista principal, mesmo com listas secundárias variáveis, é considerado por muitos historiadores um indício sólido da base histórica comum por trás das quatro narrativas independentes.

Aprofundamento

Em , o texto grego identifica a segunda mulher simplesmente como ἡ ἄλλη Μαρία (hē allē Maria), “a outra Maria”, usando o termo ἄλλος (allos, Strong G243, “outro”, no feminino); comparando com , é razoável identificá-la como Maria, mãe de Tiago e José, personagem já apresentada poucos versículos antes como testemunha da crucificação. R.T. France, em seu comentário sobre Mateus na série NICNT (2007), observa que os evangelhos oferecem “listas representativas”, não catálogos exaustivos de testemunhas presentes em cada cena, e que a ausência de um nome numa lista específica não equivale à negação de sua presença real no evento narrado. D.A. Carson, no Expositor’s Bible Commentary sobre Mateus (1995), reforça esse princípio de harmonização histórica, lembrando que documentos independentes sobre o mesmo evento frequentemente registram detalhes complementares, e não contraditórios entre si — um padrão observado também em relatos legais e jornalísticos modernos produzidos por diferentes testemunhas oculares de um mesmo acontecimento público. Craig Blomberg, no New American Commentary sobre Mateus, nota ainda que a ordem e a ênfase dada a cada nome variam conforme a estrutura literária que cada evangelista constrói para seu próprio capítulo da ressurreição — Mateus, por exemplo, prepara o leitor para a aparição do anjo junto ao túmulo e o encontro subsequente com o próprio Jesus na estrada de volta, dando menos peso individual a cada mulher do grupo do que João, que dedica quase todo o capítulo 20 à experiência pessoal e emocional de Maria Madalena especificamente. O núcleo compartilhado por todos — mulheres lideradas por Maria Madalena descobrindo o túmulo vazio na madrugada — permanece estável em , e , apesar da diferença natural e esperada nos nomes secundários listados por cada autor conforme seu interesse editorial. Donald Hagner, no Word Biblical Commentary sobre (1995), acrescenta que a prática de citar apenas os nomes mais relevantes para o argumento em curso era comum na historiografia judaica e greco-romana, e que exigir de Mateus uma lista completa equivalente a um registro cartorial moderno é aplicar ao texto antigo um padrão de precisão que nenhum autor da época, sagrado ou secular, pretendia cumprir. Blomberg conclui que, longe de indicar fabricação, a variação cuidadosa e não coordenada entre os quatro relatos é justamente o que se espera de testemunhos genuinamente independentes sobre o mesmo acontecimento histórico real, e não de um relato único copiado e depois maquiado por diferentes redatores para parecer mais convincente.

O que costumam dizer errado1 afirmação
  • Dizem que:Os evangelhos se contradizem sobre quantas mulheres foram ao túmulo, o que provaria que a ressurreição é lenda.

    Listas parciais e complementares são normais na historiografia antiga; nenhum evangelho afirma que sua lista é exaustiva, e todos concordam no núcleo: mulheres, lideradas por Maria Madalena, foram as primeiras a chegar.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada

    Comentaristas reformados como D.A. Carson tratam as diferenças de nomes como complementares, decorrentes de propósito narrativo seletivo de cada evangelista, não de erro histórico ou invenção literária.

  • Católica

    A tradição harmoniza as listas assumindo um grupo mais amplo de mulheres do qual cada evangelista cita nomes específicos, sem enxergar tensão real entre os quatro relatos sobre o episódio.

No original1 termo
  • ἡ ἄλλη Μαρίαhē allē MariaG243

    “A outra Maria”, expressão de que identifica a segunda mulher junto de Maria Madalena, provavelmente Maria, mãe de Tiago e José (cf. ).

O que fazer com isso

Diferenças de detalhe entre testemunhas independentes de um mesmo evento não são sinal de fraude, mas de autenticidade: é assim que relatos genuínos costumam se comportar, cada um enfatizando o que percebeu ou considerou relevante contar. Isso convida a ler os evangelhos com o mesmo padrão de bom senso que se aplicaria a qualquer testemunho histórico honesto, em vez de exigir uniformidade artificial.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • R.T. France. The Gospel of Matthew (NICNT), 2007.
  • D.A. Carson. Matthew (Expositor's Bible Commentary), 1995.
  • Donald A. Hagner. Matthew 14-28 (Word Biblical Commentary), 1995.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Os evangelhos se contradizem sobre a ressurreição?

Não nos fatos centrais. Há diferenças de detalhe e ênfase esperadas em relatos independentes de testemunhas, mas todos concordam sobre o túmulo vazio e as mulheres como primeiras testemunhas.

Por que João só menciona Maria Madalena?

João concentra sua narrativa no encontro pessoal dela com Jesus, mais adiante no capítulo; isso não nega a presença de outras mulheres, apenas reflete o foco literário escolhido pelo evangelista.

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Faz parte de

Publicado em 15/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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A pedra já estava removida quando as mulheres chegaram?

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