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Significado Bíblico
Discípulointermediária

Cléopas

Quem foi Cléopas, o discípulo de Emaús, na Bíblia?

Ficha do personagem

estrada para Emaús, ressurreição de Jesus, início do séc. I d.C.

Aparece em

Relações

  • companheiro de caminhada discípulo não identificado de Emaús
  • testemunhou o encontro com Jesus ressuscitado
  • relatou o encontro a os onze apóstolos

Resposta curta

Cléopas aparece uma única vez na Bíblia, em , no dia da ressurreição de Jesus. É um dos dois discípulos que caminham de Jerusalém a Emaús, cerca de onze quilômetros, conversando sobre a crucificação e os rumores do túmulo vazio. Um desconhecido se junta a eles e pergunta do que falam; eles respondem, desanimados, que esperavam que Jesus fosse quem redimiria Israel, mas ele havia sido morto. O estranho então explica, a partir de Moisés e dos profetas, o que as Escrituras diziam sobre o Messias.

Só ao anoitecer, quando o convidam a ficar e ele parte o pão à mesa, os olhos deles se abrem: era Jesus ressuscitado, que então desaparece. Os dois voltam de imediato, de noite, a Jerusalém, e contam aos onze o que viram. Fora esse episódio, nada mais se sabe sobre Cléopas com certeza.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

A passagem de não é uma profecia do Antigo Testamento cumprida por Cléopas, mas um relato do próprio Novo Testamento sobre como Jesus ressuscitado se revela: primeiro explicando "em todas as Escrituras o que a seu respeito se dizia", começando por Moisés e todos os profetas (), e só depois se dando a conhecer no gesto de partir o pão (), que ecoa deliberadamente a última ceia (). O episódio de Emaús funciona como síntese da trajetória bíblica que liga a Lei e os Profetas ao Messias sofredor e depois glorificado, e mostra esse mesmo Cristo se dando a conhecer, na prática cristã, no partir do pão. Cléopas e seu companheiro representam qualquer discípulo comum que só reconhece plenamente quem é Jesus depois de ouvir as Escrituras inteiras e participar do gesto que as resume.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Cléopas é citado uma vez só na Bíblia, no dia em que Jesus ressuscitou. Ele e outro discípulo caminhavam tristes de Jerusalém para um povoado chamado Emaús, comentando a morte de Jesus, quando um estranho começou a andar com eles e explicou o que as Escrituras diziam sobre o Messias. Eles só perceberam que era o próprio Jesus na hora de comer, quando ele partiu o pão à mesa. Depois disso, os dois correram de volta a Jerusalém, de noite, para contar aos outros discípulos o que tinha acontecido.

O mundo dele

A cena de Cléopas está em , no mesmo dia em que mulheres encontraram o túmulo vazio de Jesus. Emaús, o povoado citado, fica a cerca de sessenta estádios de Jerusalém — entre onze e treze quilômetros, dependendo do manuscrito grego consultado, já que há variação textual sobre a distância exata. Não se sabe ao certo qual sítio arqueológico corresponde ao Emaús bíblico; ao menos três locais na região foram propostos ao longo da história, sem consenso definitivo entre arqueólogos e historiadores.

Cléopas é apresentado apenas como discípulo de Jesus, não como um dos doze apóstolos. Isso fica claro no próprio relato: depois de reconhecerem Jesus, ele e seu companheiro voltam a Jerusalém e encontram "os onze e os que estavam com eles reunidos" () — ou seja, chegam a esse grupo maior, não saem dele. Isso mostra que o círculo de seguidores de Jesus ia além dos doze nomes mais conhecidos dos evangelhos, incluindo discípulos comuns cuja fé e desânimo eram tão reais quanto os dos apóstolos mais citados.

O clima da conversa entre Cléopas e o desconhecido é de luto e confusão: eles relatam a crucificação, o relato das mulheres sobre o túmulo vazio e a aparição de anjos, mas admitem que "a ele, porém, não o viram" (). A expressão "nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir Israel" () capta bem a expectativa política e nacional que muitos judeus do primeiro século tinham a respeito do Messias — e o choque de ver essa esperança aparentemente desfeita pela cruz.

O ponto alto da narrativa é o reconhecimento: os olhos dos dois discípulos, "como que impedidos" de identificar Jesus durante toda a caminhada e a explicação das Escrituras, só se abrem no gesto de partir o pão à mesa (). Depois disso, Jesus desaparece, e os dois voltam à noite para Jerusalém — caminhada arriscada no período — para contar a novidade aos demais discípulos.

A história

O único episódio biográfico ligado a Cléopas concentra vários pontos de debate entre estudiosos. O primeiro é a identidade do próprio nome: "Cléopas" (Kleopas, em grego) é geralmente entendido como forma abreviada de "Cleópatros", nome grego comum, e é distinto, na forma grega original, do nome "Clopas" mencionado em como marido de uma das Marias presentes à crucificação. Comentaristas como Joseph Fitzmyer, em seu comentário sobre Lucas, e I. Howard Marshall observam que a semelhança sonora entre os dois nomes em português (e em algumas transliterações antigas) levou parte da tradição cristã a identificá-los como a mesma pessoa, embora a base linguística para essa identificação seja frágil e não haja unanimidade entre os exegetas quanto a tratar-se do mesmo indivíduo.

Uma tradição mais antiga, registrada por Eusébio de Cesareia em sua "História Eclesiástica" (citando o historiador cristão do século II Hegesipo), afirma que Clopas era irmão de José, marido de Maria, e portanto tio de Jesus; a mesma fonte diz que o filho de Clopas, Simeão, teria se tornado o segundo bispo de Jerusalém após a morte de Tiago. Se esse Clopas for o mesmo Cléopas de Emaús — o que a tradição posterior, sobretudo católica e ortodoxa, tende a aceitar —, isso o tornaria parente próximo de Jesus. Trata-se, porém, de informação extrabíblica, registrada décadas depois dos eventos, e não de um dado do próprio texto de Lucas.

Outro ponto discutido é a identidade do segundo discípulo, que Lucas nunca nomeia. Como a estrutura do relato sugere uma casa comum aos dois viajantes, alguns intérpretes — apoiados na possível identificação de Cléopas com o Clopas de — propõem que o companheiro anônimo fosse sua esposa, a "Maria, mulher de Clopas", citada entre as mulheres junto à cruz. É leitura sugestiva, mas permanece hipótese, sem como ser confirmada pelo texto.

Teologicamente, o relato costuma ser lido como uma cena sobre revelação e reconhecimento tardio: os dois discípulos ouvem toda a explicação das Escrituras a respeito do Cristo sofredor sem que isso, por si, abra seus olhos — é o gesto concreto de partir o pão que provoca o reconhecimento (), ecoando o gesto da última ceia (). Matthew Henry, em seu comentário clássico, destaca esse contraste entre ouvir a Palavra e reconhecer a Cristo nela presente como o núcleo pastoral do episódio. Seja qual for a solução para essas questões de identidade, o núcleo do relato permanece estável nas quatro tradições que o preservam: um encontro real com o Cristo ressuscitado, reconhecido por discípulos comuns num gesto doméstico simples, não num sinal espetacular.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Cléopas era um dos doze apóstolos.

    O próprio texto de Lucas indica o contrário: depois de reconhecerem Jesus, Cléopas e seu companheiro voltam a Jerusalém e encontram "os onze e os que estavam com eles reunidos" (), ou seja, chegam a esse grupo maior de discípulos, não saem do círculo dos onze. Lucas nunca o lista entre os doze nomeados em .

  • Dizem que:A Bíblia diz claramente quem era o segundo discípulo que ia com Cléopas.

    nunca nomeia o companheiro de Cléopas. Propostas como identificá-lo com Lucas, o próprio evangelista, ou com a esposa de Cléopas são hipóteses de intérpretes posteriores, não informação dada pelo texto.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Ortodoxa

    Venera Cléopas como um dos Setenta Discípulos enviados por Jesus () e sustenta, com base em Eusébio de Cesareia e Hegesipo, que ele seria parente de Jesus por parte de José, dando-lhe lugar próprio no calendário litúrgico.

  • Católica

    Também associa Cléopas ao "Clopas" de e à tradição de Hegesipo sobre seu parentesco com José; parte da exegese católica ainda propõe que a esposa desse Clopas, Maria, fosse o segundo discípulo não nomeado em Emaús.

  • Evangélica/Protestante

    Em geral trata a identificação com Clopas e o parentesco com Jesus como tradição extrabíblica não verificável, preferindo concentrar a leitura no significado teológico da cena — o reconhecimento de Cristo ressuscitado nas Escrituras e no partir do pão — sem afirmar dados biográficos que o texto não fornece.

O que fazer com isso

A história de Cléopas mostra que reconhecer a presença de Cristo às vezes leva tempo, mesmo para quem já ouviu toda a explicação das Escrituras. Ele não era uma figura de destaque entre os discípulos, e ainda assim foi quem testemunhou, em detalhes, um dos encontros mais marcantes com Jesus ressuscitado — lembrete de que relatos bíblicos importantes não se limitam aos nomes mais conhecidos.

Passagens relacionadas5
Fontes consultadas4
  • Joseph A. Fitzmyer. The Gospel According to Luke X-XXIV (Anchor Bible), 1985.
  • I. Howard Marshall. The Gospel of Luke: A Commentary on the Greek Text, 1978.
  • Matthew Henry. Comentário Bíblico de Matthew Henry, 1710.
  • Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica, 325.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem foi Cléopas na Bíblia?

Foi um discípulo de Jesus, não um dos doze apóstolos, que aparece em caminhando com um companheiro de Jerusalém a Emaús no dia da ressurreição. Reconheceu Jesus ressuscitado quando este partiu o pão à mesa.

Cléopas era um dos doze apóstolos?

Não. mostra que ele e seu companheiro voltam a Jerusalém e encontram os onze reunidos, indicando que faziam parte de um círculo maior de discípulos, não do grupo dos doze.

Quem era o outro discípulo que ia com Cléopas para Emaús?

O texto bíblico não diz. Já se propôs que fosse sua esposa ou até o próprio evangelista Lucas, mas são apenas hipóteses de intérpretes, sem confirmação no texto.

Cléopas é o mesmo Clopas mencionado em João 19:25?

É uma identificação tradicional, aceita por parte da igreja antiga, mas incerta: os nomes têm formas gregas distintas, e estudiosos como Fitzmyer e Marshall consideram frágil a base para igualá-los.

Por que os discípulos não reconheceram Jesus de imediato?

diz que "os olhos deles estavam como que impedidos de o reconhecerem". O reconhecimento só acontece quando Jesus parte o pão à mesa, em Emaús ().

Outros personagens

Publicado em 05/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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