Paraíso
O que significa paraíso na Bíblia
A palavra no original
παράδεισος
paradeisos · Strong G3857
Parque murado ou jardim cercado — termo de origem persa antes de designar o Éden e o lugar de bem-aventurança na Bíblia grega.
Tudo isto ao mesmo tempo
- Parque real persa cercado por muros
- Jardim do Éden na Septuaginta
- Lugar celestial de bem-aventurança dos justos
- Presença imediata de Deus após a morte
Resposta curta
"Paraíso" traduz a palavra grega paradeisos (παράδεισος), um termo emprestado do persa antigo, onde designava um parque real cercado por muros, plantado com árvores e animais para o prazer dos reis. Historiadores gregos como Xenofonte usaram a palavra nesse sentido, muito antes de ela aparecer na Bíblia. Quando os tradutores da Septuaginta verteram o Antigo Testamento hebraico para o grego, escolheram paradeisos para traduzir "gan", o jardim do Éden — um lugar cercado, cultivado e habitado na presença de Deus.
No Novo Testamento, paradeisos aparece só três vezes: na promessa de Jesus ao criminoso arrependido na cruz (), na visão arrebatadora de Paulo ao "terceiro céu" () e na promessa da árvore da vida no paraíso de Deus (). A palavra passou, assim, de jardim real persa a símbolo da comunhão restaurada com Deus.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoA trajetória da palavra paradeisos atravessa toda a Escritura: a Septuaginta a usa para o jardim do Éden, o lugar de comunhão perdida entre Deus e a humanidade; Jesus a retoma na cruz para prometer ao criminoso arrependido comunhão restaurada e imediata com ele mesmo; e Apocalipse a usa para descrever a árvore da vida no paraíso de Deus, retomando explicitamente a imagem do Éden. Nesse arco, Cristo aparece como quem reabre o acesso ao jardim fechado depois da queda — não por mérito humano, mas pela própria promessa que ele profere no momento da sua morte.
Respaldo no Novo Testamento: ; ; 22:1-2
Em palavras simples
"Paraíso" vem de uma palavra grega, paradeisos, que os persas usavam para nomear um parque murado, cheio de árvores e animais, feito para o prazer dos reis. A Bíblia grega usou essa palavra para o jardim do Éden e, mais tarde, para o lugar de felicidade ao lado de Deus. Jesus usou o termo ao prometer ao criminoso que estava sendo crucificado ao seu lado que, naquele mesmo dia, os dois estariam juntos no paraíso. É uma palavra pequena, mas carregada de esperança.
De onde vem a palavra
A palavra grega paradeisos entrou no vocabulário bíblico por um caminho incomum: não nasceu em Israel, nem na Grécia, mas na Pérsia antiga. O termo remonta a uma palavra do iraniano antigo — reconstruída como algo próximo de "pairidaeza" — formada pelos elementos "ao redor" e "muro", designando um parque real fechado, plantado com árvores frutíferas, flores e animais de caça, mantido para o prazer e o prestígio dos reis persas. O historiador grego Xenofonte, que serviu como mercenário no império persa no século IV a.C., emprega paradeisos várias vezes em obras como a Anábase e a Ciropedia para descrever esses parques reais — um uso puramente secular e geográfico, sem nenhuma conotação religiosa.
O termo entrou na tradição bíblica através da Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento hebraico feita entre os séculos III e II a.C. em Alexandria. Os tradutores escolheram paradeisos para verter o hebraico gan ("jardim, horto") no relato da criação em e 3 — o jardim do Éden —, além de usá-lo em outras passagens que descrevem jardins reais ou cultivados, como em , e Cântico dos . Essa escolha lexical aproximou, na mente dos leitores de língua grega, a imagem do jardim primordial da humanidade à imagem familiar de um parque cercado e fértil.
Por volta do período do Novo Testamento, paradeisos já havia ganhado, no judaísmo de língua grega e na literatura apocalíptica intertestamentária (como partes de 1 Enoque), um sentido mais amplo: não apenas o jardim histórico do Éden, mas um lugar ou estado de bem-aventurança associado à presença de Deus, por vezes situado no céu ou reservado para os justos depois da morte. É esse pano de fundo — parque real persa, jardim do Éden na Septuaginta, lugar celestial de bênção no judaísmo tardio — que os autores do Novo Testamento tinham à disposição quando usaram a palavra apenas três vezes em todo o texto grego.
Aprofundamento
O grego koiné do Novo Testamento herdou paradeisos já carregado de sentido bíblico graças à Septuaginta, mas coube aos três autores que a empregaram — Lucas, Paulo e João — decidir como aplicá-la à revelação cristã.
Em , Jesus responde ao criminoso que pede para ser lembrado: "em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso." O grego não tinha pontuação original, e essa frase gerou um debate exegético duradouro: a vírgula vem antes ou depois de "hoje"? A imensa maioria dos manuscritos e da tradição interpretativa lê "hoje estarás comigo no paraíso" — uma promessa de comunhão imediata com Cristo após a morte. Uma minoria de leitores, ligada a correntes que sustentam o chamado "sono da alma" entre a morte e a ressurreição, prefere ler "hoje te digo: estarás comigo no paraíso", deslocando o cumprimento da promessa para o futuro.
Em , Paulo narra, na terceira pessoa, ter sido "arrebatado até o terceiro céu" e, no versículo seguinte, "arrebatado ao paraíso", ouvindo "palavras inefáveis". A justaposição sugere que Paulo trata "terceiro céu" e "paraíso" como descrições do mesmo lugar celestial, ou de esferas próximas dentro de uma cosmologia judaica de céus múltiplos — um detalhe que os léxicos (BDAG, Thayer) registram sem resolver definitivamente a relação exata entre os dois termos.
Em , a promessa aos vencedores de Éfeso é comer "da árvore da vida, que está no paraíso de Deus" — uma citação deliberada da linguagem de na Septuaginta, fechando o arco literário que vai do jardim perdido ao jardim restaurado.
Do ponto de vista filológico, o Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), no verbete de Joachim Jeremias, observa que paradeisos no judaísmo tardio e no Novo Testamento pode designar tanto um jardim celestial de bem-aventurança dos justos quanto, por extensão, a própria presença de Deus — sentido que Vine's Expository Dictionary resume como "a morada abençoada dos justos falecidos". O léxico BDAG cataloga o mesmo espectro: de "parque, jardim de recreio" no grego secular a "paraíso, lugar de bem-aventurança final" no uso bíblico e apocalíptico.
Vale notar que a palavra nunca aparece no Antigo Testamento hebraico propriamente dito — o hebraico usa gan ("jardim") ou pardes (um empréstimo tardio do mesmo termo persa, usado em , e Cântico dos , referindo-se a pomares ou parques, não ao Éden). Ou seja, paradeisos e pardes são primos linguísticos — duas línguas bíblicas emprestando, de forma independente, a mesma palavra persa, cada uma aplicando-a a um uso ligeiramente distinto.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:A palavra 'paraíso' é de origem grega, cunhada pelos próprios autores bíblicos.
Paradeisos é um empréstimo do persa antigo, já usado séculos antes da Bíblia por historiadores gregos seculares como Xenofonte para descrever parques reais persas; os autores bíblicos herdaram uma palavra já existente, não a criaram.
Dizem que:Paraíso é só outro nome para o Éden, um lugar exclusivamente do passado.
Embora a Septuaginta use paradeisos para o Éden, no Novo Testamento a palavra passa a designar também um lugar ou estado celestial de bem-aventurança futura, como na promessa de Jesus ao ladrão e na visão de Paulo do 'terceiro céu'.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Protestantismo evangélico
Lê 'hoje estarás comigo no paraíso' como promessa de que, imediatamente após a morte, a alma do crente entra na presença consciente de Cristo, entendendo 'paraíso' como um estado intermediário de bênção antes da ressurreição final.
Catolicismo Romano
Também afirma a comunhão imediata da alma do justo com Cristo após a morte, mas distingue esse estado intermediário ('paraíso') da plenitude da visão beatífica, que só se completa depois do juízo final e da ressurreição do corpo.
Ortodoxia Oriental
Entende o paraíso como o repouso bem-aventurado das almas dos justos que aguardam a ressurreição geral, um estado real de comunhão com Deus, mas ainda não a plenitude última do Reino.
Tradição condicionalista (parte do adventismo)
Sustentando que a alma permanece inconsciente entre a morte e a ressurreição, alguns preferem pontuar a frase grega como 'hoje te digo: estarás comigo no paraíso', deslocando o cumprimento da promessa para o dia da ressurreição, não para o momento da morte.
O que fazer com isso
Saber que paraíso traduz uma palavra emprestada de parques reais persas ajuda a ler com mais cuidado as três vezes em que ela aparece no Novo Testamento. A promessa de Jesus ao criminoso na cruz, a experiência de Paulo e a visão de João em Apocalipse formam um mesmo fio: o jardim perdido em Gênesis reaparece como lugar de comunhão restaurada. Entender essa trajetória evita reduzir "paraíso" a um clichê genérico e recupera o peso histórico e literário da palavra no texto bíblico.
Passagens relacionadas6
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas5 obras
- Walter Bauer, Frederick W. Danker, William Arndt, F. Wilbur Gingrich. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
- W. E. Vine. Vine's Expository Dictionary of New Testament Words, 1940.
- Joachim Jeremias. Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), verbete paradeisos, vol. 5, 1967.
- Joseph Henry Thayer. Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament, 1889.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Paraíso é a mesma coisa que céu na Bíblia?
Não exatamente. Paraíso (paradeisos) descreve mais um estado ou lugar de bem-aventurança na presença de Deus do que o céu como morada eterna final. Em , Paulo até aproxima os dois termos, mas os léxicos não os tratam como sinônimos perfeitos.
De onde vem a palavra paraíso?
Vem do grego paradeisos, que por sua vez é um empréstimo de uma língua do Irã antigo, usada para nomear os parques reais murados dos persas. A palavra só ganhou sentido religioso quando a Septuaginta a escolheu para traduzir o jardim do Éden.
O que Jesus quis dizer ao ladrão na cruz sobre o paraíso?
Em , Jesus promete ao criminoso arrependido que, naquele mesmo dia, ele estaria com Jesus no paraíso — a leitura mais aceita entende isso como comunhão imediata após a morte, embora exista uma leitura minoritária que desloca esse cumprimento para a ressurreição.
Paraíso e Jardim do Éden são a mesma palavra na Bíblia?
No grego, sim: a Septuaginta usa paradeisos tanto para o jardim do Éden quanto, depois, para o lugar celestial de bênção. No hebraico original de Gênesis, porém, a palavra usada é gan, não paradeisos.
Palavras próximas
Temas
- #paraiso
- #paradeisos
- #jardim-do-eden
- #grego-biblico
- #novo-testamento
- #vida-apos-a-morte