Jesus mandou dizer "somos servos inúteis"?
A parábola é uma das mais desconfortáveis dos evangelhos, e o desconforto é intencional. Depois de fazer tudo o que foi mandado, a instrução é dizer: somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer.
4 passagens difíceis neste capítulo, explicadas com contexto histórico, línguas originais e as leituras cristãs que disputam o sentido.
A parábola é uma das mais desconfortáveis dos evangelhos, e o desconforto é intencional. Depois de fazer tudo o que foi mandado, a instrução é dizer: somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer.
Ao encontrar dez leprosos, Jesus não os toca nem declara a cura ali mesmo: ordena que vão se mostrar aos sacerdotes, procedimento previsto em Levítico 14 para confirmar oficialmente a cura de doenças de pele. O detalhe notável é que, no momento da ordem, nenhum deles ainda estava visivelmente curado; a cura acontece "enquanto iam", no meio do caminho, antes de chegarem ao sacerdote. Isso significa que os dez precisaram obedecer e agir com fé em uma promessa implícita, sem confirmação visual prévia, seguindo um procedimento levítico normal de verificação em vez de receber uma declaração imediata e visível de cura instantânea diante de todos ali presentes.
A preposição grega é *entos*, e ela admite as duas traduções — "dentro de" e "no meio de". A escolha muda bastante o sentido.
Jesus responde aos fariseus e depois aos discípulos sobre a vinda do Reino de Deus e o "dia do Filho do Homem". Ele avisa que esse dia chegará de repente, como um relâmpago, e compara ao tempo de Noé: as pessoas seguiam a rotina normal até a enchente "levar a todos". Nesse cenário diz: numa cama, um será tomado e o outro deixado; num moinho, uma será tomada e a outra deixada; num campo, um será tomado e o outro deixado.