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Significado Bíblico
Líderintermediária

Elimeleque

Quem foi Elimeleque na Bíblia?

Ficha do personagem

Período dos juízes (c. século XII-XI a.C.)

Aparece em

Relações

Resposta curta

Elimeleque foi um homem da tribo de Judá, morador de Belém, marido de Noemi e pai de Malom e Quiliom. Ele viveu no período conturbado dos juízes, quando uma fome severa atingiu a região e o levou a deixar sua cidade natal e migrar com a família para as terras de Moabe, um território vizinho e historicamente tenso em sua relação com Israel.

Em Moabe, Elimeleque morreu (), deixando Noemi viúva e seus dois filhos, que ali se casaram com mulheres moabitas — entre elas Rute. Anos depois, também os filhos morreram sem deixar descendência, e Noemi retornou a Belém acompanhada apenas por Rute. A decisão de Elimeleque de deixar a terra prometida sob pressão da fome acabou servindo de pano de fundo para uma história que, mais tarde, desembocaria na linhagem do rei Davi.

Onde ele aparece

O nome

Elimeleque"Meu Deus é rei", combinando El (Deus) e melek (rei), com o sufixo pronominal hebraico de primeira pessoa acrescentando o sentido de "meu" — um nome teofórico típico do hebraico bíblico.

Significado, origem e variantes →

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

Elimeleque não aparece na genealogia de Jesus registrada em — quem entra nela é sua família política, através de Rute e Boaz, este último descrito em como parente do próprio clã de Elimeleque. Mas é a sequência de eventos que começa com a decisão de Elimeleque de deixar Belém, sua morte em Moabe e a viuvez de Noemi que torna necessária a volta a Belém e o encontro entre Rute e Boaz. Nesse sentido, a passagem de Elimeleque pela narrativa funciona como o primeiro elo visível de uma trajetória familiar que a Escritura liga, poucas gerações depois, ao nascimento de Davi () e que o Novo Testamento retoma explicitamente na genealogia de Jesus (), sem que o texto de aponte, ele mesmo, para esse desfecho.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Elimeleque foi o marido de Noemi, na Bíblia. Ele morava em Belém, mas quando uma fome forte atingiu a cidade, decidiu se mudar com a família para Moabe, um país vizinho. Lá ele morreu, e Noemi ficou viúva com dois filhos, que também acabaram morrendo depois de se casarem com moças moabitas. Uma delas foi Rute, que mais tarde se tornaria bisavó do rei Davi. A história de Elimeleque é o ponto de partida do livro de Rute, cheio de fidelidade e reviravoltas.

O mundo dele

situa a história de Elimeleque "nos dias em que os juízes governavam", período de grande instabilidade política e religiosa em Israel, marcado por ciclos de infidelidade, opressão estrangeira e fomes recorrentes. Elimeleque era natural de Belém, cidade de Judá cujo nome significa literalmente "casa do pão" — o que torna especialmente amargo o fato de ter sido justamente ali que a fome forçou sua família a partir. Ele pertencia à tribo de Judá e era casado com Noemi; juntos tiveram dois filhos, Malom e Quiliom.

O próprio nome Elimeleque, do hebraico Elí-mélek, é entendido pelos léxicos padrão (como o BDB — Brown-Driver-Briggs — e o HALOT) como uma combinação de "El" (Deus) e "mélek" (rei), resultando em algo como "meu Deus é rei". É um nome de caráter teológico, comum entre famílias israelitas que expressavam nele sua fé na realeza de Deus sobre a nação — o que dá um contraste irônico à narrativa, já que a fome levou justamente esse homem a buscar segurança fora da terra que Deus havia prometido ao seu povo.

Moabe, para onde a família se mudou, ficava a leste do mar Morto e era habitada por um povo aparentado a Israel por descendência (), mas com uma história de tensão constante: os moabitas haviam contratado o profeta Balaão para amaldiçoar Israel no deserto (–24) e, mais tarde, um rei moabita oprimiria Israel por quase duas décadas (). Ainda assim, era uma região agricamente mais estável, o que explica por que famílias israelitas em tempos de fome buscavam refúgio ali.

A data exata dos eventos, como a maior parte da cronologia do período dos juízes, não é estabelecida com precisão pelos estudiosos, situando-se de modo aproximado entre os séculos XII e XI a.C. É nesse cenário de deslocamento por necessidade que a curta e decisiva passagem de Elimeleque pela narrativa acontece: poucos versículos () bastam para apresentá-lo, levá-lo a Moabe e registrar sua morte.

A história

A narrativa de Elimeleque ocupa apenas três versículos (), mas condensa uma tragédia familiar em progressão. Primeiro vem a fome em Belém; depois, a decisão de "peregrinar" (o verbo hebraico gur sugere uma estadia temporária, não uma emigração definitiva) para os campos de Moabe; em seguida, a morte súbita de Elimeleque, registrada sem explicação. O texto bíblico não atribui a ele nenhuma culpa explícita — não há acusação direta de pecado, nem uma sentença divina anunciada. Essa ausência de julgamento textual é justamente o que gerou divergência entre os comentaristas ao longo dos séculos.

Keil e Delitzsch, em seu comentário clássico sobre o Antigo Testamento, observam que a saída da terra da promessa em busca de segurança em Moabe carrega uma tensão implícita: Elimeleque, cujo próprio nome proclama que "Deus é rei", parece agir como se a providência de Deus não alcançasse Belém em tempos difíceis. Matthew Henry vai além nessa leitura crítica, descrevendo a mudança para Moabe como um deslize de fé diante da provação — uma escolha pragática que o afasta da comunidade do pacto e o expõe, junto a seus filhos, a casamentos com mulheres moabitas, algo que a lei relacionava a riscos de assimilação religiosa (comparar , ainda que dirigido especificamente aos cananeus, e , que trata da posição dos moabitas na assembleia de Israel).

Já leituras mais recentes, como a de Robert L. Hubbard Jr. em seu comentário sobre Rute na série NICOT, tendem a uma avaliação mais cautelosa: o texto simplesmente não fornece dados suficientes para condenar moralmente Elimeleque com certeza, e é possível lê-lo apenas como um pai tentando proteger a família em circunstâncias extremas, sem que isso implique necessariamente um ato de rebeldia espiritual.

O que a narrativa deixa claro, independentemente da leitura sobre a culpa de Elimeleque, é o custo humano da decisão: ele morre em terra estrangeira; Malom e Quiliom, seus filhos, permanecem em Moabe, casam-se e, cerca de dez anos depois, também morrem sem deixar filhos (). Da família original de quatro ou seis pessoas — Elimeleque, Noemi, os dois filhos e as duas noras —, restam ao final do primeiro capítulo apenas duas viúvas, Noemi e Rute, decididas a voltar para Belém. É esse esvaziamento quase total que abre espaço narrativo para o que vem a seguir: a lealdade de Rute, a bondade de Boaz e, ao final do livro, o nascimento de Obede, avô de Jessé e bisavô de Davi (). A morte discreta de Elimeleque, portanto, funciona na estrutura do livro como o ponto de partida silencioso de uma história que a genealogia de conectará, muitas gerações depois, a Jesus.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Elimeleque pecou explicitamente ao ir para Moabe e foi amaldiçoado por Deus por isso

    O texto de não afirma isso. Ele registra a fome, a mudança para Moabe e a morte de Elimeleque sem atribuir a ela nenhuma causa moral explícita ou sentença divina anunciada; a leitura de que houve pecado é uma inferência de comentaristas, não uma afirmação do texto bíblico.

  • Dizem que:Elimeleque aparece na genealogia de Jesus em Mateus 1

    A genealogia de passa por Salmom, Raabe, Boaz, Obede, Jessé e Davi — Elimeleque, marido de Noemi, não é mencionado nela; sua ligação com essa linhagem é indireta, através dos eventos que sua morte desencadeia na história de Rute.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada/Calvinista

    Enfatiza a providência soberana de Deus: mesmo que a saída de Elimeleque para Moabe tenha sido uma escolha humana falha ou de fé fraca, Deus a usa soberanamente para tecer, através de Rute, a linhagem que leva a Davi e, por fim, a Cristo.

  • Evangélica conservadora (na linha de Matthew Henry)

    Lê a mudança para Moabe como um afastamento da terra da promessa e da comunidade do pacto em um momento de provação, associando a série de mortes na família a uma consequência dessa decisão, embora reconheça que o texto não faz uma acusação explícita.

  • Católica

    Tende a uma leitura mais pastoral, apresentando a família de Elimeleque como retrato da fragilidade humana diante da necessidade, sem insistir em condenação moral, e destacando como a fidelidade de Deus continua a se manifestar através de Rute apesar da tragédia inicial.

  • Ortodoxa

    Situa o episódio dentro do mistério mais amplo da providência divina (oikonomia), que opera através de perdas e deslocamentos humanos para preparar, de modo oculto, o caminho que conduzirá à vinda do Messias.

O que fazer com isso

A história de Elimeleque mostra como decisões tomadas sob pressão, em busca de sobrevivência, produzem consequências que se estendem além do que se pode prever no momento. Ele deixou Belém pensando apenas em atravessar uma fome; não podia saber que sua partida e sua morte em terra estrangeira ficariam entrelaçadas, poucos capítulos depois, com a origem da linhagem de Davi. O relato convida a reconhecer que escolhas humanas comuns, mesmo imperfeitas ou motivadas por necessidade, se inserem em uma história maior do que a geração que as toma.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsch. Commentary on the Old Testament, 1866.
  • Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1706.
  • Robert L. Hubbard Jr.. The Book of Ruth (New International Commentary on the Old Testament), 1988.
  • James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem foi Elimeleque na Bíblia?

Elimeleque foi um homem da tribo de Judá, de Belém, marido de Noemi e pai de Malom e Quiliom. Durante uma fome, ele levou a família para Moabe, onde morreu, deixando Noemi viúva ().

Por que Elimeleque foi para Moabe?

Uma fome severa atingiu Belém no período dos juízes, e Elimeleque decidiu se mudar temporariamente com a família para os campos de Moabe, uma região vizinha mais estável na produção agrícola.

O que aconteceu com Elimeleque?

Ele morreu em Moabe pouco depois da mudança (). Seus dois filhos se casaram com moabitas e também morreram anos depois, deixando Noemi e suas noras viúvas.

Elimeleque é ancestral do rei Davi?

Não diretamente. Davi descende de Boaz e Rute, e Boaz era parente do clã de Elimeleque (), mas Elimeleque em si não aparece na genealogia registrada em nem em .

O que o nome Elimeleque significa?

Em hebraico, Elimeleque combina 'El' (Deus) e 'mélek' (rei), resultando em algo como 'meu Deus é rei', um nome de caráter teológico comum entre famílias israelitas da época.

Elimeleque pecou ao deixar Belém?

O texto bíblico não afirma isso de forma explícita. Comentaristas divergem: alguns leem a decisão como um deslize de fé, outros como uma escolha pragmática de sobrevivência sem carga moral definida.

Outros personagens

Publicado em 13/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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As passagens dele, explicadas

A fome que tirou Elimeleque de Belém

Rute começa com uma ironia dura: uma fome atinge justamente Belém, cujo nome em hebraico significa "casa do pão". Para sobreviver, Elimeleque leva a mulher, Noemi, e os dois filhos, Malom e Quiliom, para os campos de Moabe, território vizinho habitado por um povo estrangeiro e, segundo a Lei, de relação historicamente tensa com Israel. A narrativa não julga a família; apenas registra que a fome os empurrou para fora da terra prometida.

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Costumes da épocaRute 2:19-23

Noemi reconhece Boaz como parente remidor

Rute volta do campo com a colheita do dia e conta a Noemi tudo o que aconteceu, revelando por fim o nome do dono do campo: Boaz. Ao ouvir isso, Noemi muda de tom — abençoa o homem no nome do SENHOR e explica à nora o que Rute ainda não sabia: Boaz é parente próximo da família, um dos possíveis "remidores", homens com o dever de socorrer parentes em necessidade extrema.

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Costumes da época2 Samuel 23:15-17

A água que Davi não quis beber

Em 2 Samuel 23:15-17, Davi está cercado numa fortaleza enquanto os filisteus ocupam Belém, sua cidade natal, e comenta um desejo simples: beber da água do poço junto ao portão de Belém. Três guerreiros ouvem o comentário, atravessam à força o acampamento inimigo e trazem a água até ele. Davi, porém, não bebe: derrama-a diante do SENHOR, dizendo que beber aquilo seria como beber o sangue dos homens que arriscaram a vida para trazê-la.

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Leis que não valem maisDeuteronômio 25:5-10

Cuspir no rosto de quem recusava levantar o nome do irmão morto

Se um homem casado morresse sem filhos, seu irmão tinha o dever de casar com a viúva e gerar, com ela, um filho que "levantaria o nome" do falecido — perpetuando sua linhagem e, na prática, garantindo à viúva um lugar seguro na estrutura familiar e econômica de Israel. Se o irmão se recusasse, a lei previa um ritual público de rejeição: a viúva o descalçava diante dos anciãos e cuspia em seu rosto, e ele passava a ser conhecido como "a casa do descalço" — vergonha social pública e duradoura.

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ProfeciaMiqueias 5:2-4

Belém-Efrata, pequena demais para ser esquecida

Miqueias, profeta contemporâneo de Isaías, escreve numa época de ameaça assíria concreta sobre Judá — e no meio de oráculos de julgamento entrega uma promessa precisa: de Belém-Efrata, cidade pequena demais para contar entre os clãs de Judá, sairá "o que será governador em Israel".

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Costumes da época1 Crônicas 11:15-19

Os três valentes e a água de Belém

Em meio à ocupação filisteia do território de Davi, três dos seus trinta principais guerreiros atravessam as linhas inimigas para atender a um desejo simples do rei: beber da água do poço junto à porta de Belém, sua cidade natal. Eles irrompem pelo acampamento filisteu, tiram a água e a trazem a Davi, correndo um risco que poderia lhes custar a vida.

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