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Significado Bíblico
Dicionário bíblicohebraicointermediária

Pesach (Páscoa)

O que significa Pesach na Bíblia?

A palavra no original

פֶּסַח

pesach (pesaḥ) · Strong H6453

Ato de passar por cima / poupar — substantivo derivado do verbo pasach, "passar por cima, saltar, poupar".

Tudo isto ao mesmo tempo

  • o evento de Deus 'passar por cima' e poupar os primogênitos (Êxodo 12:13)
  • o cordeiro/cabrito sacrificado para a ceia pascal
  • a festa anual de sete dias (unida à Festa dos Pães Asmos)
  • por extensão no NT grego (pascha), a própria pessoa de Cristo como cordeiro pascal (1 Coríntios 5:7)

Resposta curta

Pesach é a palavra hebraica que dá origem ao nosso "Páscoa". É um substantivo formado a partir do verbo pasach, cujo sentido básico, segundo léxicos como BDB e HALOT, é "passar por cima, saltar, poupar". A palavra nomeia, ao mesmo tempo, o acontecimento de — a noite em que a praga da morte "passou" pelas casas hebreias marcadas com sangue de cordeiro e poupou os primogênitos —, o próprio cordeiro sacrificado para aquela ceia e a festa anual instituída para lembrar o episódio.

No Antigo Testamento, pesach aparece repetidas vezes em textos legais e narrativos ligados ao calendário cúltico de Israel, de Êxodo a Esdras. No Novo Testamento grego, a forma emprestada pascha conserva a mesma palavra, e Paulo a aplica diretamente a Cristo em , chamando-o de "nossa páscoa" sacrificada.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Tipologia

O cordeiro de pesach — abatido, com sangue aplicado como sinal de proteção contra a morte, e sem osso quebrado () — é lido pelo próprio Novo Testamento como figura da morte de Cristo. Paulo nomeia essa leitura sem rodeios em , chamando Jesus de 'nossa páscoa' sacrificada, e aplica a Cristo crucificado a exigência ritual de que nenhum osso do cordeiro pascal fosse quebrado, citando o mesmo regulamento de e . A tipologia liga, assim, o vocabulário hebraico de 'passar por cima e poupar' à proteção que o Novo Testamento atribui à morte de Cristo.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Pesach é a palavra em hebraico para Páscoa. Vem de um verbo que significa algo como "passar por cima" ou "poupar". A palavra lembra a noite, no Egito, em que a morte passou pelas casas marcadas com sangue de cordeiro e poupou os filhos mais velhos das famílias hebreias, enquanto o povo era liberto da escravidão. A mesma palavra também nomeia o cordeiro comido naquela noite e a festa que os judeus celebram todos os anos até hoje em memória desse livramento.

De onde vem a palavra

A palavra hebraica פֶּסַח (pesach) é um substantivo derivado do verbo pasach (פָּסַח), que os principais léxicos hebraicos — o Brown-Driver-Briggs (BDB) e o HALOT — definem centralmente como "passar por cima, saltar, poupar". Gramaticalmente, pesach segue o padrão dos chamados substantivos segolados do hebraico bíblico, formados a partir da raiz verbal para designar tanto a ação quanto, por extensão, o objeto ou o evento ligado a ela — por isso a mesma palavra serve para nomear o acontecimento, o animal sacrificado e a festa.

A etimologia exata do verbo pasach ainda gera alguma discussão entre hebraístas. A leitura tradicional, apoiada no próprio relato de e 12:23 ("o Senhor passará por cima da porta"), entende pasach como "saltar por cima, poupar de um golpe". Alguns estudiosos já propuseram uma ligação com o acádio pasahu ("acalmar, apaziguar"), mas o HALOT trata essa conexão como incerta, e a maioria dos comentaristas — incluindo Keil & Delitzsch — prefere o sentido de "passar por cima" apoiado no contexto imediato do texto. Vale notar que o mesmo verbo pasach aparece em com um matiz diferente, "mancar, saltitar entre duas opiniões", o que mostra que a raiz cobre um campo semântico de movimento descontínuo — saltar, pular, hesitar — do qual "poupar ao passar por cima" é um uso especializado.

No uso bíblico concreto, pesach ocorre nas leis da festa em , , e , e nas narrativas históricas de celebrações marcantes, como a de Josias () e a de Ezequias (). A palavra reaparece na visão do templo futuro de e nos registros da comunidade pós-exílica em . No Novo Testamento, o grego não traduz a palavra, mas a transcreve como πάσχα (pascha), via aramaico פִּסְחָא — por isso o termo grego do NT é, na prática, a mesma palavra hebraica preservada por empréstimo linguístico, e não uma tradução conceitual.

Aprofundamento

O rito descrito em é o ponto de partida de todo o campo semântico de pesach. Cada família devia separar um cordeiro ou cabrito sem defeito, abatê-lo ao entardecer do dia 14 do primeiro mês e passar seu sangue nas ombreiras e na verga da porta. Naquela noite, o "destruidor" percorreria o Egito ferindo os primogênitos, mas, ao ver o sangue, "passaria por cima" (pasach) daquela casa — daí o nome dado tanto ao ato divino de poupar quanto à celebração que o comemora. A carne do animal era assada e comida às pressas, com ervas amargas e pão sem fermento, o que uniu de forma tão estreita a Festa de Pesach à Festa dos Pães Asmos (Chag HaMatzot, ) que os dois nomes passaram, com o tempo, a ser usados quase como sinônimos para o conjunto de sete dias.

A instituição não ficou restrita ao Egito: já prevê uma "segunda Páscoa" para quem estivesse impuro ou em viagem, e os relatos de , e e 35 mostram a festa sendo reencenada — e às vezes reintroduzida depois de negligência — como marco de renovação da aliança nacional. registra sua celebração pelos que voltaram do exílio, e a projeta no templo escatológico de sua visão, sinal de que o termo continuou carregando peso teológico muito além do episódio original.

No Novo Testamento, os evangelhos sinóticos situam a última ceia de Jesus como uma refeição pascal ( e paralelos), enquanto o evangelho de João parece cronometrar a crucificação para coincidir com o abate dos cordeiros pascais no templo (; 19:14), uma diferença de calendário amplamente discutida por comentaristas, mas que em ambos os casos liga a morte de Jesus ao símbolo do cordeiro de pesach. É nesse pano de fundo que Paulo escreve, em , "Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós" (to pascha hemon), aplicando ao Nazareno o próprio nome hebraico-aramaico da festa. O TDNT (Theological Dictionary of the New Testament) observa que o termo grego pascha, por ser um empréstimo e não uma tradução, preserva conscientemente esse elo com o rito do Êxodo. Vine's Expository Dictionary of Biblical Words segue a mesma linha, notando que o uso paulino pressupõe que os leitores já reconheciam pascha como o nome técnico do cordeiro sacrificial judaico. Vale notar ainda que a Mishná (tratado Pessachim) preserva regras detalhadas sobre a celebração judaica posterior da festa, incluindo o seder e as quatro perguntas rituais, desenvolvimento pós-bíblico que ilustra como um rito instituído em Êxodo continuou sendo elaborado ao longo dos séculos dentro da própria tradição judaica.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:A palavra portuguesa 'Páscoa' nasceu com o sentido cristão de 'ressurreição' e só depois passou a valer também para a festa judaica.

    É o contrário: 'Páscoa' vem, por via do grego pascha e do latim pascha, diretamente do hebraico pesach, o nome da festa judaica do Êxodo. O sentido de 'ressurreição' foi acrescentado depois, quando cristãos passaram a usar o mesmo nome da festa para a celebração da ressurreição de Cristo, sem trocar a palavra.

  • Dizem que:Pesach é apenas o nome de um dia de festa, sem relação direta com a ideia de 'poupar' ou 'passar por cima'.

    O próprio texto de e 12:23 explica o nome pelo verbo pasach: o Senhor 'passa por cima' das casas marcadas com sangue. Léxicos como BDB e HALOT confirmam essa raiz verbal como origem do substantivo, não uma simples designação de calendário.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica e Ortodoxa (leitura patrística clássica)

    A Eucaristia é lida como continuidade sacramental do cordeiro pascal: Cristo torna-se presente no rito que sucede e cumpre a refeição de pesach, unindo memória e presença real.

  • Quartodecimanos (uso da igreja antiga na Ásia Menor, hoje histórico)

    Insistiam em celebrar a Páscoa cristã no mesmo dia 14 de nisã do calendário judaico de pesach, ligando o cálculo litúrgico diretamente à data da festa hebraica, prática que a igreja majoritária depois substituiu pelo domingo.

  • Protestante e Reformada

    A Ceia do Senhor é memorial que olha retrospectivamente para o cumprimento único e definitivo do pesach em Cristo, sem repetir sacrifício; pascha é tomado como figura cumprida, não como calendário a manter.

  • Movimento de Raízes Hebraicas / mensiânica

    Defende que crentes em Jesus podem e devem continuar celebrando o Pesach anual nos moldes judaicos, agora relido à luz da morte de Cristo, mantendo data, rito e vocabulário hebraico originais.

O que fazer com isso

Conhecer a raiz de pesach — "passar por cima, poupar" — ajuda a ler com mais precisão: o texto descreve um livramento concedido, não conquistado, marcado por um sinal visível na porta. Essa mesma lógica de proteção mediada por um sacrifício é o que Paulo retoma ao chamar Cristo de "nossa páscoa" em , convidando o leitor a associar a memória histórica da festa judaica ao vocabulário que o Novo Testamento usa para descrever a obra de Cristo.

Passagens relacionadas6

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Francis Brown, S. R. Driver e Charles Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
  • Ludwig Koehler e Walter Baumgartner. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
  • Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsch. Commentary on the Old Testament: The Pentateuch (Exodus), 1866.
  • Gerhard Kittel (ed.). Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), artigo pascha, 1968.
  • W. E. Vine. Vine's Expository Dictionary of Biblical Words, 1940.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Pesach e Páscoa são a mesma palavra?

Sim. 'Páscoa' em português vem, por meio do grego pascha e do latim, diretamente do hebraico pesach. É a mesma palavra preservada por empréstimo, não uma tradução de sentido.

De onde vem a palavra pesach?

É um substantivo formado a partir do verbo hebraico pasach, que os léxicos padrão traduzem como 'passar por cima, saltar, poupar'. A ligação aparece explicitamente em e 12:23.

A palavra pesach aparece no Novo Testamento?

Aparece na forma grega transliterada pascha, via aramaico. Não é uma tradução conceitual, mas a mesma palavra hebraica carregada para o grego, usada por exemplo em .

Pesach é o nome da festa ou do cordeiro?

As duas coisas. Como o substantivo deriva da ação de 'passar por cima', ele nomeia o evento histórico, o cordeiro sacrificado para a ceia e a festa anual que celebra o livramento.

Por que se diz que a morte 'passou por cima' das casas no Egito?

Porque descreve exatamente isso: ao ver o sangue nas ombreiras, o Senhor 'passaria por cima' (pasach) daquela casa, poupando os primogênitos de dentro.

Palavras próximas

Temas

Publicado em 05/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • פֶּסַח (pesach (pesaḥ)) em hebraico, Strong H6453
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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