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Significado Bíblico
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Quadrante (Kodrantes)

O que significa Quadrante na Bíblia?

A palavra no original

κοδράντης

kodrantes · Strong G2835

Moeda romana de bronze correspondente à quarta parte do asse, do latim quadrans.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • moeda romana de bronze de valor mínimo
  • quarta parte do asse
  • dívida paga por inteiro
  • medida do menor valor
  • latinismo no grego do Novo Testamento

Resposta curta

Quadrante, no português de hoje, é a quarta parte de um círculo ou o mostrador de um relógio de sol. Nas Bíblias de tradução antiga, porém, a palavra nomeia uma moedinha romana de bronze, o quarto de um asse, que o grego do Novo Testamento escreve κοδράντης (kodrantes), empréstimo do latim quadrans. É a menor peça do dinheiro romano citada nos evangelhos. Aparece em , quando Jesus diz que o devedor lançado na prisão não sairá de lá até pagar o último quadrante, e em , onde o evangelista explica que as duas moedinhas da viúva valiam um quadrante. A imagem é a de uma conta liquidada até a última fração, sem desconto e sem arredondamento.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

A passagem de não fala de Cristo como cumprimento de uma imagem da moeda, e o texto não autoriza forçar uma tipologia no quadrante. O que se pode dizer, com cautela, é que o contexto é o Sermão do Monte, em que Jesus ensina com autoridade própria sobre reconciliação e juízo. Em , o mesmo Jesus observa a oferta e dá valor à entrega da viúva, não ao montante. O vínculo com a pessoa de Cristo é, portanto, indireto: é ele quem fala e quem avalia.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Quadrante era a menor moedinha de bronze dos romanos, um quarto de outra moeda chamada asse. Era tão pequena que valia uma fração mínima de um dia de trabalho. Nas Bíblias antigas, ela aparece em , quando Jesus diz que quem estiver preso por dívida não sai até pagar o último quadrante, ou seja, até a última moedinha. Aparece também em , como o valor das duas moedas pequenas da viúva pobre. A palavra serve para mostrar que nada fica de fora, nem o valor menor.

De onde vem a palavra

O mundo dos evangelhos usava vários sistemas de moeda ao mesmo tempo. Na Judeia circulavam moedas de bronze cunhadas localmente, moedas gregas e a prata romana, e as transações cotidianas misturavam tudo isso. O quadrante pertencia à série romana de bronze: o latim quadrans designava a quarta parte do asse, e o asse, por sua vez, era a dezesseis avos do denário de prata. Pela equivalência usual, portanto, um denário valia sessenta e quatro quadrantes. Como o denário aparece em como a diária de um trabalhador braçal, o quadrante era uma fração ínfima de um dia de trabalho, algo que ninguém contava como riqueza.

É nesse pano de fundo que Jesus fala em , dentro do Sermão do Monte. O trecho trata de reconciliação: quem tem um adversário que o leva ao tribunal deve se acertar com ele no caminho, antes que o juiz o entregue ao guarda e seja lançado na prisão. O versículo 26 fecha a cena dizendo que dali não sairá enquanto não pagar o último quadrante. O leitor moderno, sem saber o que era a moeda, lê apenas uma expressão de rigor. O leitor do primeiro século ouvia algo mais preciso: a dívida seria cobrada até a menor peça que o sistema conhecia.

O segundo uso do termo está em . Ali o evangelista, escrevendo para leitores de mundo romano, faz algo notável: traduz o valor das duas moedinhas da viúva (em grego, dois lepta) para uma unidade que o público de Roma reconhecia, dizendo que valiam um quadrante. Marcos é o único evangelista a incluir essa conversão, o que se costuma ligar ao seu destinatário gentio, embora o próprio texto não diga isso. Os dois usos, o da dívida e o da oferta, têm em comum a atenção ao menor valor possível, tratado como algo que importa.

Aprofundamento

A forma κοδράντης (Strong G2835) não é grega na origem. Trata-se de transliteração do latim quadrans, de quadrare, ligado à ideia de quarto, de quatro partes. O dado é registrado nos léxicos padrão, como o de Bauer, Danker, Arndt e Gingrich (BDAG), que a classificam entre os latinismos do Novo Testamento, ao lado de palavras como denário e pretório. A presença desses empréstimos mostra o quanto a administração e o comércio romanos tinham entrado na língua falada no Mediterrâneo oriental.

O Novo Testamento usa a palavra duas vezes, e o contraste entre os dois empregos é instrutivo. Em , o quadrante é a medida do que falta pagar: o devedor está preso porque ainda deve algo, e a liberdade depende de zerar a conta. Em , é a medida do que a viúva ofertou: tudo o que tinha, segundo o versículo 44. No primeiro caso a pequenez da moeda reforça o rigor da cobrança; no segundo, reforça o peso da entrega. Em ambos, o valor é pequeno aos olhos do mundo e grande aos olhos de quem narra.

Cabe notar que Lucas, ao registrar um dito paralelo em 12:58-59, usa outra palavra, lepton, e não kodrantes. O paralelismo entre as passagens é claro, mas a escolha lexical difere, e isso é um bom exemplo de como os evangelistas adaptam o vocabulário monetário ao público: Mateus mantém o termo romano, Lucas recorre à moeda mais comum no mundo grego e judaico. Quem compara as duas versões sem atentar para o detalhe pode concluir que há dois valores diferentes, quando em ambos o ponto é o mesmo.

Vale também ser honesto sobre o limite da leitura. O texto de não explica quem é o adversário, qual é a dívida ou o que a prisão representa. Há comentaristas que leem a passagem em sentido literal, como conselho jurídico prático; outros a leem como alerta sobre o juízo diante de Deus. A palavra quadrante, em si, não decide entre as duas leituras. O que ela fornece é a escala da cobrança: nada se perdoa por ser pequeno demais para ser cobrado, e tampouco se pode barganhar uma parte da dívida quando o credor exige o todo. Quanto à equivalência com o denário, os números variam um pouco entre fontes numismáticas conforme a época e o material, de modo que convém tratá-los apenas como ordem de grandeza, sem pretensão de precisão contábil que o texto bíblico nunca pede.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:O 'último quadrante' de Mateus 5:26 prova que existe um purgatório onde a dívida é paga aos poucos.

    O texto fala de um devedor, de um juiz e de uma prisão numa cena de tribunal, e não descreve nenhum estado após a morte. Alguns autores antigos e medievais fizeram essa leitura, mas ela é uma interpretação posterior, não algo que o versículo afirme nem que a palavra kodrantes indique.

  • Dizem que:Quadrante é uma palavra hebraica para uma moeda de Israel.

    É um empréstimo do latim quadrans, ou seja, nome de moeda romana. Os evangelistas usam a transliteração em grego, κοδράντης, porque o termo já circulava na região.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura jurídico-prática (muitos comentaristas protestantes e católicos)

    Entende como conselho concreto: resolver o litígio fora do tribunal para evitar prisão por dívida, com o quadrante marcando o rigor da cobrança do credor.

  • Leitura escatológica (parte da tradição patrística e reformada)

    Vê no adversário, no juiz e na prisão uma figura do juízo de Deus, e no último quadrante a plenitude do que é devido, com ênfase na urgência de reconciliar-se enquanto há tempo.

  • Leitura católica tradicional

    Parte da tradição católica viu na passagem apoio à ideia de purificação após a morte, enquanto outros exegetas católicos modernos preferem a leitura em torno de reconciliação e juízo.

O que fazer com isso

O quadrante lembra que as pequenas contas também contam. Em , Jesus liga a reconciliação a um prazo curto: acertar-se com o adversário enquanto ainda se está a caminho, antes que a dívida cresça e escape ao controle de quem a deve. A moeda minúscula convida a rever pendências adiadas, mágoas e dívidas pequenas demais para parecerem urgentes, sem fazer da passagem um cálculo de culpa.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas4 obras
  • Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
  • Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Vine, W.E.; Unger, M.; White, W.. Vine's Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words, 1985.
  • Davies, W.D.; Allison, D.C.. A Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According to Saint Matthew, 1988.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quanto valia um quadrante?

Era a quarta parte de um asse romano. Pela equivalência usual, sessenta e quatro quadrantes faziam um denário, que era o pagamento de um dia de trabalho. Os valores exatos variam conforme a época, então o número serve como ordem de grandeza.

Quadrante e ceitil são a mesma coisa na Bíblia?

Não. Quadrante traduz kodrantes, moeda romana. Ceitil costuma traduzir lepton, a moedinha de bronze local, de valor ainda menor, e dois lepta faziam um quadrante segundo .

Onde aparece a palavra quadrante na Bíblia?

O grego kodrantes ocorre duas vezes no Novo Testamento: em e em . A tradução em português varia conforme a versão, e algumas usam ceitil, tostão ou simplesmente moeda.

Palavras próximas

Temas

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • κοδράντης (kodrantes) em grego, Strong G2835
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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Esta palavra nas passagens explicadas

Costumes da épocaMateus 5:25-26

'Concilia-te com o teu adversário': Jesus estava falando de um tribunal real?

No meio do ensino sobre ira e reconciliação, Jesus dá um conselho com sabor jurídico bem concreto: 'concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão'. A imagem não é metáfora vaga; ela reflete um sistema judicial romano concreto e conhecido pela audiência de Jesus, em que um devedor poderia ser literalmente preso, e permanecer preso indefinidamente, ou até ser vendido como escravo, caso a família não conseguisse levantar o valor devido. Entender essa engrenagem legal real muda o peso prático do conselho de Jesus: ele não está apenas recomendando boa educação social, mas alertando sobre uma consequência concreta e severa que aguardava quem deixasse um conflito, especialmente uma dívida, se arrastar sem solução.

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