Se "o Pai é maior do que eu", Jesus é Deus?
O mesmo evangelho traz as duas afirmações. Em 10:30, "eu e o Pai somos um" — e a reação é apedrejamento por blasfêmia. Em 14:28, "meu Pai maior é que eu".

Algumas tensões desaparecem com contexto. Outras permanecem, e a honestidade exige dizer isso. Aqui as duas coisas são tratadas do mesmo jeito: mostrando o que o texto diz antes de propor a harmonização.
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O mesmo evangelho traz as duas afirmações. Em 10:30, "eu e o Pai somos um" — e a reação é apedrejamento por blasfêmia. Em 14:28, "meu Pai maior é que eu".
Os três evangelhos sinóticos são explícitos: a Última Ceia foi a própria refeição da Páscoa, preparada no "primeiro dia da festa dos pães sem fermento", "quando sacrificavam o cordeiro da Páscoa". João, porém, parece situar a crucificação antes da Páscoa ser comida: na manhã do julgamento diante de Pilatos, os líderes judeus "não entraram no tribunal, para que não se contaminassem, mas que pudessem comer a Páscoa" (18:28) — e mais adiante chama o dia da crucificação de "a preparação da páscoa" (19:14).
Cada evangelho registra ditos diferentes de Jesus na cruz. Mateus e Marcos registram só um: o grito "Eli, Eli, lamá sabactâni" — "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". Lucas registra três ditos diferentes, nenhum deles esse grito: o pedido de perdão pelos algozes, a promessa ao criminoso arrependido, e "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". João registra outros três, também sem sobreposição com Lucas: o cuidado com Maria e o discípulo amado, "tenho sede", e "está consumado".
Atos 1:18 diz que Judas "adquiriu um campo por meio do pagamento da maldade". Mateus 27:6-8 diz que, depois que Judas devolveu as trinta moedas e se enforcou, foram os principais sacerdotes que, não podendo colocar o dinheiro no tesouro do templo por ser "preço de sangue", compraram com ele o campo do oleiro.
Atos registra quatro vezes o batismo "em nome de Jesus"; Mateus 28:19 traz "em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo".
A tensão é real e foi levada a sério desde o começo — Lutero chamou Tiago de "epístola de palha" por causa dela.