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Significado Bíblico
Expressões hebraicasintermediária
Ilustração da categoria Expressões hebraicas

Jaquim e Boaz: os nomes simbólicos das colunas do templo

O que significam os nomes Jaquim e Boaz, as colunas do templo de Salomão?

E fundiu duas colunas de bronze, a altura de cada qual era de dezoito côvados: e rodeava a uma e a outra coluna um fio de doze côvados. Fez também dois capitéis de fundição de bronze, para que fossem postos sobre as cabeças das colunas: a altura de um capitel era de cinco côvados, e a do outro capitel de cinco côvados. Havia trançados à maneira de redes, e grinaldas à maneira de correntes, para os capitéis que se haviam de pôr sobre as cabeças das colunas: sete para cada capitel. E quando havia feito as colunas, fez também duas ordens de romãs ao redor no um enredado, para cobrir os capitéis que estavam nas cabeças das colunas com as romãs: e da mesma forma fez no outro capitel. Os capitéis que estavam sobre as colunas no pórtico, tinham trabalho de flores por quatro côvados. Tinham também os capitéis de sobre as duas colunas, duzentas romãs em duas ordens ao redor em cada capitel, encima da parte arredondada do capitel, o qual estava diante do trançado. Estas colunas ele erigiu no pórtico do templo: e quando havia levantado a coluna da direita, pôs-lhe por nome Jaquim: e levantando a coluna da esquerda, chamou seu nome Boaz. E pôs nas cabeças das colunas trabalho em forma de açucenas; e assim se acabou a obra das colunas.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

As duas colunas de bronze fundidas por Hirão para a entrada do templo de Salomão, descritas em , não eram simples ornamentos: cada uma recebeu um nome próprio. A da direita foi chamada Jaquim, do hebraico algo como "ele estabelece" ou "ele firmará"; a da esquerda, Boaz, geralmente entendido como "nele há força" ou "por sua força". Juntos, os dois nomes formam quase uma frase teológica embutida na própria arquitetura do santuário: é Deus quem estabelece o trono e o templo, e é n'Ele que reside a força real, não na dinastia davídica em si nem na estrutura de pedra e bronze. Postadas exatamente no pórtico, elas eram a primeira coisa que qualquer israelita via antes de cruzar a soleira da casa de Iahweh em Jerusalém.

Como isso aponta para Jesus

Tipologia

O templo apontava para uma realidade maior do que pedra e bronze, e o Novo Testamento retoma essa lógica ao chamar o corpo de Cristo de templo () e a igreja de edifício sustentado por Cristo como pedra angular. A promessa gravada em Jaquim, de que Deus estabelece, encontra em Cristo o cumprimento mais concreto da aliança davídica que as colunas apenas anunciavam de longe.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

O templo de Salomão tinha duas colunas de bronze na entrada, e cada uma tinha um nome. Jaquim quer dizer algo como "ele estabelece", e Boaz quer dizer algo como "nele há força". Os dois nomes juntos formam uma espécie de mensagem: quem garante a força e a estabilidade do reino e do templo é Deus, não a construção em si. Era a primeira coisa que as pessoas viam ao entrar para adorar, um lembrete visual repetido em toda visita ao templo em Jerusalém.

Contexto histórico

O templo de Salomão foi construído por volta do século X a.C., com mão de obra e materiais fornecidos em boa parte por Hirão, rei de Tiro, um aliado fenício de longa data da coroa israelita, numa parceria comercial e política que já vinha do tempo de Davi. As colunas de Jaquim e Boaz não sustentavam o teto do santuário; eram estruturas independentes, erguidas no pórtico ('ulam), a área de entrada voltada para o pátio, funcionando como monumentos de acesso, à maneira de obeliscos egípcios ou colunas votivas fenícias e mesopotâmicas, um tipo de arquitetura monumental bem conhecido no mundo antigo do Oriente Próximo, onde grandes estruturas religiosas costumavam ostentar elementos de entrada carregados de significado político e teológico. O relato de detalha sua fabricação com riqueza técnica pouco comum: cada coluna media dezoito côvados de altura, com doze côvados de circunferência, e era coroada por um capitel de cinco côvados decorado com uma rede entrelaçada, franjas em forma de correntes e duas fileiras de romãs de bronze, num total de duzentas por coluna, um trabalho de fundição tão complexo que o texto interrompe a narrativa da construção do templo para descrevê-lo em pormenor. O paralelo em confirma os nomes e acrescenta que Salomão pessoalmente as posicionou, uma à direita e outra à esquerda da entrada, reforçando que a nomeação não era detalhe acidental do artesão, mas decisão real deliberada. Hirão, o artesão de Tiro homônimo do rei, é apresentado como mestre em fundição de bronze, filho de uma mulher da tribo de Naftali e de um pai tírio, e o texto dedica mais versos à sua obra do que a quase qualquer outro artesão bíblico, sinal da importância simbólica do conjunto. Décadas depois, quando Nabucodonosor destrói o templo, o cronista de e registra com detalhe o despedaçamento e o saque dessas mesmas colunas, peça por peça, como se a queda delas resumisse visualmente a queda da própria monarquia davídica e do templo que elas anunciavam havia quatro séculos.

Aprofundamento

O nome Jaquim, em hebraico יָכִין (translit. Yakin), deriva da raiz כון (kun), "firmar", "estabelecer", a mesma raiz usada em quando Deus promete estabelecer o trono de Davi para sempre. Boaz, בֹּעַז (Bo'az), é mais discutido entre os comentaristas: a leitura tradicional o divide em bə ("em" ou "por") e oz ("força"), resultando em "nele há força" ou "por sua força"; mas o nome também é idêntico ao do bisavô de Davi, o Boaz do livro de Rute (), o que leva alguns estudiosos a suspeitar de um segundo nível de leitura, ligando as colunas à genealogia davídica que sustenta toda a narrativa dos livros de Reis. Mordechai Cogan, em seu comentário da Anchor Bible sobre 1 Reis, observa que a sintaxe hebraica das duas palavras é ambígua o bastante para funcionar tanto como nomes próprios quanto como fragmento de uma fórmula dedicatória mais longa, hoje perdida, talvez algo como "que Ele estabeleça o trono de Davi, pois nele há força". Simon DeVries, no Word Biblical Commentary, nota que colunas nomeadas dessa forma não têm paralelo exato conhecido em outros templos da região, o que torna difícil decidir se a prática era comum ou uma inovação salomônica. Do ponto de vista teológico, a colocação dessas mensagens não em um rolo de pergaminho, mas esculpidas na entrada do templo, sugere um recado que todo adorador deveria carregar consigo antes mesmo de entrar: a estabilidade do reino não vem da fortificação humana, mas de uma promessa divina. Isso conecta diretamente com Salomão orando, poucos capítulos depois (), pedindo que Deus "estabeleça" a palavra dada a Davi, usando o mesmo verbo hebraico kun da coluna Jaquim, um eco literário deliberado entre a arquitetura do templo e a teologia da oração de dedicação, algo que reforça a leitura de que a nomeação das colunas fazia parte de um projeto teológico coerente, planejado a par da própria liturgia inaugural, e não um capricho estético isolado do arquiteto fenício encarregado da obra. Há ainda quem sugira, com mais cautela, que os nomes funcionassem como abertura de um cântico ou aclamação real cantado nas cerimônias de entronização, prática conhecida em outras cortes do antigo Oriente Próximo, embora nenhum texto bíblico preserve explicitamente essa liturgia perdida. De todo modo, o consenso entre os comentaristas é que ler as colunas como decoração neutra, sem carga de sentido, ignora tanto o espaço textual dedicado a elas quanto o padrão mais amplo do livro de Reis, no qual arquitetura e teologia caminham juntas o tempo todo, do próprio desenho do templo até os detalhes do trono de Salomão descritos poucos capítulos depois.

O que costumam dizer errado1 afirmação
  • Dizem que:Jaquim e Boaz eram nomes de anjos ou espíritos guardiões do templo.

    O texto bíblico não atribui nenhuma natureza espiritual às colunas; são elementos arquitetônicos de bronze com nomes que funcionam como fórmula teológica sobre Deus, não seres sobrenaturais. Essa ideia vem de tradições esotéricas e maçônicas posteriores, sem base no texto de 1 Reis.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaísmo rabínico

    Alguns comentaristas rabínicos clássicos leem os nomes como abreviação de uma bênção mais longa pronunciada por Salomão, focada na perpetuidade do trono davídico.

  • Tradição cristã reformada

    Comentaristas reformados tendem a ler as colunas de forma mais sóbria, como testemunho arquitetônico da soberania de Deus sobre a monarquia, evitando alegorizações excessivas.

No original2 termos
  • יָכִיןYakin

    Da raiz kun, 'firmar' ou 'estabelecer'; nome da coluna à direita, ecoando a promessa de que Deus estabelece o trono davídico.

  • בֹּעַזBo'az

    Lido tradicionalmente como 'nele há força' ou 'por sua força'; nome da coluna à esquerda, também idêntico ao do bisavô de Davi em Rute.

O que fazer com isso

As colunas lembram que nenhuma instituição, por mais grandiosa que pareça, se sustenta pela própria engenharia. Jaquim e Boaz eram bronze fundido, mas o recado gravado nelas apontava para fora de si mesmas, para Deus como fundamento real. Isso desafia a tentação de medir a solidez da fé, de uma igreja ou de uma vida pela aparência externa de força e permanência, quando a pergunta mais honesta é sobre onde, de fato, está ancorada essa firmeza.

Passagens relacionadas5

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Fontes consultadas2 obras
  • Mordechai Cogan. 1 Kings: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible), 2001.
  • Simon J. DeVries. 1 Kings (Word Biblical Commentary).

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

As colunas Jaquim e Boaz sustentavam o teto do templo?

Não. Eram colunas independentes, erguidas no pórtico de entrada, sem função estrutural sobre o santuário; funcionavam como monumentos simbólicos.

O que aconteceu com as colunas depois?

Foram quebradas e levadas como bronze de saque pelos babilônios quando destruíram o templo em 586 a.C., segundo e .

Temas

  • No hebraico
  • #templo-de-salomao
  • #simbolismo
  • #arquitetura-biblica
  • #1-reis
  • #nomes-biblicos
  • #antigo-testamento

Publicado em 16/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 2 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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