Diná
O que significa o nome Diná na Bíblia?
Ficha do nome
provavelmente “julgamento” ou “justiça”, da raiz din (“julgar”); a Bíblia não explica o nome, e o sentido é inferência dos estudiosos
דִּינָה · Dinah
- Origem
- hebraico
- Gênero
- Feminino
- Uso
- Pouco comum no Brasil
- Variantes
- Diná, Dina, Dinah
Resposta curta
Diná vem do hebraico Dinah e costuma ser entendido como “julgamento” ou “justiça”, por causa da raiz din, “julgar”. É o nome da única filha de Jacó citada pelo nome, nascida de Léia (). Ao contrário dos irmãos, Diná não recebe no texto uma explicação para o próprio nome, de modo que a ligação com “julgar” é inferência dos estudiosos, e não uma etimologia declarada pela Bíblia. O nome ganha peso narrativo em , episódio de violência e de vingança familiar. No Brasil é um nome incomum e também circula como Dina, grafia que pode ser apelido de outros nomes.
O personagem por trás do nome
Diná
c. séc. XVIII a.C., Siquém, Canaã
Diná foi a única filha de Jacó e Léia mencionada pelo nome no Gênesis. É conhecida quase só pelo episódio narrado em Gênesis 34. Jacó havia se instalado perto de Siquém, e Diná saiu para visitar as moças da região. Siquém, filho do príncipe local Hamor, a tomou, deitou-se com ela e a humilhou; depois, apaixonado, pediu-a em casamento.
A história completa de Diná →Em palavras simples
Diná é o nome da filha de Jacó e Léia (). O nome parece vir do verbo hebraico que significa “julgar”, por isso costuma ser traduzido como “julgamento” ou “justiça”. A Bíblia, porém, não explica o nome, ao contrário do que faz com os irmãos de Diná, então esse sentido é uma dedução dos estudiosos. A personagem aparece com destaque em , num episódio de violência. No Brasil, é um nome incomum, às vezes escrito Dina.
De onde vem o nome
Diná aparece primeiro em : “Depois deu à luz uma filha e lhe chamou Diná”. O versículo vem logo depois do nascimento de Issacar e Zebulom, os últimos filhos de Léia, de modo que Diná é a sétima criança que ela tem com Jacó e a única menina. Nos casos anteriores, quando Léia, Raquel e as servas dão nome aos filhos, o texto costuma acrescentar uma explicação, quase sempre um jogo de palavras com o que a mãe sentia ou dizia. Com Diná isso não acontece: o texto registra o nome e segue adiante. Quem procura o “porquê” do nome precisa, portanto, recorrer a hipóteses.
A personagem reaparece em , depois da volta de Jacó a Canaã e de sua instalação perto da cidade de Siquém. Diná sai “para ver as filhas da terra” (34:1) e é violentada por Siquém, filho de Hamor, príncipe da região (34:2). Siquém quer então casar com ela, e o pai propõe uma aliança entre as duas famílias. Os filhos de Jacó respondem com engano: exigem que os homens da cidade sejam circuncidados. No terceiro dia, Simeão e Levi, irmãos de Diná por parte de mãe, matam os homens da cidade e retiram a irmã da casa de Siquém (34:25-26). Jacó reprova a violência (34:30), e os irmãos respondem com uma pergunta que fecha o capítulo (34:31).
O narrador condena o ato contra Diná como algo que “não se devia fazer” (34:7), mas o capítulo nunca registra uma fala dela. Diná é mencionada ainda uma vez, na lista dos descendentes de Jacó que desceram ao Egito (), e depois disso some do texto. Nada se diz sobre seu casamento ou sobre o resto de sua vida; quem preenche esse silêncio, como em romances recentes, está acrescentando algo que a Bíblia não traz.
O nome na Bíblia
Os léxicos ligam Diná à raiz hebraica dîn, “julgar, defender uma causa”, da qual vêm o substantivo “juízo, causa” e o nome Dã. A raiz é bem atestada no hebraico e também no aramaico, onde din é “juízo” (), de modo que a proposta é plausível. A forma Dinah seria um feminino dessa palavra, com o sentido de “julgamento” ou “justiça”. Mas há um dado a considerar: o sentido não é declarado pelo texto, e a Bíblia não faz com Diná o jogo de palavras que faz com Dã, filho de Bila, em , quando Raquel diz “Deus me julgou” (verbo dîn) e por isso o menino se chama Dã. Por isso muitos comentaristas falam em “sentido provável”, e não em sentido seguro.
A tradição judaica tentou preencher essa lacuna. Rashi, comentando , apoia-se no Talmude (Berakhot 60a): Léia, que já tinha seis filhos, teria “julgado a si mesma” e orado para que o filho esperado fosse menina. O raciocínio era que Jacó teria doze filhos, seis dela e dois de cada serva, e que, se o sétimo também fosse menino, Raquel ficaria com menos filhos do que as servas. Essa leitura explica o nome por um julgamento íntimo de Léia e é um exemplo de midraxe, não uma etimologia filológica; deve ser tratada como interpretação de sábios posteriores.
Outras leituras tomam o nome de como ironia: a moça cujo nome evoca “julgamento” é aquela cujo caso é decidido pela violência dos irmãos e não por um tribunal. Essa é uma leitura literária, não uma afirmação do texto. Comentaristas como Gordon Wenham e Nahum Sarna chamam a atenção para o fato de que o capítulo trata de honra, de aliança e de vingança, e que Jacó, mais tarde, amaldiçoa a ira de Simeão e Levi (). O livro dos Jubileus, obra judaica antiga que não consta na Bíblia da maioria das igrejas, retoma o episódio com foco na proibição de casamentos com estrangeiros, o que mostra como o capítulo foi relido em contextos diferentes.
No português, o nome chegou como Diná, pela tradição de Almeida; as formas Dina e Dinah circulam em registros civis. Dina também pode ser apelido de nomes como Claudina, o que explica parte de seu uso fora do contexto bíblico. Como nome pessoal no Brasil, Diná é incomum, e quem o escolhe costuma fazê-lo pelo vínculo com a narrativa de Gênesis, aceitando que o sentido de “julgamento” é provável, mas não demonstrado.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Diná significa “justiça de Deus”.
O nome não contém o elemento divino (El ou Yah). A raiz din significa “julgar”, e o sentido provável é só “julgamento” ou “justiça”.
Dizem que:A Bíblia diz que Diná foi culpada pelo que lhe aconteceu por ter saído sozinha.
O narrador chama o ato de Siquém de coisa que “não se devia fazer” () e não atribui culpa a Diná. A ideia de que ela provocou o episódio vem de leituras posteriores, não do texto.
Dizem que:A Bíblia conta que Diná viveu numa “tenda vermelha” entre mulheres e se casou depois.
Essa imagem vem do romance A Tenda Vermelha, de Anita Diamant (1997). Depois de e da lista de 46:15, o texto bíblico não diz mais nada sobre Diná.
Vale a pena escolher este nome?
Para quem pensa em Diná como nome, vale saber que o significado “julgamento” ou “justiça” é provável, mas não vem explicado pela Bíblia, e que a personagem aparece em um dos capítulos mais duros de Gênesis. A escolha é possível e respeitosa quando se conhece essa história, sem atribuir ao nome virtudes ou sentidos que o texto não lhe dá.
Fontes consultadas4
- Brown, Francis; Driver, S. R.; Briggs, Charles A.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
- Köhler, Ludwig; Baumgartner, Walter. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Sarna, Nahum M.. Genesis (JPS Torah Commentary), 1989.
- Wenham, Gordon J.. Genesis 16-50 (Word Biblical Commentary), 1994.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que significa o nome Diná?
Provavelmente “julgamento” ou “justiça”, a partir da raiz hebraica din, “julgar”. A Bíblia não explica o nome, então o sentido é uma dedução dos estudiosos.
Quem foi Diná na Bíblia?
Foi a filha de Jacó e Léia, a única filha de Jacó citada pelo nome. Aparece em e tem papel central em .
Diná e Dã têm o mesmo significado?
Os dois nomes se ligam à raiz din, “julgar”. Dã tem a explicação dada pelo texto (), enquanto Diná não tem.
Diná é um nome comum no Brasil?
Não, é incomum. A grafia Dina é um pouco mais frequente e também pode ser apelido de outros nomes.