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Significado Bíblico
Discípulointermediária

Prócoro

Quem foi Prócoro na Bíblia?

Ficha do personagem

Cerca de 31-34 d.C.; Jerusalém

Aparece em

Relações

  • um dos sete com Estêvão
  • um dos sete com Filipe
  • um dos sete com Nicolau
  • um dos sete com Nicanor
  • um dos sete com Timão
  • um dos sete com Parmenas

Resposta curta

Prócoro é o terceiro nome na lista dos sete homens escolhidos em Jerusalém, em , para cuidar do serviço das mesas, isto é, da distribuição diária de alimento às viúvas. Os outros eram Estêvão, Filipe, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau. O texto os descreve como homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. Todos têm nomes gregos, o que sugere ligação com os judeus de língua grega. Sobre Prócoro em particular, a Bíblia não conta mais nada. Tradições posteriores o fizeram bispo, companheiro do apóstolo João e autor de um livro, mas essas histórias vêm de séculos depois e não têm base no texto bíblico.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

A escolha dos sete para servir às mesas ecoa o modo como Jesus descreveu a própria missão. Ele disse que estava no meio dos discípulos como quem serve e que o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir. A tarefa dada a Prócoro e aos demais não é uma posição de destaque; é um serviço concreto, escolhido pela comunidade e reconhecido pelos apóstolos, que prolonga na vida da igreja o exemplo de Cristo.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Prócoro foi um dos sete homens escolhidos pela igreja de Jerusalém, em , para cuidar da distribuição de alimento às viúvas. Os outros eram Estêvão, Filipe, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau. Os apóstolos oraram por eles e colocaram as mãos sobre suas cabeças. Depois disso, a Bíblia não conta mais nada sobre Prócoro. Histórias posteriores dizem que ele foi bispo e companheiro do apóstolo João, mas elas surgiram séculos depois e não estão no texto bíblico.

O mundo dele

abre numa fase de crescimento da igreja de Jerusalém, por volta de 31 a 34 d.C. Lucas diz que, "naqueles dias", os discípulos se multiplicavam e surgiu uma queixa dos helenistas contra os hebreus, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária (). Os helenistas eram judeus de língua grega, em geral vindos da diáspora; os hebreus eram os de língua aramaica e hebraica nascidos na região. A igreja primitiva cuidava dos necessitados em comum (; 4:34-35), e as viúvas, sem sustento próprio, dependiam disso.

Os Doze reúnem a multidão dos discípulos e dizem que não é razoável que abandonem a palavra de Deus para servir às mesas (). Propõem que a comunidade escolha, entre si, sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, a quem seria confiada essa tarefa. A proposta agrada a todos, e escolhem Estêvão, descrito como homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia ().

Dois detalhes chamam atenção. O primeiro é que os sete nomes são gregos, o que leva muitos comentaristas a pensar que a comunidade escolheu homens do próprio grupo que reclamara, embora o texto não o diga expressamente. O segundo é que Lucas não usa a palavra "diácono" para eles; usa a família de palavras ligada a "serviço" (diakonia, diakonein), que também descreve o ministério da palavra dos apóstolos (). O nome Prócoro é grego e, segundo a explicação mais citada, combinaria "à frente" e "coro", mas Lucas não comenta o sentido, e não há como saber se isso diz algo sobre quem ele era. Também vale notar que a lista de é a única passagem do Novo Testamento em que Prócoro, Nicanor, Timão e Parmenas são mencionados, de modo que qualquer retrato maior desses homens precisa vir de fora do texto bíblico, e não dele.

A história

Depois da escolha, Lucas relata o gesto de envio: "Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos" (). É o que a Bíblia diz de Prócoro. Ao contrário de Estêvão, cujo ministério e martírio ocupam a 7:60, e de Filipe, que evangeliza Samaria e batiza o eunuco etíope (), os demais cinco nomes, incluindo Prócoro, Nicanor, Timão e Parmenas, não voltam a aparecer no Novo Testamento. Nicolau é o único outro com uma pista: fala dos nicolaítas, mas o texto não os liga a ele, e a ligação feita por alguns autores antigos é incerta.

Isso significa que tudo o que se pode dizer com segurança é o que Lucas diz sobre o grupo: eram sete, foram escolhidos pela comunidade, foram aprovados pelos apóstolos e receberam imposição de mãos para um serviço concreto. O resultado imediato vem no versículo seguinte: "A palavra de Deus crescia, e o número dos discípulos se multiplicava muito em Jerusalém" ().

A tradição posterior quis saber mais. Um texto conhecido como Atos de João por Prócoro, escrito provavelmente no século V, apresenta Prócoro como discípulo e companheiro de João; listas tardias atribuídas a Hipólito e a Doroteu, hoje consideradas pseudepigráficas, o colocam como bispo de Nicomédia, e outras tradições o fazem morrer como mártir em Antioquia. Nenhum desses dados aparece no Novo Testamento, e os próprios estudiosos tratam as fontes como lendárias ou tardias. Esses relatos servem para entender como a memória cristã tentou preencher lacunas, não como informação histórica sobre o Prócoro de .

As leituras sobre o grupo diferem. A tradição católica e a ortodoxa veem nos sete a origem do diaconato; já Ireneu, no século II, chama Nicolau de "um dos sete que foram os primeiros ordenados ao diaconato" (Contra as heresias 1.26.3), e a Igreja ortodoxa celebra Prócoro entre os santos. Muitos protestantes, como os reformados, enxergam aí o fundamento do ofício de diácono, ao passo que outros, como alguns comentaristas históricos, notam que Lucas não usa o título e que Estêvão e Filipe acabam mais conhecidos como pregadores do que como administradores. O texto de Atos permite as duas leituras sem decidir entre elas. Vale lembrar ainda que o próprio Lucas não dá explicação sobre a ordem dos nomes, e que a lista começa por Estêvão, descrito de modo mais amplo que os outros, o que talvez indique seu papel de destaque no grupo, embora isso seja apenas uma inferência a partir da ênfase do relato.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:Prócoro foi bispo de Nicomédia e morreu como mártir em Antioquia.

    Essa informação aparece só em tradições tardias, como listas atribuídas a Hipólito e a Doroteu, hoje consideradas pseudepigráficas. O Novo Testamento cita Prócoro uma única vez e não diz o que ele fez depois.

  • Dizem que:Prócoro escreveu o Evangelho de João, ou foi secretário dele.

    O texto bíblico não liga Prócoro a João. A ligação vem dos Atos de João por Prócoro, escrito provavelmente no século V e atribuído a ele, que é obra pseudepigráfica e não pode ser tomada como fonte histórica.

  • Dizem que:Atos 6 chama os sete de "diáconos".

    Lucas não usa a palavra "diácono" nesse trecho. Ele usa o vocabulário do serviço (diakonia, diakonein), que também descreve o ministério da palavra dos apóstolos. A identificação dos sete com os primeiros diáconos vem de leitura posterior, como a de Ireneu.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica

    Vê nos sete a origem do diaconato, com a imposição de mãos como gesto de ordenação. Os apóstolos delegam parte do serviço a ministros escolhidos pela comunidade e confirmados por eles, num modelo de colaboração entre os ministérios.

  • Ortodoxa

    Também reconhece nos sete o início do diaconato e comemora Prócoro entre os santos. As tradições litúrgicas e hagiográficas acrescentam informações sobre ele que o texto de Atos não contém, e a Igreja as recebe como tradição, não como parte do relato bíblico.

  • Protestante

    Muitos protestantes, em especial reformados, veem em o fundamento do ofício de diácono e do cuidado dos pobres pela igreja. Outros observam que Lucas não usa o título e tratam o episódio como solução prática para uma crise específica, sem formar necessariamente um ofício permanente.

O que fazer com isso

A escolha dos sete mostra que a igreja primitiva tratou um problema prático, a distribuição de comida às viúvas, como assunto que merecia pessoas reconhecidas, orações e imposição de mãos. Prócoro é lembrado por um único versículo, e o fato de o texto o incluir no grupo indica que o serviço discreto e organizado tinha lugar próprio na vida da comunidade, mesmo quando poucos detalhes sobre quem o realizava sobreviveram.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • Ireneu de Lião. Contra as heresias.
  • F. F. Bruce. The Book of Acts (New International Commentary on the New Testament), 1988.
  • Joseph A. Fitzmyer. The Acts of the Apostles (Anchor Bible), 1998.
  • Craig S. Keener. Acts: An Exegetical Commentary, volume 2, 2013.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem eram os sete escolhidos em Atos 6?

Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, de Antioquia, que era prosélito, isto é, convertido ao judaísmo ().

A Bíblia diz o que Prócoro fez depois?

Não. Ele é citado apenas em , na lista dos sete. As histórias sobre ele como bispo ou companheiro de João vêm de tradições posteriores.

Por que a igreja escolheu esses sete?

Os helenistas se queixaram de que suas viúvas eram esquecidas na distribuição diária. Os apóstolos pediram que a comunidade escolhesse sete homens de bom testemunho para cuidar disso, e eles puderam continuar com a oração e a palavra ().

Outros personagens

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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As passagens dele, explicadas

Sete homens para resolver um conflito real, não um número místico

O problema que abre o capítulo é concreto, não abstrato: com o crescimento rápido da comunidade cristã em Jerusalém, viúvas de origem grega (helenistas) estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de comida, em comparação com as viúvas de origem hebraica. É uma queixa de administração real, sobre pessoas reais passando fome ou sendo tratadas com desigualdade.

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