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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Leis que não valem mais

Asa derruba os altares e os postes-ídolo (Aserá) de Judá

O que o rei Asa destruiu na sua reforma religiosa em Judá?

Porque tirou os altares do culto alheio, e os altos; quebrou as imagens, e arrancou os bosques; E mandou a Judá que buscassem ao SENHOR o Deus de seus pais, e praticassem a lei e seus mandamentos. Tirou também de todas as cidades de Judá os altos e as imagens, e esteve o reino quieto diante dele.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

No início de seu reinado, Asa promove uma reforma religiosa sistemática em Judá: derruba altares de deuses estrangeiros, destrói os chamados 'altos', quebra pilares sagrados e corta os postes-ídolo, os 'asserins' associados ao culto da deusa Aserá (). É uma descrição detalhada de demolição de infraestrutura religiosa pagã institucionalizada — não gestos isolados, mas ordem real aplicada 'em todas as cidades de Judá'. Para o leitor de hoje, esse tipo de culto soa completamente estranho: postes de madeira representando uma deusa da fertilidade, plantados perto de altares, faziam parte da paisagem religiosa comum do antigo Levante, e sua remoção sistemática por Asa mostra o quanto esse sincretismo havia se enraizado antes dele.

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

A limpeza física de altares e ídolos que Asa promove aponta, de forma indireta, para a purificação interior mais radical que o Novo Testamento associa à obra de Cristo — não a remoção de objetos externos, mas a transformação do próprio coração humano, fonte real da idolatria. A ligação é genuinamente parcial: o texto de Asa fala de reforma institucional, não de regeneração espiritual individual.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Quando Asa se tornou rei de Judá, ele decidiu limpar o país de cultos pagãos que já existiam há muito tempo: derrubou altares de deuses estrangeiros, destruiu santuários em lugares altos e cortou postes de madeira usados no culto a uma deusa chamada Aserá. Esse tipo de culto misturado — adorar o Deus de Israel junto com deuses cananeus — era comum na época, mesmo sendo proibido pela lei. O livro de Reis, contando a mesma história, diz que nem todos esses lugares altos foram destruídos, sugerindo que a reforma, mesmo real, não resolveu tudo de uma vez.

Contexto histórico

apresenta Asa, bisneto de Roboão, como um rei que reina 'dez anos de sossego' antes de qualquer conflito militar registrado, e usa esse período de paz justamente para reformar o culto religioso do reino. O relato detalha quatro ações específicas: remover os altares dos deuses estrangeiros, destruir os 'altos' (locais de culto situados normalmente em colinas ou elevações), quebrar as colunas ou pilares sagrados, e cortar os postes-ídolo, ou aserins.

Esses objetos e locais faziam parte de um sistema religioso cananeu amplamente presente em Israel e Judá desde a conquista, nunca totalmente erradicado, apesar das ordens explícitas em e 16:21 para destruir esse tipo de infraestrutura ao entrar na terra. Aserá era originalmente uma deusa cananeia, associada à fertilidade, cujo culto se espalhou de forma sincrética mesmo dentro da religião israelita popular — o poste ou tronco de madeira (asherah, no singular) plantado junto a um altar funcionava como símbolo cultual dela, prática que Deuteronômio proíbe especificamente 'junto ao altar do Senhor'.

Há uma tensão textual real que vale reconhecer: o relato paralelo em descreve a mesma reforma de Asa, mas acrescenta que 'os altos, porém, não foram tirados', mesmo afirmando que o coração de Asa era reto diante do Senhor durante toda a sua vida. Ou seja, Reis qualifica a extensão da reforma de forma que Crônicas não faz — Crônicas descreve a remoção dos altos como parte do sucesso inicial de Asa, enquanto Reis nota que, de alguma forma, ao menos parte dessa infraestrutura religiosa persistiu ou foi reconstruída depois. As duas informações provavelmente descrevem estágios diferentes do mesmo reinado, ou tipos diferentes de 'altos' — uns dedicados abertamente a deuses estrangeiros, removidos com sucesso, e outros usados de forma sincrética para o próprio culto ao Senhor, mais difíceis de erradicar completamente.

Aprofundamento

O hebraico usa múltiplos termos técnicos para esse repertório de objetos de culto: בָּמָה (bamah), 'lugar alto', geralmente um santuário ao ar livre situado em elevação; מַצֵּבָה (matstsevah), 'pilar, estela erguida', pedra vertical associada a cultos de fertilidade ou a memoriais, dependendo do contexto; e אֲשֵׁרָה (asherah), no plural אֲשֵׁרִים (asherim), postes ou possivelmente árvores estilizadas de madeira, ligados ao culto da deusa do mesmo nome. A arqueologia da região confirma o uso generalizado desses objetos em sítios israelitas e cananeus da Idade do Ferro, incluindo inscrições encontradas em Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom que mencionam 'Iahweh e sua Aserá' — evidência de que, na prática popular, o culto a Iahweh e elementos do culto a Aserá conviviam de forma sincrética muito além do que os textos proféticos e legais aprovavam oficialmente.

Martin J. Selman, em seu comentário sobre 2 Crônicas, observa que a ênfase do Cronista na reforma de Asa serve ao seu padrão teológico recorrente: reis que buscam o Senhor no início do reinado recebem paz e prosperidade, ilustrada aqui pelos 'dez anos de sossego' que antecedem a invasão de Zerá, o etíope, no capítulo seguinte. Iain W. Provan, em seu comentário sobre Reis, discute a aparente tensão entre e o relato de Crônicas sobre a extensão da reforma, sugerindo que a diferença pode refletir uma distinção entre santuários dedicados oficialmente a divindades estrangeiras — removidos com sucesso — e locais de culto popular ao próprio Senhor em formato de 'alto', que a tradição bíblica via com desconfiança mas que Asa não conseguiu, ou não tentou, eliminar por completo.

O paralelo mais próximo dentro do próprio Antigo Testamento é , quando Gideão recebe ordem de derrubar o altar de Baal de seu próprio pai e cortar a Aserá ao lado dele — mostrando que esse tipo de instalação sincrética, altar pagão ao lado de poste-ídolo, era um padrão arquitetônico religioso recorrente em Israel havia séculos antes mesmo da monarquia existir.

Vale notar também que registra, no mesmo reinado, um episódio complementar: Asa remove sua própria avó, Maaca, da posição de rainha-mãe e destrói um ídolo específico que ela havia feito — outro sinal de que a reforma alcançava até a própria família real, não se limitando a santuários públicos anônimos, mas exigindo do rei confronto direto com a idolatria dentro de sua própria casa, incluindo figuras de autoridade e parentesco próximo.

O que costumam dizer errado1 afirmação
  • Dizem que:A reforma de Asa eliminou completamente e de forma permanente toda a idolatria de Judá, sem deixar resquício algum.

    afirma explicitamente que 'os altos não foram tirados', mesmo reconhecendo a sinceridade do coração de Asa; a reforma foi real e significativa, mas não completa, um detalhe que Crônicas, mais focado no sucesso inicial, não desenvolve com a mesma ressalva.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada

    Comentaristas reformados tendem a ler a reforma de Asa como modelo positivo de zelo religioso genuíno, mesmo reconhecendo, a partir do paralelo em Reis, que nenhuma reforma humana produz erradicação perfeita e definitiva do pecado coletivo.

  • Crítica histórica

    Estudiosos críticos, com base em achados arqueológicos como as inscrições de Kuntillet Ajrud, tendem a ler o sincretismo entre Iahweh e Aserá como prática popular muito mais disseminada do que os textos bíblicos, escritos por uma elite reformista, sugerem à primeira vista.

No original2 termos
  • אֲשֵׁרָהasherahH842

    Poste ou tronco de madeira ligado ao culto da deusa cananeia do mesmo nome, plantado junto a altares; sua remoção sistemática é um dos quatro alvos específicos da reforma religiosa de Asa em .

  • בָּמָהbamahH1116

    'Lugar alto', santuário situado normalmente em elevação, usado tanto para cultos pagãos quanto, de forma sincrética e proibida, para adoração popular a Iahweh fora do templo central.

O que fazer com isso

A reforma de Asa mostra que remover infraestrutura religiosa institucionalizada exige ação deliberada e sustentada, não apenas boa intenção pontual — e mesmo assim, partes do problema podem persistir, como o próprio livro de Reis reconhece. Vale notar que fé genuína, na avaliação bíblica, não exige perfeição total de resultado, mas direção clara e esforço real na direção certa, mesmo quando o trabalho fica incompleto.

Passagens relacionadas4

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas2 obras
  • Martin J. Selman. 2 Chronicles (Tyndale Old Testament Commentaries), 1994.
  • Iain W. Provan. 1 and 2 Kings (New International Biblical Commentary), 1995.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que era o culto a Aserá que Asa destruiu?

Aserá era uma deusa cananeia da fertilidade, cujo culto envolvia postes ou troncos de madeira plantados junto a altares; a prática se misturou de forma sincrética com o culto israelita a Iahweh, apesar de proibida explicitamente em .

Asa conseguiu eliminar totalmente a idolatria em Judá?

Segundo , sim, no início do reinado; mas esclarece que os 'altos' não foram totalmente removidos, sugerindo que a reforma foi real, mas incompleta em algum grau ou fase posterior.

Temas

  • Idolatria
  • #asa
  • #reforma-religiosa
  • #asera
  • #altares-pagaos
  • #antigo-testamento
  • #alto-lugares

Publicado em 16/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 2 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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