
O que significa 'quando chegou a plenitude do tempo' em Gálatas 4?
O que Paulo quer dizer com 'plenitude do tempo' e por que Deus enviou seu Filho naquele momento?
Mas quando o tempo se completou, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para redimir os que estavam sob a Lei, a fim de que nós recebêssemos a adoção como filhos.
Resposta curta
Em , Paulo diz que, 'quando chegou a plenitude do tempo', Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de recebermos a adoção como filhos. A frase costuma ser lida como referência a condições favoráveis do mundo romano, como paz, estradas e língua comum. Mas Paulo a usa em outro sentido: o tempo da minoridade, marcado por tutores, chegou ao fim no momento fixado pelo Pai. O Filho entra na condição humana e na condição da lei para libertar quem estava sob ela. O trecho liga encarnação, redenção e adoção em uma única frase, e o centro está na iniciativa de Deus.
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretodescreve a vinda do Filho como o ponto em que as promessas feitas a Abraão e o tempo da lei chegam ao alvo. Ele nasce de mulher e sob a lei para resgatar os que estavam sob a lei e dar a adoção como filhos.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Paulo diz que, no tempo marcado pelo Pai, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher e sob a lei, para libertar quem estava preso à lei e nos tornar filhos de Deus. A expressão 'plenitude do tempo' fala do fim da fase de menoridade, como quando um herdeiro alcança a idade adulta, e não apenas de boas condições históricas. O resultado é que o cristão é filho e herdeiro, não mais escravo.
Contexto histórico
A carta aos Gálatas foi escrita para igrejas da região central da atual Turquia, fundadas por Paulo e abaladas pela chegada de outros mestres que diziam que os gentios convertidos precisavam se circuncidar e guardar a lei de Moisés para fazer parte do povo de Deus. Paulo responde com veemência: a justificação vem da fé em Cristo, não das obras da lei (2:16). No capítulo 3, ele argumenta que a lei veio quatrocentos e trinta anos depois da promessa a Abraão e que serviu como tutor, ou pedagogo, até a vinda de Cristo (3:23-25). No começo do capítulo 4, ele usa uma comparação do direito antigo: o herdeiro, enquanto menor, em nada difere de um escravo, embora seja senhor de tudo, pois fica sob tutores e administradores até o tempo determinado pelo pai (4:1-2). Assim também nós, diz ele, quando éramos menores, estávamos escravizados sob os 'rudimentos do mundo' (4:3). É aqui que entra a frase de 4:4, introduzida por 'mas'. A fórmula 'a plenitude do tempo' marca uma virada: o prazo estabelecido pelo pai chegou. Em seguida vêm duas expressões paralelas, 'nascido de mulher' e 'nascido sob a lei', que descrevem o modo da vinda. A primeira diz que o Filho entrou plenamente na humanidade; a segunda, que se colocou sob o regime da lei que mantinha Israel numa espécie de tutela. O propósito vem em dois passos: resgatar os que estavam sob a lei e dar a adoção. O termo 'adoção' tinha ressonância forte para leitores que viviam sob o direito romano. Os gálatas, que ouviam do outro grupo que precisavam voltar para a lei, estavam sendo levados a aceitar de volta o tempo de menoridade que Cristo havia encerrado. Quanto aos 'rudimentos do mundo', o termo é debatido: pode indicar elementos básicos do ensino, forças espirituais ou a religião pagã e judaica vistas como uma mesma servidão. Por isso o argumento histórico-salvífico é também um argumento pastoral: não voltem atrás, pois o tempo mudou, e o dom da filiação já foi dado.
Aprofundamento
A expressão 'plenitude do tempo' tem sido lida de formas diferentes. A leitura mais popular, adotada por muitos pregadores desde a antiguidade, vê nela um conjunto de condições providenciais do mundo mediterrâneo no século I: a Pax Romana, as estradas, o grego como língua comum e a dispersão dos judeus com suas sinagogas. Há verdade histórica nesses dados, e a tradição cristã posterior os usou. Mas Paulo não os menciona, e a imagem que ele constrói é outra, a do herdeiro que atinge a maioridade. O que importa é o relógio do Pai (4:2), não a infraestrutura do império. Comentaristas como F. F. Bruce e Richard Longenecker notam que o texto fala de um momento definido por Deus no plano da salvação, no qual a história de Israel, de Abraão à lei, atinge seu alvo em Cristo. J. Louis Martyn, por outro lado, destaca o caráter apocalíptico: o envio do Filho é uma intervenção de Deus que interrompe o curso anterior das coisas e inaugura uma nova era, e não o resultado de uma evolução gradual. Douglas Moo acrescenta que as duas leituras se complementam: há planejamento divino e há irrupção. A segunda característica do trecho é o duplo 'nascido'. 'Nascido de mulher' enfatiza a humanidade real de Jesus, e muitos intérpretes vêem aí também uma discreta alusão ao nascimento virginal, embora Paulo não o desenvolva. 'Nascido sob a lei' não é um detalhe: o Filho se submete ao regime que prendia seu povo, para poder resgatá-lo de dentro. O verbo 'resgatar' (exagorazō) pertence ao vocabulário do mercado de escravos e já aparece em 3:13, onde Cristo nos resgata da maldição da lei. O resultado é a adoção (huiothesia), que no mundo romano dava a alguém, ainda que de fora, o status e a herança de filho. E Paulo imediatamente acrescenta que Deus enviou o Espírito de seu Filho aos nossos corações, que clama 'Aba, Pai' (4:6). Aqui há uma estrutura trinitária: o Pai envia o Filho e envia o Espírito do Filho. Muitos intérpretes veem no verbo 'enviar' a pré-existência do Filho, ideia que o verbo sugere sem demonstrar sozinho, mas que outros textos de Paulo confirmam, como . O ponto, em Gálatas, é a iniciativa de Deus de ir ao encontro de escravos. A conclusão importa para a carta: quem é filho não volta a ser escravo (4:7). A plenitude do tempo, portanto, é o ponto de virada em que a menoridade acaba e a filiação começa.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Paulo diz que o mundo estava perfeitamente preparado por Roma, estradas e idioma grego para a vinda de Cristo.
Esses fatores são observações históricas posteriores. Paulo não os menciona em ; a imagem dele é a do herdeiro menor cujo tempo de tutela termina no prazo marcado pelo pai.
Dizem que:'Nascido de mulher' é uma prova direta do nascimento virginal.
A expressão pode aludir ao nascimento virginal, mas na linguagem judaica significava simplesmente ser humano (). O foco de Paulo é a humanidade real do Filho, não um argumento sobre a concepção.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Providencial (leitura clássica)
A plenitude do tempo reflete as condições favoráveis do mundo romano para o evangelho: paz, estradas, língua comum e sinagogas espalhadas.
Histórico-salvífica (Bruce, Longenecker)
É o momento fixado pelo Pai em que a história de Israel atinge seu alvo; a imagem do herdeiro e dos tutores mostra o fim da menoridade.
Apocalíptica (Martyn)
O envio do Filho é uma intervenção de Deus que inaugura uma nova era, em ruptura com o regime anterior, mais do que desfecho de uma sequência gradual.
No original4 termos
πλήρωμα τοῦ χρόνουplērōma tou chronouG4138
Plenitude do tempo, cumprimento do prazo. Plērōma indica algo que chega à medida completa; chronos, o tempo em sua duração.
ἐξαγοράζωexagorazōG1805
Resgatar, comprar de volta, linguagem do mercado de escravos; aparece também em .
υἱοθεσίαhuiothesiaG5206
Adoção como filho, ato pelo qual alguém recebe o estatuto e a herança de filho. Termo característico de Paulo.
ἐξαποστέλλωexapostellōG1821
Enviar para fora, enviar de um lugar para outro; é o verbo usado para o envio do Filho e do Espírito em 4:4 e 4:6.
O que fazer com isso
O texto lembra que a vida cristã não é uma volta ao tempo de tutores, em que se mede o valor pelo cumprimento de regras. Quem está em Cristo é filho e herdeiro por iniciativa do Pai. Isso pode aliviar o peso de uma fé baseada em desempenho e, ao mesmo tempo, lembrar que a liberdade tem origem em um resgate custoso, não em indiferença.
Passagens relacionadas5
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Fontes consultadas4 obras
- Richard N. Longenecker. Galatians (Word Biblical Commentary), 1990.
- F. F. Bruce. The Epistle to the Galatians (NIGTC), 1982.
- J. Louis Martyn. Galatians (Anchor Bible), 1997.
- Douglas J. Moo. Galatians (BECNT), 2013.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
A 'plenitude do tempo' fala das condições do Império Romano?
Pode haver algo disso na história, mas Paulo fala do momento determinado pelo Pai, usando a imagem de um herdeiro que deixa a menoridade. O foco é o plano de Deus, não a infraestrutura romana.
O que é adoção para Paulo?
Adoção (huiothesia) é receber o status e a herança de filho. Em , ela é dada por Deus a quem estava sob a lei, e é confirmada pelo Espírito que clama 'Aba, Pai'.
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