
As "chaves da morte e do Hades" nas mãos de Cristo em Apocalipse 1:17-18
O que significa Jesus ter as chaves da morte e do Hades em Apocalipse 1:18?
E quando eu o vi, cai aos pés dele como que morto; e ele pôs sua mão direita sobre mim, e me disse: “Não temas; eu sou o primeiro e o último; eu sou o que vivo, e fui morto; e eis que eu vivo para todo o sempre; Amém. E eu tenho as chaves do Xeol e da morte.
Resposta curta
Quando João vê o Cristo glorificado em Patmos, cai a seus pés como morto. Jesus coloca a mão direita sobre ele e diz: não temas, eu sou o primeiro e o último, o que vive; estive morto, mas estou vivo para sempre e tenho as chaves da morte e do Hades. A imagem das chaves é um idioma de autoridade: quem tem a chave controla a entrada e a saída. O Hades é o lugar dos mortos, o equivalente grego do Seol, e não deve ser confundido com o inferno de tormento. A resposta de Jesus ao medo de João não é uma explicação filosófica, mas uma apresentação: ele esteve na morte, saiu dela e agora governa o seu domínio. Por isso, quem está nas mãos dele não precisa temer.
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoO texto fala de Cristo de forma direta. Ele retoma o título de , o primeiro e o último, e a visão do filho de homem de e 10, e declara a sua morte e ressurreição. O poder sobre a morte e o Hades se realiza porque ele mesmo passou por ela. expressa a mesma ideia: ele venceu aquele que tinha o poder da morte e libertou os que viviam em medo.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Quando João vê Jesus glorificado, cai por terra de medo. Jesus põe a mão sobre ele e diz que não precisa temer, porque ele é o primeiro e o último, esteve morto e agora vive para sempre. Ele também tem as chaves da morte e do Hades, o lugar dos mortos. Chave é um símbolo de autoridade: quem a tem decide quem entra e quem sai. A mensagem é que a morte não é maior do que Cristo.
Contexto histórico
apresenta João como exilado na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (1:9). No dia do Senhor, ele ouve uma voz como de trombeta e se volta para ver quem fala. Vê sete candelabros de ouro e, no meio deles, alguém semelhante a um filho de homem, com veste longa, cabelos brancos como lã, olhos como chama de fogo, pés de bronze polido, voz como o som de muitas águas e uma espada de dois gumes saindo da boca (1:12-16). A linguagem vem de , onde um ser como filho de homem recebe domínio, e de , onde um homem vestido de linho aparece a Daniel junto ao rio. A reação de João é a de Daniel: cai prostrado, sem forças (). Em ambas as cenas, uma mão toca o vidente e uma voz diz para não temer (). No caso de João, é Jesus quem pousa a mão direita sobre ele. As palavras que dá a seguir resumem quem ele é. Eu sou o primeiro e o último é título que, em e 48:12, pertence ao próprio Senhor. O que vive recorda que ele é o Deus vivo. Estive morto, mas estou vivo pelos séculos dos séculos aponta para a cruz e a ressurreição, e acrescenta a promessa de que a morte não é o seu estado final nem o do seu povo. A cena termina com a ordem de escrever o que João viu (1:19). A figura das chaves precisa ser entendida dentro desse quadro. Em , Deus entrega a Eliaquim a chave da casa de Davi, de modo que o que ele abre ninguém fecha. Em , Jesus é aquele que tem a chave de Davi. No mundo antigo, um porteiro ou administrador com a chave decidia quem entrava e quem saía. Aplicar essa imagem à morte e ao Hades é dizer que ninguém entra ou sai desse domínio sem a permissão do Senhor.
Aprofundamento
O primeiro problema é entender o que são a morte e o Hades. Em grego, thanatos é a morte e hades, ou hadês, é o lugar dos mortos. O Antigo Testamento chama esse lugar de Seol, sombrio e silencioso, e a Septuaginta o traduz por Hades. No Novo Testamento, ele não equivale a Geena, o lugar do juízo final. Em , a Morte cavalga com o Hades seguindo atrás; em 20:13-14, o mar entrega seus mortos, a Morte e o Hades entregam os seus, e então os dois são lançados no lago de fogo. Hades é, portanto, o reino dos mortos, e não propriamente o lugar de castigo. A segunda questão é o significado da chave. No Antigo Testamento, abrir e fechar são atos de poder. Há um paralelo interessante na tradição rabínica, registrada no Talmude, em Taanit 2a, que fala de três chaves reservadas a Deus: a da chuva, a do ventre e a da ressurreição dos mortos. Isso sugere que ter a chave da morte era atributo exclusivo de Deus. Ao aplicar essa imagem a si mesmo, Jesus se coloca no lugar de Deus. As chaves podem apontar tanto para a capacidade de abrir como para a de trancar. Em , o Hades devolve os mortos, e em 20:14 é destruído. já falava das portas do Hades que não prevaleceriam contra a igreja. A chave nas mãos de Cristo significa que o destino dos mortos depende dele, e não do medo nem dos poderes que se fazem passar por senhores da morte. Um mito comum diz que Satanás possuía essas chaves e Jesus as tomou em uma descida ao inferno. O texto não diz isso, e ainda atribui à morte e ao Hades um papel subordinado; diz que Cristo as tem porque esteve morto e vive. Por fim, o contexto pastoral. João ouve primeiro não temas, e só depois o motivo. A razão do consolo não é uma tese, mas uma pessoa que passou pelo pior e voltou. diz algo parecido: Cristo participou da carne e do sangue para anular aquele que tinha o poder da morte e libertar os que estavam sujeitos à escravidão por medo dela. Vale notar a ordem: primeiro o toque, depois a palavra, e só então a explicação. O leitor de Apocalipse, perseguido e ameaçado de morte pelo império, recebe uma imagem concreta de que a morte não é a última palavra e de que o domínio dela foi transferido a quem a venceu.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Hades é o mesmo que inferno, o lugar de tormento eterno dos condenados.
Hades é o reino dos mortos, equivalente ao Seol hebraico. O lugar do juízo final é chamado Geena ou lago de fogo. Em , o próprio Hades é lançado no lago de fogo, o que mostra que são realidades distintas.
Dizem que:Jesus tomou as chaves da morte e do Hades de Satanás, depois de descer ao inferno.
não diz que as chaves estavam com Satanás nem fala de descida ao inferno. Diz que Jesus as tem por ter morrido e ressuscitado. A ideia de um confronto com Satanás para retomar as chaves aparece em tradições posteriores, e não neste texto.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura de autoridade sobre a morte e a ressurreição
As chaves significam que Cristo decide quem morre e quem ressuscita, em linha com a ideia rabínica de que a chave da ressurreição pertence a Deus. Ele tem poder para abrir o Hades e libertar os mortos.
Leitura de autoridade para abrir e fechar
Algumas leituras destacam também o aspecto judicial: quem tem a chave governa a entrada e a saída do domínio da morte, com poder tanto de libertar quanto de confinar, e por isso o Hades é lançado no lago de fogo em 20:14.
Leitura pastoral
A frase é principalmente uma resposta ao medo de João e das igrejas perseguidas: a morte não é um poder independente, mas está sob o domínio do Cristo ressuscitado.
No original3 termos
κλείςkleísG2807
Chave. Símbolo de autoridade para abrir e fechar, controlar o acesso a um lugar ou domínio.
ᾅδηςhádesG86
Hades, o lugar dos mortos. Equivale ao hebraico Seol e não se confunde com Geena, o lugar do juízo.
θάνατοςthánatosG2288
Morte. Em Apocalipse aparece muitas vezes personificada, junto com o Hades, como poder que será destruído.
O que fazer com isso
O medo da morte, da perda e do desconhecido é humano, e Jesus não o ignora; ele responde a João pousando a mão sobre ele. A imagem das chaves lembra que a morte, por mais definitiva que pareça, não tem a palavra final. Quem enfrenta luto, doença ou perseguição pode descansar em saber que o dono das chaves já passou por ali.
Passagens relacionadas5
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Fontes consultadas4 obras
- G. K. Beale. The Book of Revelation (New International Greek Testament Commentary), 1999.
- Craig R. Koester. Revelation (Anchor Yale Bible), 2014.
- David E. Aune. Revelation 1–5 (Word Biblical Commentary), 1997.
- Richard Bauckham. The Climax of Prophecy: Studies on the Book of Revelation, 1993.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que são as chaves da morte e do Hades?
São um símbolo de autoridade. Quem tem a chave decide quem entra e quem sai de um lugar. Aplicado à morte e ao Hades, significa que Cristo governa esse domínio e tem poder para libertar dele.
Hades é o inferno?
Não, no sentido de lugar final de castigo. Hades é o reino dos mortos, equivalente ao Seol. O lago de fogo é o lugar do juízo final, e mostra o Hades sendo lançado nele.
Por que Jesus diz não temas a João?
Porque João caiu como morto diante da glória do Cristo. O motivo oferecido para não temer é quem ele é: o que vive, esteve morto e tem autoridade sobre a morte.
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