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Significado Bíblico
Fora da BíbliaAchado arqueológicointermediária

Papiro Rylands P52

Qual é o manuscrito mais antigo do Novo Testamento?

Ficha do documento

Data provável
c. 125 d.C. (faixa discutida entre c. 100 e 150 d.C., com propostas de alguns estudiosos estendendo-a até o fim do séc. II ou início do séc. III d.C.)
Língua
grego koiné
Onde se preserva
Biblioteca John Rylands, Universidade de Manchester, Reino Unido (catálogo: Papiro Rylands Grego 457)

Status por tradição

Tradição judaicaFora do cânonO cânon judaico não inclui os escritos do Novo Testamento.
Igreja CatólicaCanônicoO papiro é um manuscrito antigo do Evangelho de João, livro canônico em todas as tradições cristãs.
Igreja OrtodoxaCanônicoMesmo status: testemunha material de um livro já reconhecido como Escritura.
Ortodoxa EtíopeCanônicoO Evangelho de João integra o cânon comum a todas as igrejas cristãs históricas.
Tradições protestantesCanônicoMesmo status nas tradições protestantes.

Resposta curta

O Papiro Rylands P52 é um pequeno fragmento de papiro egípcio, do tamanho de um cartão de crédito, considerado o manuscrito do Novo Testamento mais antigo já identificado. Nos dois lados há texto grego do Evangelho de João: no recto, ; no verso, , parte do interrogatório de Jesus diante de Pilatos. Comprado em 1920 no mercado de antiguidades do Egito, junto com um grande lote de papiros, ficou sem identificação por mais de uma década.

Só em 1934 o papirólogo Colin H. Roberts reconheceu o texto joanino e, comparando o estilo da escrita com o de outros papiros egípcios datáveis, propôs uma data entre 100 e 150 d.C. Hoje o fragmento é preservado na Biblioteca John Rylands, em Manchester, e segue como referência central nos debates sobre a datação e a circulação do Evangelho de João.

Passagens bíblicas relacionadas

Em palavras simples

O Papiro Rylands P52 é um pedacinho de papiro egípcio, do tamanho de um cartão de crédito, com poucas linhas do Evangelho de João escritas em grego. É considerado o fragmento mais antigo já encontrado de qualquer livro do Novo Testamento. Foi comprado no Egito em 1920, mas só foi reconhecido em 1934, quando um estudioso percebeu que aquelas linhas eram de . Pelo estilo da letra, ele foi datado de mais ou menos 100 a 150 d.C., e hoje fica guardado numa biblioteca na Inglaterra.

O que o documento conta

Em 1920, o papirólogo Bernard Grenfell comprou no Egito um grande lote de papiros para a Biblioteca John Rylands, da Universidade de Manchester. Entre milhares de fragmentos administrativos, contratos e cartas do Egito romano, havia um pedacinho quase ilegível de cerca de 9 por 6 centímetros, escrito dos dois lados em grego. Como acontece com boa parte dos achados papirológicos, ele ficou catalogado sem identificação precisa por anos, arquivado junto com outros fragmentos de proveniência incerta, comprados sem escavação controlada e sem contexto arqueológico documentado.

Só em 1934 o classicista Colin H. Roberts, revisando a coleção, reconheceu no texto grego trechos do capítulo 18 do Evangelho de João — o interrogatório de Jesus por Pilatos. Roberts publicou sua identificação em 1935, propondo, a partir da comparação com outros papiros egípcios de data conhecida (um método chamado paleografia, que analisa o estilo da caligrafia), uma datação para a primeira metade do século II d.C., com uma estimativa central por volta de 125 d.C.

Essa proposta ganhou peso porque, até então, alguns estudiosos do século XIX defendiam que o Evangelho de João só teria sido composto na segunda metade do século II d.C. Um fragmento já circulando no Egito — região distante da provável origem do evangelho na Ásia Menor — com data tão antiga tornava essa hipótese tardia insustentável, ainda que não determine sozinho a data exata de composição do evangelho, apenas um limite depois do qual ele já existia e circulava.

O fragmento é hoje catalogado como Papiro Rylands Grego 457 e permanece na Biblioteca John Rylands, em Manchester, onde pode ser consultado por pesquisadores. Sua identidade de autor é desconhecida — trata-se de uma cópia anônima, feita por um copista comum, não de um autógrafo do evangelho. Por sua raridade e pelo papel central que ocupou nos debates sobre a datação do Novo Testamento, tornou-se um dos artefatos mais estudados da papirologia bíblica, citado em praticamente todo manual introdutório sobre a transmissão do texto do Novo Testamento.

Aprofundamento

Fisicamente, o P52 é minúsculo: um retângulo irregular de papiro com cerca de 8,9 por 6 centímetros, menor que uma folha de caderno e comparável, em área, a um cartão de crédito grande. No recto (frente) estão fragmentos de ; no verso, de — um recorte estreito do relato em que Pilatos interroga Jesus sobre sua realeza ("Meu reino não é deste mundo"; "Para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade"). O fato de haver escrita nos dois lados indica que o fragmento pertencia a um códice — um livro de páginas, não um rolo —, o que é significativo porque os primeiros cristãos adotaram o formato de códice para seus textos de maneira precoce, diferente do costume judaico e greco-romano de usar rolos para textos religiosos e literários.

A datação de Roberts (c. 100-150 d.C., com estimativa central em torno de 125 d.C.) tornou-se, por décadas, quase um consenso popular, repetida como se fosse uma data fixa. Mas a paleografia — comparar o estilo de uma caligrafia à de outros documentos datados por outros meios (como um contrato com data explícita) — é um método com margem de erro considerável, porque estilos de escrita podem persistir por gerações. Em 2005, o papirólogo Brent Nongbri publicou um artigo influente reexaminando os paralelos usados por Roberts e argumentando que o intervalo razoável de datação deveria ser mais amplo, potencialmente estendendo-se até o fim do século II ou mesmo o início do século III d.C. Isso não descarta a data tradicional, mas mostra que ela é uma estimativa com incerteza real, não uma certeza científica.

Independentemente da data exata, o P52 continua sendo, por consenso, o fragmento identificado mais antigo de qualquer manuscrito do Novo Testamento — outros papiros muito antigos, como o P90 e o P104, também do Evangelho de Mateus e João, disputam datas próximas, mas nenhum tem identificação e publicação tão antiga e debatida. Ele não deve ser confundido com o manuscrito bíblico mais antigo em termos absolutos: fragmentos do Antigo Testamento hebraico entre os Manuscritos do Mar Morto são vários séculos mais antigos. O valor do P52 está em outro ponto: é evidência material de que o Evangelho de João, texto normalmente associado à comunidade joanina da Ásia Menor, já era copiado e lido no Egito poucas décadas depois de sua provável composição, no fim do século I d.C. — um dado modesto, mas concreto, sobre a circulação real dos textos cristãos primitivos pelo Mediterrâneo antigo.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:O P52 prova cientificamente que o Evangelho de João foi escrito por volta do ano 90 ou 100 d.C.

    O fragmento data apenas a cópia encontrada no Egito, não o original. Ele estabelece um limite máximo (o evangelho já existia quando essa cópia foi feita), mas a data de composição do texto original continua sendo inferida por outros meios, com alguma margem de discussão entre estudiosos.

  • Dizem que:A datação do P52 em cerca de 125 d.C. é um fato estabelecido e definitivo.

    Trata-se de uma estimativa paleográfica, baseada na comparação de estilos de caligrafia, sujeita a margem de erro. O estudo de Brent Nongbri (2005) mostrou que o mesmo estilo de escrita permite datações mais amplas, incluindo o fim do século II d.C.

Como diferentes tradições leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Apologética evangélica

    Costuma destacar o P52 como evidência de que o Evangelho de João é um texto do primeiro século, próximo aos eventos que narra, usando o achado para argumentar a favor da confiabilidade histórica do relato joanino.

  • Erudição bíblica católica

    Incorpora o P52 dentro do método histórico-crítico e da crítica textual como uma peça entre muitas, útil para reconstruir a história da transmissão do texto do Novo Testamento, sem tomá-lo isoladamente como prova de autoria ou de inspiração.

  • Ortodoxia oriental

    Tende a situar o valor de achados como o P52 dentro da continuidade da tradição eclesial viva que já reconhecia o Evangelho de João como Escritura muito antes de qualquer descoberta papirológica moderna, vendo no fragmento uma confirmação material, não a base, dessa continuidade.

  • Crítica histórico-crítica de linha mais cética

    Reconhece o valor do P52 como limite temporal para a circulação do texto, mas insiste, especialmente após a reavaliação de Nongbri, em tratar a datação com cautela, evitando conclusões apologéticas que extrapolem o que a paleografia pode realmente afirmar.

O que fazer com isso

Um achado como o P52 deve ser lido pelo que é: uma peça de evidência material que ajuda a situar no tempo a circulação de um texto, não uma prova definitiva de data exata nem um documento que "resolve" debates teológicos. A datação paleográfica é uma estimativa com margem de erro, revista por novos estudos. O valor histórico do fragmento está em mostrar, com humildade científica, como textos antigos se copiavam e viajavam — e em convidar o leitor a se interessar por como a Bíblia chegou até nós.

Fontes consultadas3 obras
  • Colin H. Roberts. An Unpublished Fragment of the Fourth Gospel in the John Rylands Library, 1935.
  • Brent Nongbri. The Use and Abuse of P52: Papyrological Pitfalls in the Dating of the Fourth Gospel (Harvard Theological Review), 2005.
  • Bruce M. Metzger e Bart D. Ehrman. The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption, and Restoration, 2005.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O Papiro Rylands P52 é o manuscrito bíblico mais antigo que existe?

Não. Ele é considerado o fragmento identificado mais antigo do Novo Testamento, mas manuscritos do Antigo Testamento hebraico, como os encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto, são vários séculos mais antigos que ele.

A data do P52 prova quando o Evangelho de João foi escrito?

Não diretamente. A paleografia dá apenas uma janela aproximada de quando a cópia foi feita, entre cerca de 100 e 150 d.C. Isso estabelece um limite depois do qual o evangelho já existia e circulava, mas não fixa a data exata de sua composição original.

Onde está o Papiro Rylands P52 hoje?

Ele é preservado na Biblioteca John Rylands, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, catalogado como Papiro Rylands Grego 457.

Por que o P52 é tão citado se é tão pequeno?

Porque, apesar do tamanho reduzido, ele foi por décadas a evidência material mais antiga conhecida da circulação do Evangelho de João, o que o tornou peça central em debates sobre a data e a difusão inicial dos textos do Novo Testamento.

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Publicado em 01/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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