Senaqueribe
Quem foi Senaqueribe, rei da Assíria?
Ficha do personagem
705-681 a.C.; Nínive e Judá, durante o reinado de Ezequias
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Resposta curta
Senaqueribe foi rei da Assíria de 705 a 681 a.C. Na Bíblia, é o monarca que invade Judá no reinado de Ezequias, toma as cidades fortificadas e cerca Jerusalém. Seu porta-voz, o Rabsaqué, desafia a confiança do povo em Deus diante dos muros da cidade, e o profeta Isaías responde com uma mensagem de livramento. O texto bíblico relata que o exército assírio foi ferido durante a noite e que Senaqueribe voltou a Nínive, onde foi assassinado anos depois pelos próprios filhos. Os anais assírios confirmam a campanha, a conquista de dezenas de cidades de Judá e o tributo de Ezequias, mas não registram a tomada de Jerusalém. A causa exata da retirada é descrita apenas pelo relato bíblico.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO Novo Testamento não aplica este episódio a Cristo, e o verbete não força uma tipologia. O que o texto oferece é o contraste entre um poder que promete segurança por meio da força e um Deus que age em favor de quem nele confia. Esse padrão de livramento, em que o rei humano é frágil e a esperança vem do Senhor, é retomado de forma mais ampla no Novo Testamento, sem citação direta desta passagem.
Em palavras simples
Senaqueribe foi um rei da Assíria que atacou o reino de Judá cerca de 701 a.C., tomou muitas cidades e cercou Jerusalém, quando Ezequias era rei. Seu porta-voz, o Rabsaqué, tentou convencer o povo a desistir de confiar em Deus. A Bíblia conta que o exército assírio foi atingido durante a noite e que Senaqueribe voltou para Nínive, onde foi morto por dois filhos. Os registros assírios confirmam a campanha, mas não dizem que Jerusalém foi tomada.
O mundo dele
Senaqueribe (em acadiano, Sîn-ahhe-eriba) assumiu o trono assírio em 705 a.C., depois da morte de seu pai, Sargão II, em batalha. A morte do rei provocou revoltas em várias regiões do império, e Senaqueribe passou boa parte dos primeiros anos reprimindo rebeliões, sobretudo na Babilônia. Foi ele quem transferiu a capital para Nínive e a transformou numa cidade monumental, com um grande palácio decorado com relevos de suas campanhas.
Judá, sob Ezequias, tinha deixado de pagar tributo e se juntou a uma coalizão de cidades do litoral e a apoios do Egito. Em 701 a.C., em sua terceira campanha, Senaqueribe desceu pela costa do Mediterrâneo, submeteu cidades fenícias e filisteias e entrou em Judá. O texto bíblico situa isso “no décimo quarto ano do rei Ezequias” (), e a data costuma ser aproximada de 701 a.C., embora a contagem dos anos de Ezequias seja debatida entre os estudiosos.
Ezequias havia preparado Jerusalém para um cerco, como indicam e 30 (o reforço das muralhas e a canalização das águas da fonte de Giom, em geral identificada com o túnel que hoje leva o nome do rei, e que a inscrição de Siloé, encontrada no próprio túnel, descreve em hebraico antigo). A cidade de Laquis, a segunda mais importante de Judá, foi tomada pelos assírios; o episódio ficou registrado nos relevos do palácio de Senaqueribe em Nínive, hoje no Museu Britânico.
As fontes sobre o episódio são três: o relato de , com paralelos em (compartilhados quase palavra por palavra); a versão de , mais resumida; e os anais do próprio Senaqueribe, como o Prisma de Taylor, que descrevem a campanha do ponto de vista assírio. As três coincidem no essencial, mas diferem em ênfases, e esse contraste é a base do debate histórico. Quando se lê o texto bíblico, convém ter em mente que ele e os anais têm finalidades próprias: um quer afirmar a fidelidade de Deus, o outro a glória do rei. Nenhum é um relatório neutro, e o leitor precisa pesar cada um segundo seu gênero.
A história
O primeiro movimento do relato está em : Senaqueribe toma as cidades fortificadas de Judá, e Ezequias, reconhecendo ter falhado, oferece tributo de 300 talentos de prata e 30 de ouro, tirados até do templo. Os anais assírios falam de 46 cidades fortificadas conquistadas e de 30 talentos de ouro, mas de 800 de prata; a diferença no valor da prata é um dado conhecido, e as explicações vão da diferença de unidades de medida a ajustes de cálculo. O texto de omite essa parte do tributo.
Em seguida vem a cena que a tradição tornou famosa. Do alto da muralha de Jerusalém, o Rabsaqué (título que costuma ser traduzido como “chefe dos copeiros”, e não um nome próprio) fala em hebraico, a língua do povo, para que todos ouçam (). Seu discurso ataca a confiança de Ezequias no Egito, “cana quebrada”, e em Deus, ao afirmar que nenhum deus de nenhuma nação libertou seu povo da Assíria (18:33-35). É um texto de propaganda de guerra, e a Bíblia o preserva como contraponto à fé de Ezequias, que leva a carta ao templo e a estende diante do Senhor (19:14).
Isaías responde que o rei assírio não entrará na cidade nem lançará uma flecha contra ela (19:32-34). O relato diz então que o anjo do Senhor feriu 185.000 homens no campo assírio numa só noite (19:35). O texto não descreve o meio, e as hipóteses modernas incluem uma epidemia, ideia que se apoia em Josefo, que menciona uma peste em Antiguidades Judaicas 10, e em Heródoto (Histórias 2.141), que fala de ratos que teriam roído as aljavas e os arcos de um exército assírio, relato que alguns associam a uma praga. Nenhuma dessas hipóteses é comprovada, e a Bíblia apresenta a causa como ação de Deus.
Os anais de Senaqueribe dizem que ele prendeu Ezequias em Jerusalém “como um pássaro numa gaiola”, mas não afirmam que a cidade tenha caído. Para muitos historiadores, o silêncio significa que a campanha terminou sem a conquista da capital, o que combina com a narrativa bíblica de que a cidade ficou de pé. Alguns propõem duas campanhas distintas, uma em 701 e outra por volta de 688, mas essa hipótese não é consensual.
Senaqueribe volta a Nínive e, segundo , é morto por seus filhos Adrameleque e Sarezer, quando adorava no templo de Nisroque. Crônicas da Babilônia registram que foi assassinado em 681 a.C. por um filho, e seu sucessor foi Esar-Hadom (Assaradão).
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Os anais assírios confirmam que o anjo do Senhor feriu o exército de Senaqueribe.
Os anais confirmam a campanha, a conquista de cidades de Judá e o tributo de Ezequias, mas não mencionam o evento sobrenatural nem a perda de um exército. A causa da retirada é descrita só pelo relato bíblico, e textos oficiais de propaganda régia raramente registram revezes.
Dizem que:Senaqueribe conquistou Jerusalém e deportou Ezequias.
Nem a Bíblia nem os anais assírios dizem isso. Os anais afirmam que Ezequias ficou fechado em Jerusalém e pagou tributo, mas não falam da tomada da cidade.
Dizem que:“Rabsaqué” era o nome do porta-voz de Senaqueribe.
Rabsaqué é um título de função, em geral traduzido como “chefe dos copeiros”, junto com Tartã e Rabe-Saris em . O texto não registra o nome pessoal do oficial.
Como diferentes tradições cristãs leem4
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Histórico-crítica
Compara com os anais assírios e observa que as fontes se complementam: o tributo e a campanha são confirmados, mas a retirada é explicada de formas distintas. Alguns estudiosos veem a combinação de mais de uma tradição literária no relato bíblico, inclusive a hipótese de duas campanhas.
Protestante (evangélica)
Entende o episódio como demonstração histórica da fidelidade de Deus ao seu povo e do cumprimento da profecia de . Destaca a oração de Ezequias como modelo de dependência de Deus, e costuma ver o relato como historicamente fiel, em harmonia com os anais assírios.
Judaica
O Talmude (Sanhedrin 94a-95b) comenta o episódio ao tratar de Ezequias, ao tratar de Ezequias e do papel do rei piedoso diante de um império. A tradição rabínica lembra o episódio como exemplo de confiança em Deus, sem que a discussão se resuma a uma única leitura.
Católica e ortodoxa
Leem 2 Reis e Isaías como história sagrada, em que a oração de Ezequias e a palavra de Isaías mostram a ação de Deus em favor de Jerusalém. Comentaristas antigos de Isaías costumam ver no livramento um sinal da proteção divina sobre um resto fiel, sem exigir uma explicação natural da retirada.
O que fazer com isso
A história de Senaqueribe é um registro do conflito entre o poder que se apoia na força e a fé que se apoia em Deus, mas sem tratar a fé como garantia de êxito em toda circunstância. Ezequias teve medo, tentou comprar a paz com tributo e só depois levou a ameaça ao templo e a estendeu diante de Deus. O texto não pede ingenuidade diante dos fortes, e sim a decisão de apresentar o problema a Deus sem negar o tamanho dele.
Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
- Mordechai Cogan e Hayim Tadmor. II Kings (Anchor Bible), 1988.
- James B. Pritchard (org.). Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament, 1950.
- Kenneth A. Kitchen. On the Reliability of the Old Testament, 2003.
- Josefo. Antiguidades Judaicas.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quando Senaqueribe invadiu Judá?
A campanha costuma ser datada de 701 a.C., com base nos anais assírios. fala do décimo quarto ano de Ezequias, e a correspondência entre as datas é discutida pelos estudiosos.
Senaqueribe tomou Jerusalém?
Não. O relato bíblico diz que ele se retirou, e os anais assírios dizem que Ezequias ficou preso na cidade “como um pássaro numa gaiola”, sem falar de conquista.
O que são os relevos de Laquis?
São painéis de pedra do palácio de Senaqueribe em Nínive que retratam o cerco e a tomada de Laquis, cidade de Judá. Estão no Museu Britânico e são uma das principais confirmações visuais da campanha.
Como Senaqueribe morreu?
Segundo , foi assassinado por dois filhos quando adorava no templo de seu deus. Crônicas babilônicas situam sua morte em 681 a.C., por obra de um filho.