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Significado Bíblico
Expressões hebraicasintermediária
Ilustração da categoria Expressões hebraicas

“Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” O que Elias quis dizer

O que Elias quis dizer com “até quando coxeareis entre dois pensamentos”? O que significa o verbo hebraico traduzido por “coxear”?

E aproximando-se Elias a todo o povo, disse: Até quando hesitareis vós entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-lhe; e se Baal, ide depois dele. E o povo não respondeu palavra.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

No monte Carmelo, diante do povo reunido por Acabe, Elias faz uma pergunta que ficou famosa: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?”. O verbo hebraico traduzido por coxear ou claudicar é pasach, usado em outro lugar para descrever os profetas de Baal “saltando” ao redor do altar. A imagem é a de alguém que oscila, sem apoiar o peso com firmeza em um lado ou em outro. Elias não acusa o povo de ter abandonado completamente o Senhor, mas de querer manter duas lealdades ao mesmo tempo: o Senhor e Baal. A resposta à pergunta é o silêncio. O versículo mostra que a indecisão religiosa, e não só a idolatria aberta, é o problema que o profeta quer expor.

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

A exigência de Elias, escolher a quem servir, encontra eco no ensino de Jesus de que ninguém pode servir a dois senhores. O Novo Testamento também liga Elias a João Batista, que prepara o caminho no mesmo espírito. O texto de 1 Reis não anuncia Cristo de forma direta, mas a insistência em lealdade exclusiva prepara o ouvinte para o chamado de Jesus.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

No monte Carmelo, Elias pergunta ao povo: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?”. Ele usa a imagem de alguém que manca, porque não se apoia firmemente em um lado só. O povo ainda dizia servir ao Senhor, mas também seguia Baal. Elias exige que escolham um dos dois, e o povo fica em silêncio. Só depois do fogo que vem do céu eles dizem que o Senhor é Deus.

Contexto histórico

A cena de acontece depois de três anos e meio de seca, anunciada por Elias em e lembrada por . O reino do norte é governado por Acabe, casado com Jezabel, princesa fenícia que promove o culto a Baal e persegue os profetas do Senhor. Elias encontra Obadias, administrador do palácio, e manda avisar Acabe de que quer se encontrar com ele. O rei vai ao encontro e o chama de “perturbador de Israel”, e Elias responde que o perturbador é o próprio Acabe (18:17-18).

Elias então pede que todo o Israel se reúna no monte Carmelo, junto com os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Asera que comiam à mesa de Jezabel (18:19-20). O Carmelo, perto da costa, era região ligada ao culto fenício e, para alguns estudiosos, à reivindicação de Baal como deus da chuva e da tempestade. A disputa que vem em seguida é um teste: qual deus responde com fogo?

Antes do teste, no versículo 21, Elias fala ao povo: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Mas o povo nada lhe respondeu”. Em seguida, ele explica as regras: dois novilhos, dois altares, e o deus que responder com fogo será o Deus verdadeiro (18:22-24). Os profetas de Baal clamam de manhã até o meio-dia e depois até a hora da oferta, sem resposta (18:26-29). Elias reconstrói o altar do Senhor com doze pedras, enche-o de água e ora; o fogo cai e consome o holocausto, a lenha, as pedras e a água (18:30-38). O povo se prostra e proclama: “O Senhor é Deus!” (18:39).

O versículo 21, portanto, é a chave do capítulo. Antes de qualquer milagre, Elias exige uma decisão, e é essa decisão que o texto trata como o verdadeiro problema.

Aprofundamento

O primeiro ponto é o idioma. O verbo hebraico de “coxear” é pasach, e a expressão aparece em “poschim ‘al shte hase‘ippim”, literalmente “coxeando sobre dois se‘ippim”. A tradução desse último termo é a parte difícil. A palavra se‘ippim aparece poucas vezes no Antigo Testamento e pode ser entendida de duas formas. Uma é “pensamentos” ou “opiniões”, em sentido de dúvidas divididas, que é a leitura das traduções tradicionais em português. A outra relaciona a palavra a “ramos” ou “galhos”, e a imagem seria a de uma ave que pula de um galho a outro sem pousar em nenhum. Em ambos os casos, o sentido geral é o de indecisão entre duas opções.

O segundo ponto é o uso do verbo. Pasach é usado de novo em , onde os profetas de Baal “saltavam” (ou “dançavam”, segundo outras traduções) ao redor do altar que haviam feito. Esse eco é provavelmente intencional: o povo que “coxeia” entre dois deuses é comparado, pela repetição do verbo, com os que dançam em vão diante do altar de Baal. Alguns estudiosos associam essa raiz à do nome da Páscoa, pesach, ligada ao sentido de “passar por cima”, mas a relação é discutida entre os léxicos.

O terceiro ponto é a natureza do problema. A fala de Elias não descreve um povo ateu nem um povo que tivesse trocado totalmente de religião. Israel ainda invoca o nome do Senhor, mas também presta culto a Baal, uma mistura chamada sincretismo. Outros textos mostram o mesmo padrão: fala dos que juram pelo Senhor e por Milcom, e diz que povos que temiam o Senhor serviam também aos próprios ídolos. Elias rejeita essa convivência: “Se o Senhor é Deus, segui-o”.

O quarto ponto é o silêncio. O texto diz que o povo nada respondeu, e esse silêncio é, ele mesmo, uma resposta: a indecisão persiste. Só depois do fogo o povo proclama que o Senhor é Deus, o que mostra que a decisão, ao menos em um primeiro momento, veio da evidência do milagre, e não de convicção prévia. O restante da história mostra que a conversão do Carmelo não foi duradoura, já que Elias foge logo depois (19:1-4) e se sente sozinho.

O quinto ponto é a relação com , em que Josué também exige escolha: “Escolhei hoje a quem sirvais”. O pedido de Elias é a mesma exigência, diante de outra geração.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Elias acusava o povo de ter abandonado completamente o Senhor.

    O texto retrata um povo dividido, que não rejeita abertamente o Senhor, mas também segue Baal. A crítica é ao sincretismo e à indecisão, não à troca total de religião.

  • Dizem que:A palavra “coxear” significa que o povo era fisicamente manco ou fraco.

    É linguagem figurada. O verbo pasach descreve um movimento irregular, claudicante ou saltitante, e é usado de forma metafórica para a hesitação entre duas opções.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura tradicional (decisão e sincretismo)

    Elias confronta um povo que misturava o culto ao Senhor com o culto a Baal, e exige uma escolha clara. A imagem de coxear descreve alguém que não apoia o peso em nenhum lado.

  • Leitura da imagem das aves ou dos ramos

    Se se‘ippim for entendido como “ramos”, a imagem seria a de alguém que pula de galho em galho sem pousar. Essa leitura é minoritária, mas reforça a mesma ideia de hesitação.

  • Estudos sobre polêmica anti-Baal

    O capítulo inteiro seria uma polêmica contra Baal, deus da tempestade, no momento em que a seca desmente sua suposta soberania sobre chuva e fertilidade. A pergunta de Elias abre o teste decisivo.

No original3 termos
  • פָּסַחpasachH6452

    “Coxear, saltar, passar por cima”. Em descreve a hesitação do povo; em 18:26, o movimento dos profetas de Baal ao redor do altar.

  • סְעִפִּיםse‘ippim

    Termo raro, entendido como “opiniões” ou “pensamentos divididos”; alguns o ligam a “ramos”. Expressa as duas opções entre as quais o povo oscilava.

  • אֵלִיָּהוּ’Eliyyahu

    Nome de Elias, comumente interpretado como “meu Deus é o Senhor (Yahweh)”. O sentido do nome resume a pergunta do capítulo.

O que fazer com isso

A pergunta de Elias continua desconfortável porque raramente a divisão aparece como ateísmo; ela costuma aparecer como acréscimo, a lealdade a Deus mais outras seguranças. O texto não oferece fórmula, mas sugere honestidade: nomear a quem de fato se serve. A indecisão também tem custo, porque o silêncio do povo não protegeu ninguém. Escolher, no sentido bíblico, é confiar, e não apenas concordar com uma ideia.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas4 obras
  • Iain W. Provan. 1 and 2 Kings (New International Biblical Commentary), 1995.
  • Dale Ralph Davis. 1 Kings: The Wisdom and the Folly (Focus on the Bible), 2002.
  • Mordechai Cogan. 1 Kings (Anchor Bible), 2000.
  • Leah Bronner. The Stories of Elijah and Elisha as Polemics against Baal Worship, 1968.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que significa “coxear entre dois pensamentos”?

Significa hesitar entre duas opções sem se firmar em nenhuma. O verbo hebraico pasach descreve um andar irregular, e o povo é comparado a quem não consegue apoiar o peso de forma estável.

Quem eram os profetas de Baal no Carmelo?

Eram quatrocentos e cinquenta profetas ligados ao culto de Baal, apoiados por Acabe e Jezabel. Os profetas de Asera, em número de quatrocentos, também foram convocados.

O povo se converteu depois do fogo do Carmelo?

Sim, no momento: proclamaram que o Senhor é Deus. Mas o capítulo seguinte mostra Elias fugindo de Jezabel e se sentindo sozinho, o que indica que a mudança não foi duradoura.

Temas

  • #elias
  • #1-reis
  • #baal
  • #carmelo
  • #sincretismo
  • #coxear
  • #hebraismo
  • #decisao

Publicado em 01/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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