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Significado Bíblico
Reiintermediária

Jeoaquim

quem foi Jeoaquim na Bíblia

Ficha do personagem

reino de Judá, fim do séc. VII a.C.

Relações

  • filho de Josias
  • irmão de Joacaz
  • pai de Joaquim

Resposta curta

Jeoaquim foi rei de Judá entre 609 e 598 a.C., colocado no trono pelo faraó Neco II depois que este removeu seu meio-irmão mais novo, Joacaz, três meses após a morte do pai de ambos, o rei Josias, morto em batalha contra o próprio Egito em Meguido. Neco trocou seu nome de nascença, Eliaquim, para Jeoaquim, e impôs pesado tributo sobre Judá, que o rei cobrou do povo por meio de impostos.

Durante seu reinado, Judá passou de vassala do Egito a vassala da Babilônia, e Jeoaquim se rebelou contra Nabucodonosor perto do fim de seu governo. É lembrado sobretudo por cortar e queimar, pedaço a pedaço, o rolo com as profecias de Jeremias, e por mandar matar o profeta Urias. Morreu por volta de 598 a.C.; o texto bíblico não detalha as circunstâncias, e seu filho Joaquim o sucedeu.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Contraste

Jeoaquim tenta destruir a palavra profética cortando-a e queimando-a pedaço por pedaço, mas ela volta escrita de novo, "e ainda se lhe acrescentaram muitas palavras semelhantes" () — o poder político não consegue apagar a palavra de Deus. O Novo Testamento retoma essa mesma convicção quando Paulo, preso, escreve que "a palavra de Deus não está algemada" (), e quando João apresenta a Palavra como aquele que habitou entre os homens e cuja luz as trevas não venceram (). Onde Jeoaquim representa o poder humano tentando calar a revelação, Cristo é apresentado como a Palavra que nenhum poder humano consegue destruir de forma definitiva — nem mesmo a cruz.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Jeoaquim foi um rei de Judá que reinou por volta de 609 a 598 antes de Cristo. Ele chegou ao trono porque o rei do Egito o escolheu, no lugar de um irmão mais novo, e cobrou impostos pesados do povo para pagar o Egito. Depois, teve que se submeter à Babilônia, mas acabou se rebelando. Ficou conhecido por pegar um rolo com mensagens do profeta Jeremias e queimá-lo aos pedaços, ignorando o aviso de conselheiros. Morreu pouco antes de Jerusalém ser cercada pelos babilônios.

O mundo dele

No fim do século VII a.C., o império assírio entrava em colapso e Egito e Babilônia disputavam o controle da região que incluía Judá. O rei Josias, que havia promovido uma reforma religiosa em Judá, morreu em 609 a.C. ao tentar barrar o faraó Neco II em Meguido, quando o exército egípcio marchava para socorrer os restos do exército assírio contra a ascendente Babilônia. Com a morte de Josias, o povo de Judá colocou no trono seu filho Joacaz (também chamado Salum), mas Neco, de volta da campanha, depôs Joacaz depois de apenas três meses e o levou prisioneiro para o Egito, onde morreu.

Neco então escolheu outro filho de Josias, Eliaquim, para ser rei vassalo, mudou seu nome para Jeoaquim ("o Senhor estabelece") e impôs a Judá um pesado tributo em prata e ouro. Jeoaquim, segundo , cobrou esse tributo do povo por meio de impostos, em vez de usar os recursos da própria coroa — um detalhe que os textos proféticos () tratam como sinal de injustiça social.

O equilíbrio regional mudou de vez em 605 a.C., quando o príncipe babilônico Nabucodonosor derrotou o Egito na batalha de Carquemis e assumiu o controle da Síria-Palestina. Jeoaquim tornou-se então vassalo da Babilônia por cerca de três anos, mas por volta de 601-598 a.C. rebelou-se, provavelmente incentivado por um revés militar egípcio contra os babilônios. É nesse pano de fundo — pressão política entre dois impérios, tributo pesado sobre a população e tensão crescente com a Babilônia — que se passam os episódios mais conhecidos do seu reinado, incluindo o conflito com o profeta Jeremias registrado no capítulo 36 desse livro. Esse pano de fundo é corroborado, em parte, por registros babilônicos independentes: a chamada Crônica de Nabucodonosor, publicada pelo assiriólogo D. J. Wiseman, menciona as campanhas do rei babilônico contra a região da Síria-Palestina nesse período, incluindo o cerco a Jerusalém que ocorreria logo depois da morte de Jeoaquim.

A história

Antes de ser proclamado rei, Jeoaquim se chamava Eliaquim; foi o faraó Neco II quem trocou seu nome ao colocá-lo no trono, um gesto que sinalizava dependência do Egito (). Uma vez rei, ele usou trabalho forçado e não pagou o salário devido aos operários que construíam seu palácio — comportamento que o profeta Jeremias denuncia diretamente, contrastando-o com a justiça social praticada por seu pai Josias ().

O conflito de Jeoaquim com os profetas de seu tempo aparece em pelo menos dois episódios registrados no livro de Jeremias. No primeiro (), o rei manda perseguir e executar o profeta Urias, filho de Semaías, que havia fugido para o Egito depois de profetizar contra Jerusalém nos mesmos termos que Jeremias; Jeoaquim extraditou Urias do Egito e o matou à espada, jogando o corpo numa vala comum — um contraste com Jeremias, que escapou de destino semelhante por ter o apoio do influente Aicã.

O episódio mais lembrado do seu reinado é a leitura e destruição do rolo de Jeremias, narrado em . No quarto ano de seu reinado, Jeremias dita a Baruque um rolo com todas as profecias de julgamento contra Judá desde o início de seu ministério. Baruque o lê no templo e depois para um grupo de oficiais da corte, que ficam alarmados e levam o rolo ao rei — mas antes escondem Baruque e Jeremias, temendo a reação real. No palácio de inverno, com um braseiro aceso por ser o nono mês do calendário hebraico, o secretário Jeudi lê o rolo em voz alta; a cada três ou quatro colunas lidas, Jeoaquim corta o pedaço com um canivete de escriba e o joga no fogo, até que todo o rolo é consumido — isso apesar do pedido de três conselheiros, Elnatã, Delaías e Gemarias, para que não o queimasse. Em seguida, o rei manda prender Jeremias e Baruque, mas o texto diz que "o Senhor os escondeu" ().

A resposta divina não é a submissão à censura, mas a ampliação da mensagem: Jeremias dita o mesmo conteúdo outra vez a Baruque, "e ainda se lhe acrescentaram muitas palavras semelhantes" (), incluindo uma sentença específica contra Jeoaquim — que não teria descendente assentado no trono de Davi e que seu cadáver seria exposto sem sepultamento (; ver também 22:18-19). A forma exata como Jeoaquim morreu, porém, não é narrada com clareza: apenas registra que ele "dormiu com seus pais", enquanto menciona que Nabucodonosor o algemou para levá-lo à Babilônia, sem dizer se isso de fato se consumou. Comentaristas discutem até hoje se ele morreu antes do cerco babilônico de 598-597 a.C. ou durante ele, e se seu corpo recebeu sepultura convencional.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Jeoaquim foi o rei levado prisioneiro para a Babilônia em 597 a.C.

    Essa deportação aconteceu com seu filho e sucessor, Joaquim (Jeoaquiim/Jeconias), que reinou apenas três meses antes de ser levado à Babilônia por Nabucodonosor (). Os nomes parecidos em português — Jeoaquim e Joaquim — costumam causar essa confusão entre pai e filho.

  • Dizem que:Ao queimar o rolo de Jeremias, Jeoaquim conseguiu apagar as profecias que não queria ouvir.

    O texto bíblico diz o contrário: Jeremias ditou o conteúdo de novo a Baruque, e ao rolo reconstituído "ainda se lhe acrescentaram muitas palavras semelhantes" () — o gesto do rei não eliminou a mensagem, ela chegou até nós ampliada.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada

    Enfatiza a soberania de Deus sobre a história política: o poder de um rei que rejeita a revelação não frustra o propósito divino — a palavra destruída volta ampliada, mostrando que o decreto de Deus prevalece sobre a resistência humana.

  • Católica

    Destaca a autoridade da Escritura e do ofício profético diante do poder civil: o episódio é lido como afirmação de que a palavra revelada transcende qualquer tentativa institucional de suprimi-la.

  • Ortodoxa

    Sublinha o aspecto moral da narrativa — o endurecimento de Jeoaquim é apresentado como resultado de escolhas repetidas contra avisos anteriores, preservando a liberdade humana real de aceitar ou rejeitar o chamado ao arrependimento até o fim.

  • Wesleyana/Arminiana

    Entende o julgamento sobre Jeoaquim como consequência de sua resistência voluntária e continuada à graça oferecida por meio da pregação profética, não como resultado de um decreto que excluísse de antemão a possibilidade de arrependimento.

O que fazer com isso

A história de Jeoaquim registra o que acontece quando o poder tenta calar a palavra profética: o rolo queimado não elimina a mensagem, apenas a faz ser escrita de novo, com mais peso do que antes. O relato também documenta, sem meias palavras, os efeitos concretos de um governo que oprime trabalhadores para sustentar luxo pessoal — um julgamento que a narrativa bíblica faz questão de nomear, e não disfarçar, mesmo tratando-se de um rei de Judá.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas5
  • John Bright. A History of Israel, 1981.
  • D. J. Wiseman. Chronicles of Chaldaean Kings (626-556 B.C.) in the British Museum, 1956.
  • Jack R. Lundbom. Jeremiah 21-36 (Anchor Bible), 2004.
  • C. F. Keil e F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament (2 Kings; Jeremiah), 1875.
  • Iain W. Provan. 1 and 2 Kings (New International Biblical Commentary), 1995.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Jeoaquim e Joaquim são o mesmo rei?

Não. Jeoaquim é o pai; Joaquim (também chamado Jeconias) é o filho que o sucedeu e reinou por apenas três meses antes de ser levado cativo para a Babilônia em 597 a.C. Os nomes parecidos em português costumam gerar essa confusão.

Por que Jeoaquim queimou o rolo de Jeremias?

O rolo continha profecias de julgamento contra Judá que o rei não quis ouvir nem aceitar como palavra vinda de Deus. Ele cortou o rolo com um canivete de escriba e o jogou no fogo à medida que era lido, ignorando o pedido de conselheiros para que não o fizesse ().

Como Jeoaquim morreu?

A Bíblia não descreve com clareza as circunstâncias. apenas diz que ele 'dormiu com seus pais', enquanto Jeremias havia predito um fim sem sepultamento honroso (; 36:30). Comentaristas discutem se ele morreu antes ou durante o cerco babilônico de Jerusalém.

Qual era o nome original de Jeoaquim?

Eliaquim. O faraó egípcio Neco II trocou seu nome para Jeoaquim ao colocá-lo no trono de Judá, um gesto que marcava sua posição de rei vassalo do Egito ().

Outros personagens

Publicado em 01/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

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As passagens dele, explicadas

ProfeciaJeremias 25:8-12

Setenta anos: a profecia com prazo marcado

A maioria das profecias bíblicas não vem com prazo numérico declarado. Esta vem: setenta anos de servidão a Babilônia, anunciados por Jeremias décadas antes do exílio se completar, e citados por nome dentro do próprio cânone em pelo menos três outros lugares — o que faz deste um dos casos mais documentados de profecia com prazo definido e cumprimento subsequente registrado na Bíblia.

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Costumes da épocaJeremias 10:1-5

Jeremias 10 fala sobre a árvore de Natal?

Em Jeremias 10:1-5, o profeta descreve a fabricação de ídolos comum entre os povos vizinhos de Israel: um artesão corta uma árvore no bosque, esculpe a madeira a machado e a reveste de prata e ouro, prendendo tudo com pregos para que não caia. O alvo do texto não é a árvore em si, mas o produto final — uma estátua religiosa feita por mãos humanas para ser adorada, prática comum na religião do Antigo Oriente Próximo.

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ParábolasJeremias 13:1-11

Por que Deus mandou o profeta enterrar um cinto de linho?

Deus manda o profeta Jeremias comprar um cinto de linho, vesti-lo sem lavá-lo e, tempos depois, escondê-lo numa fenda de rocha perto do Eufrates. Muitos dias se passam até ele voltar para desenterrar a peça, que aparece completamente apodrecida, imprestável. É um dos vários "atos proféticos" da Bíblia — mensagens que os profetas encenavam com o corpo, não apenas com palavras.

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Teologia densaJeremias 17:9

O coração humano é mesmo "enganoso mais que todas as coisas"?

Jeremias 17:9 vem depois de um contraste entre o homem que confia em si mesmo, comparado a um arbusto seco no deserto, e o que confia no SENHOR, comparado a uma árvore junto às águas (Jeremias 17:5-8). Em seguida, o diagnóstico: "O coração é mais enganoso que todas as coisas, e perverso; quem pode conhecê-lo?" (Jeremias 17:9). Não se trata de um órgão físico, mas do centro da vontade e das decisões humanas.

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Teologia densaJeremias 24:1-10

Os figos bons e maus: por que os exilados eram o povo bom, não os que ficaram

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A nova aliança em Hebreus 8

Hebreus 8:6-13 mostra Jesus como mediador de um pacto melhor que o firmado no Sinai. Para sustentar isso, o autor cita quase integralmente Jeremias 31:31-34: Deus prometeu fazer um novo pacto com Israel e Judá, no qual sua lei não estaria só em tábuas de pedra, mas gravada na mente e no coração do povo. O argumento é direto: se o primeiro pacto fosse infalível, ninguém buscaria um segundo lugar para ele.

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