Por que o filho de Davi e Bate-Seba morreu?
O texto diz o que diz, e não há como amaciá-lo: a criança morre, e a sentença é anunciada por um profeta como consequência do que Davi fez.

Há textos na Bíblia que geram desconforto real, e fingir que não geram não ajuda ninguém. Aqui o contexto histórico é apresentado sem virar desculpa, e o que continua difícil é dito como difícil.
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O texto diz o que diz, e não há como amaciá-lo: a criança morre, e a sentença é anunciada por um profeta como consequência do que Davi fez.
Absalão, filho de Davi, monta uma estrutura de chefe de estado: carros, cavalos e cinquenta homens correndo à sua frente. Todo dia ele se posiciona junto ao portão, onde as pessoas chegavam buscando julgamento do rei. Quando alguém se aproxima com uma causa, ele intercepta a pessoa antes que ela alcance Davi e diz: "tuas palavras são boas e justas", mas lamenta que "não tens quem te ouça pelo rei". Quando alguém se inclina diante dele, estende a mão, toma e beija a pessoa — invertendo o protocolo entre súdito e príncipe.
Fugindo de Jerusalém durante a revolta de seu filho Absalão, o rei Davi chega a Baurim, cidade da tribo de Benjamim. Ali sai ao seu encontro Simei, filho de Gera, parente da família de Saul, que passa a amaldiçoar Davi e a atirar pedras contra ele e seus servos, chamando-o de "homem sanguinário" e acusando-o de ter roubado o trono da casa de Saul à força.
Depois de expulsar o próprio pai de Jerusalém e tomar o trono por golpe, Absalão pede conselho a Aitofel, o estrategista mais respeitado do reino. A resposta é fria e calculada: que Absalão entre publicamente às concubinas que Davi deixara cuidando do palácio, sob uma tenda armada no terraço, à vista de todo Israel. O texto não descreve desejo nem romance — descreve manobra política, um gesto que na cultura da época significava tomar posse definitiva do trono e do harém do rei deposto.
Depois que a revolta de Sebá, filho de Bicri, ameaça dividir Israel outra vez, Joabe cerca a cidade de Abel-Bete-Maaca, onde o rebelde se escondeu, e começa a construir uma rampa contra o muro. Do alto da muralha, uma mulher identificada apenas como "sábia" interrompe o ataque: ela negocia com Joabe, lembra que a cidade é "herança do SENHOR" e obtém dele a promessa de que, se Sebá for entregue, o cerco terminará sem mais mortes.
Depois que Davi ordenou um recenseamento militar, um gesto que ele mesmo chamou de pecado, uma peste caiu sobre Israel. Em três dias, setenta mil homens morreram, de Dã até Berseba, expressão hebraica para "de uma ponta a outra do território" (v. 15). Quando o anjo do SENHOR estendeu a mão também sobre Jerusalém, Deus deteve o julgamento bem junto à eira de Araúna, o jebuseu (v. 16).
No fim da vida, Davi reúne suas últimas instruções a Salomão, e duas delas incomodam: ele pede que Joabe não desça "em paz" ao Xeol e que Simei não seja tratado como inocente. Lido depressa, parece vingança pessoal escondida atrás de uma ordem de sucessão, um rei usando o filho para fazer o que ele mesmo nunca teve coragem de fazer.
Duas mulheres sem marido, ambas exercendo a prostituição, chegam a Salomão com um caso que testemunha nenhuma pode resolver: moravam sozinhas, um dos bebês morreu durante a noite, e cada uma afirma que o filho vivo é seu. Não há terceiros para confirmar a versão de nenhuma das duas, e o caso sobe até o rei porque nenhuma outra autoridade em Israel tinha meios de decidir.
O texto dá os números sem rodeios e diz, na mesma frase, o resultado: "suas mulheres desviaram o coração dele".
Um profeta de Judá acabara de denunciar o altar idólatra de Jeroboão em Betel e recusar a hospitalidade do rei, porque Deus lhe ordenara, em primeira mão, não comer nem beber ali e não voltar pelo mesmo caminho. Um profeta idoso que morava em Betel ouve dos filhos o que aconteceu, sai atrás dele e o convida para comer em sua casa, alegando que um anjo lhe trouxera ordem contrária. O texto é direto: ele mentiu.
O fogo desce do céu, consome o holocausto encharcado de água, e o povo cai com o rosto em terra clamando "o SENHOR é o Deus!" — o clímax de um dos episódios mais dramáticos do Antigo Testamento. E então Elias dá a ordem: "prendei aos profetas de Baal, que não escape ninguém", e os degola pessoalmente à beira do ribeiro de Quisom. Quatrocentos e cinquenta homens, executados em sequência, por mão de um profeta.
Nabote, morador de Jezreel, possuía uma vinha ao lado do palácio de verão do rei Acabe. Quando o rei pediu para comprá-la ou trocá-la, Nabote recusou: aquela terra era herança de seus pais, e a lei de Israel proibia vendê-la para sempre. Acabe voltou para casa amargurado, e sua esposa Jezabel, princesa fenícia acostumada a reis absolutos, decidiu resolver o problema à sua maneira.