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Significado Bíblico
Profetaintermediária

Lúcio de Cirene

Quem foi Lúcio de Cirene na Bíblia?

Ficha do personagem

Cerca de 46 d.C.; Antioquia da Síria

Aparece em

Relações

Resposta curta

Lúcio de Cirene é um dos cinco profetas e mestres da igreja de Antioquia da Síria citados em , ao lado de Barnabé, Simeão chamado Níger, Manaém e Saulo. O texto informa apenas o nome e a cidade de origem, Cirene, na região da Líbia, no norte da África. Ele estava presente quando a comunidade adorava e jejuava e o Espírito Santo mandou separar Barnabé e Saulo para a obra missionária.

Seu nome costuma ser confundido com outros dois. Um é o Lúcio que envia saudações em e que Paulo chama de "parente", sem que o texto afirme tratar-se do mesmo homem. O outro é Lucas, o autor do terceiro evangelho e de Atos, que tem nome diferente. O resto é hipótese ou tradição posterior.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O texto não apresenta Lúcio como figura de Cristo. O que se pode dizer, com cautela, é que sua presença entre os líderes de Antioquia mostra o efeito da proclamação do Senhor Jesus fora dos limites de Jerusalém e da Judeia: pessoas vindas do norte da África, de Chipre, da Ásia Menor e da corte herodiana aparecem reunidas em torno do mesmo Senhor. já descreve cristãos de Cirene anunciando 'o Senhor Jesus' em Antioquia, e mostra o resultado dessa expansão em uma liderança diversificada.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Lúcio de Cirene foi um dos líderes da igreja de Antioquia, na Síria, por volta do ano 46. Ele vinha de Cirene, cidade grega no norte da África, e é chamado de profeta e mestre em . Estava no grupo que jejuava e orava quando o Espírito Santo pediu que Barnabé e Saulo fossem enviados em missão. A Bíblia diz muito pouco além disso. Ele não deve ser confundido sem mais com o Lúcio que Paulo chama de parente em , nem com Lucas, o autor do evangelho, que tem outro nome.

O mundo dele

Cirene era uma antiga cidade grega na costa da atual Líbia, capital de uma região chamada Cirenaica. Havia ali uma comunidade judaica numerosa, e o Novo Testamento deixa vestígios dela: judeus de "partes da Líbia junto a Cirene" estavam em Jerusalém no Pentecostes (), uma sinagoga dos cirenenses é mencionada em Jerusalém () e foi um homem de Cirene, Simão, quem carregou a cruz de Jesus (). Lúcio de Cirene pertence, portanto, a um mundo em que judeus da diáspora norte-africana circulavam entre sua terra e Jerusalém.

afirma que alguns homens de Chipre e de Cirene, ao chegarem a Antioquia, passaram a anunciar o Senhor Jesus também aos gregos, e que "a mão do Senhor estava com eles". Não se diz que Lúcio estivesse entre esses homens, mas é uma possibilidade que alguns comentaristas consideram plausível, já que a igreja de Antioquia teve origem em parte com cristãos de Cirene. O texto não permite afirmar.

Quanto ao nome, Lúcio é a forma portuguesa do nome latino Lucius, bastante comum no mundo romano e usado também por judeus de língua grega, que muitas vezes adotavam nomes greco-romanos. Não se deve confundi-lo com Lucas, nome grego (Loukas) de uma pessoa diferente: a relação etimológica entre os dois nomes é discutida e não é decisiva para o assunto, porque são nomes distintos no texto grego do Novo Testamento.

Por volta de 46 d.C., Antioquia era a terceira cidade do Império, depois de Roma e Alexandria, e sua igreja reunia pessoas de múltiplas origens. mostra isso na própria lista de líderes: um levita de Chipre (Barnabé), um homem de Cirene (Lúcio), alguém ligado à corte de Herodes Antipas (Manaém), um tarsense formado em Jerusalém (Saulo) e Simeão, que "se chamava Níger", nome latino que significa "escuro", sem que o texto diga mais sobre ele. O grupo é descrito, no conjunto, como "profetas e mestres".

A história

A pergunta que mais se faz sobre Lúcio de Cirene é se ele é o mesmo Lúcio de . Ali, escrevendo provavelmente de Corinto, Paulo envia saudações de Timóteo e de "Lúcio, Jasão e Sosípatro, meus parentes". A palavra grega traduzida por "parentes" (syngeneis) pode significar familiares de sangue ou, de modo mais amplo, compatriotas judeus, como em . Isso torna a identificação possível, mas indemonstrável: Lúcio era um nome comum, o texto de Romanos não menciona Cirene nem Antioquia, e entre e a carta aos Romanos passam cerca de dez anos. O Novo Testamento não afirma a identidade, e quem a defende o faz por hipótese.

A segunda confusão envolve Lucas. A tradição antiga registra que Orígenes, em seu comentário a Romanos, sugeriu que o Lúcio de seria o evangelista Lucas. Há objeções importantes. Lucas e Lúcio são nomes diferentes no grego. Além disso, em Paulo separa os colaboradores "da circuncisão" (Aristarco, Marcos e Jesus chamado Justo) de Lucas, que vem listado depois, o que leva muitos estudiosos a concluir que Lucas era gentio; ora, o Lúcio de é chamado de "parente" de Paulo, o que aponta para alguém de origem judaica. A hipótese, portanto, é antiga, mas enfrenta dificuldades que a maioria dos estudiosos considera sérias, embora alguns a defendam.

Também não há como saber o que Lúcio fez depois da partida de Barnabé e Saulo. Algumas listas tardias de discípulos e bispos atribuem a ele funções posteriores, inclusive episcopais, mas essas tradições não têm base no Novo Testamento e seu valor histórico é incerto.

O que oferece é o retrato de uma liderança plural. A lista começa por Barnabé, o mais conhecido em Jerusalém, e termina com Saulo, e cada nome traz uma origem diferente. Alguns estudiosos notam que, pela forma como a frase grega é construída, os primeiros três nomes parecem formar um grupo e os dois últimos, outro, o que levou à proposta de que Barnabé, Simeão e Lúcio seriam os profetas, e Manaém e Saulo, os mestres. É uma proposta de leitura, sem consenso entre os comentaristas.

Na cena seguinte (), o texto afirma que, enquanto "serviam ao Senhor e jejuavam", o Espírito Santo pediu que Barnabé e Saulo fossem separados. Atos não diz se Lúcio e os outros já haviam percebido isso antes, se a palavra veio por um dos profetas ou como foi recebida. Registra apenas que a comunidade jejuou, orou, impôs as mãos e os despediu. A participação de Lúcio é a de todos os demais: estar ali e obedecer.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Lúcio de Cirene é o evangelista Lucas.

    Lucas e Lúcio são nomes diferentes no texto grego, e nada em ou em Lucas-Atos sugere essa identificação. Além disso, parece distinguir Lucas dos colaboradores judeus de Paulo, o que torna difícil ver nele um homem de Cirene com origem judaica. A ideia existe desde a Antiguidade como hipótese, mas não é afirmada pelo texto.

  • Dizem que:O Lúcio de Atos 13:1 é, com certeza, o mesmo Lúcio de Romanos 16:21.

    Os dois textos não se referem um ao outro, e Lúcio era um nome frequente. Paulo chama o Lúcio de Romanos de "parente", mas não diz que ele era de Cirene nem que atuou em Antioquia. A identificação é possível, não demonstrada.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Patrística

    Alguns autores antigos, entre eles Orígenes segundo a tradição de seu comentário a Romanos, tendiam a identificar o Lúcio de com Lucas. Essa leitura procurava ligar nomes que apareciam no círculo de Paulo, mas depende de supor que os nomes sejam variantes do mesmo, o que a crítica moderna contesta.

  • Protestante

    Comentaristas protestantes de orientação histórico-gramatical, como F. F. Bruce, costumam tratar o Lúcio de como um líder cristão de origem judaica ou helenista de Cirene e manter distância das identificações com Lucas ou com o Lúcio de Romanos, por falta de base textual.

  • Católica

    A exegese católica contemporânea, como a de Joseph A. Fitzmyer, trata a lista de como testemunho da diversidade de ministérios em Antioquia e considera incerta a ligação com , reconhecendo que o texto não oferece dados para resolver a questão.

O que fazer com isso

Lúcio de Cirene é um nome que o texto mal desenvolve, mas que está no lugar certo: na lista dos que serviram, oraram e enviaram outros. A história sugere que boa parte da obra de uma comunidade depende de pessoas que aparecem uma vez nas Escrituras e cuja contribuição só é visível no conjunto. Há dignidade em ocupar esse lugar sem exigir que a própria biografia seja contada.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • F. F. Bruce. The Book of the Acts (New International Commentary on the New Testament), 1988.
  • Joseph A. Fitzmyer. The Acts of the Apostles (Anchor Bible), 1998.
  • Craig S. Keener. Acts: An Exegetical Commentary.
  • Douglas J. Moo. The Epistle to the Romans (New International Commentary on the New Testament), 1996.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Onde ficava Cirene?

Cirene era uma cidade grega na costa norte da África, na região hoje pertencente à Líbia, capital da Cirenaica. O Novo Testamento a menciona em :9, 11:20 e 13:1, e em , onde Simão de Cirene carrega a cruz.

Lúcio de Cirene é o autor do evangelho de Lucas?

Não há base para essa identificação. Lúcio e Lucas são nomes distintos no grego, e o texto não liga um ao outro. A sugestão aparece em autores antigos como hipótese, mas a maioria dos estudiosos modernos a considera pouco provável.

Lúcio de Cirene era parente de Paulo?

não diz isso. Em , Paulo chama um Lúcio de "parente", mas o texto não afirma que seja o mesmo homem de Cirene. Parente, ali, também pode significar compatriota judeu.

O que Lúcio fez depois do envio de Barnabé e Saulo?

O Novo Testamento não informa. Ele não é mencionado de novo em Atos, e as tradições posteriores sobre seu destino não têm respaldo bíblico.

Outros personagens

Publicado em 11/11/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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