
Pasur, o sacerdote que colocou Jeremias no tronco
Quem foi Pasur, o sacerdote que prendeu e bateu em Jeremias?
E Pasur, filho de Imer, o sacerdote, que era o principal supervisor na casa do SENHOR, ouviu a Jeremias enquanto profetizava estas palavras. Então Pasur feriu ao profeta Jeremias, e o pôs no tronco que ficava à porta superior de Benjamim, a qual fica na casa do SENHOR. E foi no dia seguinte que Pasur tirou a Jeremias do tronco. Disse-lhe então Jeremias: O SENHOR não chama teu nome Pasur, mas sim “Terror por todos os lados”. Porque assim diz o SENHOR: Eis que eu farei de ti um terror a ti mesmo, e a todos os teus amigos; e cairão pelo espada de seus inimigos, e teus olhos o verão; e a todo Judá entregarei na mão do rei da Babilônia, e os levará cativos a Babilônia, e os ferirá à espada. Entregarei também toda a riqueza desta cidade, e todo seu trabalho, e todas suas coisas preciosas; e entregarei todos os tesouros dos reis de Judá nas mãos de seus inimigos, e os saquearão, e os tomarão, e os levarão a Babilônia. E tu, Pasur, e todos os moradores de tua casa ireis ao cativeiro, e entrarás na Babilônia, e ali morrerás; e ali serás sepultado, tu, e todos os teus amigos, aos quais profetizaste falsamente.
Resposta curta
narra o confronto entre o profeta e Pasur, filho de Imer, descrito como sacerdote e principal encarregado da casa do Senhor, o que sugere autoridade administrativa sobre o Templo, incluindo poder de polícia religiosa. Ao ouvir a profecia de destruição anunciada por Jeremias no capítulo anterior, Pasur o manda espancar e colocar no tronco no portão superior de Benjamim, instrumento de contenção física e humilhação pública. No dia seguinte, Jeremias devolve o golpe em palavras: renomeia Pasur Magor-Missabe, 'terror por todos os lados', e anuncia que ele verá amigos morrerem à espada, irá cativo à Babilônia com a família e morrerá em terra estrangeira. É um dos casos mais diretos do livro em que autoridade religiosa reage com violência a mensagem incômoda e recebe, em resposta, sentença profética que usa seu próprio nome como veredito.
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoA reação de uma autoridade religiosa oficial contra um mensageiro de Deus, usando força física e prisão para silenciar uma palavra incômoda dentro do próprio recinto do Templo, antecipa o padrão que culmina, de forma muito mais grave, na rejeição institucional de Cristo pelas autoridades religiosas de seu tempo.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Pasur era um sacerdote com autoridade sobre o Templo. Quando ouviu Jeremias anunciar a destruição de Jerusalém, mandou espancá-lo e colocá-lo no tronco, instrumento que prendia pescoço, mãos e pés. No dia seguinte, ao ser solto, Jeremias muda o nome de Pasur para Magor-Missabe, que significa 'terror por todos os lados', e anuncia que ele verá amigos morrerem, será levado cativo para a Babilônia e morrerá lá. É um exemplo direto de autoridade religiosa reagindo com violência a uma profecia incômoda.
Contexto histórico
O capítulo 19 de Jeremias narra um ato profético carregado de simbolismo: por ordem de Deus, Jeremias compra um jarro de barro, leva anciãos e sacerdotes ao vale de Ben-Hinom e quebra o jarro diante deles, anunciando que assim Deus quebraria Jerusalém e seu povo, sem possibilidade de restauração, como um vaso de oleiro que se despedaça. É essa profecia pública e teatral, proferida no próprio recinto do Templo, que provoca a reação registrada no capítulo 20: Pasur, identificado como filho de Imer e 'principal governador da casa do Senhor', ouve Jeremias profetizar essas coisas e reage com força física, mandando espancá-lo e colocá-lo no tronco, dispositivo de madeira que imobilizava pescoço, mãos e pés, situado no portão superior de Benjamim, uma das entradas do complexo do Templo. O título de Pasur sugere que ele ocupava posição de autoridade administrativa e disciplinar sobre a ordem e o comportamento dentro do espaço sagrado, algo como chefe de segurança do Templo com poder de prender e punir quem perturbasse a ordem religiosa oficial, o que explica por que ele tinha meios concretos de agir contra Jeremias imediatamente, sem processo formal aparente. A cena ilustra um padrão que se repete em outros pontos do livro: a oposição mais dura a Jeremias frequentemente vem não de líderes políticos seculares isoladamente, mas de figuras religiosas estabelecidas que enxergavam a mensagem do profeta como ameaça direta à ordem institucional que administravam. Jeremias permanece no tronco até o dia seguinte, quando Pasur o solta, e é nesse momento de libertação que o profeta pronuncia contra ele a sentença que dá nome ao episódio inteiro. Vale notar que castigar mensageiros incômodos com prisão temporária no próprio recinto do Templo não era incidente isolado na história de Judá: reis e sacerdotes recorreriam a medidas semelhantes, e até mais graves, contra Jeremias em capítulos posteriores, sugerindo que o episódio de Pasur funciona como primeiro de uma série de confrontos institucionais que se intensificam à medida que a queda de Jerusalém se aproxima. O relato também é narrado em primeira pessoa por Jeremias, o que reforça seu caráter de testemunho pessoal direto, e é seguido, ainda no mesmo capítulo, por um dos lamentos mais intensos e conturbados de todo o livro, em que o próprio profeta questiona amargamente por que aceitou a missão que lhe trouxe tanto sofrimento imediato.
Aprofundamento
O ato de renomear Pasur é o centro teológico do episódio e segue um padrão bem estabelecido na tradição profética hebraica, em que nomes carregam significado prático e, às vezes, funcionam como sentença ou promessa, compare com a mudança de nome de Abrão para Abraão em , ou os nomes simbólicos dos filhos de Oseias. O nome original, Pasur, tinha provavelmente conotação positiva ou neutra, associada talvez a liberdade ou fartura, embora sua etimologia exata seja debatida entre especialistas. Jeremias substitui esse nome por Magor-Missabe, expressão hebraica que combina os termos para terror ou pavor com uma palavra que indica circundar, cercar de todos os lados, produzindo o sentido de 'terror por todos os lados' ou 'pavor ao redor'. A sentença que acompanha o novo nome é detalhada e específica: Pasur verá seus amigos morrerem à espada diante de seus próprios olhos, ele e toda a sua casa serão levados cativos à Babilônia, e ele morrerá lá, sendo enterrado em terra estrangeira junto com todos a quem profetizara falsamente, acusação que revela, retroativamente, que Pasur não era apenas administrador zeloso do Templo, mas também figura ativa na produção de profecias de conforto falso, provavelmente garantindo ao povo que Jerusalém não cairia, em contraste direto com a mensagem de Jeremias. Comentaristas como Jack Lundbom notam que esse episódio funciona estruturalmente como continuação direta do sinal do jarro quebrado do capítulo 19: a violência física contra o mensageiro não invalida nem impede a mensagem, apenas fornece ao próprio agressor uma ilustração pessoal e nomeada do juízo que ele se recusava a aceitar em relação à nação inteira. É importante notar que existe outro Pasur mencionado em e 38:1, filho de Malquias, figura diferente que também aparece em papel de oposição ao profeta, o que às vezes causa confusão entre leitores, mas que os textos distinguem claramente pela filiação de cada um, um filho de Imer, outro filho de Malquias, indicando que 'Pasur' era nome relativamente comum entre famílias sacerdotais daquele período histórico. A cena de prisão no tronco, aliás, tem valor simbólico duplo: o mesmo espaço do Templo que deveria representar acesso a Deus se torna, nas mãos de Pasur, instrumento de exclusão e punição contra o mensageiro que trazia justamente uma palavra vinda de Deus, uma inversão que o próprio texto parece explorar deliberadamente ao situar o confronto num dos portões de acesso ao recinto sagrado. Esse detalhe também é útil pastoralmente, porque evita que o leitor generalize de forma simplista a partir de um único episódio: o livro de Jeremias registra tanto sacerdotes hostis quanto sacerdotes e escribas favoráveis ao profeta em outros capítulos, mostrando que a oposição não era unânime dentro da própria classe religiosa oficial daquele tempo específico.
O que costumam dizer errado1 afirmação
Dizem que:Pasur, o sacerdote deste episódio, seria a mesma pessoa mencionada mais adiante em Jeremias 21:1 e 38:1.
O texto bíblico identifica dois Pasures diferentes: o deste episódio é filho de Imer, 20:1, enquanto o mencionado depois é filho de Malquias, 21:1 e 38:1; eram provavelmente parentes ou membros da mesma classe sacerdotal, mas figuras distintas.
Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Histórico-profética
Lê o episódio como evidência concreta de conflito institucional entre a liderança sacerdotal oficial do Templo, ligada a uma política de otimismo nacional, e a mensagem de juízo iminente proclamada por Jeremias.
Homilética/pastoral
Usa o episódio como exemplo devocional de perseverança profética sob perseguição, destacando a coragem de Jeremias em pronunciar sentença mesmo imediatamente após sofrer violência física por causa da mensagem anterior.
No original2 termos
מָגוֹר מִסָּבִיבmagor missabib
terror ao redor, pavor por todos os lados; novo nome dado a Pasur por Jeremias, combinando os termos para terror e para 'ao redor', funcionando como sentença profética contra ele.
מַהְפֶּכֶתmahpecheth
tronco, instrumento de contenção; dispositivo situado no portão superior de Benjamim onde Pasur mandou prender Jeremias.
O que fazer com isso
A reação de Pasur ilustra um padrão que se repete sempre que uma mensagem incômoda ameaça uma estrutura de autoridade estabelecida: recorrer à força para silenciar quem a proclama, em vez de examinar seu conteúdo. O episódio não resolve a questão pela violência, apenas antecipa, através da sentença pronunciada contra o próprio agressor, que suprimir fisicamente uma mensagem verdadeira não muda a realidade que ela anuncia, lembrete relevante sempre que autoridade institucional e verdade incômoda entram em conflito direto.
Passagens relacionadas5
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas3 obras
- Jack R. Lundbom. Jeremiah 1-20 (Anchor Bible), 1999.
- William L. Holladay. Jeremiah 1 (Hermeneia), 1986.
- J. A. Thompson. The Book of Jeremiah (NICOT), 1980.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Por que Jeremias muda o nome de Pasur em vez de apenas anunciar o juízo diretamente?
Mudar o nome de alguém para expressar julgamento ou destino era prática reconhecida na tradição profética hebraica; ao renomear Pasur como Magor-Missabe, Jeremias transforma a própria identidade pública do sacerdote numa sentença permanente e memorável contra ele.
Temas
- Templo e sacerdócio
- #jeremias
- #pasur
- #perseguicao-aos-profetas
- #personagem-obscuro
- #sacerdocio
- #antigo-testamento
- #juizo-profetico