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Significado Bíblico
Discípulointermediária

Susana

quem foi Susana na Bíblia

Ficha do personagem

Ministério de Jesus (c. 30 d.C.)

Aparece em

Relações

Resposta curta

Susana aparece uma única vez na Bíblia, em , numa breve lista de mulheres que acompanhavam Jesus e os doze pela Galileia. O evangelista as descreve como mulheres curadas de espíritos malignos e enfermidades que passaram a sustentar o grupo "com os seus bens" — financiando com recursos próprios a itinerância do ministério de Jesus. Ao lado dela estão nomeadas Maria Madalena e Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana é citada pelo nome, mas sem outro dado sobre origem ou história pessoal.

Não há registro de onde era, se era casada ou o que aconteceu com ela depois desse versículo. Essa ausência de detalhes não diminui o peso da menção: Lucas registra, sem cerimônia, que mulheres com meios próprios financiavam um mestre itinerante e seu grupo, arranjo pouco comum para os padrões sociais do primeiro século.

Onde ele aparece

O nome

SusanaLírio ou flor de lótus, do hebraico shoshannah (שׁוֹשַׁנָּה) — flor branca associada à beleza na poesia bíblica e usada também como motivo ornamental, como nos capitéis do templo de Salomão (1 Reis 7:19).

Significado, origem e variantes →
Em palavras simples

Susana é citada só uma vez na Bíblia, em . Ela era uma das mulheres que viajavam com Jesus e ajudavam a sustentar ele e os doze discípulos, usando seu próprio dinheiro ou bens. A Bíblia não conta mais nada sobre sua vida: não sabemos de onde ela era, se era casada, ou o que aconteceu depois. Mesmo assim, seu nome ficou registrado como exemplo de alguém que apoiou o trabalho de Jesus de um jeito prático e generoso, sem esperar reconhecimento por isso.

O mundo dele

No primeiro século, um mestre itinerante como Jesus normalmente dependia do apoio de outras pessoas para viajar, comer e se hospedar — rabinos judeus da época costumavam contar com doações da comunidade ou de discípulos próximos. O que registra, porém, chama atenção: entre os que sustentavam Jesus e os doze estavam mulheres, identificadas pelo nome, que usavam recursos próprios para isso. Numa sociedade em que o papel público das mulheres era limitado e viajar com um grupo de homens sem parentesco poderia gerar suspeita ou fofoca, o fato de Lucas nomear essas mulheres — Maria Madalena, Joana e Susana — e registrar sua contribuição financeira é um detalhe social e economicamente incomum para a literatura da época.

O texto grego usa o verbo diakoneo, "servir" ou "ministrar", associado à expressão "dos seus bens" (ek tōn hyparchontōn autais), sugerindo que essas mulheres tinham posses ou renda próprias — algo possível para viúvas, mulheres de posição social estável ou com pequeno patrimônio herdado ou administrado por elas. Joana, por exemplo, era casada com um administrador da corte de Herodes Antipas, o que indica acesso direto a recursos financeiros da elite local. Sobre Susana, contudo, o texto silencia por completo: não há indicação de status civil, cidade de origem ou fonte de seus meios.

Lucas é o evangelho que mais destaca a presença e a atuação de mulheres ao lado de Jesus, e essa passagem se encaixa nesse padrão editorial: mulheres não aparecem apenas como beneficiárias de curas ou ensino, mas como agentes que tornam o ministério itinerante economicamente viável. A menção final a "muitas outras" () indica que o grupo de colaboradoras era maior do que as três nomeadas, e Susana representa, no relato, uma entre várias mulheres cujo apoio material sustentou a pregação de Jesus pela Galileia, sem que a narrativa lhes dedique qualquer biografia.

A história

O relato de é curto, mas denso. Depois de descrever Jesus percorrendo cidades e vilarejos "pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus", o texto acrescenta que ele era acompanhado pelos doze e por "algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades": Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana; "e muitas outras, que os serviam com os seus bens" (). Susana está no meio dessa lista, entre duas mulheres com identificações mais específicas — a experiência de libertação de Maria Madalena, o vínculo de Joana com a corte de Herodes — e a menção genérica final a "muitas outras". Seu nome fica registrado, mas sem qualquer marcador de identidade além dele, o que faz de Susana um dos casos mais extremos, no Novo Testamento, de uma pessoa nomeada e, ao mesmo tempo, quase totalmente desconhecida.

Comentaristas como Joel B. Green e Darrell Bock observam que o verbo diakoneo, usado aqui, pertence ao mesmo campo semântico que Lucas emprega para descrever o próprio caráter do ministério de Jesus ("eu estou entre vós como aquele que serve", ), o que sugere que o apoio dessas mulheres não era visto como periférico, mas como parte constitutiva da missão. I. Howard Marshall observa que a expressão "dos seus bens" implica posse ou controle direto sobre recursos financeiros, algo que a lei e o costume judaicos do período nem sempre garantiam a mulheres, o que torna o detalhe ainda mais notável do ponto de vista histórico e social. Ben Witherington III, em seu estudo sobre mulheres no ministério de Jesus, nota que esse tipo de patrocínio feminino, embora incomum, não era impossível dentro do direito romano e judaico, que permitia a certas mulheres — viúvas, em especial — administrar bens próprios sem tutela masculina direta.

Um ponto de honestidade que a passagem não esconde: apesar de nomear Susana como sustentadora do ministério, o restante dos evangelhos não volta a mencioná-la. Quando Lucas relata as mulheres presentes na crucificação e no túmulo vazio (; 24:10), os nomes citados são Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago — Susana não aparece nessas cenas. Isso não significa necessariamente que ela tenha se afastado do grupo; o texto simplesmente não volta a falar dela, e estudiosos alertam contra preencher esse silêncio com suposições sem base no texto. A vida de Susana, tal como registrada nas Escrituras, se resume a uma única frase: ela usou o que tinha para sustentar um ministério que não era seu, e isso foi suficiente para que seu nome atravessasse dois mil anos de leitura do Evangelho de Lucas.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:Susana, a discípula de Lucas 8, é a mesma Susana do livro apócrifo de Susana (acréscimo grego ao livro de Daniel).

    São personagens diferentes, separadas por séculos e contextos: a Susana de Daniel é figura de uma narrativa judaica ambientada na Babilônia, falsamente acusada de adultério; a Susana de Lucas é uma seguidora de Jesus na Galileia do primeiro século. Nenhum texto bíblico ou histórico as identifica como a mesma pessoa.

  • Dizem que:Susana era esposa de um dos doze apóstolos.

    O texto não menciona marido, filhos ou qualquer vínculo familiar de Susana com os doze. Essa é uma suposição sem base no relato, que a apresenta apenas como uma das mulheres que sustentavam o grupo com seus próprios bens.

  • Dizem que:Susana era, como se costuma supor sobre Maria Madalena, uma mulher de passado moralmente marcado.

    O texto atribui a experiência de libertação de sete espíritos apenas a Maria Madalena, não a Susana. Não há qualquer indicação bíblica sobre o passado, a saúde ou a reputação de Susana antes de segui-la ao grupo de Jesus.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica

    Vê em Susana e nas demais mulheres um exemplo antigo de diaconia leiga — serviço concreto que sustenta a missão da Igreja sem exigir função clerical, valorizado como vocação legítima de apoio prático ao ministério.

  • Ortodoxa

    Associa esse tipo de serviço feminino relatado por Lucas às raízes históricas do antigo ofício das diaconisas na Igreja primitiva, mulheres reconhecidas por funções específicas de serviço e assistência.

  • Protestante evangélica

    Enfatiza o texto como modelo de mordomia cristã: usar recursos pessoais para sustentar a obra do evangelho, um princípio de generosidade aplicável a qualquer crente, homem ou mulher, independentemente de cargo formal.

  • Pentecostal/carismática

    Lê a menção a Susana como evidência bíblica de que mulheres participaram como parceiras plenas no avanço do ministério de Jesus desde o início, sustentando teologicamente um papel ativo das mulheres na obra da igreja hoje.

O que fazer com isso

A história de Susana mostra que contribuir para algo maior nem sempre exige protagonismo ou reconhecimento duradouro. Ela é lembrada por uma única frase, mas essa frase registra uma ação concreta: usar recursos próprios para sustentar um trabalho em que acreditava. Sua presença no texto lembra que apoio material e discreto também é uma forma legítima e necessária de participação em qualquer causa comum.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Joel B. Green. The Gospel of Luke (NICNT), 1997.
  • Darrell L. Bock. Luke (Baker Exegetical Commentary on the New Testament), 1994.
  • I. Howard Marshall. The Gospel of Luke (New International Greek Testament Commentary), 1978.
  • Ben Witherington III. Women in the Ministry of Jesus, 1984.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem foi Susana na Bíblia?

Susana foi uma das mulheres que acompanhavam Jesus e os doze discípulos durante o ministério na Galileia, ajudando a sustentar o grupo com recursos próprios. Ela é mencionada apenas uma vez, em .

Susana aparece em outro lugar da Bíblia além de Lucas 8?

Não. Susana é citada uma única vez em todo o texto bíblico, nessa breve lista de mulheres em . Ela não reaparece em nenhum outro relato dos evangelhos.

Susana é a mesma personagem do livro de Susana, nos apócrifos de Daniel?

Não. São duas figuras completamente diferentes, de épocas e contextos distintos. A Susana de Daniel pertence a uma narrativa judaica ambientada na Babilônia; a Susana de Lucas segue Jesus na Galileia do primeiro século.

O que significa a Bíblia dizer que Susana 'sustentava com seus bens'?

A expressão indica que ela usava recursos financeiros ou materiais próprios para custear as necessidades práticas de Jesus e dos doze durante a itinerância, algo incomum para mulheres nomeadas individualmente naquela época.

Susana estava presente na crucificação ou no túmulo vazio de Jesus?

O texto não diz. Nos relatos da crucificação e do túmulo vazio, Lucas nomeia Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, mas não menciona Susana nessas cenas específicas.

Outros personagens

Publicado em 13/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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