Eucharisteo
O que significa eucharisteo na Bíblia?
A palavra no original
εὐχαριστέω
eucharisteō · Strong G2168
Dar graças, agradecer, ser grato.
Tudo isto ao mesmo tempo
- Agradecer verbalmente por um benefício recebido
- Dar graças a Deus antes de uma refeição, seguindo o costume judaico da bênção de mesa
- Fórmula de abertura em cartas, expressando gratidão pelos destinatários
- Atitude constante de gratidão diante de qualquer circunstância
Resposta curta
εὐχαριστέω (eucharisteō) é o verbo grego que significa "dar graças" ou "agradecer". Vem da raiz χάρις (charis, "graça", "favor"), a mesma que originou o substantivo εὐχαριστία (eucharistia), de onde a igreja tirou o nome "Eucaristia" para a Ceia do Senhor — porque nos relatos da última ceia Jesus "tomou o pão e, tendo dado graças, o partiu" (; ).
No Novo Testamento o verbo aparece dezenas de vezes, quase sempre dirigido a Deus: Jesus agradece antes de multiplicar os pães (), Paulo abre cartas agradecendo por igrejas inteiras () e manda os tessalonicenses darem graças "em tudo" (). O termo também aparece, de forma irônica, na boca do fariseu que agradece por sua própria virtude ().
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoO ato de "dar graças" atravessa toda a trajetória bíblica da resposta humana à graça de Deus — do costume judaico de abençoar o pão e o vinho até se tornar, na boca de Jesus, o gesto que inaugura a nova aliança. Ao "dar graças" (eucharisteō) sobre o pão e o cálice na última ceia (; ), Cristo toma o vocabulário comum de gratidão e o transforma no centro do memorial que a igreja repete até hoje — de modo que a própria palavra usada para "agradecer" no dia a dia grego se torna, no Novo Testamento, o nome do rito que celebra sua morte e ressurreição. A ordem posterior de Paulo para que os crentes deem graças "em tudo" () estende esse mesmo gesto de Cristo à vida cotidiana de todo aquele que está unido a ele.
Respaldo no Novo Testamento: ;
Em palavras simples
Eucharisteo é a palavra grega para "agradecer" ou "dar graças". É dela que vem o nome "Eucaristia", usado para a Ceia do Senhor, porque Jesus deu graças antes de partir o pão na última ceia. No Novo Testamento essa palavra aparece toda hora: Jesus agradece antes de multiplicar pães, Paulo agradece a Deus no começo de quase todas as suas cartas, e ele manda os cristãos darem graças em qualquer situação, não só nas boas. Também aparece uma vez de um jeito negativo, na oração de um homem orgulhoso da própria religiosidade.
De onde vem a palavra
No grego do primeiro século, eucharisteō já era uma palavra comum, usada em cartas e papiros do período helenístico simplesmente como "agradecer" — inclusive em contextos totalmente seculares, como um funcionário agradecendo a um superior. O Novo Testamento herda esse uso cotidiano e o intensifica: dar graças deixa de ser apenas cortesia social e passa a ser, sobretudo em Paulo, uma resposta teológica constante à graça (charis) recebida de Deus por meio de Cristo.
O uso mais decisivo do verbo está nos quatro relatos da instituição da Ceia do Senhor. Ao tomar a taça, Jesus "deu graças" (eucharistēsas) segundo , , e ; Lucas e Paulo usam a mesma forma também para o pão (; ). Esse gesto segue o costume judaico de abrir e encerrar as refeições com uma bênção (berakah) dirigida a Deus, prática que aparece também em , quando Jesus dá graças antes de multiplicar os pães, e em , quando Paulo dá graças diante de marinheiros pagãos antes de comer.
É desse verbo, e do substantivo relacionado εὐχαριστία (eucharistia, "ação de graças"), que a igreja do segundo século em diante passou a chamar de "Eucaristia" o próprio rito da Ceia — um nome que descreve a atitude (gratidão), não os elementos em si. Fora dos relatos da ceia, o verbo se torna quase uma assinatura do estilo epistolar de Paulo: praticamente todas as suas cartas às igrejas começam agradecendo a Deus pelos destinatários (; ; ; ; ), um padrão retórico comum nas cartas gregas da época, que Paulo preenche de conteúdo teológico. O verbo aparece também de forma isolada e reveladora em e em , mostrando que a própria Escritura reconhece que "dar graças" pode ser tanto autêntico quanto vazio.
Aprofundamento
Do ponto de vista da formação da palavra, eucharisteō deriva do adjetivo εὐχάριστος (eucharistos, "grato", "agradável"), composto por εὖ (eu, "bem") e uma forma ligada a χαρίζομαι (charizomai, "conceder favor", "mostrar graça") — ambos, por sua vez, enraizados em χάρις (charis, "graça", "favor imerecido"). Léxicos padrão como BDAG e o Strong's Concordance (que cataloga o verbo sob o número G2168) registram esse sentido básico de "ser grato, reconhecer um benefício recebido, expressar gratidão em palavras". A mesma raiz produziu o substantivo εὐχαριστία (eucharistia, G2169, "ação de graças") e o adjetivo εὐχάριστος (G2170, "agradecido"), formando uma pequena família de palavras que gira inteiramente em torno de charis.
Um detalhe filológico que vale notar: os quatro relatos da última ceia não usam o vocabulário de forma idêntica. e dizem que Jesus "abençoou" (eulogēsas, do verbo εὐλογέω) o pão, enquanto e dizem que ele "deu graças" (eucharistēsas) pelo mesmo pão; todos os quatro relatos, porém, concordam em usar eucharisteō para a taça (; ; ; ). Comentaristas e obras de referência como o Vine's Expository Dictionary observam que eulogeō e eucharisteō, embora não sejam sinônimos perfeitos — o primeiro tem um matiz mais próximo de "invocar a bênção de Deus sobre algo", o segundo de "reconhecer e agradecer verbalmente" —, aparecem lado a lado na tradição sobre a ceia como ações praticamente intercambiáveis diante da mesma refeição.
Vale notar também que eucharisteō não é a tradução padrão de nenhum termo hebraico específico do Antigo Testamento na Septuaginta: os verbos hebraicos de gratidão, como ידה (yadah, "louvar", "agradecer") e a palavra relacionada תּוֹדָה (todah, "oferta de ação de graças"), costumam ser vertidos por outros verbos gregos, como ἐξομολογέομαι (exomologeomai) ou αἰνέω (aineō). Isso sugere que eucharisteō é, em boa medida, vocabulário do grego coloquial do primeiro século que o Novo Testamento adota e carrega de peso teológico novo, mais do que um termo técnico herdado diretamente do culto israelita.
No uso paulino, o verbo assume um alcance quase universal: Paulo manda a igreja de Tessalônica dar graças "em tudo" () e recomenda que tudo — palavra e ação — seja feito "dando graças a Deus Pai" (). Ao mesmo tempo, usa o mesmo verbo, na negativa, para descrever a raiz da idolatria humana: os que conheceram a Deus "não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças" (ouk eucharistēsan). O verbo, portanto, funciona nas duas pontas do argumento bíblico: a ingratidão como sintoma da ruptura com Deus, e a gratidão constante como marca da vida restaurada em Cristo.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:"Eucharisteo" já contém escondidas as palavras "graça" (charis) e "alegria" (chara), provando linguisticamente que dar graças sempre produz alegria.
O verbo realmente vem da raiz charis ("graça"), mas chara ("alegria") não é um componente morfológico de eucharisteo — é apenas uma palavra aparentada, da mesma família grega mais ampla. A ideia de que gratidão gera alegria é um ponto teológico defendido em literatura devocional recente, mas não é um fato de composição da palavra sustentado por léxicos como BDAG.
Dizem que:Toda vez que a palavra eucharisteo aparece no Novo Testamento, o texto está falando do sacramento da Eucaristia.
O verbo é usado, na maior parte das vezes, para gratidão comum: Paulo agradecendo por igrejas no início de cartas (), Jesus agradecendo antes de multiplicar pães (), e até, de forma irônica, um fariseu agradecendo pela própria virtude (). O sentido técnico e litúrgico de "Eucaristia" para o rito é um desenvolvimento posterior da igreja, não o significado exclusivo do verbo no texto grego.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Católica
A ação de graças de Jesus na última ceia é entendida como o ato fundador do sacrifício eucarístico, renovado sacramentalmente em cada celebração da Missa, na qual pão e vinho se tornam corpo e sangue de Cristo.
Ortodoxa
O termo aponta para a Eucaristia (a Divina Liturgia) como centro da vida da Igreja, a grande "ação de graças" (anáfora) pela qual a comunidade é unida a Cristo em mistério, sem que a palavra grega original seja usada para definir mecanismos filosóficos da mudança dos elementos.
Luterana
Dar graças acompanha as palavras de instituição como parte do rito, mas a ênfase recai sobre a promessa da presença real de Cristo "em, com e sob" o pão e o vinho, não sobre a repetição de um sacrifício.
Reformada/Batista
Eucharisteo descreve, antes de tudo, a atitude de gratidão que deve marcar toda a vida do crente (); a Ceia é lida como memorial simbólico da graça de Cristo, não como sacrifício repetido ou presença física nos elementos.
O que fazer com isso
Compreender eucharisteo ajuda a perceber que, no Novo Testamento, "dar graças" não é apenas um gesto de boa educação, mas o mesmo verbo que nomeia o rito central da adoração cristã. Isso liga a mesa da última ceia às cartas de Paulo, que abrem quase sempre agradecendo por pessoas concretas, e ao mandamento de dar graças "em tudo". A palavra mostra que gratidão e culto, na linguagem bíblica, nascem da mesma raiz.
Passagens relacionadas6
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Fontes consultadas4 obras
- James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
- Walter Bauer, Frederick W. Danker, William F. Arndt, F. Wilbur Gingrich. A Greek-English Lexicon of the New Testament (BDAG), 2000.
- W. E. Vine. Vine's Expository Dictionary of New Testament Words, 1940.
- Hans Conzelmann (Gerhard Kittel, ed.). Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), vol. IX, 1974.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Eucharisteo é a mesma palavra que "Eucaristia"?
Não exatamente — eucharisteo é o verbo ("dar graças"), enquanto Eucaristia vem do substantivo grego relacionado, eucharistia ("ação de graças"). A igreja passou a usar esse substantivo como nome para a Ceia do Senhor porque, segundo os relatos bíblicos, Jesus "deu graças" antes de partir o pão.
Por que alguns evangelhos dizem que Jesus "abençoou" o pão e outros que ele "deu graças"?
Mateus e Marcos usam o verbo eulogeo ("abençoar") para o pão, enquanto Lucas e Paulo usam eucharisteo ("dar graças") para o mesmo pão; todos os quatro relatos, porém, usam eucharisteo para a taça. Os léxicos tratam os dois verbos como próximos, mas não idênticos: um enfatiza invocar a bênção de Deus, o outro, reconhecer e agradecer em palavras.
Essa palavra aparece no Antigo Testamento?
Não como tal — eucharisteo é grego do Novo Testamento e não é a tradução padrão de nenhum verbo hebraico específico na Septuaginta. A gratidão no Antigo Testamento costuma usar outras raízes, como ידה (yadah) e o substantivo תּוֹדָה (todah, "oferta de ação de graças"), normalmente vertidas para o grego por outros verbos.
"Dar graças em tudo" (1 Tessalonicenses 5:18) significa agradecer pelas coisas ruins que acontecem?
O texto grego diz "em tudo" (en panti), expressão que descreve a circunstância em que a gratidão deve ocorrer, não necessariamente o motivo dela. Por isso muitos comentaristas leem o versículo como um chamado a manter uma atitude de gratidão a Deus em qualquer situação, sem que isso exija tratar cada evento doloroso como motivo de agradecimento em si.
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