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Significado Bíblico
Reiintermediária

Hirão, rei de Tiro

Quem foi Hirão, rei de Tiro, amigo de Davi e Salomão?

Ficha do personagem

Séc. X a.C.; Tiro, na Fenícia

Relações

  • aliado de Davi
  • aliado de Salomão
  • homônimo (não confundir): artesão Hirão (Hurão-Abi)

Resposta curta

Hirão foi rei de Tiro, cidade fenícia, no século X a.C. A Bíblia o apresenta como aliado de Davi, a quem enviou cedro, carpinteiros e pedreiros para a construção de sua casa, e depois de Salomão, para quem forneceu madeira de cedro e cipreste, artesãos e marinheiros no projeto do templo e em expedições marítimas a Ofir. Em troca, recebeu trigo e azeite, e Salomão lhe entregou vinte cidades na Galileia, que Hirão chamou de “terra de Cabul”; Hirão, por sua vez, enviou ouro a Salomão. O relato ilustra uma aliança comercial entre dois reinos, e o texto de Crônicas diverge em alguns detalhes. Não se deve confundir esse Hirão com o artesão do mesmo nome que trabalhou no templo.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O Novo Testamento não faz de Hirão uma figura de Cristo. Há, porém, uma ligação indireta: o templo que Salomão ergue com a ajuda de um rei estrangeiro é descrito como lugar aberto aos povos, e Jesus, ao purificar o templo, cita Isaías para dizer que ele deve ser “casa de oração para todas as nações”. A presença de Hirão na obra aponta, discretamente, para essa abertura.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Hirão foi rei de Tiro, uma cidade fenícia, e amigo dos reis Davi e Salomão. Mandou madeira de cedro, carpinteiros e pedreiros para construir a casa de Davi e depois o templo de Salomão em Jerusalém, e enviou marinheiros para as viagens de navio de Salomão. Em troca, recebeu trigo e azeite. Salomão também lhe deu vinte cidades na Galileia, mas Hirão não gostou delas e as chamou de “terra de Cabul”. Não é o mesmo Hirão artesão que trabalhou no bronze do templo.

O mundo dele

Tiro era uma das principais cidades-estado da Fenícia, no litoral do atual Líbano, com um porto em uma ilha e um comércio marítimo que alcançava todo o Mediterrâneo. Por volta do século X a.C., quando Israel formava um reino unido sob Davi e Salomão, Hirão (em hebraico, Hiram ou Hirom) governava a cidade. A cronologia exata de seu reinado é incerta: tradições conservadas por Josefo, que cita historiadores tírios, atribuem a ele um reinado de cerca de trinta e quatro anos, mas não há, até onde se sabe, inscrição real contemporânea dele que confirme as datas.

Os fenícios eram especialistas em navegação, trabalho com metal e madeira, e controlavam o acesso ao cedro do Líbano, madeira valorizada na construção de palácios e templos do Oriente Próximo. Israel, por sua vez, dispunha de produtos agrícolas, trigo e azeite, de que Tiro precisava para alimentar sua população concentrada numa ilha e numa estreita faixa costeira. Essa complementaridade explica a aliança: cada reino tinha o que faltava ao outro.

O texto bíblico descreve a relação com palavras de afeto. Segundo , Hirão sempre amou Davi, e por isso enviou mensageiros a Salomão quando soube de sua unção. A amizade se expressa também em linguagem religiosa: no relato de , Hirão diz “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que fez os céus e a terra”, o que o apresenta como estrangeiro que reconhece o Deus de Israel. O texto não diz que ele tenha deixado a religião fenícia, e a fórmula pode ser a cortesia diplomática de um rei politeísta.

Os relatos principais estão em e e 8. As duas versões concordam no essencial, mas há diferenças de números e de ênfases, tratadas a seguir. O que elas não trazem é uma biografia: sabe-se de Hirão quase só o que diz respeito a Israel, e o rei aparece como interlocutor de Davi e Salomão, não como protagonista da própria história. Esse limite das fontes pede cautela ao falar de seus motivos pessoais.

A história

A primeira menção a Hirão é em : ele envia a Davi mensageiros, madeira de cedro, carpinteiros e pedreiros, que constroem a casa do rei. Com Salomão, a parceria se amplia. Em , Salomão pede madeira para o templo, e Hirão responde que levará as toras pelo mar, em jangadas, até o local indicado. Em troca, Salomão paga com vinte mil coros de trigo e vinte coros de azeite puro por ano (). Em , as quantidades são diferentes e incluem cevada e vinho; os estudiosos discutem se as listas refletem acordos distintos ou tradições diferentes.

O episódio de é o mais curioso. Depois de vinte anos de obras, Salomão dá a Hirão vinte cidades na terra da Galileia. Hirão vai vê-las, não gosta e diz: “Que cidades são estas que me deste, irmão meu?”, e as chama de “terra de Cabul”. O sentido de Cabul é incerto. Josefo, em Antiguidades Judaicas 8.5.3, afirma que significava “não agradável” em fenício, mas outros estudiosos propõem explicações diferentes, e o significado permanece debatido. Hirão ainda envia a Salomão cento e vinte talentos de ouro (9:14).

A tradição de Crônicas diz o inverso: em , são as cidades que Hirão deu a Salomão que o rei reconstrói e povoa com israelitas. Duas explicações são propostas: que Salomão devolveu cidades a Hirão, que então as restituiu, ou que houve mais de uma transação. O texto bíblico não esclarece, e o verbete registra a diferença sem escolher uma versão.

A aliança também aparece no mar. Em , Salomão constrói uma frota em Eziom-Geber, no golfo de Ácaba, e Hirão envia marinheiros experientes para conduzi-la até Ofir, de onde trazem quatrocentos e vinte talentos de ouro. Em , a frota de Hirão traz também madeira de almugue e pedras preciosas. A localização de Ofir é desconhecida, e propostas vão da Arábia à Índia e à África oriental.

Há, por fim, um homônimo. Em , o artesão chamado Hirão, filho de uma viúva da tribo de Naftali e de pai tírio, trabalha o bronze do templo. Em ele é chamado Hurão-Abi, expressão que alguns entendem como título honorífico. Esse Hirão é outra pessoa, e o texto não os confunde. Vale notar que o relato de atribui a ele o trabalho em bronze das colunas, do mar de fundição e dos utensílios do templo, ou seja, a parte artesanal da obra, enquanto o rei Hirão cuida da matéria-prima e do transporte.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:Hirão, rei de Tiro, é o mesmo Hirão que fez as colunas de bronze do templo.

    São duas pessoas. O rei Hirão governa Tiro; o artesão Hirão, também chamado Hurão-Abi, é filho de uma viúva de Naftali e de pai tírio, e faz o trabalho em bronze (; ).

  • Dizem que:Hirão se converteu ao Deus de Israel.

    O texto registra que Hirão bendisse o Senhor (; ), mas não diz que abandonou sua religião. A fórmula pode ser linguagem diplomática, e a Bíblia não afirma conversão.

  • Dizem que:A Bíblia e as fontes extrabíblicas comprovam todos os detalhes do reinado de Hirão.

    Os dados cronológicos vêm sobretudo de Josefo, que cita historiadores antigos, e não de inscrições contemporâneas do rei. A existência de Hirão e a relação com Israel são plausíveis, mas os detalhes dependem em grande parte do relato bíblico.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaica (Josefo)

    Josefo, historiador judeu do século I, afirma que as cartas trocadas entre Hirão e Salomão ainda eram conservadas nos arquivos de Tiro e cita Menandro de Éfeso sobre Hirão. Vê na aliança um sinal da fama de Salomão entre as nações.

  • Cristã tradicional (patrística e comentaristas)

    Muitos comentaristas cristãos leem a participação de Hirão como sinal antecipado de que os gentios contribuem para a casa de Deus, e fazem a ligação com a ideia da Igreja formada por judeus e gentios, embora o texto não faça essa aplicação.

  • Histórico-crítica

    Observa que Crônicas e Reis divergem em quem deu cidades a quem e em quantidades de mantimentos, e vê nisso a marca de tradições diferentes. Trata a aliança como realista do ponto de vista do comércio do século X, sem inscrições que a confirmem.

O que fazer com isso

Hirão não era israelita, mas o texto bíblico o mostra colaborando, de modo decisivo, na obra mais importante do reino de Israel. A narrativa registra também uma amizade que sobrevive a um mal-entendido, o das cidades de Cabul. Vale observar o que o texto não faz: não idealiza a relação, nem a reduz a interesse, e mostra uma cooperação entre povos diferentes, com ganhos e atritos reais.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Mordechai Cogan. 1 Kings (Anchor Bible), 2001.
  • Josefo. Antiguidades Judaicas.
  • Josefo. Contra Apião.
  • H. Jacob Katzenstein. The History of Tyre, 1973.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que era a terra de Cabul?

Eram vinte cidades na Galileia que Salomão deu a Hirão e que o rei de Tiro não aprovou (). O significado de “Cabul” é incerto; Josefo o interpreta como “não agradável”, mas isso é debatido.

O que Salomão deu a Hirão em troca da madeira?

Segundo , trigo e azeite. traz uma lista um pouco diferente, incluindo cevada e vinho. Também há a entrega de vinte cidades em .

Hirão de Tiro e o artesão Hirão são a mesma pessoa?

Não. O artesão é filho de uma viúva da tribo de Naftali e de pai tírio (), e é chamado Hurão-Abi em 2 Crônicas. O rei é outro homem, de mesmo nome.

Outros personagens

Publicado em 01/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

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As passagens dele, explicadas

Expressões hebraicas1 Reis 9:10-14

Cabul: as vinte cidades que desagradaram Hirão

Em 1 Reis 9:10-14, Salomão paga Hirão, rei de Tiro, por toda a madeira e o ouro fornecidos na construção do templo e do palácio real, entregando-lhe vinte cidades na região da Galileia. O problema é que Hirão vai até lá, vê as cidades, e não gosta do que recebeu: o texto não detalha exatamente o motivo, mas registra que essa região passou a ser chamada Cabul, um nome cuja origem os próprios estudiosos discutem, possivelmente ligado a uma expressão que soa como "como nada" ou "que não agrada". É um dos raros momentos bíblicos em que um acordo entre reis termina em desagrado explícito de uma das partes, preservado para sempre no nome do lugar.

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Costumes da época1 Reis 9:26-28

O Ouro de Ofir e a Frota de Salomão

Salomão constrói uma frota em Eziom-Geber, porto junto a Elate, na costa do mar Vermelho, em terra que pertencera a Edom. Como Israel não tinha tradição de navegação em mar aberto, o rei depende dos marinheiros de Hirão, rei de Tiro, homens "destros no mar" — profissionais fenícios acostumados a rotas de longa distância. Os navios trazem de Ofir quatrocentos e vinte talentos de ouro, quantia expressiva para a época.

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Costumes da época1 Reis 5:1-6

A aliança de Salomão com Hirão de Tiro para construir o templo

Assim que subiu ao trono, Salomão retomou o contato que seu pai Davi já mantinha com Hirão, rei da cidade fenícia de Tiro. Hirão enviou embaixadores para saudar o novo rei, e Salomão respondeu propondo um acordo direto: agora que o SENHOR lhe dera repouso em todas as fronteiras, sem guerras nem adversários, ele queria erguer a casa que Davi projetara, mas não pôde construir por causa dos conflitos de seu reinado.

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Números simbólicos1 Reis 6:23-28

Os querubins gigantes de dez cúbitos escondidos dentro do templo de Salomão

No coração do templo de Salomão, no espaço mais restrito e sagrado de toda a construção, o lugar santíssimo, ficavam duas estátuas de querubins esculpidas em madeira de oliveira e cobertas de ouro, cada uma com dez cúbitos de altura, o equivalente a cerca de quatro metros e meio a cinco metros. Suas asas, também de dez cúbitos de ponta a ponta, se estendiam de tal forma que uma asa de cada querubim tocava a parede lateral do santuário e a outra se encontrava com a do outro querubim no centro do cômodo, cobrindo toda a largura do espaço com uma estrutura monumental de asas entrelaçadas. É um detalhe arquitetônico grandioso que a maioria dos leitores nunca visualiza, porque as estátuas ficavam escondidas num compartimento que só o sumo sacerdote podia ver.

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Teologia densa1 Reis 8:10-13

A nuvem que impediu os sacerdotes de continuar o culto no templo de Salomão

No momento em que a arca da aliança é finalmente colocada no lugar santíssimo do templo recém-construído, uma nuvem enche o santuário com tanta densidade que os sacerdotes precisam interromper o serviço em andamento: 'não podiam ministrar, por causa da nuvem, pois a gloria do Senhor enchera a casa' (8:10-11). A glória de Deus não apenas ocupa o espaço, ela literalmente paralisa a atividade sacerdotal em curso, um evento sem paralelo exato em outros textos de dedicação de santuário. A resposta de Salomão a esse fenômeno é uma das afirmações mais paradoxais sobre a presença divina em todo o Antigo Testamento: ele declara que o Senhor prometeu habitar 'nas trevas espessas' (8:12), unindo, na mesma frase, luz gloriosa e escuridão impenetrável como descrições legítimas da mesma presença divina.

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Contradições aparentes2 Crônicas 8:1-2

As cidades que Hirão deu a Salomão

2 Crônicas 8:1-2 marca uma virada no reinado de Salomão. Depois de vinte anos com dois grandes projetos — o templo do SENHOR e o próprio palácio —, ele reedifica cidades que Hirão lhe havia dado e ali estabelece israelitas. Em 1 Reis 9, porém, é Salomão quem dá vinte cidades a Hirão pela madeira e pelo ouro das obras.

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