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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Contradições aparentes

As cidades que Hirão deu a Salomão

o que salomão construiu além do templo

E aconteceu que ao fim de vinte anos que Salomão havia edificado a casa do SENHOR e sua casa, Reedificou Salomão as cidades que Hirão lhe havia dado, e estabeleceu nelas aos filhos de Israel.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

marca uma virada no reinado de Salomão. Depois de vinte anos com dois grandes projetos — o templo do SENHOR e o próprio palácio —, ele reedifica cidades que Hirão lhe havia dado e ali estabelece israelitas. Em , porém, é Salomão quem dá vinte cidades a Hirão pela madeira e pelo ouro das obras.

O Cronista não explica a mudança, e comentaristas divergem sobre o motivo — as cidades podem ter voltado a Salomão após Hirão as recusar, ou o autor apenas retrata o rei de forma mais favorável. De qualquer forma, o versículo abre um capítulo sobre a expansão do reino — cidades fortificadas, de armazenamento e de cavalaria —, um legado bem mais amplo que o templo e a fama de sábio.

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

A Escritura acompanha uma trajetória de reino que começa como território, cidades e fronteiras — o que Salomão está construindo aqui — e termina como algo que não se mede em quilômetros quadrados. Salomão foi o rei que mais expandiu e organizou o território de Israel, e mesmo assim esse reino se dividiu poucos anos depois de sua morte e, com o tempo, desapareceu como potência política. O Novo Testamento retoma a promessa de um trono de Davi que não teria fim (), mas a aplica a um reino que Jesus descreve como não sendo 'deste mundo' () e que os primeiros cristãos entendem como um povo, não um território — 'pedras vivas' formando uma casa espiritual (). O capítulo mostra o auge material desse tipo de reino; o Novo Testamento mostra sua transformação final.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Depois de vinte anos construindo o templo e o próprio palácio, Salomão passou a reconstruir e povoar cidades que, segundo este texto, Hirão, rei de Tiro, havia lhe dado. Isso chama atenção porque, em outro trecho da Bíblia, é Salomão quem dá cidades a Hirão, e Hirão fica insatisfeito com o presente. A Bíblia não explica essa mudança, e os estudiosos têm hipóteses diferentes para o que aconteceu. O importante é que o capítulo mostra que Salomão não parou de construir depois do templo — ele seguiu expandindo estradas, cidades e toda a estrutura administrativa do reino.

Contexto histórico

O versículo abre um novo bloco no relato do reinado de Salomão. Antes disso, os capítulos 2 a 7 de 2 Crônicas contam a construção do templo — sete anos de obra, segundo — e depois o próprio palácio real, que levou mais treze anos (). Somados, dão os vinte anos mencionados aqui. Hirão (também chamado Huram em partes de Crônicas) era o rei da cidade-estado fenícia de Tiro, aliado de Davi e depois de Salomão, que forneceu madeira de cedro e cipreste, ouro e trabalhadores especializados para as duas obras, em troca de trigo, cevada, vinho e azeite (; ).

O detalhe de que Hirão "deu" cidades a Salomão surpreende quem conhece o relato paralelo em : ali é Salomão quem dá vinte cidades da região da Galileia a Hirão, como parte do acerto de contas pelos anos de fornecimento de material. Hirão vai pessoalmente conferir as cidades e não gosta do que vê — chama a região de "Cabul", numa expressão de desagrado, segundo o texto de Reis. não menciona esse episódio; apenas registra que Salomão reedificou cidades recebidas de Hirão e ali fixou israelitas.

Trocas de território entre reis vizinhos, como forma de pagamento, garantia ou aliança política, eram práticas conhecidas no mundo antigo do Oriente Próximo. Reconstruir uma cidade e povoá-la com gente do próprio povo era também um gesto de soberania: sinalizava que aquele território voltava a fazer parte, de fato, do reino que o ocupava, e não apenas de um acordo comercial entre dois reis vizinhos. É nesse pano de fundo administrativo — não apenas religioso — que o capítulo 8 de 2 Crônicas segue, listando outras cidades fortificadas, de armazenamento e de cavalaria que Salomão construiu ou reformou por todo o território (), num retrato do reino em seu ponto de maior extensão e organização interna.

Aprofundamento

O verbo hebraico por trás de "reedificou" (banah) é o mesmo usado para a construção do templo e do palácio nos capítulos anteriores — o Cronista está literalmente encerrando um tipo de obra e abrindo outro com a mesma palavra-chave. O rei que construiu a casa de Deus é também o rei que constrói e reconstrói cidades inteiras; a atividade de "edificar" percorre o retrato de Salomão do início ao fim do livro.

A questão mais discutida por comentaristas nesta passagem é a direção da troca de cidades. Em , Salomão dá vinte cidades da Galileia a Hirão como parte do pagamento pelos anos de fornecimento de madeira e ouro; Hirão vai vê-las, não gosta do que encontra e as apelida de "Cabul". Em , o movimento aparece invertido: são cidades que Hirão deu a Salomão, e este as reconstrói e povoa com israelitas. O texto bíblico não harmoniza as duas versões explicitamente, e comentaristas como Raymond Dillard e H. G. M. Williamson observam que os dois relatos provavelmente descrevem o mesmo episódio de ângulos diferentes: é plausível que as cidades da Galileia, rejeitadas por Hirão, tenham retornado à posse de Salomão, que então as reconstruiu e as repovoou com israelitas — o que explicaria por que 2 Crônicas fala delas como algo recebido, e não doado. Essa é uma hipótese de harmonização, não uma certeza documentada, e vale registrar essa incerteza com honestidade.

Outros estudiosos, como Sara Japhet, chamam atenção para o padrão mais amplo do livro de Crônicas: escrito depois do exílio, para reconstruir a identidade e a memória de Israel, o livro tende a apresentar o reinado de Salomão de forma mais favorável do que Reis, omitindo, por exemplo, os relatos sobre suas esposas estrangeiras e a idolatria da velhice (comparar com ). Um relato em que Salomão recebe cidades, em vez de um relato em que ele as dá e o vizinho fica insatisfeito, encaixa-se nesse padrão editorial — sem que isso signifique invenção, apenas seleção e ênfase.

O segundo ponto do capítulo, mais amplo que o versículo 2 isoladamente, é o alcance dessa atividade construtora. Os versículos seguintes (8:4-6) mencionam Tadmor, Bete-Horom, Baalate e cidades de armazenamento, de cavalaria e de carros de guerra. Depois da fama ligada ao templo e à sabedoria, esse é o Salomão administrador: o rei que organiza fronteiras, guarnições e rotas comerciais por todo o território, num nível de infraestrutura estatal que caracteriza o auge do reino unido de Israel.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Que o reinado de Salomão se resume ao templo, ao trono de ouro e à fama de sábio, sem outros grandes projetos.

    Boa parte de descreve um programa extenso de construção e reorganização territorial — cidades fortificadas, cidades de armazenamento, cidades de cavalaria e carros de guerra — que mostra um aparato administrativo e militar bem maior do que a imagem popular de Salomão costuma lembrar.

  • Dizem que:Que 2 Crônicas 8:1-2 está simplesmente repetindo a mesma cena de 1 Reis 9, só que com outras palavras.

    Os dois textos invertem a direção do presente: em Reis, Salomão dá cidades a Hirão, que fica insatisfeito; em Crônicas, é Hirão quem dá cidades a Salomão. Tratar os dois como idênticos ignora essa diferença real, que os comentaristas discutem sem uma solução unânime.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • leitura histórico-gramatical (tradição reformada e evangélica conservadora)

    Entende Reis e Crônicas como relatos historicamente compatíveis do mesmo conjunto de eventos, vistos de ângulos diferentes; a hipótese mais comum é que as cidades da Galileia, rejeitadas por Hirão em , voltaram à posse de Salomão, que as reconstruiu — o que 2 Crônicas registra sem mencionar o episódio de Cabul.

  • tradição católica (leitura patrística e litúrgica)

    Tende a ler Crônicas menos como um relatório factual concorrente de Reis e mais como uma releitura teológica da corte davídica-salomônica para a comunidade pós-exílica, valorizando o que o texto ensina sobre a bênção e a responsabilidade do rei, sem exigir que cada detalhe se encaixe like uma cronologia rígida com o livro de Reis.

  • leitura histórico-crítica moderna (associada a estudiosos luteranos e anglicanos de Crônicas)

    Reconhece a tensão entre os dois relatos como resultado do processo editorial do Cronista, que reorganizou e selecionou tradições sobre Salomão com um propósito teológico de exaltar o reinado davídico para os leitores do pós-exílio, sem que isso comprometa a autoridade do texto como Escritura.

No original4 termos
  • בָּנָהbanahH1129

    construir, edificar, reedificar — o mesmo verbo usado para o templo e o palácio nos capítulos anteriores

  • עָרִיםarimH5892

    cidades, plural de ir — o termo genérico para centro urbano fortificado ou não

  • נָתַןnatanH5414

    dar, entregar — o verbo da doação de cidades entre os dois reis

  • יָשַׁבyashabH3427

    habitar, estabelecer-se, fazer morar — usado para o povoamento das cidades reedificadas com israelitas

O que fazer com isso

O texto lembra que sustentar algo importante raramente termina numa única grande obra. Salomão dedicou vinte anos ao templo e ao palácio, e só depois seguiu cuidando de cidades, estradas e estrutura de longo prazo — trabalho menos visível, mas necessário para que o que foi construído continuasse de pé. Vale perguntar que "cidades" da própria vida — rotinas, relações, compromissos assumidos — pedem esse tipo de manutenção contínua, e não apenas o entusiasmo do começo.

Passagens relacionadas7

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • Raymond B. Dillard. 2 Chronicles, 1987.
  • Sara Japhet. I & II Chronicles: A Commentary, 1993.
  • H. G. M. Williamson. 1 and 2 Chronicles, 1982.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Salomão deu cidades a Hirão ou recebeu cidades de Hirão?

As duas coisas aparecem na Bíblia. Em , Salomão dá vinte cidades da Galileia a Hirão, que fica insatisfeito com elas. Em , o texto diz que Salomão reedificou cidades que Hirão lhe havia dado. A explicação mais aceita é que as mesmas cidades, rejeitadas por Hirão, voltaram a Salomão, que então as reconstruiu.

Quem era Hirão de Tiro?

Hirão (ou Huram) era o rei da cidade-estado fenícia de Tiro, aliado de Davi e de Salomão. Ele forneceu madeira de cedro e cipreste, ouro e trabalhadores especializados para a construção do templo e do palácio, em troca de trigo, cevada, vinho e azeite.

Por que Salomão construiu tantas cidades depois do templo?

Governar um reino em expansão exigia mais do que um templo e um palácio: exigia fronteiras guarnecidas, rotas comerciais seguras e cidades de apoio para tropas e suprimentos. Os versículos seguintes de listam cidades fortificadas, de armazenamento e de cavalaria construídas com esse propósito.

Temas

  • Reino de Deus
  • #salomao
  • #hirao
  • #antigo-testamento
  • #2-cronicas
  • #construcao
  • #tiro

Publicado em 08/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

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