Psychikos (Natural, da Alma)
O que significa Psychikos na Bíblia?
A palavra no original
ψυχικός
psychikos (psychikós) · Strong G5591
Natural, animado pela alma; o que pertence à vida comum e ainda não ao Espírito.
Tudo isto ao mesmo tempo
- natural, da vida comum
- animado pela alma (psychē)
- contraste com pneumatikos, espiritual
- corpo atual, antes da ressurreição
- condição de quem não tem o Espírito
Resposta curta
Psychikos (ψυχικός) é o adjetivo grego derivado de psychē ("alma, vida") e descreve o que pertence à vida natural, animada pela alma, em contraste com o que vem do Espírito (pneuma). Aparece seis vezes no Novo Testamento: ("o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus"), (duas vezes) e 15:46 (corpo "natural" semeado, corpo "espiritual" ressuscitado), e . A tradução importa porque versões antigas verteram "animal" ou "sensual" em alguns desses lugares, o que sugere o sentido de "pecador". O termo, porém, descreve primeiro uma condição, a de quem vive só pela vida natural e ainda não recebeu o Espírito, e não necessariamente uma conduta má.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
TipologiaEm , Paulo organiza o contraste entre o corpo psychikon e o corpo pneumatikon em torno de duas figuras: o primeiro Adão, "alma vivente" (), e o último Adão, Cristo, "espírito vivificante". Quem traz a tipologia é o próprio apóstolo: o corpo natural vem de Adão, e o corpo ressuscitado, de Cristo ressuscitado, de quem os crentes recebem a imagem. Psychikos nomeia, nesse arco, a condição adâmica da qual a ressurreição de Cristo abre a saída.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Psychikos é um adjetivo grego que vem de "alma" (psychē) e quer dizer "natural", "da vida comum". Paulo o usa em para falar do homem natural, que não aceita as coisas do Espírito, e em para o corpo natural que será semeado antes da ressurreição. Aparece seis vezes no Novo Testamento. Algumas traduções antigas verteram "animal" ou "sensual", o que dá ideia de pecado, mas o sentido principal é de quem vive só da vida natural e ainda não recebeu o Espírito. Não significa, por si só, uma pessoa má.
De onde vem a palavra
O adjetivo psychikos se forma a partir de psychē, que na língua grega pode significar "vida", "alma" ou "pessoa". Aplicado a pessoas ou corpos, descreve aquilo que é animado pela psychē, a vida comum dos seres humanos. Não é, em si, um termo de condenação. Por isso a palavra só ganha peso moral quando o contexto a coloca em oposição a pneumatikos, "espiritual", como Paulo faz em Coríntios.
A passagem mais conhecida é : "Ora, o homem natural (psychikos anthrōpos) não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente". O contexto é o contraste entre a sabedoria deste mundo e a sabedoria que Deus revela pelo Espírito (2:6-13). Em 3:1-3, Paulo diz que não pôde falar aos coríntios como a "espirituais" (pneumatikois), mas como a "carnais" (sarkinois ou sarkikois, conforme o manuscrito), o que mostra que ele usa vários termos diferentes para condições diferentes.
Em , o contraste é entre o corpo "natural" (sōma psychikon) e o corpo "espiritual" (sōma pneumatikon), a propósito da ressurreição. Aqui não há valor moral nenhum: psychikon descreve o corpo atual, animado pela vida da alma. Paulo explica no versículo seguinte citando , em que o primeiro homem, Adão, tornou-se "alma vivente" (psychēn zōsan), ao passo que o último Adão tornou-se "espírito vivificante".
Nos outros dois usos, o sentido muda de tom. Em , a sabedoria que não vem do alto é "terrena, natural, demoníaca" (epigeios, psychikē, daimoniōdēs). Em , os que causam divisões são chamados "sensuais" ou "naturais" (psychikoi), e o texto acrescenta que são os que "não têm o Espírito" (pneuma mē echontes). Nesses dois lugares a palavra tem coloração claramente negativa, ainda que o grego não diga por si só se o defeito é moral ou apenas a falta do Espírito.
Aprofundamento
A tradução do termo é um problema real. Muitas versões em português vertem psychikos por "natural" em e 15:44, mas a Almeida Revista e Corrigida traz "corpo animal" em 15:44, seguindo a tradição latina que usa animalis (de anima, alma). Em português, "animal" soou depreciativo, como se o texto falasse de uma vida sub-humana, quando o grego quer dizer "da psychē", a vida comum. "Carnal" também engana, porque Paulo usa sarkikos e sarkinos (de sarx, carne) para outra coisa. Cada um dos três adjetivos, psychikos, sarkikos e pneumatikos, nomeia uma condição distinta.
O ponto mais debatido é quem é o psychikos de 2:14. A maioria dos comentaristas, como Fee e Thiselton, entende que Paulo contrasta duas condições: quem tem o Espírito e quem não o tem. Nessa leitura, o "homem natural" é a pessoa que ainda não recebeu o Espírito e, por isso, não percebe a mensagem da cruz como sabedoria. A palavra descreve uma limitação, e não uma maldade particular: o psychikos pode ser religioso, culto ou moral. O problema não é ética, mas o fato de a revelação se discernir "espiritualmente".
Outra questão é a relação entre 2:14 e 3:1. Se o crente imaturo é "carnal" (3:1), qual a diferença para o "natural"? Muitos intérpretes entendem que Paulo trata dois quadros: o do incrédulo (psychikos) e o do crente que ainda age segundo padrões humanos (sarkinos). Outros leem os dois termos de forma mais próxima. O texto não os equipara de forma explícita.
e mostram o outro lado do uso. Em Tiago, a "sabedoria" de inveja e contenda é rotulada como terrena, natural e demoníaca, em oposição à sabedoria "do alto" (3:17). Em Judas, os psychikoi são pessoas que provocam divisões, e a causa apontada é que "não têm o Espírito". Nos dois casos o adjetivo ganha tom pejorativo pela vizinhança, não por significar "mau" em si. O leitor deve notar a diferença entre o sentido básico da palavra (da vida natural) e o efeito que o contexto lhe dá.
Por fim, convém evitar duas simplificações. Psychikos não se identifica com "alma" como parte do ser humano oposta ao corpo: em 15:44 o próprio corpo é psychikon. E não se deve ler o termo à luz dos gnósticos valentinianos, que no século II dividiam as pessoas em materiais, psíquicas e espirituais; essa classificação é posterior e depende de outro sistema de pensamento, embora use as mesmas palavras de Paulo.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Psychikos significa "carnal" ou "pecador", e o homem natural de 1 Coríntios 2:14 é alguém imoral.
Psychikos vem de psychē (vida, alma) e descreve a condição de quem vive só pela vida natural, sem o Espírito. Paulo usa outras palavras (sarkikos, sarkinos) para a carnalidade, e em o termo qualifica o corpo atual, sem valor moral.
Dizem que:Psychikos prova que a Bíblia divide o ser humano em corpo, alma e espírito como três partes.
O adjetivo contrasta modos de existência (natural e espiritual), e em 15:44 o próprio corpo é psychikon. Textos como alimentam o debate sobre tricotomia, mas psychikos, sozinho, não o resolve.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Reformada / evangélica geral
Lê o homem natural de 2:14 como a pessoa não regenerada, incapaz de discernir as coisas do Espírito sem a obra do Espírito, e distingue essa condição da imaturidade do crente "carnal" de 3:1.
Católica
Entende o contraste entre o ser humano natural e o que vive pela graça, em continuidade com a distinção tomista entre natureza e graça, sem concluir que o ser humano natural é desprovido de toda capacidade de conhecer o bem.
Tricotomista (Watchman Nee e outros)
Vê em psychikos uma vida regida pela alma (mente, emoção, vontade), distinta da vida regida pelo espírito, e aplica a distinção também a crentes que vivem segundo a alma, como em The Spiritual Man.
Pentecostal / carismática
Destaca o contraste entre quem tem e quem não tem o Espírito, e insiste que a percepção das coisas de Deus depende da ação do Espírito, não só do intelecto.
O que fazer com isso
Ler psychikos com cuidado evita um uso apressado da palavra "natural" como acusação. Paulo não insulta quem ainda não crê; descreve uma condição em que a mensagem do Espírito não é percebida como sabedoria. A leitura convida a humildade, porque o discernimento espiritual é apresentado como dom, e não como mérito, e a paciência com quem está fora dessa percepção.
Passagens relacionadas7
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas5 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Fee, G.D.. The First Epistle to the Corinthians (NICNT), 1987.
- Thiselton, A.C.. The First Epistle to the Corinthians (NIGTC), 2000.
- Kittel, G.; Friedrich, G. (eds.). Theological Dictionary of the New Testament, 1964.
- Nee, W.. The Spiritual Man, 1928.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quantas vezes psychikos aparece no Novo Testamento?
Seis vezes: :44 (duas vezes) e 15:46, e .
O homem natural de 1 Coríntios 2:14 é o incrédulo?
A leitura mais comum é que sim: quem ainda não recebeu o Espírito. Paulo contrasta essa condição com a do crente em 2:15-16, e usa termos diferentes para o crente imaturo em 3:1-3.
Por que a ARC diz "corpo animal" em 1 Coríntios 15:44?
Porque segue a tradição latina da Vulgata, que traduz psychikos por animalis (de anima, alma). O sentido do grego é "animado pela alma", a vida natural, e não "bestial".
Psychikos é o mesmo que sarkikos?
Não. Psychikos vem de psychē (alma, vida) e sarkikos, de sarx (carne). Paulo emprega os dois em contextos diferentes, e confundi-los apaga a distinção que o texto grego faz.
Palavras próximas
Temas
- No grego
- #psychikos
- #natural
- #alma
- #1-corintios-2
- #1-corintios-15
- #espirito