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Significado Bíblico
Líderintermediária

Sóstenes

Quem foi Sóstenes, o chefe da sinagoga espancado diante de Gálio?

Ficha do personagem

Cerca de 51-55 d.C.; Corinto e Éfeso

Relações

  • contemporâneo de Gálio
  • associado a Paulo
  • contemporâneo de Crispo

Resposta curta

Sóstenes é o chefe da sinagoga de Corinto que, em , foi agarrado e espancado diante do tribunal do procônsul Gálio, logo depois de Gálio rejeitar a acusação dos judeus contra Paulo. O texto diz que 'todos' o agarraram, sem esclarecer quem; alguns manuscritos acrescentam 'os gregos'. Em , Paulo abre a carta, escrita de Éfeso, em nome seu e do 'irmão Sóstenes'. Muitos leitores veem aí a mesma pessoa, que teria se tornado cristão depois do episódio; outros veem dois homens que tinham o mesmo nome, comum na época. A Bíblia não resolve a questão, e o verbete apresenta as duas leituras e o pouco que se pode afirmar com segurança sobre ele.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O texto não apresenta Sóstenes como figura que prefigura Cristo. Quando muito, o contraste está em Paulo: acusado diante de um tribunal romano, como Jesus diante de Pilatos (), mas aqui o magistrado declina de julgar. A comparação é apenas de cenário e não afirma qualquer relação de tipo ou cumprimento.

Em palavras simples

Sóstenes era chefe da sinagoga em Corinto. Quando os judeus levaram Paulo ao tribunal do governador Gálio, o governador rejeitou o caso, e a multidão agarrou Sóstenes e o espancou ali mesmo, sem que Gálio se importasse. Mais tarde, a primeira carta de Paulo aos coríntios começa citando o 'irmão Sóstenes'. Pode ser o mesmo homem, que teria se tornado cristão, ou outra pessoa com o mesmo nome. A Bíblia não diz qual é a resposta.

O mundo dele

O episódio de ocorre durante os dezoito meses que Paulo passou em Corinto, por volta de 50-52 d.C. A data é uma das mais seguras da cronologia paulina, porque uma inscrição encontrada em Delfos, com uma carta do imperador Cláudio, menciona Lúcio Júnio Gálio como procônsul da Acaia, e os estudiosos situam seu mandato em 51-52 ou em torno desse período. Gálio era irmão do filósofo Sêneca, e seu cargo o tornava a mais alta autoridade romana na província.

Segundo o relato, os judeus 'se levantaram unânimes' contra Paulo e o levaram ao tribunal (em grego, bema), acusando-o de persuadir as pessoas a adorar a Deus 'contra a lei' (). Não está claro se 'a lei' era a lei romana ou a lei judaica. Se fosse a primeira, a acusação teria peso político, pois o judaísmo tinha uma situação reconhecida pelo império, e acusar Paulo de pregar algo diferente sugeria que ele estava fora dessa proteção. Gálio, porém, antes mesmo de Paulo falar, recusou o caso: não se tratava de crime ou má ação, mas de 'questões de palavras, de nomes e da vossa lei', e ele não queria ser juiz dessas coisas. Mandou expulsá-los do tribunal.

É nesse ponto que entra Sóstenes. O texto o chama de 'chefe da sinagoga', título que Crispo também recebe em , poucos versículos antes. Isso levanta a possibilidade de que a sinagoga tivesse mais de um líder ao mesmo tempo, ou de que Sóstenes tenha assumido o cargo depois que Crispo creu. O texto não esclarece. O nome Sóstenes era comum no mundo grego, o que torna ainda mais difícil identificá-lo com outras pessoas de mesmo nome sem indícios adicionais. Atos não conta que ele tenha participado da acusação ou que tenha sido o porta-voz dos judeus, e por isso qualquer retrato de seu papel naquele dia é inferência de leitores.

A história

O versículo central é curto: 'Então todos agarraram Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancavam diante do tribunal; mas Gálio não se importou com nada disso' (). Há dois problemas de leitura. O primeiro é textual. Muitos manuscritos dizem 'todos', e outros, como a tradição bizantina e ocidental, acrescentam 'os gregos'. Quando o sujeito é 'os gregos', a cena é lida como uma explosão de hostilidade da população gentia contra o líder judeu, ou como exibição de antipatia contra os judeus. Quando o sujeito é apenas 'todos', pode se tratar do próprio grupo de acusadores, frustrados com o resultado, ou da multidão em geral. O texto não explica a razão.

O segundo problema é por que Sóstenes foi o alvo. Os intérpretes propõem diferentes hipóteses: ele poderia ter sido o porta-voz da acusação e, portanto, o responsável visível pelo fracasso; poderia ser um alvo de gentios que viam no processo uma perturbação inútil; ou poderia ser visto como simpático a Paulo. Nenhuma dessas hipóteses tem apoio direto no texto. O que Atos destaca é a indiferença de Gálio, que se recusa a intervir, e que revela a postura de um magistrado romano diante de disputas internas entre judeus.

A segunda menção possível está em : 'Paulo, chamado para ser apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Sóstenes'. A carta foi escrita de Éfeso (), cerca de 54-55 d.C. A designação 'o irmão' sugere um cristão conhecido dos coríntios, sem necessidade de apresentação. Por isso, muitos comentaristas consideram provável que seja o mesmo homem de , que teria se convertido depois do episódio e acompanhado Paulo. Outros observam que o nome era comum, que Atos não diz que ele se converteu e que a Bíblia não afirma essa identificação. O leitor tem, portanto, duas leituras plausíveis: a de um chefe de sinagoga que se tornou cristão e a de dois homens diferentes.

De qualquer modo, em 1 Coríntios Sóstenes aparece como co-remetente, não como autor. Alguns pensam que atuou como secretário, mas o texto não diz isso. Para a vida de Paulo, o episódio tem importância prática: a decisão de Gálio, ainda que informal, permitiu que ele permanecesse em Corinto 'muitos dias' () e depois seguisse viagem pelo Mediterrâneo sem ser molestado pelas autoridades. Para a igreja local, a existência de um irmão chamado Sóstenes no começo da carta sugere que a comunidade já o conhecia bem. Tradições posteriores, como a registrada por Eusébio de Cesareia, o incluem entre os Setenta discípulos, o que também carece de apoio no Novo Testamento.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:Sóstenes foi quem acusou Paulo diante de Gálio.

    diz que 'os judeus' em conjunto levaram Paulo ao tribunal. O texto não nomeia Sóstenes como acusador: ele só aparece no versículo 17, quando é agarrado e espancado.

  • Dizem que:O Novo Testamento afirma que o Sóstenes de Atos 18 é o mesmo de 1 Coríntios 1:1.

    Nenhum texto faz a ligação. É uma hipótese plausível dos comentaristas, baseada no nome e no local, mas Atos não diz que ele creu e 1 Coríntios não o descreve como ex-chefe da sinagoga.

  • Dizem que:Gálio protegeu Paulo e o declarou inocente, absolvendo o cristianismo.

    Gálio apenas se recusou a julgar, por considerar que a questão era de palavras, nomes e lei judaica (). Não emitiu decisão sobre o conteúdo da fé cristã, embora o gesto tenha beneficiado Paulo naquele momento.

Como diferentes tradições cristãs leem5

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica

    Muitos comentaristas católicos, como Joseph Fitzmyer, consideram plausível que o Sóstenes de seja o mesmo de , mas tratam a identificação como hipótese. A tradição litúrgica o recorda como cristão ligado a Paulo, sem que isso esteja no texto bíblico.

  • Ortodoxa

    A tradição ortodoxa, seguindo listas antigas, conta Sóstenes entre os Setenta discípulos e o recorda como colaborador de Paulo. Essa informação vem de tradições posteriores ao Novo Testamento, e o texto bíblico não a confirma.

  • Protestante

    Muitos comentaristas protestantes aceitam a identificação como provável: o chefe da sinagoga espancado teria se convertido e se tornado companheiro de Paulo, o que ilustraria a virada de um opositor em irmão. Outros preferem cautela e ressaltam que o texto não afirma isso.

  • Crítica histórica

    Estudiosos como Murphy-O'Connor e Thiselton discutem se a hipótese de um segundo líder de sinagoga é mais natural do que a de uma sucessão, e notam que o nome era comum. Lembram também que a variante textual sobre os agressores altera a leitura da cena.

  • Judaica (estudos do período)

    Historiadores judeus e cristãos do período veem no episódio um exemplo das tensões entre comunidades judaicas da diáspora e as autoridades romanas, e da fragilidade dos líderes de sinagoga diante do magistrado e da população local.

O que fazer com isso

Sóstenes lembra que a Bíblia às vezes registra pessoas em um único versículo, sem explicar o que lhes aconteceu. O leitor é convidado a reconhecer o que o texto sabe e o que não sabe. Quando há duas leituras possíveis, vale apresentá-las com honestidade, sem concluir mais do que as palavras permitem, e aceitar que alguns personagens continuam em parte desconhecidos.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Joseph A. Fitzmyer. The Acts of the Apostles (Anchor Bible), 1998.
  • Jerome Murphy-O'Connor. St. Paul's Corinth: Texts and Archaeology, 1983.
  • Anthony C. Thiselton. The First Epistle to the Corinthians (New International Greek Testament Commentary), 2000.
  • Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica (livro 1).

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem espancou Sóstenes?

diz 'todos', sem especificar, e alguns manuscritos acrescentam 'os gregos'. A cena pode refletir hostilidade dos gentios ou frustração dos acusadores. O texto não esclarece.

Sóstenes era cristão?

Atos não diz. Em , Paulo cita 'o irmão Sóstenes', que pode ser o mesmo homem, depois convertido, ou outra pessoa com o mesmo nome. A identificação é possível, mas não é afirmada pelo texto.

Por que Gálio não interveio?

Porque considerou que as acusações eram sobre palavras, nomes e a lei judaica, e não crimes sob a lei romana (). O texto diz que ele 'não se importou' com o espancamento ().

Sóstenes e Crispo eram a mesma pessoa?

Não há base para isso. e 18:17 usam nomes diferentes para chefes da sinagoga. Pode ter havido dois líderes ao mesmo tempo ou uma sucessão, mas o texto não esclarece.

Outros personagens

Publicado em 05/11/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 5 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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