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Significado Bíblico
Reiavançada

Artaxerxes

Quem foi Artaxerxes na Bíblia, o rei que enviou Esdras e Neemias?

Ficha do personagem

Pérsia, séc. V a.C.; Susã e Jerusalém

Aparece em

Relações

Resposta curta

Artaxerxes é o rei persa que aparece em Esdras e Neemias em três momentos que parecem contraditórios. Em , a pedido de autoridades da província, manda suspender a reconstrução de Jerusalém. Em , no seu sétimo ano, entrega a Esdras uma carta que autoriza o retorno de israelitas, prevê donativos e confere autoridade para ensinar e julgar segundo a lei do Deus do céu. Em , no vigésimo ano, permite que seu copeiro Neemias vá reconstruir os muros. O verbete explica esse papel na restauração e sinaliza a discussão sobre qual Artaxerxes está em vista, em especial na cronologia da missão de Esdras.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

Artaxerxes não é figura de Cristo, e o texto não o apresenta assim. A relação com o Novo Testamento é indireta: a restauração de Jerusalém sob o domínio persa faz parte do caminho histórico que mantém vivos o povo, a Escritura e o templo até o tempo de Jesus. Também a ideia de que Deus conduz o coração de um rei pagão a favor do seu propósito tem eco em passagens que falam da autoridade humana subordinada à vontade de Deus, sem vínculo direto com Artaxerxes.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Artaxerxes foi um rei da Pérsia que governou os judeus depois do exílio. Num momento, ouviu acusações contra Jerusalém e mandou parar a reconstrução da cidade. Mais tarde, enviou o sacerdote Esdras com uma carta que dava autoridade e recursos para organizar a vida religiosa e judicial do povo. Anos depois, permitiu que seu copeiro Neemias fosse a Jerusalém para reconstruir os muros. O texto da Bíblia não diz qual dos reis chamados Artaxerxes está em cada cena, e por isso os estudiosos discutem as datas, especialmente a missão de Esdras.

O mundo dele

Artaxerxes é um nome de rei persa, e o texto bíblico não o acompanha de numeração. Na história conhecida, houve Artaxerxes I (cerca de 465 a 424 a.C.), Artaxerxes II (cerca de 404 a 358 a.C.) e Artaxerxes III (cerca de 358 a 338 a.C.), este sem papel nos relatos bíblicos. A maioria dos estudiosos entende que o Artaxerxes de Neemias é o primeiro, em parte porque os papiros de Elefantina, do fim do século V a.C., mencionam o sumo sacerdote Joanã e Sanbalate, governador de Samaria, figuras ligadas ao tempo de Neemias. O vigésimo ano de Artaxerxes I corresponderia a 445 a.C.

O império persa dominava então a região "além do rio" (a satrapia de Transeufrates), e Judá era uma pequena província. A administração persa costumava autorizar cultos locais e conceder isenções, desde que garantisse lealdade e tributo. A atuação de Artaxerxes, na Bíblia, deve ser lida com esse pano de fundo: o rei não aparece como adorador do Senhor, mas como governante que, por política imperial, interesse em estabilidade ou favorecimento pessoal, decide a favor de Jerusalém.

Susã, uma das capitais persas, é o cenário de , onde Neemias serve como copeiro do rei. Esdras, por sua vez, é descrito como escriba versado na lei de Moisés, e a carta de Artaxerxes a ele, em aramaico (), é um dos documentos mais estudados do período. Ao mesmo tempo, reproduz uma correspondência em que autoridades regionais denunciam os judeus como rebeldes e obtêm do rei uma ordem de interromper a obra. As diferenças de tom entre os textos têm levado a debates sobre cronologia e sobre a relação entre os dois livros. Esdras e Neemias, aliás, foram transmitidos como um só livro em parte da tradição judaica antiga, e a ordem em que os acontecimentos aparecem no texto nem sempre segue a ordem em que ocorreram, o que exige cuidado com datas e personagens. A distância entre eles, de poucos anos ou de décadas, depende da resposta que se dê à questão do rei.

A história

Três textos formam o retrato bíblico de Artaxerxes. O primeiro é . Reum, comandante, e Sinsai, escrivão, escrevem ao rei que os judeus estão reconstruindo a "cidade rebelde e má", a qual, uma vez restaurada, deixará de pagar tributo. O rei manda pesquisar os registros, confirma que Jerusalém já tinha sido sede de reis poderosos e ordena que a obra pare até nova ordem (). Note-se que o texto fala da cidade e dos muros, e não do templo, o que levou muitos estudiosos a ver ali um episódio relacionado ao tempo de Neemias, ou a uma tentativa anterior de reconstruir a muralha, e não à obra do templo.

O segundo é , no sétimo ano do rei. Artaxerxes, chamado "rei de reis", concede a todo israelita, sacerdote ou levita que queira ir a Jerusalém a permissão de partir com Esdras, envia prata e ouro com o tesouro régio, isenta ministros do templo de tributos e ordena que Esdras estabeleça juízes que conheçam a lei de seu Deus. A carta fala também de penalidades para quem não obedecer à lei do Deus de Esdras e à lei do rei ().

O terceiro é . No mês de nisã do vigésimo ano, Neemias, copeiro, aparece triste diante do rei, e a rainha estava sentada ao lado. O rei pergunta o motivo, Neemias ora em silêncio ao Deus do céu e pede para ir a Judá reconstruir a cidade dos sepulcros dos seus pais. O rei concede, fixa um prazo, entrega cartas aos governadores e uma ordem para obter madeira ao guarda da floresta. e 13:6 indicam que Neemias foi governador do vigésimo ao trigésimo segundo ano de Artaxerxes e depois voltou ao rei.

A cronologia de Esdras é a parte mais debatida. Se o Artaxerxes de for o primeiro, a missão de Esdras ocorre em 458 a.C., antes de Neemias. Se for Artaxerxes II, seria cerca de 398 a.C., depois de Neemias. Cada hipótese tem dificuldades, e o texto bíblico não resolve a questão. Em favor da primeira hipótese, ressalta-se que Neemias encontra Esdras em Jerusalém (), o que sugere atuação simultânea, ao menos em parte do tempo; em favor da segunda, alega-se que o sumo sacerdote Joanã aparece em , nome que remeteria a uma geração posterior. Nenhum argumento é decisivo. O que o relato afirma é que um rei estrangeiro, em momentos distintos, autorizou e ajudou o que antes tinha proibido.

O que costumam dizer errado3
  • Dizem que:Esdras e Neemias voltaram a Jerusalém juntos, no mesmo ano, enviados pelo mesmo decreto.

    O texto indica missões separadas: Esdras no sétimo ano de Artaxerxes () e Neemias no vigésimo (). Mesmo na cronologia mais comum, são cerca de treze anos de diferença, e a relação entre eles é debatida.

  • Dizem que:A Bíblia deixa claro que o Artaxerxes de Esdras é Artaxerxes I.

    O texto só diz "Artaxerxes". A identificação com o primeiro é a mais comum, mas há propostas de situar Esdras sob Artaxerxes II. Isso muda a ordem entre Esdras e Neemias e continua em discussão.

  • Dizem que:Artaxerxes tornou-se adorador do Deus de Israel.

    A carta de fala do "Deus do céu" e do "Deus de Esdras" na linguagem comum da política persa, de apoio a cultos locais, sem indicar conversão. O texto não afirma que o rei abandonou sua religião.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaica

    A tradição judaica valoriza o decreto de Artaxerxes como parte da reconstituição da vida religiosa em torno da Torá, ligando a missão de Esdras à origem do judaísmo do Segundo Templo.

  • Protestante

    Muitos comentaristas protestantes veem em Artaxerxes um exemplo da providência de Deus operando por meio de governantes pagãos. Há divergência sobre cronologia: parte aceita Artaxerxes I para ambas as missões, outra parte propõe Artaxerxes II para Esdras.

  • Católica

    A exegese católica trata Esdras-Neemias como história teológica da restauração e reconhece as dificuldades cronológicas, sem fixar uma única solução.

  • Ortodoxa

    A tradição ortodoxa, que usa Esdras na Septuaginta (com o livro de 1 Esdras), lê o período como retorno e renovação da lei. Em algumas leituras cristãs antigas, o decreto de Artaxerxes serve de marco para calcular as setenta semanas de , ainda que haja várias propostas de início.

O que fazer com isso

Artaxerxes lembra que o texto bíblico não esconde a ambivalência do poder político: o mesmo rei que interrompeu a obra em Jerusalém depois a autorizou. O relato não o apresenta como herói religioso, mas como instrumento por meio do qual a restauração avançou, atribuindo a abertura do coração do rei à mão de Deus (; ). A leitura pede paciência diante de decisões de autoridades que mudam com o tempo.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
  • H. G. M. Williamson. Ezra, Nehemiah (Word Biblical Commentary), 1985.
  • Joseph Blenkinsopp. Ezra-Nehemiah: A Commentary (Old Testament Library), 1988.
  • Pierre Briant. From Cyrus to Alexander: A History of the Persian Empire, 2002.
  • Flávio Josefo. Antiguidades Judaicas.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Qual Artaxerxes enviou Neemias?

A maioria dos estudiosos entende que foi Artaxerxes I, em 445 a.C., o vigésimo ano do seu reinado. O texto de Neemias não numera o rei, e a datação vem de comparação com fontes extrabíblicas, como os papiros de Elefantina.

Artaxerxes ajudou ou atrapalhou a reconstrução de Jerusalém?

Os dois, em momentos diferentes. Em ordena parar a obra, a pedido de autoridades locais. Em e autoriza e apoia a missão de Esdras e a reconstrução dos muros por Neemias.

Quando foi a missão de Esdras?

No sétimo ano de Artaxerxes (). Se for Artaxerxes I, seria 458 a.C.; se for Artaxerxes II, cerca de 398 a.C. A questão é debatida, e o texto não a resolve.

Outros personagens

Publicado em 07/11/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

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As passagens dele, explicadas

Teologia densaNeemias 2:1-8

A oração de segundos de Neemias diante do rei

Neemias era copeiro do rei Artaxerxes, cargo de confiança que incluía provar o vinho do soberano antes de servi-lo. No mês de Nisã, no vigésimo ano do reinado, ele aparece diante do rei ainda abatido pela notícia de que Jerusalém, terra de seus antepassados, seguia em ruínas. Mostrar tristeza na presença do rei era arriscado, e por isso ele "teve muito medo" quando questionado sobre o semblante.

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O decreto persa que isentava sacerdotes e levitas de todos os impostos

No decreto que autoriza a missão de Esdras a Jerusalém, o rei persa Artaxerxes vai além de financiar a reconstrução religiosa: ordena expressamente aos tesoureiros da província que nenhum tributo, taxa ou pedágio seja cobrado dos sacerdotes, levitas, cantores, porteiros, servos do templo e demais ministros da casa de Deus. É uma política fiscal concreta, com efeitos econômicos reais, vinda de um império pagão em favor direto do culto judaico — o tipo de detalhe administrativo que raramente aparece nos sermões sobre Esdras, mais focados na reforma espiritual do que na engenharia tributária que a sustentou. O decreto ainda inclui provisão generosa de prata, trigo, vinho, azeite e sal para os sacrifícios no templo, dentro de limites especificados.

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Teologia densaEsdras 7:27-28

Esdras louva a Deus por mover o coração de um rei pagão

Depois de citar, quase palavra por palavra, um decreto do rei persa Artaxerxes concedendo recursos e autoridade para a missao de Esdras, o texto interrompe a narrativa para uma explosao de louvor: bendito seja o Senhor, que pos tal coisa no coracao do rei. Esdras 7:27-28 e uma doxologia pessoal, em primeira pessoa, inserida no meio de um documento burocratico oficial. O gesto e teologicamente denso: Esdras nao credita a decisao a diplomacia habil, a sorte politica ou a simpatia pessoal do imperador persa, credita diretamente a providencia de Deus, que teria movido o coracao de um rei que nao adorava o Deus de Israel. E uma afirmacao ousada de soberania divina sobre decisoes politicas tomadas por autoridades pagas, sem que o texto negue a agencia real do proprio rei ao decidir.

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Costumes da épocaNeemias 1:9-11

Neemias era 'copeiro do rei': que cargo era esse na corte persa?

Neemias 1:11 revela, quase de passagem, um dado essencial para entender o resto do livro: "eu era copeiro do rei". Na corte persa aquemênida, o copeiro (מַשְׁקֶה, mashqeh) não era um garçom qualquer — era um cargo de altíssima confiança, responsável por servir e provar o vinho do monarca antes dele beber, como proteção contra envenenamento, e por isso exigia acesso físico diário e direto ao rei.

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O banquete de 180 dias e a lei de 'beba como quiser'

No terceiro ano de seu reinado, o rei persa Assuero organiza uma exibicao de poder e riqueza que dura cento e oitenta dias para nobres e oficiais do imperio, seguida de um banquete de sete dias para todo o povo de Susa, a capital. Ester 1:1-9 registra um detalhe cultural curioso e especifico: a bebida era servida em vasos de ouro variados, e havia uma lei explicita determinando que nenhum convidado seria forcado a beber alem do que quisesse, cada copeiro deveria seguir a vontade individual de cada homem presente. O detalhe preserva um traco raro da etiqueta de banquete persa, dispensando a pressao social costumeira de beber por obrigacao em festas reais da antiguidade, um respiro de escolha pessoal dentro de uma corte marcada, no restante do livro, por decisoes impositivas e autoritarias do proprio rei.

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