Deus rejeitou Israel na parábola dos lavradores?
A abertura da parábola é uma citação. Plantou uma vinha, cercou-a, fez nela uma prensa e construiu uma torre — são os mesmos quatro elementos, na mesma ordem, do cântico da vinha de Isaías 5.

Parábolas não são fábulas com moral simples nem alegorias em que cada elemento representa alguma coisa. Elas costumam ter um golpe único, e quase sempre desconfortável, que a leitura devocional apressada suaviza.
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A abertura da parábola é uma citação. Plantou uma vinha, cercou-a, fez nela uma prensa e construiu uma torre — são os mesmos quatro elementos, na mesma ordem, do cântico da vinha de Isaías 5.
A objeção é séria e não deve ser contornada. Os servos foram às ruas e trouxeram todos os que acharam, maus e bons. Um deles é então repreendido e expulso por não estar vestido adequadamente.
É uma das parábolas mais curtas de Jesus — dois versículos — e vem cravada no meio do discurso mais longo e mais discutido dele sobre o futuro, proferido no Monte das Oliveiras em resposta à pergunta dos discípulos sobre quando o templo seria destruído e quais seriam os sinais do fim.
A recusa parece egoísta, e a explicação está no que o azeite representa dentro da parábola: algo que, por natureza, não pode ser transferido.
Um talento não era uma moeda — era uma unidade de peso, algo em torno de trinta quilos de prata, equivalente a cerca de vinte anos de salário de um trabalhador. O servo que recebeu cinco recebeu uma fortuna.
A cena descreve o julgamento final, e o critério enunciado é inteiramente de ação: comida, bebida, acolhida, roupa, visita.
É a única parábola que aparece só em Marcos, e é também a mais desconfortável para qualquer teologia de esforço.
O episódio parece arbitrário até se perceber duas coisas. A primeira é botânica: a figueira produz um fruto precoce comestível junto com as folhas. Uma figueira cheia de folhas anunciava fruto — e não tinha nenhum. Ela prometia e não entregava.
A parábola é curtíssima — três versículos, uma pergunta e uma resposta — e vem no meio de uma cena tensa: Jesus está reclinado à mesa na casa de Simão, um fariseu, quando uma mulher conhecida como pecadora entra, chora sobre os pés dele, os enxuga com os cabelos e os unge com perfume. Simão pensa, sem dizer em voz alta, que se Jesus fosse mesmo profeta saberia que tipo de mulher o está tocando.
A escolha do personagem é o argumento inteiro, e o efeito dela se perdeu com o tempo. Para quem ouvia, "bom samaritano" era quase uma contradição em termos.
A parábola é lida quase sempre como lição sobre insistir na oração: bata até abrirem. Ela pode ser isso — mas a palavra grega que sustenta essa leitura não significa insistência.
A pergunta é boa porque a lista de infrações é curta. O homem não roubou, não explorou ninguém, não sonegou e não descumpriu lei alguma. Sua terra produziu bem, e ele decidiu guardar.