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Significado Bíblico
Costumes da épocaintermediária
Ilustração da categoria Costumes da época

Baruque, o escriba que copiou as palavras de Jeremias num rolo

Quem foi Baruque e como ele registrou as profecias de Jeremias?

Sucedeu, no quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, que veio esta palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: Toma para ti um rolo de livro, e escreve nele todas as palavras que falei a ti sobre Israel e sobre Judá, e sobre todas as nações, desde o dia que comecei a falar a ti, desde os dias de Josias até hoje. Talvez a casa de Judá ouça todo o mal que eu penso lhes fazer; para que cada um se converta de seu mau caminho; então eu perdoarei a maldade e o pecado deles. Então Jeremias chamou a Baruque, filho de Nerias; e Baruque escreveu da boca de Jeremias, em um rolo de livro, todas as palavras que o SENHOR havia lhe falado. E Jeremias mandou a Baruque, dizendo: Eu estou preso, não posso entrar na casa de SENHOR; Portanto entra tu, e lê do rolo que escreveste de minha boca as palavras do SENHOR aos ouvidos do povo, na casa do SENHOR, no dia do jejum; e também as lerás aos ouvidos de todo Judá, os que vêm de suas cidades. Talvez a oração deles chegue à presença do SENHOR, e cada um se converta de seu mau caminho; porque grande é a ira e o furor que o SENHOR tem pronunciado contra este povo. E Baruque filho de Nerias fez conforme a tudo quanto o profeta Jeremias havia lhe mandado, lendo naquele livro as palavras do SENHOR na casa do SENHOR.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

No quarto ano do rei Joaquim, Deus manda Jeremias registrar num rolo todas as palavras proféticas ditas desde os dias de Josias. Como era comum na época, o próprio profeta não escreve: ele dita, e Baruque, filho de Neriás, escreve tudo com tinta sobre o rolo. Depois, Baruque é instruído a ler o texto em voz alta no templo, num dia de jejum em que gente de várias cidades de Judá estava reunida em Jerusalém, na esperança de que a mensagem provocasse arrependimento coletivo. É um dos raros textos bíblicos que detalha como um "livro" profético era literalmente produzido — ditado, escrito à mão por um escriba profissional, e proclamado diante de multidões que, em sua maioria, não sabiam ler.

No capítulo seguinte, esse mesmo rolo será queimado pelo rei, pedaço por pedaço.

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O rolo escrito por Baruque é queimado pelo rei no capítulo seguinte, mas Deus manda reescrevê-lo com acréscimos (36:27-32), ilustrando que a palavra de Deus resiste a tentativas humanas de destruição — tema que o Novo Testamento retoma ao afirmar que "a palavra do Senhor permanece para sempre", aplicando essa mesma permanência ao próprio anúncio do evangelho de Cristo.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Deus mandou Jeremias registrar por escrito tudo que ele já tinha profetizado. Como era comum na época, Jeremias não escreveu com a própria mão: ele dictou, e Baruque, seu ajudante e escriba profissional, escreveu tudo com tinta num rolo. Depois, Baruque leu esse rolo em voz alta para o povo reunido no templo, num dia de jejum, na esperança de que as pessoas se arrependessem. Esse relato mostra, com detalhes raros, como um livro da Bíblia era literalmente produzido naquela época.

Contexto histórico

se passa no quarto ano de Joaquim (aproximadamente 605-604 a.C.), pouco depois da ascensão babilônica registrada em . Deus ordena que Jeremias escreva num מְגִלַּת־סֵפֶר (megillat-sefer, "rolo de livro") todas as palavras proferidas contra Israel, Judá e as nações desde o início de seu ministério, no reinado de Josias — um projeto de compilação retrospectiva que sugere a formação consciente de uma coleção escrita e organizada de material profético já disperso oralmente por muitos anos.

O detalhe mais revelador do capítulo é o método de produção: Jeremias não escreve pessoalmente, mas dita a Baruque, filho de Neriás, que registra tudo "da boca de Jeremias" com tinta (דְּיוֹ, deyo) sobre o material do rolo (36:4, 18). Esse processo de dicção a um escriba profissional era prática padrão no mundo antigo para documentos extensos, legais ou literários — a alfabetização funcional era relativamente rara, e escribas formavam uma classe profissional treinada especificamente para composição e cópia de textos, muitas vezes vinculada a famílias de longa tradição na corte ou no templo, como sugere o próprio nome de Baruque, cujo pai, Neriás, aparece também associado a Seraías, possivelmente da mesma linhagem de escribas.

Após a redação, Baruque recebe instrução para ler o rolo publicamente no templo, num dia de jejum proclamado, quando pessoas de várias cidades de Judá estavam reunidas em Jerusalém (36:6, 9-10) — um momento estrategicamente escolhido para maximizar o alcance da mensagem entre uma audiência já predisposta, pelo próprio jejum, a um estado de atenção religiosa e de reflexão nacional sobre possíveis causas de crise iminente. A leitura pública funciona como o principal meio de divulgação de conteúdo escrito numa sociedade majoritariamente iletrada: o rolo não era distribuído para leitura individual, mas proclamado em voz alta para ser ouvido coletivamente, prática que explica por que boa parte da literatura profética bíblica foi originalmente composta em formas retoricamente memorizáveis e repetíveis.

Aprofundamento

O termo מְגִלָּה (megillah, Strong H4039) designa especificamente um rolo de material flexível — provavelmente couro ou papiro — enrolado em torno de um eixo, formato padrão para documentos extensos antes da popularização do códice, séculos depois. Jack R. Lundbom, na Anchor Bible, dedica atenção considerável ao papel de Baruque neste capítulo, observando que ele não é apresentado como mero copista passivo, mas como agente ativo e confiável do processo de composição, a quem Jeremias delega responsabilidades crescentes — inclusive lendo o texto perante autoridades e, mais tarde, redigindo uma segunda versão do rolo depois que o rei Joaquim manda queimar a primeira (36:27-32).

Um achado arqueológico frequentemente citado nesse contexto é uma bula de argila (impressão de selo) publicada nas décadas de 1970-80, com inscrição possivelmente lida como "Berequias filho de Neriás, o escriba" — nome quase identico ao de Baruque; é importante notar, com honestidade acadêmica, que essa peça específica não tem proveniência escavada documentada, o que gera debate legítimo entre epigrafistas sobre sua autenticidade, e deve ser citada com a devida cautela, sem tratá-la como prova definitiva e incontestável da existência histórica do escriba bíblico.

Christopher Rollston, especialista em epigrafia da Palestina antiga, documenta de forma mais ampla e sólida que selos e bulas de escribas do período final da monarquia de Judá são numerosos e bem atestados no registro arqueológico geral da região, confirmando que a existência de uma classe escriba profissional, treinada e socialmente reconhecida, como a sugerida pelo papel de Baruque, é historicamente plausível e consistente com outras evidências independentes do período. Do ponto de vista da crítica textual mais ampla, alguns estudiosos, seguindo uma linha inaugurada por Sigmund Mowinckel, propõem que Baruque teria funcionado não apenas como escriba mecânico, mas como um editor inicial da tradição jeremiânica, moldando parcialmente a forma final que o livro assumiria — hipótese instigante, mas que permanece necessariamente especulativa, dada a escassez de evidência textual direta e conclusiva sobre o processo editorial exato do livro tal como o conhecemos hoje. Vale notar, por fim, que o próprio capítulo documenta um segundo ato de composição: depois que o rei Joaquim manda queimar o rolo original (36:23), Deus ordena a Jeremias que dite novamente todo o conteúdo a Baruque, que produz uma segunda versão do mesmo texto, agora "com muitas palavras semelhantes" acrescentadas (36:32) — evidência textual interna rara de um processo real de redação, perda e reconstituição de conteúdo profético dentro da própria narrativa bíblica.

O que costumam dizer errado1 afirmação
  • Dizem que:Baruque era apenas um ajudante sem importância, um copista anônimo e substituível.

    Escribas como Baruque ocupavam posição social e profissional relevante, evidenciada por selos e bulas de escribas do período, e o próprio Baruque aparece depois como destinatário de um oráculo pessoal () e possivelmente como editor inicial da tradição do livro.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • judaismo

    A tradição judaica posterior desenvolveu um livro apócrifo atribuído a Baruque, refletindo seu status legendário crescente como discípulo e colaborador próximo de Jeremias na memória religiosa israelita.

  • critica textual academica

    Alguns estudiosos, seguindo Sigmund Mowinckel, propõem que Baruque funcionou como editor inicial de parte da tradição jeremiânica, hipótese instigante mas ainda especulativa diante da evidência disponível.

No original2 termos
  • מְגִלָּהmegillahH4039

    "Rolo"; formato padrão de documento extenso no mundo antigo, usado aqui para a compilação escrita das profecias ditadas por Jeremias a Baruque.

  • דְּיוֹdeyoH1773

    "Tinta"; material usado por Baruque para registrar as palavras dita por Jeremias, mencionado explicitamente em 36:18 como detalhe concreto do processo de escrita.

O que fazer com isso

O texto lembra que a palavra profética bíblica não chegou até nós por acaso: pessoas concretas, como Baruque, arriscaram-se profissional e pessoalmente para registrar, preservar e proclamar publicamente mensagens que o poder político da época queria silenciar. Isso convida a valorizar o trabalho muitas vezes anônimo de quem preserva e transmite conteúdo importante, mesmo sem receber crédito público proporcional ao papel real que desempenhou nesse processo.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas2 obras
  • Jack R. Lundbom. Jeremiah 21-36 (Anchor Bible), 2004.
  • Christopher Rollston. Writing and Literacy in the World of Ancient Israel, 2010.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que Jeremias não escreveu o rolo com a própria mão?

Porque ditar a um escriba profissional, treinado especificamente para composição e cópia de textos, era a prática padrão para documentos extensos no mundo antigo, independentemente do nível de alfabetização do autor da mensagem.

Existe alguma evidência arqueológica de Baruque?

Há uma bula de argila com inscrição possivelmente referente a ele, mas sem proveniência escavada documentada, o que exige cautela acadêmica; selos de escribas do período em geral, porém, são bem atestados arqueologicamente.

Temas

  • #baruque
  • #escriba
  • #rolo
  • #escrita-antiga
  • #profecias
  • #antigo-testamento
  • #jeremias

Publicado em 16/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 2 obras citadas, com autor e ano
  • 1 afirmação popular checada e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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