Skene (Tenda, Tabernáculo)
O que significa skene, a tenda ou tabernáculo, no Novo Testamento?
A palavra no original
σκηνή
skēnē · Strong G4633
Tenda, cabana ou abrigo provisório; por extensão, o tabernáculo, o santuário portátil.
Tudo isto ao mesmo tempo
- tenda e abrigo provisório
- tabernáculo e santuário
- presença de Deus entre o povo
- moradia temporária do corpo
- festa dos Tabernáculos
Resposta curta
Skene (σκηνή) é a palavra grega para tenda, abrigo provisório e, em contexto religioso, o tabernáculo, o santuário portátil de Israel no deserto. No Novo Testamento aparece em , quando Pedro oferece fazer três tendas no monte da transfiguração; em e 9, para o santuário; e em , para a morada de Deus com os homens. O verbo relacionado, skenoo, está em : o Verbo "habitou" (eskenosen) entre nós, literalmente "armou tenda". A palavra une, assim, a presença de Deus no meio do povo desde o deserto à encarnação, sem que o texto grego afirme uma identidade entre as duas coisas.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
TipologiaHebreus apresenta o tabernáculo como figura e sombra de uma realidade maior: o primeiro santuário apontava para o verdadeiro, no qual Cristo entrou como sumo sacerdote (; 9:11-12). , ao dizer que o Verbo "habitou" entre nós, usa o verbo ligado à palavra tenda e convida o leitor a ouvir o eco da presença de Deus entre Israel. A tipologia se apoia no próprio Novo Testamento, em Hebreus; a leitura de é temática e não afirma uma equivalência literal.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Skene é a palavra grega para tenda. Serve tanto para as tendas comuns, como as que Pedro quis fazer no monte da transfiguração, quanto para o tabernáculo, a tenda sagrada onde Israel adorava no deserto. Em , quando se diz que Jesus "habitou" entre nós, o verbo usado vem dessa mesma palavra e significa literalmente "armou tenda". Em Hebreus, skene descreve o santuário, e no Apocalipse, a morada de Deus com os homens. É uma palavra simples que acompanha a ideia de um Deus que mora no meio do povo.
De onde vem a palavra
A tenda era a casa natural de quem vivia em trânsito, e a Bíblia hebraica a associa aos patriarcas e ao êxodo. Quando Deus manda Moisés construir um santuário móvel, o hebraico usa duas palavras principais: mishkan, "habitação", e ohel, "tenda", como em ohel moed, a tenda do encontro. A Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, verte ambas normalmente por skene, e foi dessa tradução que a palavra entrou no vocabulário do Novo Testamento.
No Novo Testamento, skene aparece em registros diferentes. Há o uso cotidiano e provisório: Pedro propõe armar três tendas para Jesus, Moisés e Elias (; ; ), e lembra que Abraão viveu em tendas na terra prometida. Há o uso para o santuário do deserto, que chama de "tabernáculo do testemunho" e que descreve, com seus compartimentos, o primeiro e o segundo. E há o uso figurado: Paulo fala do corpo como "tenda" terrestre (, com o parente skenos), e menciona "moradas eternas" (literalmente, tendas eternas).
Há ainda o eco da festa judaica dos Tabernáculos, chamada em grego skenopegia, durante a qual Israel morava em cabanas para lembrar o êxodo. situa nela o discurso de Jesus no templo. Já o capítulo final da Bíblia retoma o termo de forma escatológica: "o tabernáculo de Deus está com os homens" (). Do deserto à nova criação, a ideia é a de um Deus que escolhe habitar no meio do seu povo, e não apenas visitá-lo.
Em , Estêvão resume a história do tabernáculo: os pais tiveram a tenda do testemunho no deserto, que Davi quis substituir por uma habitação para o Deus de Jacó, e foi Salomão quem edificou a casa (7:44-47). Estêvão acrescenta que o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos (7:48), o que mostra que o vocabulário da tenda e da casa já era objeto de reflexão na igreja primitiva.
Aprofundamento
O substantivo σκηνή (skene, Strong G4633) significa, nos léxicos, tenda, cabana ou abrigo de lona, e daí, por extensão, a tenda sagrada. Em grego clássico, skene também nomeava o palco do teatro, por ter sido originalmente uma tenda ou barraca atrás dos atores, daí a palavra portuguesa "cena". O verbo σκηνόω (skenoo, G4637) quer dizer "armar tenda", "habitar" ou "acampar". No Novo Testamento, o verbo ocorre em e quatro vezes no Apocalipse.
O uso mais debatido é o de , "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (eskenosen en hemin). A escolha do verbo é sugestiva: muitos comentaristas, como Raymond Brown e D. A. Carson, notam que ela evoca o tabernáculo e a presença de Deus no meio de Israel (; 40:34-35), e que o prólogo continua com a menção à "glória" (doxa), termo que, no Antigo Testamento, estava ligado à presença de Deus sobre o santuário. Essa conexão é uma leitura temática bem estabelecida, mas convém dizer o que o texto não afirma: João não cita o tabernáculo nem equipara explicitamente o Verbo à tenda.
Muito se comenta a semelhança sonora entre skene e o hebraico shakan ("habitar", de onde vem mishkan e o termo rabínico shekinah). Há quem sugira que o tradutor ou o autor escolheu skene por esse eco consonantal, de s-k-n e sh-k-n. O Novo Testamento, porém, não usa a palavra shekinah, e a origem de skene é grega, de modo que a semelhança, embora notada, não prova dependência. É uma ressonância, e não uma etimologia comprovada.
Em e 9, skene tem sentido técnico e teológico. O autor contrasta o tabernáculo terrestre, "sombra" e cópia das realidades celestes (8:5), com "o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos" (9:11), onde Cristo entrou como sumo sacerdote. A palavra serve ao argumento central da carta: o ministério de Cristo se dá no verdadeiro santuário, e o primeiro tabernáculo era figura. O texto de , por sua vez, cita sobre a "tenda de Davi" caída, que Deus reconstruirá, o que Tiago aplica à inclusão dos gentios.
O Apocalipse retoma o verbo e o substantivo em momentos decisivos. Em 7:15, o que está assentado no trono "estenderá o seu tabernáculo" sobre a multidão vinda da grande tribulação, e em 21:3 "o tabernáculo de Deus" está com os homens, e ele "habitará" com eles. A leitura mais comum vê nesses textos o cumprimento final da promessa de , em que Deus diz que porá a sua morada no meio do povo. Note-se que, em 21:22, não há templo na cidade, pois o Senhor Deus e o Cordeiro são o seu templo: a tenda cede lugar à presença direta.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:João 1:14 usa a palavra skene ou menciona o tabernáculo diretamente.
João usa o verbo skenoo (eskenosen), da mesma família da palavra tenda, mas não nomeia o tabernáculo. A ligação com o santuário do deserto é uma leitura de comentaristas, apoiada no vocabulário e no tema da glória, e não uma afirmação explícita do texto.
Dizem que:Skene vem do hebraico shekinah ou shakan.
Skene é uma palavra grega, que em grego clássico designava também o palco do teatro. A semelhança de consoantes com shakan é notada por alguns estudiosos, mas não está demonstrada como origem, e shekinah é um termo rabínico posterior que não ocorre na Bíblia.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Reformada e evangélica
Vê no tabernáculo uma tipologia de Cristo e de sua obra, que Hebreus desenvolve, e lê como a encarnação sendo o cumprimento da presença de Deus que a tenda anunciava.
Católica e ortodoxa
Relaciona o tabernáculo à encarnação e também à presença eucarística e à Igreja como morada de Deus, apoiando-se em Hebreus, em e em .
Dispensacionalista
Enfatiza a distinção entre o tabernáculo do deserto, figura de Cristo, e o cumprimento futuro de e das promessas a Israel, e lê em linha com a restauração da tenda de Davi.
Judaica
Não lê o termo grego, mas entende o mishkan como a habitação de Deus no meio de Israel e vê nas leituras cristãs sobre uma interpretação que o texto hebraico, por si, não pede.
O que fazer com isso
Skene lembra que, na Bíblia, a presença de Deus costuma ser descrita em termos de proximidade e de moradia, não de distância. Ler e à luz da tenda do deserto convida a notar o fio que liga essas passagens, sem exigir que o vocabulário diga mais do que diz. Vale também ler essas passagens sem pressa, pois a ideia de morada cresce de livro em livro.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas5 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Liddell, H.G.; Scott, R.. A Greek-English Lexicon, 1940.
- Brown, R.E.. The Gospel According to John I-XII (Anchor Bible), 1966.
- Carson, D.A.. The Gospel According to John (Pillar New Testament Commentary), 1991.
- Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Skene e tabernáculo são a mesma coisa?
Skene é a palavra grega para tenda. "Tabernáculo" vem do latim tabernaculum, também "tendinha", e é a tradução tradicional de skene quando se trata do santuário portátil de Israel.
O que João quer dizer ao afirmar que o Verbo "habitou" entre nós?
O verbo grego eskenosen quer dizer "armou tenda". Muitos comentaristas veem aí uma alusão à presença de Deus no tabernáculo, mas o texto não faz essa comparação explicitamente.
Por que Pedro quis fazer três tendas na transfiguração?
Os evangelhos dizem apenas que ele não sabia o que dizia (; ). Alguns estudiosos relacionam a ideia à festa dos Tabernáculos, mas o texto não confirma essa razão.
Skene é a mesma palavra que shekinah?
Não. Skene é grega, e shekinah é um termo rabínico posterior, derivado do hebraico shakan. A semelhança de consoantes é notada, mas não prova parentesco.
Palavras próximas
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