Ônix (Shoham)
O que significa Ônix na Bíblia?
A palavra no original
שֹׁהַם
shoham (šōham) · Strong H7718
Nome de uma pedra preciosa de identificação incerta, tradicionalmente o ônix.
Tudo isto ao mesmo tempo
- pedra preciosa gravável
- riqueza natural
- vestes do sumo sacerdote
- memorial das tribos de Israel
- material do tabernáculo e do templo
Resposta curta
Ônix é uma pedra semipreciosa formada por camadas paralelas, em geral de cores contrastantes, usada em joias, selos e entalhes desde a Antiguidade. A palavra portuguesa traduz o hebraico shoham (שֹׁהַם), que a Bíblia registra cerca de onze vezes. Aparece em , entre as riquezas da terra de Havilá, e ganha papel central em , onde duas pedras de shoham, gravadas com os nomes das doze tribos, ficam sobre as ombreiras do éfode do sumo sacerdote. O termo, portanto, não é só de joalheria: é peça de liturgia, ligada à memória do povo diante de Deus. A identificação exata da pedra, no entanto, é incerta entre os estudiosos, e convém ler a tradução com essa ressalva.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
TipologiaAs pedras de shoham levam os nomes das tribos sobre os ombros de Arão, que os apresenta diante do Senhor como memorial (). A tradição cristã lê nesse gesto uma figura do sumo sacerdote que representa o povo, e o Novo Testamento desenvolve essa ideia em Hebreus, onde Jesus vive sempre para interceder pelos que se aproximam de Deus. O Novo Testamento não menciona o shoham nem as ombreiras do éfode; a ligação é feita pela função sacerdotal de levar o povo diante de Deus, e não por uma citação direta.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Ônix é uma pedra de camadas de cores diferentes, usada em joias e em entalhes. No hebraico da Bíblia a palavra é shoham. Aparece em como riqueza da terra de Havilá e, em , como as duas pedras presas aos ombros da veste do sumo sacerdote, com os nomes das doze tribos de Israel gravados. Por isso o ônix bíblico não é só enfeite: lembra que o sacerdote levava o povo diante de Deus. Os estudiosos não sabem ao certo que pedra exata era.
De onde vem a palavra
A primeira menção está no relato do Éden. descreve o rio Pisom, que rodeia a terra de Havilá, onde há ouro bom, bdélio e shoham. A lista funciona como indicação de riqueza natural, sem fim ritual. retoma a ideia ao dizer que a sabedoria não se compra com ouro de Ofir, nem com o precioso shoham, nem com a safira. enumera o shoham entre as pedras que cobriam o rei de Tiro, descrito em linguagem de esplendor.
O uso litúrgico começa em , quando Moisés recebe a instrução de pedir ao povo, entre outras ofertas, pedras de shoham e pedras de engaste para o éfode e o peitoral. detalha o uso: duas pedras de shoham, gravadas à maneira de quem grava um selo, trazem seis nomes cada uma, na ordem do nascimento, e são fixadas em engastes de ouro sobre as ombreiras do éfode. O texto as chama "pedras de memorial" para os filhos de Israel, e Arão levará os nomes diante do Senhor sobre os dois ombros. O shoham aparece também numa das fileiras do peitoral, em e 39:13.
O mesmo termo reaparece em e 35:27, quando os líderes do povo trazem as pedras para a obra, e em 39:6, na execução do trabalho. Mais tarde, o inclui entre os materiais que Davi reuniu para a construção do templo. O conjunto mostra que a pedra era valiosa, associada a riqueza e a ofertas generosas, e que o Pentateuco a reserva para a vestimenta de quem representava todo o povo diante de Deus. Em todos esses textos, o shoham é nomeado sem descrição de cor, tamanho ou origem, o que deixa ao leitor moderno pouco material para reconstruir a pedra além do seu valor e da sua dureza, suficiente para ser gravada com nomes.
Aprofundamento
A palavra שֹׁהַם (shoham, Strong H7718) tem etimologia incerta e identificação debatida. O português ônix vem do grego onyx, "unha", nome dado a pedras de camadas cuja cor lembrava a unha humana; na mineralogia, é uma variedade de calcedônia em faixas. Os tradutores antigos não concordaram sobre o equivalente: a Septuaginta usa palavras diferentes em lugares diferentes, e em aparece smaragdos, a esmeralda ou outra pedra verde, enquanto a Vulgata emprega onyx ou onychinus. Traduções modernas oscilam entre ônix, berilo e outras pedras. O Brown-Driver-Briggs e o Koehler-Baumgartner registram essas propostas e não fixam uma só. O que o texto garante é que se tratava de uma pedra dura, que se podia gravar com precisão. Esse dado é coerente com a tradição de gravar selos em pedras duras no Oriente Médio antigo, mas não basta para identificar a gema, porque várias pedras serviam a essa técnica.
O termo distingue-se de sardônix, citado em entre os fundamentos da nova Jerusalém. A palavra grega ali, sardonyx, combina o nome de uma pedra avermelhada com o de uma pedra de camadas e é outro vocábulo, de outra língua, que não traduz shoham.
O dado teológico mais relevante está em e 28:29. As pedras dos ombros levam os nomes das tribos e são chamadas "memorial"; os nomes do peitoral são levados "sobre o coração". Ombro e coração formam um par: o sumo sacerdote carrega o povo com força e com afeto, em sua presença diante de Deus. As pedras do éfode não se confundem com o Urim e o Tumim, guardados no peitoral (28:30), e não há base no texto para lhes atribuir poderes oraculares próprios. A palavra "memorial" (zikkaron) é a mesma que, em outros contextos, designa o que lembra Deus de sua aliança.
Há ainda o contraste de contextos. Em e , o shoham é riqueza que se mede em valor; em Êxodo, é peça de função. Não é preciso supor que se trate de pedras diferentes: a Bíblia pode estar usando a mesma gema nos dois registros, primeiro como bem natural e depois como bem consagrado. A conclusão prudente é que o texto não dá cor nem aparência, e a imagem moderna de uma pedra negra de ônix comercial não deve ser lida de volta no hebraico. Quem consulta várias traduções vai notar justamente essa variação, e o aviso vale tanto para o leitor comum quanto para quem prepara estudos sobre as vestes sacerdotais.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:O ônix da Bíblia é uma pedra negra, como o ônix vendido hoje.
O hebraico não descreve a cor de shoham, e a identificação da pedra é incerta. O ônix antigo era uma calcedônia em faixas de cores contrastantes, e o negro uniforme é, em grande parte, resultado de tingimento moderno.
Dizem que:As pedras de ônix das ombreiras do éfode eram o Urim e o Tumim.
trata os dois itens separadamente: as pedras de shoham, nos ombros, levam os nomes das tribos como memorial; o Urim e o Tumim são colocados no peitoral (28:30) e servem para consultar Deus.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica rabínica
Vê as vestes sacerdotais, incluindo o éfode e suas pedras, como instrumentos de expiação em favor de Israel, e atribui a cada peça uma função simbólica ligada ao perdão do povo.
Cristã (católica e protestante)
Interpreta as pedras como figura do sumo sacerdote que carrega o povo diante de Deus, aplicando a imagem a Cristo como intercessor, sem negar o sentido histórico para o culto de Israel.
Crítica histórica
Observa que o gesto de gravar nomes em pedras de selo corresponde a práticas de glíptica do Oriente Médio antigo e entende as pedras como emblema de representação, sem poder oracular.
O que fazer com isso
Os nomes gravados em pedra, levados sobre os ombros e diante de Deus, descrevem uma ideia de representação: alguém carrega um povo inteiro, nome por nome, e nenhum se perde na multidão. Ler com isso em mente ajuda a ver a pedra como parte de uma liturgia de memória, não como simples enfeite, sem que o texto prometa proteção ou efeito mágico a quem possua uma gema.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas5 obras
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
- Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
- Propp, W. H. C.. Exodus 19-40 (Anchor Bible), 2006.
- Durham, J. I.. Exodus (Word Biblical Commentary), 1987.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que é o ônix na Bíblia?
É a pedra que traduz o hebraico shoham, mencionada cerca de onze vezes. Era valiosa e podia ser gravada. Os estudiosos não têm certeza de qual pedra exata era, e algumas traduções usam outros nomes.
Para que serviam as pedras de ônix do éfode?
Duas pedras levavam, cada uma, seis nomes das tribos de Israel e ficavam sobre os ombros do sumo sacerdote, como memorial diante do Senhor ().
O ônix aparece no Éden?
diz que, na terra de Havilá, havia ouro bom, bdélio e shoham. O texto não dá aparência nem uso à pedra; apenas a lista entre as riquezas da região.
Ônix e sardônix são a mesma pedra?
Não. Sardônix é palavra grega de , que combina pedras diferentes. Ônix traduz o hebraico shoham, e a relação exata entre os dois nomes é questão de identificação de pedras, que a Bíblia não resolve.
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