Metamorphoo (Transformar, Transfigurar)
O que significa Metamorphoo na Bíblia?
A palavra no original
μεταμορφόω
metamorphoō · Strong G3339
Mudar de forma, ser transformado na aparência e no ser, a partir de meta (mudança) e morphe (forma).
Tudo isto ao mesmo tempo
- mudança de forma
- transfiguração de Jesus
- renovação da mente
- transformação à imagem do Senhor
- glória que se revela
Resposta curta
Metamorphoo (μεταμορφόω) é o verbo grego de que vem a palavra "metamorfose". Combina meta, que indica mudança, e morphe, "forma", e significa ser transformado de forma. Aparece apenas quatro vezes no Novo Testamento: nos relatos da transfiguração de Jesus ( e ), em ("transformai-vos pela renovação da mente") e em ("somos transformados de glória em glória").
O mesmo verbo liga, portanto, o monte da transfiguração à vida cotidiana do crente. Nos evangelhos, o que se transforma é a aparência de Jesus, que deixa ver a sua glória; nas cartas, a transformação é descrita como processo em andamento nos que seguem a Cristo, e é realizada pelo Senhor, o Espírito, mais do que por esforço humano isolado.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoO verbo percorre uma linha que vai do rosto de Moisés, que brilhou ao receber a lei (), à transfiguração de Cristo, em que Moisés aparece ao lado dele no monte (), e daí à transformação dos crentes à imagem do Senhor (). Nessa trajetória, a glória de Moisés, que desbotava (), dá lugar à glória de Cristo, que permanece e passa a ser comunicada aos que o seguem. O texto não afirma isso como tipologia do verbo, mas o próprio Paulo constrói o contraste entre as duas glórias no mesmo capítulo em que usa o verbo.
Respaldo no Novo Testamento: ;
Em palavras simples
Metamorphoo é o verbo grego que deu origem à palavra metamorfose e significa mudar de forma. Aparece só quatro vezes no Novo Testamento. Nos evangelhos, descreve a transfiguração de Jesus no monte, quando sua glória foi vista pelos discípulos. Nas cartas de Paulo, descreve a transformação dos cristãos: pela renovação da mente () e de glória em glória (). Assim, o mesmo verbo une o monte da transfiguração à vida cotidiana do crente.
De onde vem a palavra
O verbo μεταμορφόω deriva de μορφή (morphe), a forma visível e característica de algo. Seu prefixo meta indica passagem de um estado a outro. Na literatura grega, verbos e substantivos desse grupo eram usados para mudanças de forma, inclusive em relatos mitológicos, como as Metamorfoses do poeta romano Ovídio. No Novo Testamento, porém, o contexto é de revelação de glória e de renovação da pessoa, e não de mito.
Os dois primeiros usos estão na narrativa da transfiguração. Em e , Jesus leva Pedro, Tiago e João a um monte alto e "foi transfigurado diante deles": o rosto resplandece como o sol (Mateus), as vestes ficam brilhantes, Moisés e Elias aparecem conversando com ele e uma voz da nuvem declara: "Este é o meu Filho amado... ouvi-o". conta o mesmo episódio sem usar o verbo, dizendo que o aspecto do rosto de Jesus "se tornou outro". Em , Pedro se refere a essa cena como testemunho ocular da majestade de Cristo.
O terceiro uso está em . Depois de onze capítulos de exposição, Paulo exorta a oferecer o corpo como sacrifício vivo e a não se conformar a este século (syschematizesthe), mas a ser transformados (metamorphousthe) pela renovação da mente (nous). Há um jogo de palavras entre schema, a aparência exterior que muda, e morphe, a forma que resulta de uma mudança mais profunda. O verbo está no imperativo presente e na forma que pode ser média ou passiva, o que sugere uma transformação contínua.
O quarto uso está em , ao fim de uma comparação entre a glória de Moisés, cujo rosto brilhou ao descer do Sinai (), e a glória do Senhor. Paulo escreve que todos, com o rosto descoberto, contemplando ou refletindo como num espelho a glória do Senhor, "somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Senhor, o Espírito". O verbo aparece no presente passivo, indicando que a ação vem de fora.
Aprofundamento
O primeiro ponto é a diferença entre os dois verbos de mudança que Paulo usa em . Syschematizo se refere ao schema, o aspecto exterior e passageiro, e é o que Paulo pede que o crente não adote em relação ao mundo; metamorphoo se refere à morphe, a forma que expressa o que a coisa é. Alguns comentaristas, como Douglas Moo, advertem para não exagerar essa distinção, porque os dois termos eram usados com certa liberdade, mas o contraste do contexto sugere que se trata de uma mudança interior, e não só de imagem.
O segundo ponto é a rede de palavras ligadas à forma (morphe) no vocabulário de Paulo. diz que Cristo estava na morphe de Deus e tomou a morphe de servo, e fala de Cristo sendo formado (morphothe) nos crentes. diz que Deus os predestinou para serem conformes (symmorphous) à imagem do Filho. O vocabulário de morphe, portanto, forma uma rede: a transformação do cristão é tomar a forma de Cristo. Em , o corpo do crente será transformado (metaschematisei) à semelhança do corpo glorioso de Cristo, com outro verbo, que alguns leem como o ápice do mesmo processo.
O terceiro ponto é a leitura de , em que o verbo katoptrizomenoi pode significar "contemplar como num espelho" ou "refletir como um espelho". Os léxicos admitem as duas possibilidades, e a interpretação muda levemente: na primeira, o crente é transformado pela visão da glória; na segunda, ele a reflete e é transformado na mesma imagem. A passiva do verbo indica que o agente da transformação é o Senhor, o Espírito, e não o próprio crente.
Quanto à transfiguração, as tradições discordam sobre o que ela revela. A tradição ortodoxa oriental vê nela a manifestação da luz incriada de Deus e a base da doutrina da deificação (theosis), com Gregório Palamas, no século XIV, como grande expositor. A tradição católica a lê como antecipação da glória da ressurreição (Catecismo, 554-556). Muitos protestantes enfatizam o caráter confirmatório da cena para os discípulos e a continuidade entre a glória de Cristo e a santificação progressiva dos crentes em . Nenhum desses relatos cancela os outros, mas cada um pesa o texto de modo diferente. Em comum, essas leituras tratam o episódio como manifestação visível, diante de testemunhas, de uma glória que o Filho já possuía, e não como uma troca de natureza.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:A transfiguração mudou a natureza de Jesus, que passou a ser outra coisa.
O verbo descreve a manifestação visível da glória que ele já tinha, não uma troca de natureza. Mateus e Marcos falam de rosto resplandecente e vestes brilhantes, e Lucas diz apenas que o aspecto do rosto se tornou outro. A tradição cristã geral entende a cena como revelação, não como mudança de essência.
Dizem que:Romanos 12:2 manda o crente se transformar por esforço próprio.
O verbo está em forma que pode ser média ou passiva, e o contexto () começa com a misericórdia de Deus. Em , a passiva é explícita e o agente é o Senhor, o Espírito. O texto convoca o crente a participar de uma mudança que Deus realiza.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Ortodoxa oriental
Vê na transfiguração a manifestação da luz incriada de Deus, e em o caminho da deificação (theosis), a participação do crente na vida divina por meio do Espírito, na linha de Gregório Palamas.
Católica
Interpreta a transfiguração como antecipação da glória da ressurreição e confirmação de Jesus como Filho (Catecismo, 554-556), e lê a transformação de como renovação moral e espiritual por meio da graça.
Reformada e evangélica
Enfatiza a santificação progressiva em e , com a transformação obtida pelo Espírito, por meio da Palavra e da renovação da mente, e vê a transfiguração como confirmação da identidade de Cristo diante dos discípulos.
O que fazer com isso
O verbo oferece uma chave de leitura: a mudança de que fala o Novo Testamento é profunda, gradual e atribuída a Deus. Quem lê pode notar que a transformação envolve a mente (nous), e não só o comportamento. Quem lê pode notar que a glória de Cristo é o ponto de partida e o modelo. Entre os dois textos, o verbo convida a ver a vida cotidiana a partir da cena do monte.
Passagens relacionadas7
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas4 obras
- Danker, F. W. (ed.). A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 3ª ed., 2000.
- Moo, D. J.. The Epistle to the Romans (NICNT), 1996.
- Harris, M. J.. The Second Epistle to the Corinthians (NIGTC), 2005.
- Catecismo da Igreja Católica. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 554-556, 1992.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Metamorphoo aparece em Lucas?
O verbo não aparece em Lucas. O terceiro evangelho conta a transfiguração (9:28-36), mas descreve que o aspecto do rosto de Jesus se tornou outro, sem usar metamorphoo.
Qual é a diferença entre metamorphoo e syschematizo em Romanos 12:2?
Syschematizo se refere ao aspecto exterior que o crente não deve copiar do mundo. Metamorphoo se refere à mudança de forma por meio da renovação da mente. Alguns comentaristas pedem cautela para não exagerar a distinção.
Quem realiza a transformação em 2 Coríntios 3:18?
O texto atribui a mudança ao Senhor, o Espírito. O verbo está na forma passiva, e Paulo mostra que a transformação decorre da contemplação da glória do Senhor.
A palavra metamorfose, do português, vem dela?
Sim. Metamorfose vem do substantivo grego metamorphosis, da mesma família do verbo. No português, o termo é muito usado para mudanças biológicas, mas o sentido bíblico é de transformação de forma e glória.
Palavras próximas
Temas
- No grego
- #metamorphoo
- #transformacao
- #transfiguracao
- #romanos-12
- #2-corintios-3
- #renovacao-da-mente
- #glorificacao