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Significado Bíblico
Discípulointermediária

Rufo e sua mãe

Quem foi Rufo, o filho de Simão de Cirene citado por Marcos e Paulo?

Ficha do personagem

Século I d.C.; Roma

Aparece em

Relações

Resposta curta

Rufo aparece em apenas duas passagens do Novo Testamento. Em , o evangelista identifica Simão de Cirene, obrigado a carregar a cruz de Jesus, como "pai de Alexandre e de Rufo", dois nomes que os primeiros leitores evidentemente conheciam. Em , Paulo manda saudações a "Rufo, eleito no Senhor", e à mãe dele, a quem chama também de sua mãe. Muitos estudiosos consideram provável que se trate do mesmo Rufo, o que faria dele filho de Simão e membro da igreja de Roma, mas o texto nunca afirma isso, e Rufo era um nome latino comum. O que se pode dizer com segurança é pouco: ele era um cristão conhecido, e sua mãe havia cuidado de Paulo como de um filho.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

Rufo não aparece em cena com Jesus, mas o nome dele está ligado à cruz por meio do pai. Marcos conta que Simão foi forçado a carregar a trave de Jesus e, ao citar os filhos como conhecidos dos leitores, sugere que o encontro com a cruz alcançou aquela família. A ligação é indireta e conjectural, pois o texto não diz que Simão ou os filhos se converteram. O que o Novo Testamento apresenta com clareza é que, anos depois, um Rufo "eleito no Senhor" fazia parte de uma igreja numa grande cidade, sinal de que o caminho da cruz continuou a alcançar pessoas comuns.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Rufo é citado em dois lugares. Marcos diz que Simão de Cirene, que carregou a cruz de Jesus, era pai de Alexandre e de Rufo. Anos depois, Paulo saúda os cristãos de Roma e manda lembranças a um Rufo, "eleito no Senhor", e à mãe dele, que também tinha sido como mãe para Paulo. Muita gente acha que é o mesmo Rufo, mas a Bíblia não diz isso. Sabemos pouco: ele era cristão conhecido, e sua mãe cuidou de Paulo com carinho.

O mundo dele

Os dois textos pertencem a épocas e lugares distintos. Marcos descreve a crucificação por volta do ano 30 d.C., em Jerusalém, quando soldados romanos requisitaram um homem que voltava do campo para carregar a trave da cruz (). Simão vinha de Cirene, cidade da costa norte da África que abrigava uma numerosa comunidade judaica. menciona uma sinagoga de cireneus em Jerusalém, e cita cireneus entre os primeiros a anunciar o evangelho a gregos em Antioquia. Marcos acrescenta o nome dos filhos de Simão, detalhe que Mateus e Lucas omitem. Richard Bauckham propõe que essa menção indica ao público do evangelho onde havia testemunhas vivas do episódio, o que pressupõe que Alexandre e Rufo eram figuras conhecidas na comunidade que recebeu o texto.

é uma lista de saudações que Paulo escreve, provavelmente de Corinto, por volta de 57 d.C., a uma igreja que ainda não conhecia pessoalmente. A lista cita mais de vinte pessoas pelo nome, entre homens e mulheres de origem judaica e gentílica, muitos com nomes gregos ou latinos comuns nas cidades do império. Rufo é um nome latino frequente, normalmente ligado ao adjetivo rufus, "ruivo"; por isso a repetição do nome em dois livros não prova, por si só, que se trate da mesma pessoa. A tradição antiga associa o Evangelho de Marcos a Roma, e essa ligação é a base da hipótese de identificação: se Marcos escreveu para leitores romanos, o Rufo que eles conheciam poderia ser o mesmo que Paulo saúda.

Essa associação de Marcos com Roma é transmitida por testemunhos posteriores, como os que Eusébio de Cesareia reúne em sua História Eclesiástica, e é debatida na pesquisa moderna. Há ainda quem questione se o capítulo 16 de Romanos foi originalmente dirigido a Roma ou a Éfeso, embora a maioria dos comentaristas o mantenha como endereçado a Roma.

A história

A expressão de Marcos é curta: Simão, cireneu, "pai de Alexandre e de Rufo". Ela cumpre uma função narrativa, pois identifica o homem que o texto acaba de apresentar, e uma função social, pois supõe que os leitores conheçam os filhos. Mateus e Lucas citam Simão sem mencionar os filhos, e João, que narra o caminho da cruz, nem sequer o cita. Só Marcos acrescenta o dado, e o faz sem explicar quem eram os dois, o que sugere que a informação era de domínio comum na comunidade que lia o evangelho.

Em , Paulo escreve: "Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe, que também é minha". O adjetivo "eleito" (em grego, eklektos) é usado no Novo Testamento para os crentes em geral (; ). Por isso alguns comentaristas leem a expressão como a marca de um cristão de destaque, e outros como simples elogio à sua vida em Cristo, sem sentido técnico. A frase sobre a mãe é a parte mais pessoal do versículo: Paulo diz que ela foi também mãe para ele. O texto não informa quando nem onde isso aconteceu. Antioquia, onde havia cireneus (; 13:1), é uma possibilidade lembrada por alguns, mas é conjectura, sem apoio no texto.

A hipótese de que os dois Rufos são a mesma pessoa tem defensores antigos e modernos, entre eles Bauckham, que a considera plausível. A favor dela estão a ligação entre Marcos e Roma, o fato de Marcos tratar Rufo como conhecido e o interesse de Paulo em saudar uma família de origem cirenaica. Contra ela, pesam o caráter comum do nome, a distância de cerca de vinte e cinco anos entre a crucificação e a carta e o fato de nenhum dos dois textos fazer a ligação. Se a hipótese for correta, a mãe de Rufo seria a esposa de Simão, o que também não está escrito em lugar algum.

A tradição posterior preencheu o silêncio. Listas tardias dos Setenta discípulos, usadas na tradição bizantina, associam um Rufo a Tebas e o contam entre os primeiros bispos; trata-se de relato sem base nos textos do Novo Testamento, e os historiadores o tratam com cautela. O que o Novo Testamento oferece de firme é muito menos: uma família associada à cruz, depois uma pessoa com lugar entre os cristãos de uma grande cidade, e uma mulher cujo cuidado deixou marca em Paulo, o apóstolo que, em outras cartas, fala de sua vida itinerante e de suas carências.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:A Bíblia afirma que o Rufo de Romanos 16:13 é filho de Simão de Cirene.

    Nenhum dos dois textos faz essa ligação. nomeia Rufo como filho de Simão, e saúda um Rufo e sua mãe, sem dizer quem era o pai. A identificação é hipótese de estudiosos, plausível, mas não demonstrada, já que Rufo era nome latino comum.

  • Dizem que:Simão de Cirene, Rufo e sua família eram certamente cristãos desde o dia da crucificação.

    O texto não relata a conversão de Simão. Marcos apenas o apresenta como pai de dois homens que os leitores conheciam. A fé da família é inferência razoável a partir do contexto, não informação direta.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Protestante

    Os comentaristas protestantes costumam tratar a identificação entre os dois Rufos como provável, mas incerta, e enfatizam que mostra o papel de pessoas comuns, inclusive mulheres, no ministério da igreja. A frase sobre a mãe é lida como testemunho do cuidado concreto que Paulo recebeu de membros da comunidade.

  • Ortodoxa

    A tradição bizantina comemora Rufo entre os Setenta discípulos e o associa à cidade de Tebas, na Grécia, em listas tardias. A leitura ortodoxa vê em Rufo e em sua mãe exemplos da comunhão dos santos, mas reconhece que esses dados vêm da tradição posterior, não do texto bíblico.

  • Católica

    A tradição católica antiga liga o Evangelho de Marcos a Roma e à pregação de Pedro, o que torna natural ver Rufo como figura conhecida da comunidade romana. A identificação é aceita por muitos autores católicos como provável, sem ser tratada como ensino de fé.

O que fazer com isso

A história de Rufo lembra que boa parte da vida da igreja foi sustentada por pessoas cujo nome quase não consta nos livros. Um homem puxado do campo para a cruz, uma mãe que cuidou de um apóstolo, um filho lembrado em duas cartas: o texto honra essa presença discreta sem inflá-la. Também ensina honestidade na leitura, porque admitir o que a Bíblia não diz protege a fé de certezas inventadas.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Richard Bauckham. Jesus and the Eyewitnesses: The Gospels as Eyewitness Testimony, 2006.
  • C. E. B. Cranfield. A Critical and Exegetical Commentary on the Epistle to the Romans (International Critical Commentary), 1979.
  • Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica.
  • Joseph A. Fitzmyer. Romans: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible), 1993.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Rufo, filho de Simão de Cirene, é o mesmo Rufo de Romanos 16?

É possível e muitos estudiosos o consideram provável, mas a Bíblia não afirma. A ligação depende de Marcos ter escrito para leitores em Roma e de o nome Rufo, comum, se referir à mesma pessoa.

Por que Marcos cita os filhos de Simão de Cirene?

O texto não explica. A explicação mais comum é que Alexandre e Rufo eram conhecidos dos primeiros leitores, de modo que o nome deles ajudava a identificar Simão e indicava onde havia testemunhas do episódio.

O que significa "eleito no Senhor" em Romanos 16:13?

O termo grego eklektos é aplicado a todos os crentes no Novo Testamento. Alguns leem a expressão em Rufo como destaque especial, outros como simples elogio à sua fé. O contexto não permite decidir com certeza.

Quem era a mãe de Rufo?

O texto não registra o nome dela. Paulo diz apenas que ela era mãe de Rufo e também havia sido como mãe para ele. Se o Rufo for filho de Simão, seria a esposa de Simão, mas isso é hipótese.

Outros personagens

Publicado em 07/11/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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