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Significado Bíblico
Costumes da épocaintermediária
Ilustração da categoria Costumes da época

O que eram os filactérios que os fariseus alargavam para serem vistos?

O que eram os filactérios que os fariseus usavam, e por que Jesus criticou alargá-los?

E fazem todas as suas obras a fim de serem vistos pelas pessoas: por isso alargam seus filactérios,) e fazem compridas as franjas de suas roupas. Eles amam os primeiros assentos nas ceias, as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças, e serem chamados: “Rabi, Rabi” pelas pessoas.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

Jesus critica escribas e fariseus por "alargarem os seus filactérios" e "engrandecerem as franjas das suas vestes", buscando lugares de honra e o título de "rabi". Filactérios são caixinhas de couro contendo trechos da Torá, amarradas ao braço e à testa durante a oração, hoje chamadas em hebraico de tefilin — prática que cumpre literalmente a instrução de , de trazer os mandamentos "por sinal na mão" e "por frontal entre os olhos". Jesus não condena o costume religioso em si, que continua sendo praticado por judeus observantes até hoje; sua crítica recai especificamente sobre alargar essas caixinhas e as franjas das vestes para chamar atenção pública, transformando um ato de devoção pessoal em vitrine de piedade para ser visto e admirado por outros.

Como isso aponta para Jesus

Contraste

A crítica à religiosidade voltada para ser vista contrasta com o próprio ensino de Jesus sobre devoção autêntica, praticada diante de Deus e não para exibição pública, e com sua liderança descrita, poucos versículos depois no mesmo capítulo, como serviço humilde e não busca de posição de destaque.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Filactérios eram pequenas caixas de couro com trechos da Torá dentro, amarradas ao braço e à testa durante a oração, seguindo uma instrução do livro de Deuteronômio. Jesus não disse que usar isso estava errado; essa prática, aliás, continua existindo entre judeus até hoje. O problema que ele apontou foi outro: alguns fariseus alargavam essas caixinhas e as franjas de suas roupas de propósito, só para chamar atenção e parecerem mais religiosos diante das outras pessoas.

Contexto histórico

reúne uma série de críticas duras de Jesus contra escribas e fariseus, concentradas em denunciar a distância entre aparência religiosa e substância interior: eles "dizem e não fazem" (v.3), colocam fardos pesados sobre os outros sem ajudar a carregá-los (v.4), e fazem tudo "para serem vistos pelos homens" (v.5). É dentro desse padrão que aparece a menção aos filactérios alargados e às franjas engrandecidas, seguida da busca por lugares de honra em banquetes e sinagogas, e pelo gosto de serem chamados "rabi" em praça pública.

Os filactérios, chamados tefilin em hebraico, são pequenas caixas de couro contendo tiras de pergaminho com quatro passagens da Torá — :11-16, e e 11:13-21 — amarradas com correias de couro ao braço esquerdo e à testa durante certas orações. A prática cumpre de forma literal a instrução repetida de Deuteronômio, de trazer os mandamentos "por sinal na tua mão" e "por frontal entre os teus olhos". Fragmentos reais de tefilin foram encontrados entre os manuscritos do Mar Morto em Qumran, confirmando arqueologicamente que a prática já era corrente entre grupos judeus pelo menos desde o século 2 a.C., bem antes do tempo de Jesus.

As "franjas" mencionadas junto aos filactérios são o tzitzit, borlas atadas às pontas das vestes conforme , também instituídas como lembrete visível e permanente dos mandamentos de Deus. Nenhum dos dois costumes é, portanto, invenção farisaica isolada ou tradição sem base bíblica — ambos cumprem instruções explícitas da Torá. O problema que Jesus aponta não está no costume, mas no verbo que o acompanha: "alargar" e "engrandecer" para serem vistos, transformando um sinal de obediência voltado a Deus num instrumento de exibição voltado ao público. O mesmo capítulo prossegue denunciando o gosto por títulos honoríficos e lugares de destaque, deixando claro que os filactérios e as franjas são apenas um exemplo entre vários de um mesmo problema mais amplo de religiosidade voltada para reconhecimento social.

Aprofundamento

O termo grego usado por Mateus, φυλακτήριον (phylaktērion), do qual vem "filactério", significa literalmente "proteção, salvaguarda, amuleto" no grego comum — uma tradução que já carrega, por si só, uma nuance possivelmente crítica, associando o objeto a uma função quase mágica de proteção, distinta do sentido devocional puramente hebraico do tefilin como lembrete dos mandamentos. Alguns comentaristas notam essa tensão semântica como possível eco irônico na escolha vocabular do evangelista, embora o termo grego já fosse, aparentemente, a tradução padrão disponível para o conceito no grego judaico da época, sem que isso implique necessariamente crítica implícita ao próprio Mateus.

O verbo πλατύνουσιν (platynousin, "alargam", de πλατύνω) descreve o ato de tornar mais largas as caixinhas ou as correias usadas para prendê-las, tornando-as mais visíveis e chamativas do que o necessário para cumprir a função devocional básica. Da mesma forma, μεγαλύνουσιν (megalynousin, "engrandecem") aplicado às franjas (κράσπεδα, kraspeda) descreve alongar ou destacar essas borlas para além do padrão comum, num gesto claramente voltado à visibilidade pública, não à prática privada de devoção.

Joachim Jeremias, discutindo a vida religiosa em Jerusalém no tempo de Jesus, situa essas práticas dentro de um ambiente em que sinais visíveis de piedade — filactérios, franjas, orações em público — carregavam peso social considerável como marcadores de status religioso e observância rigorosa da Lei, o que explica por que alargar esses sinais funcionava como estratégia real, e não apenas hipotética, de ganhar reconhecimento público como pessoa piedosa. Yigael Yadin, arqueólogo responsável por importantes descobertas de tefilin em Qumran, documentou variações no tamanho e na composição desses objetos entre diferentes grupos judaicos do período, mostrando que já existia, na prática, certa diversidade quanto à forma de uso desses objetos, com espaço real para exagero ostentatório dentro dela.

É importante notar que a crítica de Jesus em se conecta diretamente com seu ensino anterior em , sobre esmolas, oração e jejum praticados "para serem vistos pelos homens": o padrão de crítica é consistente ao longo do evangelho, e não é dirigido contra práticas religiosas específicas em si mesmas, mas contra a motivação de ostentação que pode se infiltrar em qualquer prática devocional legítima, incluindo aquelas explicitamente ordenadas pela própria Torá. Isso torna a advertência mais ampla e mais exigente do que uma simples crítica cultural a um grupo religioso específico, extensível a qualquer forma de piedade que busca primariamente reconhecimento humano. Vale lembrar ainda que os próprios evangelhos não retratam Jesus rejeitando tais costumes para si mesmo, o que reforça que o alvo da crítica é sempre a motivação por trás do gesto religioso, nunca o gesto ou o mandamento bíblico que o originou.

O que costumam dizer errado1 afirmação
  • Dizem que:Jesus condenou o uso de filactérios como uma prática religiosa errada ou legalista em si mesma.

    Jesus critica a ostentação de alargar os filactérios para serem vistos, não o costume de usá-los, que cumpre instrução explícita de e continua sendo praticado por judeus observantes hoje sem que isso seja, por si só, hipocrisia.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaica rabínica

    Preserva os tefilin como mandamento bíblico válido e central da prática de oração, lendo a crítica de Jesus como voltada especificamente a abusos ostentatórios, não à instituição em si.

  • Cristã devocional popular

    Às vezes lê o texto de forma imprecisa, como se Jesus rejeitasse o costume religioso como um todo, quando o alvo explícito da crítica é o motivo de exibição pública, não o objeto ou a prática religiosa.

No original1 termo
  • φυλακτήριονphylaktērion

    "Proteção, salvaguarda"; termo grego usado para traduzir o hebraico tefilin, as caixinhas com trechos da Torá amarradas ao braço e à testa durante a oração, conforme .

O que fazer com isso

Práticas religiosas genuínas e bem fundamentadas podem, mesmo assim, ser corrompidas pela motivação de serem vistas e admiradas — o problema raramente está no ato em si, mas no propósito que o move. Vale perguntar, sobre qualquer expressão pública de fé praticada hoje, se ela busca antes o reconhecimento de Deus ou o reconhecimento humano, distinção que Jesus considerou central o bastante para dedicar um capítulo inteiro de crítica a ela.

Passagens relacionadas4

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas2 obras
  • Joachim Jeremias. Jerusalem in the Time of Jesus, 1969.
  • Craig S. Keener. A Commentary on the Gospel of Matthew, 1999.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Jesus estava contra o uso de filactérios?

Não; sua crítica era contra alargá-los para serem vistos e admirados publicamente, não contra o costume em si, que cumpre uma instrução literal de e ainda é praticado por judeus observantes hoje.

O que eram exatamente os filactérios mencionados no texto?

Pequenas caixas de couro contendo trechos da Torá, amarradas ao braço esquerdo e à testa durante certas orações, conhecidas em hebraico como tefilin, com fragmentos arqueológicos confirmados em Qumran já antes do tempo de Jesus.

Temas

Publicado em 24/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 2 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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