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Significado Bíblico

Susana

O que significa o nome Susana?

Ficha do nome

Lírio ou flor de lótus, do hebraico shoshannah (שׁוֹשַׁנָּה) — flor branca associada à beleza na poesia bíblica e usada também como motivo ornamental, como nos capitéis do templo de Salomão (1 Reis 7:19).

שׁוֹשַׁנָּה · Shoshannah (hebraico); Sousanna (grego)

Origem
hebraico
Gênero
Feminino
Uso
Comum no Brasil
Variantes
Suzana, Susan, Suzanne, Susanna, Shoshana, Zsuzsanna, Zuzana

Resposta curta

Susana vem do hebraico shoshannah, palavra que os léxicos padrão associam ao lírio ou à flor de lótus — flor branca comum às margens de rios do Oriente Próximo, usada também como motivo decorativo, como nos capitéis do templo de Salomão. O nome passou pelo grego da Septuaginta como Sousanna, chegou ao latim da Vulgata como Susanna e se espalhou pelas línguas europeias, originando Susan, Suzanne, Zsuzsanna e, no Brasil, Suzana.

No Novo Testamento, Susana é uma das mulheres citadas em que acompanhavam Jesus e os discípulos, ajudando a sustentar o grupo com recursos próprios. O nome também designa a protagonista do relato de , reconhecido como canônico por católicos e ortodoxos, mas apócrifo para protestantes. No Brasil, a forma Suzana segue entre os nomes femininos de uso corrente.

O personagem por trás do nome

Susana

Ministério de Jesus (c. 30 d.C.)

Susana aparece uma única vez na Bíblia, em Lucas 8:2-3, numa breve lista de mulheres que acompanhavam Jesus e os doze pela Galileia. O evangelista as descreve como mulheres curadas de espíritos malignos e enfermidades que passaram a sustentar o grupo "com os seus bens" — financiando com recursos próprios a itinerância do ministério de Jesus. Ao lado dela estão nomeadas Maria Madalena e Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana é citada pelo nome, mas sem outro dado sobre origem ou história pessoal.

A história completa de Susana
Em palavras simples

Susana é um nome de origem hebraica que significa lírio ou flor de lótus. Na Bíblia, ele aparece ligado a mais de uma mulher: uma das seguidoras de Jesus, citada no Evangelho de Lucas, e também uma personagem do livro de Daniel, num trecho que nem todas as igrejas consideram parte da Bíblia. Hoje, no Brasil, a forma mais usada é Suzana, um nome tranquilo, de raiz antiga, ainda comum entre meninas e sem nenhum sentido negativo associado a ele.

De onde vem o nome

O nome Susana vem do hebraico shoshannah (שׁוֹשַׁנָּה), termo que léxicos hebraicos padrão como o Brown-Driver-Briggs (BDB) e o HALOT (Köhler-Baumgartner) associam a uma flor branca perfumada, geralmente identificada com o lírio (Lilium candidum) ou, numa leitura alternativa sustentada por parte da erudição, com a flor de lótus egípcia, comum às margens do Nilo e de outros cursos d'água do Oriente Próximo. A mesma raiz consonantal aparece na palavra hebraica para o número seis (shesh), o que levou alguns comentaristas antigos a associar o nome às seis pétalas do lírio — uma hipótese que a lexicografia moderna registra com cautela, sem consenso fechado.

Vale separar dois fatos que às vezes se confundem por semelhança de grafia em português: o nome Susana e o topônimo Susa (ou Susã, capital do antigo império elamita e depois persa, citada em Ester e Daniel) têm raízes diferentes. Susa vem de um termo elamita-persa antigo; Susana vem da palavra hebraica para a flor. A proximidade sonora entre os dois é coincidência histórica, não parentesco linguístico.

Do hebraico, o nome seguiu para o grego da Septuaginta e do Novo Testamento como Sousanna (Σουσάννα), depois para o latim da Vulgata como Susanna, forma que se ramificou pelas línguas europeias: Susan e Suzanne no mundo anglófono e francófono, Zsuzsanna no húngaro, Zuzana no tcheco e eslovaco, Shoshana no hebraico moderno falado em Israel. No Brasil, a forma consagrada é Suzana, grafada também, com menos frequência, como Susana.

Dentro do conjunto de textos ligados à tradição bíblica, o nome aparece em dois contextos distintos: como uma das mulheres que seguiam Jesus, mencionada em , e como protagonista do relato de , cujo status canônico varia entre as tradições cristãs. Essa dupla presença ajudou a manter o nome vivo na onomástica cristã ao longo dos séculos, com uso especialmente forte em países de tradição católica e ortodoxa, onde a história de circulou com mais força do que em ambientes protestantes.

O nome na Bíblia

A palavra hebraica shoshannah aparece em outros pontos do Antigo Testamento além de nomear pessoas, o que ajuda a fixar seu significado literal. Em Cantares 2:1, a expressão traduzida como "o lírio dos vales" usa o mesmo termo, vertido por "lírio" na maioria das versões em português, inclusive na tradição de Almeida. Traduções mais antigas, influenciadas pela Vulgata latina, oscilaram entre "lírio" e "rosa" em passagens poéticas, o que ajudou a espalhar a ideia equivocada, ainda comum, de que shoshannah significa "rosa". Os léxicos de referência — BDB, HALOT e o número de catálogo Strong's H7799 — são consistentes em identificar o termo com o lírio ou, numa leitura minoritária, com a flor de lótus. O uso arquitetônico da palavra reforça esse sentido floral: em , os capitéis do templo de Salomão são descritos como lavrados "em forma de lírios" (shoshan), mostrando que o termo também nomeava um motivo ornamental recorrente na arte do antigo Oriente Próximo, e não apenas a flor viva.

Do hebraico, o nome seguiu duas rotas principais até chegar ao português. A primeira foi grega: a Septuaginta verteu shoshannah como Sousanna, forma mantida no Novo Testamento grego para nomear a discípula de . A segunda foi latina: a Vulgata fixou Susanna como forma padrão, usada tanto para essa discípula quanto para a personagem de . Do latim, o nome se ramificou em várias línguas europeias — Susanne em francês e alemão, Susan em inglês, Zsuzsanna em húngaro, Zuzana em tcheco e eslovaco, Susana e Suzana em português e espanhol.

No Brasil, a forma predominante nos registros civis é Suzana, com "z", grafia que se estabilizou ao longo do século XX, embora Susana, com "s", permaneça registrada e reconhecida como variante igualmente válida. O nome não está entre os mais frequentes de nenhuma geração recente, mas mantém presença estável, sem os picos e quedas bruscas típicos de nomes ligados a modismos passageiros — um comportamento comum a nomes de raiz bíblica bem estabelecida.

O nome também segue vivo na tradição judaica: Shoshana continua em uso corrente em Israel e em comunidades judaicas fora dele, ligado tanto ao sentido floral quanto ao simbolismo do lírio como imagem de beleza e integridade na poesia hebraica, aplicada tanto a mulheres quanto, em sentido figurado, ao próprio povo de Israel em alguns textos proféticos e litúrgicos.

O cruzamento dessas duas rotas de transmissão — a grega, que preservou Sousanna no Novo Testamento, e a latina, que fixou Susanna como forma litúrgica ocidental — explica por que o nome chegou ao português em duas grafias próximas, Susana e Suzana, tratadas por dicionários onomásticos como variantes gráficas de um mesmo nome, sem diferença de origem ou de significado entre elas.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:O nome Susana significa 'rosa'.

    Os léxicos hebraicos padrão (BDB, HALOT, Strong's H7799) associam shoshannah ao lírio, não à rosa. A confusão vem de traduções antigas de passagens poéticas que alternaram entre os dois termos.

  • Dizem que:O nome Susana vem da cidade persa de Susa (Shushan).

    Apesar da grafia parecida em português, Susa é um topônimo de origem elamita-persa, enquanto Susana vem da palavra hebraica para a flor. São raízes linguísticas distintas, sem parentesco etimológico.

  • Dizem que:Só existe uma Susana na Bíblia.

    O nome aparece ligado a duas figuras distintas: a discípula de , presente em todas as tradições cristãs, e a protagonista de , texto reconhecido como canônico apenas por católicos e ortodoxos.

Vale a pena escolher este nome?

Para quem considera hoje o nome Susana ou Suzana, vale saber que se trata de um nome de raiz antiga e sentido floral, sem carga negativa em nenhuma tradição cristã. Sua presença em dois textos bíblicos distintos — a discípula de e a personagem de — mostra como um mesmo nome pode carregar histórias diferentes, a depender do texto e da tradição em que aparece.

Fontes consultadas4
  • Francis Brown, S. R. Driver e Charles A. Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
  • Ludwig Koehler e Walter Baumgartner. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
  • James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Herbert Lockyer. All the Women of the Bible, 1967.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Qual é o significado do nome Susana?

Susana vem do hebraico shoshannah e significa lírio ou flor de lótus. É um nome ligado à imagem de uma flor branca, símbolo de beleza usado várias vezes na poesia bíblica.

Susana é nome de origem judaica ou cristã?

É um nome de origem hebraica, portanto judaica em sua raiz. Ele chegou ao mundo cristão através do grego do Novo Testamento e do latim da Vulgata, e continua em uso tanto em comunidades judaicas quanto cristãs até hoje.

Suzana e Susana são nomes diferentes?

Não, são a mesma palavra grafada de duas formas. Suzana, com z, é a grafia mais usada no Brasil; Susana, com s, é uma variante igualmente válida e mais próxima da forma latina original Susanna.

O nome Susana aparece na Bíblia católica e na protestante?

A discípula Susana de aparece em todas as Bíblias cristãs. Já a personagem de consta nas Bíblias católicas e ortodoxas, mas não nas protestantes, que não incluem esse texto no cânon.

O nome Susana significa rosa?

Não exatamente. Os léxicos hebraicos padrão associam shoshannah ao lírio, e não à rosa. A confusão vem de traduções antigas que, em alguns trechos poéticos, usaram 'rosa' como tradução alternativa.

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Publicado em 13/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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