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Significado Bíblico
Profetaintermediária

Baruque

Quem foi Baruque, o escriba de Jeremias?

Ficha do personagem

c. 605-580 a.C., Jerusalém e Egito

Aparece em

Relações

Resposta curta

Baruque, filho de Nerias, foi o escriba e secretário do profeta Jeremias. No quarto ano do rei Jeoaquim (c. 605 a.C.), escreveu num rolo o que Jeremias ditou, leu-o no templo e depois diante dos oficiais. O rei mandou lê-lo, cortou-o em pedaços e o queimou no braseiro; Baruque e Jeremias foram escondidos pelo Senhor, e um segundo rolo foi escrito, com acréscimos. Baruque também guardou a escritura do campo de Anatote (), foi acusado de influenciar o profeta quando o povo quis fugir para o Egito e acabou levado para lá (). Em , Deus lhe dirige uma palavra pessoal: que não busque grandes coisas para si. O livro apócrifo de Baruque é de data posterior.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

Baruque não prefigura Cristo, e o texto não o apresenta como tipo. Um tema do relato, porém, aparece no Novo Testamento: a palavra de Deus que o rei queima no braseiro é escrita de novo e permanece (). Jesus diz que o céu e a terra passarão, mas as suas palavras não passarão (), e cita Isaías para afirmar que a palavra do Senhor permanece para sempre. A ligação é de assunto, a durabilidade da palavra divina, e não cumprimento ou tipologia.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Baruque foi o escriba do profeta Jeremias. Escrevia o que o profeta ditava, e foi ele que leu no templo o rolo com as mensagens de Deus. O rei Jeoaquim mandou ler o rolo e o queimou, mas Jeremias ditou outro. Baruque também guardou a escritura de um campo que Jeremias comprou, foi acusado injustamente de influenciar o profeta e acabou levado para o Egito. Em um momento de desânimo, Deus lhe disse que não procurasse grandes coisas para si, mas que sua vida seria poupada.

O mundo dele

Baruque viveu em Jerusalém nos últimos anos do reino de Judá, entre o reinado de Jeoaquim e a queda da cidade, em 586 a.C. Era filho de Nerias e neto de Maaseias (). Seu irmão Seraías aparece em como oficial que acompanhou o rei Zedequias à Babilônia, o que sugere uma família com acesso a funções da corte. O texto, porém, não diz que Baruque ocupasse um cargo oficial, e o título que lhe dá é simplesmente o de escriba ().

Em Judá, os escribas formavam um grupo profissional importante. Redigiam documentos de compra e venda, correspondência e registros, e algumas famílias, como a de Safã, serviam no governo por gerações. Baruque se encaixa nesse quadro: sabia escrever, ler em voz alta e preservar documentos. A sua função, nos capítulos de Jeremias, não é a de profeta, e o livro nunca lhe aplica essa palavra.

Há também um dado arqueológico discutido. Impressões de selo em argila (bulas), publicadas por Nahman Avigad a partir de 1978, trazem a inscrição "pertencente a Berequias, filho de Nerias, o escriba", sendo Berequias a forma do nome com o elemento divino. Muitos estudiosos as consideram autênticas e ligadas ao escriba de Jeremias, mas elas vieram do mercado de antiguidades e não de escavação controlada, e por isso há quem questione sua proveniência e seu valor como prova.

O texto hebraico de Jeremias e a versão grega da Septuaginta diferem de modo notável: a grega é cerca de um oitavo mais curta e posiciona os oráculos contra as nações em outro lugar. Esse dado entra nas discussões sobre a formação do livro e sobre o trabalho de Baruque, embora o texto não diga quem fez cada edição.

O contexto político é decisivo. Em 605 a.C., a Babilônia derrotou o Egito em Carquemis, e Judá, vassalo do Egito, passou a ser pressionado por Nabucodonosor. Jeremias anunciava que o Senhor traria a Babilônia contra Judá (), o que o tornava impopular na corte e o impedia de entrar no templo (36:5).

A história

Em , o Senhor manda Jeremias escrever num rolo todas as palavras ditas desde os dias de Josias, na esperança de que Judá se arrependa. Jeremias dita e Baruque escreve (36:1-4). Como o profeta estava impedido de entrar no templo, Baruque lê o rolo em um dia de jejum, no nono mês do quinto ano de Jeoaquim, na câmara de Gemarias, filho de Safã (36:9-10). Micaías, neto de Safã, conta aos oficiais, que chamam Baruque e pedem que leia de novo. Assustados, os oficiais dizem que o rei precisa ouvir, mas aconselham: "Vai, esconde-te, tu e Jeremias" (36:19).

O rolo é guardado na câmara do escriba Elisama, e Jeudi o lê diante do rei, que está sentado numa casa de inverno diante de um braseiro. Cada vez que Jeudi lê três ou quatro colunas, o rei as corta com o canivete de escriba e as lança no fogo, até consumir o rolo inteiro (36:21-23). Elnatã, Delaías e Gemarias pedem que o rei não o queime, mas ele não os ouve e manda prender Baruque e Jeremias; "o Senhor os escondeu" (36:26). Jeremias dita então um novo rolo a Baruque, "e ainda muitas outras palavras semelhantes foram acrescentadas" (36:32). Esse versículo é importante para a história do texto: mostra que o livro de Jeremias cresceu em etapas, e as diferenças entre a versão hebraica e a grega, que é mais curta e traz outra ordem, são um tema aberto na pesquisa.

Em , Baruque recebe do profeta a escritura de compra do campo de Anatote e a guarda num vaso de barro, sinal de que, depois do exílio, haveria casas e campos de novo em Judá. Em , depois do assassinato de Gedalias, Azarias e Joanã dizem que Baruque estava incitando Jeremias contra eles, para entregá-los aos caldeus; ignoram a palavra do profeta e levam todos para o Egito, inclusive Jeremias e Baruque, até Tafnes.

é um oráculo particular, datado do quarto ano de Jeoaquim, mas colocado no final da seção sobre o Egito. Baruque se queixava de dor e cansaço; Deus responde que está derrubando o que construiu, e pergunta: "Procuras para ti grandes coisas? Não as procures", mas lhe promete a vida como despojo, aonde quer que vá (45:3-5).

O livro apócrifo de Baruque, aceito pelas tradições católica e ortodoxa, foi atribuído ao escriba, mas é de data posterior, em geral situada entre os séculos II e I a.C.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:Baruque foi um profeta como Jeremias.

    O livro de Jeremias o chama de escriba, e não de profeta (). Ele escreve o que Jeremias ditou e recebe, em , uma palavra do Senhor transmitida por meio do profeta. A tradição posterior o honrou, mas o texto original não lhe dá esse título.

  • Dizem que:O livro de Baruque da Bíblia católica foi escrito pelo próprio escriba de Jeremias.

    O livro deuterocanônico se apresenta como obra de Baruque no exílio, mas é geralmente datado entre os séculos II e I a.C., e muitos estudiosos o consideram uma composição de várias partes. Aceita-se como Escritura nas tradições católica e ortodoxa, não nas tradições judaica e protestante.

  • Dizem que:As profecias de Jeremias queimadas por Jeoaquim foram perdidas para sempre.

    O próprio texto diz que Jeremias ditou um novo rolo a Baruque, que escreveu todas as palavras do primeiro e acrescentou outras ().

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Histórico-crítica

    Muitos estudiosos, desde Sigmund Mowinckel, atribuem a Baruque ou a seu círculo parte da prosa biográfica de Jeremias, como os capítulos 26–45. A hipótese é debatida: alguns veem em Baruque um editor, outros apenas um escriba, e outros preferem pensar em escolas deuteronomistas.

  • Reformada e evangélica

    Lê o rolo queimado e reescrito como ilustração de que a Palavra de Deus não é destruída pela oposição. Baruque aparece como servo que aprende, em , que a vocação não garante conforto nem prestígio.

  • Católica e ortodoxa

    Reconhece o livro de Baruque como Escritura deuterocanônica e o lê junto com Jeremias, especialmente as orações de confissão e a reflexão sobre a sabedoria. Distingue, porém, o escriba histórico do autor ou dos autores do livro, tardios e anônimos.

O que fazer com isso

Baruque mostra um serviço feito nos bastidores: escreve, lê, guarda documentos e acompanha os riscos do profeta sem ter a autoridade dele. O oráculo de não promete grandeza a quem serve a palavra de Deus, mas sobrevivência e presença. A história pode ajudar quem trabalha em funções pouco vistas a entender que a fidelidade em tarefas menores também faz parte da história que o texto bíblico considera importante.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas3
  • Jack R. Lundbom. Jeremiah 21–36 (Anchor Bible 21B), 2004.
  • William L. Holladay. Jeremiah 2: A Commentary on the Book of the Prophet Jeremiah, Chapters 26–52 (Hermeneia), 1989.
  • Nahman Avigad. Hebrew Bullae from the Time of Jeremiah: Remnants of a Burnt Archive, 1986.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que Jeremias 45 diz a Baruque?

Que o Senhor está derrubando o que construiu e arrancando o que plantou, e que Baruque não deve buscar grandes coisas para si. Como compensação, sua vida lhe será dada como despojo em todos os lugares aonde for ().

Por que Baruque foi levado para o Egito?

Depois do assassinato de Gedalias, Joanã e os chefes do povo decidiram fugir para o Egito, apesar de Jeremias ter dito que não o fizessem. Acusaram Baruque de incitar o profeta, e levaram os dois consigo ().

Sabemos como Baruque morreu?

Não. O livro de Jeremias o deixa no Egito, e a Bíblia hebraica não relata seu fim. Tradições posteriores, judaicas e cristãs, lhe atribuem destinos variados, mas não são confirmáveis.

O que é o livro de Baruque?

Um texto deuterocanônico atribuído ao escriba, com orações, poemas sobre a sabedoria e consolações aos exilados. É aceito pelas tradições católica e ortodoxa, mas não pela judaica nem pela protestante, e sua composição é bem posterior à época de Jeremias.

Outros personagens

Publicado em 10/10/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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As passagens dele, explicadas

Costumes da épocaJeremias 36:1-8

Baruque, o escriba que copiou as palavras de Jeremias num rolo

No quarto ano do rei Joaquim, Deus manda Jeremias registrar num rolo todas as palavras proféticas ditas desde os dias de Josias. Como era comum na época, o próprio profeta não escreve: ele dita, e Baruque, filho de Neriás, escreve tudo com tinta sobre o rolo. Depois, Baruque é instruído a ler o texto em voz alta no templo, num dia de jejum em que gente de várias cidades de Judá estava reunida em Jerusalém, na esperança de que a mensagem provocasse arrependimento coletivo. É um dos raros textos bíblicos que detalha como um "livro" profético era literalmente produzido — ditado, escrito à mão por um escriba profissional, e proclamado diante de multidões que, em sua maioria, não sabiam ler.

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Levados ao Egito contra a própria profecia de Jeremias

Depois da queda de Jerusalém, sobreviventes de Judá pediram a Jeremias que consultasse o SENHOR sobre o que fazer e prometeram, de antemão, obedecer "seja bem ou seja mal" (Jeremias 42:6). A resposta foi clara: permanecer em Judá, não descer ao Egito. Mas os líderes do grupo, com Joanã filho de Careá à frente, acusaram Jeremias de mentir e de estar sob influência de Baruque, e fizeram o oposto do que haviam jurado.

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Teologia densaJeremias 36:21-23

Jeoaquim corta e queima o rolo de Jeremias

No inverno do quinto ano do rei Jeoaquim, Baruque leu no templo o rolo em que havia registrado, sob ditado de Jeremias, os avisos de Deus a Judá. A notícia chegou aos príncipes e depois ao rei. Jeudi buscou o rolo e o leu diante de Jeoaquim, que estava em sua casa de inverno com um braseiro aceso por causa do frio. Conforme cada três ou quatro colunas eram lidas, o rei cortava aquele trecho com a lâmina de um escriba e o jogava no fogo, até que todo o rolo se consumisse.

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Jeremias 22:13-14: o palácio sem justiça

Em Jeremias 22:13-14, o profeta pronuncia um "ai" - fórmula profética de denúncia - contra um governante de Judá que constrói um palácio amplo, com janelas, forro de cedro e pintura vermelha, mas o faz usando o trabalho de seus súditos sem pagar o salário devido. O versículo 18, mais adiante no capítulo, identifica esse rei como Jeoaquim, filho de Josias, colocado no trono pelo Egito depois que seu irmão Jeoacaz foi deposto.

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Costumes da épocaJeremias 44:1-6

Judeus fugidos para o Egito continuam idolatrando: por que Jeremias os alcança até lá?

Depois da queda de Jerusalém, um grupo de judeus foge para o Egito levando Jeremias contra a vontade dele, e o capítulo 44 mostra que o problema que destruiu a nação não ficou para trás na travessia. O oráculo é endereçado a comunidades específicas, em Migdol, Tapanes, Nofe e na região de Patros, nomes que provam que os refugiados se espalharam e se fixaram, recriando exatamente os mesmos cultos que Jeremias passara décadas condenando em Judá. Deus lembra a eles, por meio do profeta, a destruição já vista com os próprios olhos e pergunta, em essência, por que reproduzir o mesmo erro que provocou aquela ruína. O texto revela que a idolatria não era um problema de território, mas de coração, e por isso alcança os fugitivos onde quer que estejam.

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Personagens obscurosJeremias 45:4-5

O recado de Deus a Baruque em meio ao colapso

Jeremias 45 é um dos textos mais curtos e pessoais do livro: um oráculo dirigido não a um rei nem à nação, mas a Baruque, o escriba que registrava as palavras de Jeremias. Baruque tinha acabado de desabafar cansaço e dor diante do colapso ao redor. A resposta de Deus, nos versículos 4 e 5, reafirma que o juízo sobre a terra é irrevogável — o que foi edificado será destruído, o que foi plantado será arrancado — e vai direto ao ponto: Baruque não deve buscar "grandezas" para si em meio à catástrofe.

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