A rainha de Sabá
Quem foi a rainha de Sabá que visitou Salomão?
Ficha do personagem
c. 950 a.C., Sabá (sul da Arábia ou Etiópia, debatido) e Jerusalém
Aparece em
Relações
- visitou Salomão
- citada por Jesus
Resposta curta
A rainha de Sabá é uma governante estrangeira que, ao ouvir a fama de Salomão, viajou a Jerusalém com uma grande caravana de camelos, especiarias, ouro e pedras preciosas para testá-lo com perguntas difíceis (; ). O texto bíblico não informa o nome dela. Diz que Salomão respondeu a tudo, que ela se admirou com a sabedoria e a riqueza da corte, bendisse o Senhor e voltou à sua terra depois de trocar presentes. Jesus a menciona como a "rainha do Sul", que se levantará no juízo contra a sua geração (; ). A localização de Sabá, no sul da Arábia ou na África, é debatida, e as lendas posteriores vêm de tradições não bíblicas.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
ContrasteA própria fala de Jesus faz o vínculo. Em , a rainha do Sul viaja "dos confins da terra" para ouvir a sabedoria de Salomão, e ele diz que ali estava "alguém maior do que Salomão". O texto não trata a rainha como figura simbólica de Cristo nem Salomão como tipo formal; usa a comparação entre a disposição dela e a resistência dos contemporâneos de Jesus. O contraste está entre quem fez uma longa viagem por uma sabedoria menor e quem tinha uma maior à sua porta.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
A rainha de Sabá foi uma governante estrangeira que ouviu falar da sabedoria do rei Salomão e viajou até Jerusalém com camelos carregados de ouro, perfumes e pedras preciosas para testá-lo com perguntas difíceis. Ficou impressionada com o que viu, elogiou o Deus de Israel e voltou para casa. A Bíblia não diz o nome dela nem exatamente onde ficava Sabá, que pode ter sido no sul da Arábia ou na África. Jesus a lembra como alguém que viajou longe para ouvir sabedoria.
O mundo dele
A visita é situada no reinado de Salomão, em torno de meados do século X a.C. (a data tradicional é c. 970-931 a.C.). Nesse período, Israel controlava rotas comerciais importantes que ligavam o mar Vermelho, o Egito e a Síria. O relato de faz parte de uma seção maior, em , que apresenta a sabedoria e a prosperidade de Salomão, com o ouro, o comércio com Hirão de Tiro e as frotas de Társis. A visita da rainha é, na estrutura do livro, uma confirmação externa dessa fama.
O nome "Sabá" (em hebraico, Shevá) aparece em outros textos bíblicos como nome de povos e de uma região ligada ao comércio de incenso e ouro (:28 e 25:3; ; ). A hipótese mais difundida identifica Sabá com o reino dos sabeus, no atual Iêmen, cuja capital era Marib e cuja riqueza vinha do incenso e da mirra, transportados por caravanas até o Mediterrâneo. Outra linha de pesquisa e a tradição etíope associam Sabá à região da atual Etiópia e Eritreia. Há ainda o dado de que inscrições sabeias antigas, em sua maioria, são posteriores ao século X a.C., o que torna a cronologia do reino debatida.
Não há registro extrabíblico conhecido da visita ou dessa rainha específica. Textos assírios do século VIII a.C. falam de rainhas árabes, o que mostra que mulheres governantes na Arábia não eram impossíveis, mas esse dado não identifica ninguém em particular. A literatura histórica cristã e judaica tardia preencheu o silêncio com muitos detalhes: Flávio Josefo a chama de rainha do Egito e da Etiópia, o Alcorão a conhece como uma governante do Iêmen que acaba aceitando a fé de Salomão, e a obra etíope Kebra Nagast, escrita por volta do século XIV d.C., conta que ela se chamava Makeda e que teve um filho com Salomão. Nenhuma dessas informações está na Bíblia.
A história
O que realmente diz é bem delimitado. A rainha ouviu sobre a fama de Salomão "com respeito ao nome do Senhor" (10:1) e veio testá-lo com "perguntas difíceis" (em hebraico, chidot, que também podem ser traduzidas como enigmas). A caravana trazia especiarias, ouro em grande quantidade e pedras preciosas. Salomão respondeu a todas as perguntas, "nada lhe foi escondido" (10:3). Ao ver o palácio, a mesa, a ordem dos servos e os holocaustos no templo, ficou sem fôlego, como diz o texto (10:4-5), expressão que não descreve desmaio nem conversão. Em seguida, ela admite que o que tinha ouvido era menos do que a realidade (10:6-7), declara felizes os servos de Salomão e bendiz o Senhor por ter colocado Salomão no trono para fazer "juízo e justiça" (10:9).
A oferta de 120 talentos de ouro e a abundância de especiarias que "nunca mais vieram em tamanha quantidade" (10:10) mostram a dimensão do ato diplomático e comercial. Salomão, por sua vez, deu-lhe "tudo o que ela desejou" (10:13), e ela voltou com os servos para a sua terra. O texto não diz nada sobre filho, casamento ou relação pessoal entre os dois. O paralelo de segue quase o mesmo roteiro, com poucas diferenças de detalhe.
O tema da visita deve ser lido no horizonte do livro. Para o autor, a sabedoria de Salomão é dom de Deus (), e a reação da rainha mostra a fama desse dom entre as nações. Muitos comentaristas veem também uma ironia: o rei que recebe elogios por sua sabedoria e sua justiça é o mesmo que, nos capítulos seguintes, acumula mulheres estrangeiras e se afasta da lei ().
Jesus usa o relato com força retórica. Em e , a rainha do Sul "virá do fim da terra" para ouvir a sabedoria de Salomão, e que ali estava alguém maior do que Salomão. Ela é apresentada como alguém de fora de Israel que se dispôs a percorrer uma longa viagem, e seu exemplo é usado contra os que tinham Jesus diante de si e não o ouviam. A expressão "fim da terra" reforça a ideia de distância, e não oferece, por si só, uma localização geográfica precisa.
Na ordem do livro, o comércio é o pano de fundo. Logo depois, lista a renda anual de Salomão em ouro, o trono de marfim e as relações com mercadores e reis da Arábia, o que situa a visita num quadro de trocas econômicas, além da curiosidade intelectual.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:A Bíblia diz que o nome da rainha de Sabá era Makeda ou Bilquis.
Os textos bíblicos não dão nome algum a ela. Makeda vem do Kebra Nagast, obra etíope tardia, e Bilquis vem da tradição islâmica e de comentaristas posteriores ao Alcorão, que fala dela, em Sura 27, sem nomeá-la.
Dizem que:A rainha de Sabá teve um filho com Salomão, o primeiro rei da Etiópia.
e não dizem nada a respeito de casamento, relação íntima ou filho. A ideia de um filho chamado Menelique vem do Kebra Nagast, escrito muitos séculos depois, e é uma tradição religiosa e nacional etíope, não um dado bíblico.
Dizem que:Está comprovado que Sabá ficava na Etiópia.
A identificação mais comum entre pesquisadores é o reino dos sabeus no sul da Arábia, mas a questão é debatida, e a Bíblia também liga o nome Sabá a outras regiões. A hipótese africana tem apoio na tradição etíope, não em prova arqueológica direta.
Como diferentes tradições cristãs leem4
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica (midráxica e targúmica)
O Targum Segundo de Ester e outros textos judaicos elaboram a visita com enigmas detalhados que a rainha teria proposto e com episódios lendários que não constam no texto bíblico. Funcionam como expansões narrativas sobre a sabedoria de Salomão.
Cristã patrística e católica tradicional
Muitos autores cristãos antigos, apoiados em , leram a rainha como figura dos povos gentios que vêm de longe para ouvir a sabedoria de Cristo, entendendo Salomão como prefiguração parcial do Filho. Essa é uma leitura alegórica da Igreja primitiva, que o próprio texto de Reis não afirma.
Ortodoxa etíope
A Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo preserva a tradição do Kebra Nagast, segundo a qual a rainha Makeda se converteu ao Deus de Israel e gerou Menelique I, fundador da dinastia salomônica etíope. É uma leitura de identidade nacional e religiosa, não histórica no sentido acadêmico.
Crítica histórica acadêmica
Muitos estudiosos tratam o relato como narrativa literária que engrandece Salomão, possivelmente baseada em contatos reais de comércio entre Israel e povos do sul da Arábia, mas com data e detalhes difíceis de confirmar.
O que fazer com isso
O relato da rainha de Sabá mostra alguém que verifica por conta própria uma fama que chegou até ela, em vez de aceitá-la ou rejeitá-la por boatos. Fez a viagem, fez as perguntas e reconheceu o que viu. Jesus usa esse movimento como contraste com os que tinham acesso direto a ele. A passagem convida o leitor a perguntar o que fez de seu próprio acesso às Escrituras, sem exigir uma resposta pronta.
Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
- Flávio Josefo. Antiguidades Judaicas (livro 8), 94.
- Kenneth A. Kitchen. Documentation for Ancient Arabia, Part I: Chronological Framework and Historical Sources, 1994.
- Marvin A. Sweeney. I & II Kings: A Commentary (Old Testament Library), 2007.
- Jerome T. Walsh. 1 Kings (Berit Olam), 1996.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Como se chamava a rainha de Sabá?
A Bíblia não diz. O nome Makeda vem do Kebra Nagast etíope, e Bilquis, da tradição islâmica. Josefo a chama de Nicaulis. Nenhum desses nomes aparece em ou .
Onde ficava Sabá?
Não há certeza. A hipótese mais comum é o reino dos sabeus, no sul da Arábia, no atual Iêmen. Outra possibilidade associa o nome à Etiópia, o que a tradição etíope sustenta. O texto bíblico não informa a localização.
Jesus falou da rainha de Sabá?
Sim, mas sem usar o nome "Sabá". Em e ele fala da "rainha do Sul", que viria do fim da terra ouvir Salomão e que se levantaria no juízo contra aquela geração. A identificação com a rainha de Sabá é a leitura comum, por causa da semelhança com .