Stauros (Estaca, Cruz)
O que significa Stauros na Bíblia?
A palavra no original
σταυρός
stauros · Strong G4716
Estaca ou poste vertical e, no período romano, o instrumento de crucificação.
Tudo isto ao mesmo tempo
- estaca ou poste
- instrumento de crucificação
- execução romana
- vergonha e maldição
- símbolo da mensagem cristã
Resposta curta
Stauros (σταυρός) é a palavra grega que os Evangelhos usam para o instrumento da crucificação de Jesus. Em sua origem significava estaca ou poste vertical, como os de uma cerca, e só depois passou a nomear a estrutura de execução usada pelos romanos. O Novo Testamento a emprega nos relatos da Paixão (; ) e como símbolo central da mensagem cristã (; ). Há debate sobre a forma: uma estaca simples ou uma cruz com travessa. O texto bíblico não descreve a forma em detalhe, e a discussão depende de evidências externas, entre elas escritos antigos, achados arqueológicos e a menção aos cravos em .
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretorelaciona a morte de Jesus no madeiro a , que declara maldito quem é pendurado numa árvore. Paulo entende que Cristo assumiu a maldição da lei por nós. e 12:32 ligam o ser levantado de Jesus à serpente de bronze erguida por Moisés () e à atração de todos para si. Essas leituras são apostólicas e não decorrem do termo grego em si, mas mostram como o Novo Testamento viu na crucificação o cumprimento de imagens da Escritura hebraica.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Stauros é a palavra grega que a Bíblia usa para o instrumento em que Jesus foi crucificado. No grego antigo, significava estaca ou poste. Por isso algumas pessoas dizem que seria só uma estaca reta, e outras defendem a cruz com travessa, como a tradição cristã sempre representou. O texto não descreve a forma exata. Há pistas, como os cravos em e o título colocado sobre a cabeça de Jesus. Para Paulo, o que importava era o sentido da cruz: em ele a chama de poder de Deus.
De onde vem a palavra
Na literatura grega mais antiga, stauros indicava uma estaca ou poste fincado no chão, usado em cercas e paliçadas. O verbo derivado, stauroō, significava cercar com estacas e, no período romano, passou a significar crucificar. Isso quer dizer que, ao chegar aos Evangelhos, a palavra já era usada para o suplício romano, que não era uma invenção cristã nem uma forma de execução hebraica.
A crucificação foi praticada por persas, gregos e cartagineses, e os romanos a adotaram como castigo para escravos, rebeldes e criminosos sem cidadania. O historiador Flávio Josefo narra que, durante o cerco de Jerusalém em 70 d.C., os soldados pregaram prisioneiros em posições variadas, o que sugere que a forma do instrumento não era fixa. Sêneca e Plutarco também descrevem condenados que carregavam a trave ou eram presos de modos diferentes.
No Novo Testamento, stauros e stauroō aparecem principalmente nos relatos da Paixão. diz que os soldados obrigaram Simão de Cirene a carregar o stauros de Jesus; diz que o próprio Jesus o levou até o lugar chamado Gólgota, onde foi crucificado ao lado de outros dois (19:18) e onde Pilatos mandou fixar um título (19:19). Os autores também usam outra palavra, xylon ("madeira", "árvore"), em :39 e , onde Paulo cita .
Fora dos relatos, stauros ganha valor simbólico. Em , a "palavra da cruz" é loucura para os que se perdem e poder de Deus para os que se salvam. Em Paulo diz que só se gloria na cruz de Cristo. A palavra passa, assim, de nome de um instrumento de morte vergonhosa a emblema da mensagem cristã. Para o público do primeiro século, a crucificação era sinônimo de vergonha: Cícero a chama de o suplício mais cruel e horrendo, e a lei judaica via maldição em quem era pendurado (). Daí o escândalo de que Paulo fala em .
Aprofundamento
O número de Strong é G4716, e os léxicos como o BDAG registram dois sentidos: estaca ou poste vertical e, no período romano, a estrutura de crucificação, com ou sem travessa. A discussão popular sobre a forma depende de saber qual desses sentidos se aplica, e o próprio vocabulário não resolve. Como no grego antigo stauros podia indicar um simples poste, não se pode concluir a forma só pela etimologia, e nem a palavra, sozinha, afirma que havia uma travessa.
Há, porém, pistas no texto e fora dele. diz que o título com a acusação foi colocado "sobre a sua cabeça", detalhe que se ajusta melhor a uma estrutura em que o corpo ficava abaixo de um ponto de fixação, sem que seja prova. menciona "a marca dos cravos" nas mãos, no plural, e esse detalhe é compatível tanto com o uso de uma travessa quanto com mãos presas acima da cabeça numa estaca. Em 1968, em Giv'at ha-Mivtar, perto de Jerusalém, foi encontrado o osso do calcanhar de um homem crucificado no século I com um cravo ainda atravessado, o que confirma o uso de cravos, embora a interpretação dos detalhes seja discutida entre os especialistas.
A execução costumava vir depois da flagelação, e o condenado carregava a trave horizontal até o local, como Plutarco descreve em seus Moralia. Nos Evangelhos, o fato de Simão de Cirene ter sido requisitado para levar o stauros () é compatível com esse costume, embora o texto não diga o que ele carregou.
Sobre a forma, as evidências mais antigas vêm de autores cristãos do século II. A Epístola de Barnabé (9:8) vê a cruz na letra tau, o Diálogo com Trifão de Justino (cap. 91) a descreve com uma barra horizontal, e Ireneu de Lyon (Contra as Heresias 2.24.4) fala de uma cruz com cinco extremidades. Martin Hengel, em um estudo clássico sobre a crucificação no mundo antigo, concluiu que as formas variavam, mas que o uso de uma trave horizontal (patibulum) carregada pelo condenado era comum.
A Sociedade Torre de Vigia (Testemunhas de Jeová) defende que stauros significa uma estaca simples e traduz o termo por "estaca de tortura" em sua Bíblia. Os argumentos filológicos que citam são reais, mas a conclusão vai além do que o texto permite, pois a palavra não exclui travessa. A fonte primária é silenciosa sobre a forma exata, e quem afirma certeza em qualquer direção está falando mais do que o texto diz.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Stauros significa apenas "estaca reta", portanto Jesus não morreu numa cruz com travessa.
A palavra tinha esse sentido na origem, mas no período romano passou a nomear a estrutura de crucificação, com ou sem travessa. O sentido de um termo em Homero não determina o uso no Novo Testamento, e escritores cristãos do século II já descrevem a cruz com barra horizontal.
Dizem que:A cruz como símbolo foi inventada por Constantino no século IV.
Escritores cristãos dos séculos II e III, como Barnabé, Justino, Ireneu e Tertuliano, já falam da forma e do sinal da cruz. O que mudou no século IV foi sua presença pública e oficial, não a existência do símbolo entre os cristãos.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Cristianismo tradicional (católico, ortodoxo e protestante)
Entende o stauros como cruz com travessa, a forma que a arte e a liturgia cristãs representam desde a Antiguidade, com apoio nos escritos do século II e na menção ao título sobre a cabeça.
Testemunhas de Jeová
Defendem que stauros designa uma estaca simples e vertical, argumentando pelo sentido original do grego e traduzindo "estaca de tortura" na Tradução do Novo Mundo, e rejeitam o uso da cruz como símbolo.
Historiografia acadêmica
Autores como Martin Hengel observam que as formas de crucificação variavam e que o mais provável, para Jesus, é uma estaca fincada com uma trave horizontal carregada pelo condenado, sem poder confirmar os detalhes a partir dos Evangelhos.
O que fazer com isso
Stauros lembra que o centro da fé cristã nasce de um instrumento de morte pública e vergonhosa, e não de um símbolo de prestígio. Saber que a forma exata é incerta ajuda a evitar disputas sobre aspectos que o texto deixa em aberto e a concentrar a atenção no que os autores quiseram dizer com a palavra: a morte de Jesus e o sentido que o Novo Testamento lhe atribui.
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Fontes consultadas5 obras
- Danker, F.W. (org.). A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Hengel, M.. Crucifixion in the Ancient World and the Folly of the Message of the Cross, 1977.
- Josefo, F.. A Guerra dos Judeus (livro 5).
- Zias, J.; Sekeles, E.. The Crucified Man from Giv'at ha-Mivtar: A Reappraisal (Israel Exploration Journal 35), 1985.
- Ireneu de Lyon. Contra as Heresias (livro 2).
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Jesus morreu numa cruz ou numa estaca?
A palavra stauros não decide a questão, pois podia designar tanto um poste simples quanto a estrutura romana com travessa. Evidências externas, como a prática romana de carregar uma trave e os escritos cristãos do século II, favorecem a cruz com travessa. A forma exata não é descrita nos Evangelhos.
Por que Atos usa "madeiro" em vez de cruz?
e 10:39 usam xylon, "madeira" ou "árvore", ecoando , que fala de pendurar o condenado numa árvore. É uma forma de ligar a morte de Jesus à maldição da lei. Os dois termos designam o mesmo evento.
O que João 20:25 mostra sobre a crucificação?
Tomé fala da marca dos cravos nas mãos de Jesus. Isso indica que foram usados pregos, o que se confirma por um achado arqueológico do século I em Jerusalém. O versículo não diz se havia uma travessa.
O que Paulo quer dizer com a palavra da cruz?
Em , Paulo chama a mensagem da cruz de loucura para quem se perde e poder de Deus para quem se salva. Ele fala do sentido teológico da morte de Cristo, não da forma do instrumento.
Palavras próximas
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- No grego
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