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Significado Bíblico
Dicionário bíblicoaramaicointermediária

Shultan (Domínio, Autoridade)

O que significa shultan, o domínio dado ao Filho do Homem em Daniel 7:14?

A palavra no original

שָׁלְטָן

shultan (sholtan)

Domínio, poder soberano de governar, autoridade.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • domínio e soberania
  • autoridade para governar
  • reino e império
  • poder concedido por Deus
  • domínio eterno que não passa

Resposta curta

Shultan (שָׁלְטָן) é a palavra aramaica de Daniel para domínio, poder soberano e autoridade para governar. Ocorre nas partes da obra escritas em aramaico, como em , em que Nabucodonosor reconhece que o domínio de Deus é de geração em geração, e em , onde ao "como filho de homem" são dados "domínio, glória e reino". A palavra pertence a uma raiz semítica ligada a dominar, e sua transliteração varia entre as fontes (shultan, sholtan, shoultan). O verbete mostra como o termo liga a soberania de Deus ao Filho do Homem, e por que isso importa na leitura cristã de .

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Cumprimento direto

Jesus usa "Filho do Homem" como seu título mais frequente nos evangelhos, e ao ser interrogado pelo sumo sacerdote responde com palavras que aludem a : "vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vindo sobre as nuvens do céu" (). Depois da ressurreição, declara que lhe foi dada "toda a autoridade" no céu e na terra (), ecoando o domínio recebido em . A leitura cristã vê aí o cumprimento da visão; a identidade original do "filho de homem" no texto aramaico é debatida entre as tradições.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Shultan é a palavra aramaica de Daniel para "domínio", ou seja, o poder de governar. Aparece nos capítulos escritos em aramaico, como , em que o rei Nabucodonosor reconhece que o domínio de Deus dura para sempre, e , em que ao "filho de homem" é dado domínio, glória e reino. A ideia é que os impérios humanos recebem poder por um tempo, enquanto o domínio de Deus não passa. Os cristãos leem o Filho do Homem de como Jesus. A grafia da palavra varia entre as fontes.

De onde vem a palavra

Daniel foi preservado em duas línguas: hebraico e aramaico. O trecho que vai de a 7:28 está em aramaico, a língua de comunicação do império, e é nele que vivem as grandes cenas da corte babilônica e persa: o sonho da estátua, a fornalha, a loucura de Nabucodonosor, o banquete de Belsazar, a cova dos leões e a visão das quatro feras. Em todas elas o tema de fundo é o mesmo: quem governa de fato.

É por isso que shultan, domínio, é uma palavra-chave. Nabucodonosor, depois de ser humilhado, confessa que o domínio do Altíssimo "é de geração em geração" (, numeração das Bíblias em português; veja também 4:34), e Dario escreve a todos os povos que o domínio do Deus de Daniel "durará até o fim" (). A afirmação é política e teológica ao mesmo tempo: os impérios têm um shultan emprestado, e o de Deus não passa.

O ponto culminante é . O profeta vê quatro feras que representam reinos e, diante do Ancião de Dias, alguém "como filho de homem" que vem com as nuvens do céu. A ele "foi dado domínio (shultan), glória e reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará" (7:14). Os reinos das feras tinham perdido o seu domínio (7:12), e o domínio sob todo o céu é entregue ao povo dos santos do Altíssimo (7:27). O contexto, portanto, é o da transferência de autoridade, dos impérios humanos para o reino de Deus.

Vale notar que o aramaico de Daniel não é uma língua secreta, mas a de uso comum entre os povos do império. Isso dá ao tema do domínio um alcance universal: quando o texto proclama que todos os "povos, nações e línguas" servirão àquele a quem Deus dá o reino (), proclama-o na língua que esses povos entendiam. A escolha do idioma acompanha a mensagem do livro.

Aprofundamento

A palavra aramaica שָׁלְטָן (shultan, também transliterada sholtan ou shoultan) é um substantivo ligado ao verbo שְׁלֵט (shelet), "dominar", "ter poder". Os dicionários de aramaico bíblico, como o Koehler-Baumgartner (HALOT) e o Brown-Driver-Briggs (BDB), registram o substantivo com o sentido de "domínio", "soberania" ou "poder de governo", e o verbo com o de "ter poder sobre" ou "dominar". A mesma raiz semítica, com o seu sentido de poder, aparece em outras línguas da região, e é a que está por trás da palavra "sultão" no árabe. O hebraico bíblico tem um parente próximo no verbo shalat, "dominar", como em .

No livro de Daniel, o substantivo ocorre repetidas vezes, e a distribuição é reveladora. Em (3:33 no texto hebraico) e 4:34 (4:31 no texto hebraico), o shultan de Deus é eterno; em também; em e 27 o termo aparece na grande visão. O contraste é sistemático: o domínio de Nabucodonosor, de Belsazar e das quatro feras é dado e retirado, enquanto o de Deus e o do Filho do Homem é "eterno". Em o verbo passivo "foi dado" (yehiv) indica que a autoridade é concedida pelo Ancião de Dias, e não conquistada pelo Filho do Homem.

A tradução grega de Teodocião traduz shultan por exousia em , e é essa palavra que o Novo Testamento emprega quando Jesus declara, depois da ressurreição: "Toda a autoridade (exousia) me foi dada no céu e na terra" (). O paralelo verbal é discutido: ele sugere que Jesus se apresenta como o Filho do Homem de , mas o Novo Testamento não cita diretamente nesse versículo. É uma alusão provável, não uma citação.

Há ainda uma discussão sobre a identidade do "filho de homem": a tradição cristã o entende como Cristo, a tradição judaica antiga o associou a figuras como o Messias ou o próprio povo de Israel, e alguns estudiosos modernos defendem que a figura representa coletivamente os "santos do Altíssimo" de 7:27. O texto aramaico apresenta ambos os elementos, o indivíduo e o povo, e não resolve a questão sozinho.

Um último ponto: a palavra "domínio" em Daniel não é abstrata. Em 7:14 ela vem acompanhada de "glória" (yeqar) e "reino" (malkhu), três termos de realeza que descrevem o conjunto do poder régio. O texto não diz como esse domínio será exercido, e a tradição cristã o vê exercido em parte já agora, pela ressurreição e ascensão de Cristo, e plenamente na consumação, enquanto outras leituras o situam inteiramente no futuro.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Shultan é uma palavra hebraica.

    É aramaica, e ocorre nos capítulos de Daniel escritos em aramaico (2:4 a 7:28). O hebraico tem um verbo da mesma raiz, shalat, mas o substantivo shultan pertence ao aramaico.

  • Dizem que:Daniel 7:14 diz que o Filho do Homem tomou o domínio à força dos impérios.

    O verbo é passivo: o domínio "foi dado" a ele, pelo Ancião de Dias. A autoridade é concedida por Deus, e não conquistada.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Cristã tradicional (reformada, católica, ortodoxa)

    Identifica o "filho de homem" de com Cristo, que recebe do Pai o domínio eterno, e vê o cumprimento em sua ressurreição e ascensão (; ).

  • Judaica antiga e medieval

    Entende o "filho de homem" ora como o Messias, em certos textos antigos, ora como o povo de Israel, os "santos do Altíssimo" de 7:27, e o domínio como a vindicação final de Israel.

  • Crítica histórica moderna

    Muitos estudiosos leem a figura como representante coletiva dos fiéis perseguidos no tempo do Império Selêucida, contrapondo o reino dos santos aos reinos bestiais, sem excluir leituras posteriores.

  • Dispensacionalista

    Lê como profecia de um reino messiânico futuro e visível, entendendo o domínio eterno como a futura soberania de Cristo na terra.

O que fazer com isso

Shultan lembra que o livro de Daniel trata a autoridade como algo recebido e não como algo possuído: os impérios a exercem por empréstimo, e o único domínio que não passa é o que Deus dá. Ler a palavra em seu contexto convida a medir os poderes do presente por essa régua, sem transformar o texto em um mapa de eventos políticos atuais.

Passagens relacionadas7

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
  • Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
  • Collins, J.J.. Daniel: A Commentary on the Book of Daniel (Hermeneia), 1993.
  • Goldingay, J.. Daniel (Word Biblical Commentary), 1989.
  • Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Shultan é hebraico ou aramaico?

É aramaico. Aparece nos trechos de Daniel escritos em aramaico, de 2:4 a 7:28. O hebraico tem o verbo shalat, "dominar", da mesma raiz semítica.

O que Daniel 7:14 diz sobre o domínio do Filho do Homem?

Que lhe "foi dado domínio, glória e reino" para que todos os povos o sirvam, e que esse domínio é eterno. O verbo está na voz passiva: a autoridade é concedida pelo Ancião de Dias.

Por que a grafia de shultan varia?

Porque o aramaico bíblico é transliterado de formas diferentes pelos autores. Sholtan, shultan e shoultan representam a mesma palavra, escrita com as mesmas consoantes hebraicas.

Shultan tem relação com a palavra sultão?

A raiz semítica é a mesma, ligada a poder e domínio, e a palavra árabe sultão vem dela. Isso mostra o parentesco entre as línguas, e não uma dependência direta do texto de Daniel.

Palavras próximas

Temas

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • שָׁלְטָן (shultan (sholtan)) em aramaico
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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