Katargeo (Anular, Tornar Inoperante)
O que significa Katargeo na Bíblia?
A palavra no original
καταργέω
katargeo (katargeō) · Strong G2673
Tornar inativo ou sem efeito; privar de força e função, e daí fazer cessar.
Tudo isto ao mesmo tempo
- tornar inoperante ou sem efeito
- desobrigar de um vínculo
- fazer cessar ou passar
- neutralizar um poder hostil
- esvaziar de eficácia
Resposta curta
Katargeo (καταργέω) é um verbo grego que significa tornar sem efeito, desativar, privar de força. Vem de argos ('inativo', 'sem obra') com o prefixo kata. O verbo ocorre cerca de vinte e sete vezes no Novo Testamento, quase todas nas cartas de Paulo, e as traduções o vertem de modos muito variados: anular, abolir, destruir, aniquilar, desfazer, acabar. Paulo o usa em ('anulamos a lei pela fé?'), em (o corpo do pecado), em (o que 'passará') e em (a morte, o último inimigo). Também aparece em e .
A escolha entre 'abolir', 'destruir' e 'tornar inoperante' não é detalhe: ela muda o que o leitor entende sobre a lei, o pecado e a morte.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoO Novo Testamento aplica katargeo diretamente à obra de Cristo sobre a morte e o seu poder. Em , Cristo 'aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho'. Em , pela sua morte ele 'reduz à impotência' aquele que tinha o poder da morte, o diabo. E em , a sequência vai de Cristo entregando o reino ao Pai, depois de tornar inoperante todo domínio, até a morte, o último inimigo. É uma trajetória: o verbo acompanha o avanço da obra de Cristo, já realizada na cruz e na ressurreição, e ainda a ser consumada no fim.
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
Katargeo é um verbo grego que quer dizer tornar algo sem efeito, desligar, tirar a força. Vem de uma palavra que significa 'inativo'. Paulo o usa com frequência e as Bíblias o traduzem de formas diferentes, como anular, abolir, destruir ou aniquilar. Isso importa em versículos como , onde a fé não anula a lei, e , sobre o corpo do pecado. Também aparece quando a Bíblia fala da morte como o último inimigo (). O sentido geral é perder o poder, mais do que deixar de existir.
De onde vem a palavra
Katargeo é um verbo de Paulo. Das cerca de vinte e sete ocorrências no Novo Testamento, só duas ficam fora das cartas paulinas: e . Isso já indica que o termo pertence ao vocabulário teológico do apóstolo, e que é preciso lê-lo em cada contexto, sem presumir um único sentido fixo.
O uso mais antigo e mais simples está em . Na parábola da figueira estéril, o dono da vinha manda cortá-la: 'por que ocupa ainda a terra inutilmente?' (katargei). A árvore não é aniquilada pelo verbo; ela é descrita como improdutiva, ocupando um espaço sem cumprir sua função. Esse é o sentido de base, deixar sem função ou sem efeito.
Em Paulo, o verbo se aplica a realidades muito diferentes. Em , a incredulidade de alguns 'anulará a fidelidade de Deus?'. Em e 7:6, a esposa e os crentes são 'desobrigados' da lei, isto é, o vínculo deixa de ter poder sobre eles. Em e 13, fala-se da glória do rosto de Moisés que 'se desvanecia'. Em , os que buscam justificação na lei ficam 'desligados' de Cristo. Em , Cristo 'aboliu' a lei dos mandamentos em ordenanças. Em , o homem da iniquidade será 'destruído' pela manifestação da vinda do Senhor.
Há ainda os usos que tratam de grandes questões. Em Paulo pergunta se, pela fé, 'anulamos a lei', e responde que não, antes a 'estabelecemos'. Em , o 'corpo do pecado' é tornado inoperante para que não se sirva mais ao pecado como escravo. Em , profecias, línguas e conhecimento 'passarão' quando vier o que é perfeito. Em , Cristo 'destrói' todo domínio e a morte é o último inimigo a ser vencido. Em , Cristo 'aboliu a morte', e em ele, pela morte, 'reduz à impotência' quem tinha o poder da morte, o diabo.
Aprofundamento
O verbo katargeō (Strong G2673) é formado por kata (aqui, um prefixo de reforço) e argeō, 'estar ocioso', que por sua vez vem de argos, normalmente explicado como a-ergos, 'sem trabalho, sem obra'. O sentido de base é, portanto, 'deixar sem obra', 'privar de eficácia'. Essa etimologia é a explicação padrão nos léxicos, ainda que seja uma reconstrução e não uma citação de fonte antiga. O léxico BDAG registra dois eixos: tornar inútil ou ineficaz, e pôr fim ou fazer cessar, e observa que o segundo sentido vem do primeiro, não o contrário.
A principal dificuldade para o tradutor é que o português não tem um equivalente único. 'Abolir' sugere eliminação jurídica; 'destruir' sugere desintegração; 'aniquilar' sugere deixar de existir. Mas mostra que o verbo não implica extinção: a mulher é 'desobrigada' (katērgētai) da lei do marido, e ela continua existindo, apenas liberta do vínculo. Do mesmo modo, em a fidelidade de Deus não pode ser 'destruída' pela incredulidade; o que se afirma é que ela não será 'tornada ineficaz'. Por isso comentaristas como Douglas Moo, em Romanos, preferem verter 'tornar inoperante' ou 'privar de poder' nas passagens em que a ideia é de poder neutralizado.
Cada passagem de peso exige leitura própria. Em , a pergunta usa a negativa enfática me genoito ('de modo nenhum'): a fé não deixa a lei sem efeito, e a palavra 'estabelecemos' (histanomen) indica que o evangelho a confirma. Em , o 'corpo do pecado' (sōma tēs hamartias) é tornado inoperante, e a sequência mostra o propósito: 'para que não sirvamos mais ao pecado'. O texto não diz que o pecado deixa de existir, e sim que perde seu domínio. Em , o mesmo verbo é aplicado a profecias e conhecimento, e o debate está em saber o que é 'o perfeito' (to teleion). Em , a morte é katargeitai, 'neutralizada', como último inimigo. Em , o diabo é 'reduzido à impotência' pela morte de Cristo, algo que o texto liga à libertação dos que viviam em escravidão pelo medo da morte (2:15).
O quadro que emerge é coerente: katargeo descreve a perda de poder e de função de algo que antes operava, e a tradução 'destruir' deve ser entendida nesse sentido de neutralização, não de supressão total, algo que só o contexto de cada passagem pode confirmar. Quem lê uma única tradução corre o risco de tirar de 'abolido' ou 'destruído' mais do que o grego afirma.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Katargeo significa sempre 'destruir' ou 'aniquilar', ou seja, fazer algo deixar de existir.
O sentido de base é tornar inoperante ou sem efeito. Em a mulher é 'desobrigada' da lei do marido sem deixar de existir, e em a árvore 'ocupa inutilmente' a terra, ou seja, está sem função. A tradução 'destruir' só se justifica quando o contexto indica o fim do que foi neutralizado.
Dizem que:Romanos 3:31 ensina que a fé anulou a lei de Moisés.
O versículo faz a pergunta 'anulamos a lei pela fé?' e responde com a negativa enfática me genoito ('de modo nenhum'), seguida de 'antes estabelecemos a lei'. O verbo katargeo está na pergunta, e a resposta o nega. O que Paulo quer dizer com 'estabelecer' a lei é discutido, mas o texto não afirma que ela foi anulada por esse versículo.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Reformada
Lê como a quebra do poder dominante do pecado sobre o crente, sem eliminar a presença do pecado na vida cristã. Em , vê a lei confirmada como norma moral, agora cumprida pela fé que opera pelo Espírito.
Wesleyana e de santidade
Dá ênfase maior ao propósito de , 'para que não sirvamos mais ao pecado', e entende que ele aponta para uma libertação prática do domínio do pecado já nesta vida, a ser buscada na santificação.
Cessacionista (parte do protestantismo reformado e dispensacionalista)
Em , entende 'o perfeito' como a conclusão da revelação, de modo que profecias e línguas 'cessariam' com o fechamento do cânon do Novo Testamento.
Continuísta (carismática e pentecostal, e parte dos reformados)
Em , entende 'o perfeito' como a volta de Cristo, quando se vê 'face a face' (13:12), e por isso os dons permanecem até lá.
O que fazer com isso
Quando um versículo diz que algo foi 'anulado' ou 'destruído', vale perguntar o que exatamente deixou de funcionar. Katargeo não promete que o pecado ou a morte desapareçam da experiência, e sim que perderam a posição de senhores. Esse cuidado evita duas leituras extremas: a que desistiu de lutar contra o pecado porque ele 'já foi destruído', e a que nega qualquer vitória real em Cristo.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas6 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Moo, D.J.. The Epistle to the Romans (NICNT), 1996.
- Fee, G.D.. The First Epistle to the Corinthians (NICNT), 1987.
- Thiselton, A.C.. The First Epistle to the Corinthians (NIGTC), 2000.
- Bruce, F.F.. The Epistle to the Hebrews (NICNT), 1964.
- Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Katargeo significa abolir?
Pode ser traduzido assim em alguns contextos, como e , mas o sentido de base é tornar inoperante ou sem efeito. 'Abolir' sugere eliminação, e o grego diz primeiro que algo perde sua força e função.
Em Romanos 3:31 Paulo diz que a fé anula a lei?
Não. Paulo faz a pergunta 'anulamos a lei pela fé?' e responde 'de modo nenhum, antes estabelecemos a lei'. O verbo katargeo aparece na pergunta, e a resposta é negativa.
O que Paulo quer dizer com 'o corpo do pecado seja destruído' em Romanos 6:6?
O verbo é katargeo, e o texto liga o resultado ao propósito 'para que não sirvamos mais ao pecado'. Por isso muitas versões e comentaristas preferem 'seja tornado inoperante' ou 'privado de poder'. Se isso significa extinção do pecado ou perda do seu domínio é debatido entre as tradições.
Katargeo é usado para a morte?
Sim. Em a morte é o último inimigo a ser 'destruído' (katargeitai), e em Cristo 'aboliu' a morte. aplica o verbo ao diabo, que tinha o poder da morte.