Pular para o conteúdo
Significado Bíblico
Líderintermediária

Safã, o escrivão

Quem foi Safã, o escrivão que leu o Livro da Lei ao rei Josias?

Ficha do personagem

Cerca de 622 a.C.; Jerusalém

Relações

Resposta curta

Safã foi o escrivão, ou secretário, do rei Josias, de Judá, e aparece em e no episódio da descoberta do Livro da Lei, por volta de 622 a.C. Enviado ao templo para tratar do dinheiro das obras, recebeu das mãos do sumo sacerdote Hilquias o livro encontrado, leu-o e depois o leu diante do rei, que rasgou as vestes. Safã integrou a comissão enviada à profetisa Hulda para consultar o Senhor. O texto não dá o título do livro nem descreve seu conteúdo. Filhos e um neto de Safã aparecem depois ligados a Jeremias e à administração de Judá, o que mostra que a família teve influência durante várias décadas.

Onde ele aparece

Em palavras simples

Safã era o escrivão, uma espécie de secretário do rei Josias. Quando o sumo sacerdote Hilquias encontrou um livro da Lei no templo, Safã o leu e depois o leu diante do rei, que rasgou as vestes em sinal de luto e arrependimento. Safã fez parte do grupo que foi consultar a profetisa Hulda. Seus filhos e netos também aparecem na Bíblia, ligados ao profeta Jeremias. O texto não diz exatamente qual era o conteúdo do livro.

O mundo dele

Safã atuou em Jerusalém no reinado de Josias, em cerca de 622 a.C., o décimo oitavo ano do rei (). O texto o apresenta como filho de Azalias e neto de Mesulão, com o título de escrivão (em hebraico, sofer). A função, em reinos antigos, era mais ampla do que "copista": o escrivão podia cuidar da correspondência oficial, das finanças e dos registros do palácio, e por isso aparece ao lado de outras autoridades. Em , por exemplo, o escrivão Sebna participa das negociações com os enviados assírios no tempo de Ezequias. Safã, nessa linha, parece ter ocupado cargo de confiança na administração do rei.

O contexto é o de uma restauração do templo, financiada pelas ofertas dos fiéis e entregue a artesãos e supervisores (). O reino de Judá vivia sob o domínio da Assíria, que enfraquecia, e Josias, que tinha subido ao trono aos oito anos, estava reorganizando a vida religiosa e política do país. Durante a obra, o sumo sacerdote Hilquias anuncia que achou o "livro da lei" (). A expressão designa um rolo cuja identidade exata é debatida: muitos estudiosos o relacionam ao Deuteronômio ou a parte dele, e a tradição de leitura que parte da obra de Wilhelm de Wette, de 1805, tornou essa identificação comum, embora o texto bíblico não a faça.

A família de Safã tem presença notável na administração de Judá. Seu filho Aicão aparece na comissão enviada a Hulda e depois protege Jeremias (). Gemarias, outro filho, tem uma câmara no templo (), e Gedalias, neto de Safã, será governador de Judá depois da queda de Jerusalém (). Isso mostra que a ligação com o profeta e com a vida do reino durou várias gerações, ainda que o texto nunca diga que Safã tenha conhecido Jeremias pessoalmente.

A história

O papel de Safã em é o de intermediário. O rei o envia ao templo com a ordem de ver quanto dinheiro foi recolhido e de entregá-lo aos responsáveis pela obra. É Hilquias quem diz: "Achei o livro da lei na casa do Senhor", e entrega o livro a Safã, que o lê (22:8). O texto não conta que ele o leu inteiro nem o quanto, mas o verbo é o mesmo usado depois, quando ele o lê diante do rei (22:10). Em a sequência é paralela, e o cronista acrescenta que Safã levou o livro ao rei e o leu em voz alta.

A reação de Josias vem logo: ele rasga as vestes (22:11). A seguir, o rei envia uma comissão formada por Hilquias, Aicão filho de Safã, Acbor filho de Micaías, o próprio Safã e o servo Asaías para consultar o Senhor (22:12-13). Em Crônicas, Acbor aparece como Abdom (34:20), uma variação de nome comum nos textos. Os cinco vão à profetisa Hulda, em Jerusalém, que responde com uma mensagem de juízo para o reino e de misericórdia para o rei (22:14-20). Safã e seus colegas, portanto, são os que levam a questão a uma voz profética reconhecida, e não ao próprio rei apenas.

O que o livro continha é o ponto mais discutido. A tradição acadêmica moderna costuma identificá-lo com o núcleo do Deuteronômio por causa da correspondência entre as medidas de Josias (centralização do culto, destruição dos altos, celebração da Páscoa) e a legislação desse livro. Outros estudiosos preferem uma visão mais ampla, ou mais cautelosa, que reconheça só que era um texto de lei e de aliança, já que o chama "livro da aliança". O que o texto afirma é que a leitura de Safã desencadeou o reconhecimento de que o povo não vivera segundo as palavras daquele livro (22:13).

Por fim, Safã aparece ligado a Jeremias pelas gerações seguintes. Em , é na câmara de Gemarias, filho de Safã, que Baruque lê o rolo do profeta; Micaías, filho de Gemarias, ouve e informa aos príncipes. Em , Aicão impede que Jeremias seja entregue ao povo. Também se lê de outro filho, Elasa, portador de uma carta de Jeremias aos exilados (29:3), e de Jazanias, filho de Safã, em uma visão de idolatria em , o que mostra que a família não teve um destino uniforme.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:Safã escreveu o Livro da Lei encontrado no templo.

    O texto o apresenta como quem leu o livro e o levou ao rei, não como autor. Quem o achou foi Hilquias (). A autoria e a data do livro são discutidas por especialistas, e Safã não é associado a elas.

  • Dizem que:O livro encontrado era com certeza o Deuteronômio completo.

    A Bíblia chama o rolo de "livro da lei" () e de "livro da aliança" (23:2). Muitos estudiosos o relacionam ao Deuteronômio, ou a parte dele, mas o texto não dá o título nem o tamanho.

  • Dizem que:Todos os filhos de Safã foram aliados de Jeremias.

    Aicão, Gemarias e Elasa aparecem ligados a Jeremias, mas Jazanias, filho de Safã, aparece em entre os anciãos que queimam incenso a imagens. A família não teve um comportamento uniforme.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaica

    A tradição rabínica costuma ver no livro achado o próprio rolo da Torá, ou parte dele, e lê a reação de Josias como resposta a passagens de advertência. As fontes rabínicas não desenvolvem muito a figura de Safã em si, que serve de elo entre o livro achado e o rei.

  • Católica

    Comentários católicos, como as notas da Bíblia de Jerusalém, reconhecem o livro como núcleo do Deuteronômio e leem a reforma de Josias como retorno à aliança. Safã é o servidor que põe o texto sagrado diante da autoridade.

  • Protestante

    Comentaristas clássicos, como Matthew Henry, destacam o efeito da Palavra lida sobre o rei. A crítica acadêmica moderna, de linhagem protestante, associa o livro ao Deuteronômio e vê a reforma como evento histórico central, mantendo em aberto detalhes de redação.

O que fazer com isso

A história de Safã mostra que uma reforma pode depender de alguém que, sem ser o protagonista, leva a informação ao lugar certo e a lê com fidelidade. Ele não interpreta o livro nem decide o que fazer; lê o texto e o apresenta a quem precisa ouvi-lo. A cena lembra a importância de ler com atenção o que está escrito, antes de qualquer reação ou decisão.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Mordechai Cogan e Hayim Tadmor. II Kings: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible 11), 1988.
  • Raymond B. Dillard. 2 Chronicles (Word Biblical Commentary 15), 1987.
  • Wilhelm Martin Leberecht de Wette. Dissertatio critica qua a prioribus Deuteronomium Pentateuchi libris diversum, alius cuiusdam recentioris auctoris opus esse monstratur, 1805.
  • Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1706.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que fazia um escrivão no reino de Judá?

Mais do que copiar textos, o escrivão (sofer) podia cuidar de documentos oficiais, finanças e comunicações do palácio. Safã aparece como alto funcionário do rei Josias, enviado ao templo e membro de uma comissão de consulta.

Qual era o livro que Safã leu?

O texto o chama "livro da lei" e "livro da aliança". Muitos estudiosos o relacionam ao Deuteronômio ou a parte dele, mas a Bíblia não diz o título nem o tamanho do rolo.

Safã e Gemarias são a mesma pessoa?

Não. Gemarias, que aparece em , é filho de Safã. Safã é o escrivão do tempo de Josias; Gemarias, de uma geração seguinte, tem uma câmara no templo.

O que a Bíblia diz sobre o fim de Safã?

Nada. Safã deixa de aparecer depois da consulta a Hulda. Seus filhos e netos são citados mais tarde, mas o texto não registra sua morte.

Outros personagens

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

As passagens dele, explicadas

Teologia densa2 Reis 22:8-11

O livro da lei encontrado no templo, no reinado de Josias

Durante o reinado de Josias, o dinheiro arrecadado no templo estava sendo usado para pagar os operários que reformavam a construção, deteriorada após os longos reinados idólatras de Manassés e Amom. Nesse contexto de obra, o sumo sacerdote Hilquias encontrou "o livro da lei" dentro do templo e o entregou a Safã, escriba do rei. Safã leu o rolo e, ao prestar contas da reforma a Josias, leu o texto também para ele.

Ler explicação →
Personagens obscuros2 Reis 22:14-20

A profetisa Hulda é consultada em vez dos sacerdotes homens

Ao encontrar o livro da lei perdido no templo, o rei Josias não consulta o sumo sacerdote nem os profetas mais conhecidos da época — ele manda seus principais oficiais atrás de Hulda, uma profetisa (2 Reis 22:14-20). Ela confirma que o julgamento anunciado no rolo é verdadeiro e legítimo, e acrescenta uma palavra pessoal de misericórdia para Josias, que se humilhou ao ouvir a lei.

Ler explicação →
Personagens obscuros2 Crônicas 34:19-21

Por que Josias rasgou as vestes ao ouvir a Lei

Durante a reforma que Josias promoveu no templo, o sumo sacerdote Hilquias encontrou um rolo antigo guardado ali, identificado no texto como "o livro da lei do SENHOR dada por meio de Moisés". O escriba Safã o levou ao rei e leu seu conteúdo. Assim que Josias ouviu as palavras da lei, ele rasgou suas vestes, gesto tradicional de luto e consternação no mundo antigo.

Ler explicação →

Zedequias cegado depois de ver os próprios filhos mortos

Depois de meses de cerco, Jerusalém caiu e Zedequias tentou fugir de noite pela brecha no muro, mas foi capturado nas planícies de Jericó e levado a Ribla, onde Nabucodonosor mantinha seu quartel-general de guerra. Ali "proferiram contra ele sentença" (2 Reis 25:6) — um julgamento formal contra o rei vassalo que havia quebrado o juramento de fidelidade feito em nome do Senhor (2 Crônicas 36:13).

Ler explicação →

Jeremias 22:13-14: o palácio sem justiça

Em Jeremias 22:13-14, o profeta pronuncia um "ai" - fórmula profética de denúncia - contra um governante de Judá que constrói um palácio amplo, com janelas, forro de cedro e pintura vermelha, mas o faz usando o trabalho de seus súditos sem pagar o salário devido. O versículo 18, mais adiante no capítulo, identifica esse rei como Jeoaquim, filho de Josias, colocado no trono pelo Egito depois que seu irmão Jeoacaz foi deposto.

Ler explicação →
Teologia densaJeremias 52:12-14

Jeremias 52: o apêndice que confirma a profecia

Jeremias 52:12-14 descreve o momento mais duro da história do Reino de Judá: no quinto mês do décimo nono ano do reinado de Nabucodonosor, Nebuzaradã, capitão da guarda babilônica, chega a uma Jerusalém já conquistada e inicia a destruição da cidade. Ele incendeia o templo, o palácio real e as principais casas, e o exército caldeu derruba os muros que cercavam Jerusalém.

Ler explicação →